segunda-feira, 28 de abril de 2014

[0852] Outro flash (ver post anterior, directamente relacionado com este)

Ildo Lobo
"(...) Um dos últimos acontecimentos que presenciei no Eden Park foi o que teve como protagonista o Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra que ali cantaram e encantaram na noite de 26 de Julho de 1999 (e não de 1998), como por lapso se indica no site do próprio coro. Foi a Dr.ª Ana Cordeiro, do Centro Cultural Português, quem me ofereceu o bilhete para o espectáculo, do qual o pai era um dos componentes. Lembro-me de que fui acompanhado pela minha amiga, professora D. Zinha Lima. A sala estava a rebentar pelas costuras. O coro arrancou, o público num silêncio impressionante, apenas interrompido por trovoadas de aplausos de cada vez que as peças terminavam. Até que se aconteceu uma surpresa: o Ildo Lobo surgiu no palco do Eden Park, para acompanhar o coro. Tchapéu di Padja e Sôdad foram duas das canções em que a hoje saudosa voz rouca do homem dos Tubarões acompanhou a mais doce dos doutores de Coimbra. 

Após uma primeira parte de canções, seguiu-se outra de tradicional fado coimbrão. No fim do espectáculo, como é hábito, um dos componentes do coro chamou os elementos do público que tivessem sido antigos alunos da Universidade de Coimbra para, em conjunto com os orfeonistas, cantarem a canção da despedida. Logo, um grupo de umas duas dezenas de pessoas se dirigiu ao palco. Entre elas, encontrava-se a Dr.ª Isaura Gomes… (...)"

7 comentários:

  1. Que sorte teve o Amigo Djack de ter visto o Orfeão no Mindelo. No meu tempo isso era impossível. Só tínhamos a Banda da Barca Sagres (quando passava) mas, tive o privilégio de ouvir os coimbrões aqui onde passaram a caminho de Bruxelas.

    A troco de hospitalidade, actuaram no anfiteatro da Universidade François Rabelais (de borla !!!). Tudo foi arranjado e foram alojados em casas de diferentes compatriotas. Lembro de ter-me cabido dois casais.
    Tiveram grande sucesso com a Comunidade lusa a vibrar.

    Relativamente ao Ildo. Nunca o ouvi ao vivo mas guardo ainda a lembrança do Pai dele e das serenas que fazia à sua apaixonada (Menina Celeste). Pena não haver gravações porque, a meu ver, a sua voz valia a do filho.
    Esse filho do Lobo não uivava, C A N T A V A !!!

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    1. Estarei enganado mas algo da Academia de Coimbra a nivel do canto terá estado em S.Vicente e que até terão os seus intérpretes adoptado o Bana, então na flo da idade, como seu mascote (sem ofensa...)...Lembro-me até que se contava que estes jóvens (!), durante a viagem de barco desde Lisboa, teriam decorado as portas de todas as casas de banho com a inscrição "Palácio das Necessidades"...
      Braça coral,
      Zito

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    2. Sim. Salvo erro aí por 1961, pela mão de Adriano Moreira, a Tuna Académica esteve no Mindelo e do grupo fazia parte gente conhecida de Coimbra (Manuel Alegre??).
      João Nobre de Oliveira

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    3. Exactamente. E queriam trazer o Bana para Lisboa ou coisa parecida. Aqui vai o texto de "A Semana" em que Alegre fala de Bana, por ocasião da morte deste:
      “Tivemos uma relação forte” disse Manuel Alegre, trauteando a morna “Xandinha” canta pelo Bana nesse disco que gravou, de propósito numa rádio local, para lhe oferecer. “Tenho-o na minha casa em Águeda. Foi o seu primeiro disco, uma prova”. Afirmou o deputado socialista e antigo candidato presidencial.

      Alegre lembrou 1959, quando não deixaram Bana entrar no Grémio de S. Vicente por “não ter sandáias” e o barulho que o seu grupo de universitários de Coimbra fez. “Bana acabou por entrar”, conta Manuel Alegre ao "semanaonline", sorrindo e acrescentando que na sequencia disso os universitários fizeram grande propaganda do Bana em Coimbra e em outros locais de Portugal.

      “Ele cantava com muita autenticidade, com a voz muito cristalina”, recordou, referindo que muito mais tarde voltou a encontrar o Bana, mas já o sentiu mais triste.

      O poeta português sentiu na alma e com “ muita pena” a morte do cantor cabo-verdiano que, segundo ele, "trazia a palavra na palma da mão”. “A forma como articulava e dizia as palavras só os grandes cantores conseguem, como a Amália Rodrigues o fazia. Ele dizia muito bem o poema da Morna”.

      Quando o conheci, ele era jovem,” era uma espécie de príncipe popular. Tinha um ar de aristrocrata. Uma revelação”,afirmou Manuel Alegre.

      E no fim, uma eterna homenagem ao Bana e à alma de Cabo Verde que cantou como ninguém: “darei o meu depoimento” para que a morna seja Património Imaterial, além de outros companheiros que conheceram o Bana. (OL)

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    4. Eu bem me parecia que já tinha ouvido contar estas histórias, que não vivi pois aínda estava em Angola...Obrigado ao JNO e ao Djack!
      Braça melódico
      Zito

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  2. A morte prematura deste homem foi uma autêntica tragédia...Ildo Lobo tinha a maior voz de Cabo Verde, de todos os tempos meus conhecidos, e teria sido considerado um cantor excepcional em qualquer parte do Mundo...Raramente terei sentido tanto a morte de alguem que nem sequer conhecia...Os Anjos ficaram a ganhar!
    Zito Azevedo

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