quarta-feira, 20 de agosto de 2014

[1059] Viagem à volta das ilhas cabo-verdianas, com paisagens de cortar a respiração. 11 - A não-ilha mais ilha de Cabo Verde: Ilhéu dos Pássaros/Djéu dos Passo

Terminamos esta volta pelas ilhas de Cabo Verde com uma não-ilha: o ilhéu dos Pássaros, sentinela rochosa  que guarda o proceloso Mar d'Canal, entre São Vicente e Santo Antão. Claro que há mais ilhéus em Cabo Verde, até mais extensos que este, mas o ilhéu dos Pássaros é especial para nós, são-vicentinos, e portanto servirá de apoteose à viagem virtual que fizemos pelo arquipélago da morabeza ao longo de vários dias. Terá sido a jornada feita no "Gavião dos Mares"? Terá sido no "Senhor das Areias"? Terá sido no "Maria Sony"? Terá sido no N/M "Santo Antão"? Se calhar foi apenas na nossa imaginação. Mas que foi uma bela passeata, isso foi. Aqui fica pois, "aquel rotcha sabim"... nalguns casos em repetição, quando haja materiais escritos diferentes. Fica também um excerto de texto de um amigo nosso que escreveu sobre esse pilar que é suporte da ponte imaginária que ligas as duas ilhas irmãs...






















(...) Enquanto isso, o "Atlântida" furava as vagas com denodo, por entre nuvens de peixes-voadores, e o ilhéu foi-se aproximando a pouco e pouco, agigantando-se até ficar muito maior do que eu supunha, quando o via do cais ou da Matiota. Observando-o de perto, parecia-me agora um enorme ferro de engomar, sobre o lençol marítimo do canal. Atracar no desembarcadouro, foi difícil. As vagas empurravam o barquito violentamente de encontro à rocha, o que, apesar da molhelha, protecção que tinha à volta da amurada, lhe podia ser fatal. A custo, o Xavier e o Rocha, com a ajuda de croques, conseguiram fixá-lo o tempo suficiente para podermos desembarcar. Saltámos para terra, recebemos deles a caixa de ferramentas e os nossos sacos de mantimentos e roupa, despedimo-nos, o "Atlântida" deu meia volta e começá-mos a subida. 

O caminho era facilitado por troços de escadaria, o que o tornava bem mais acessível que aquele que levava ao farol da Ponta Machado. Passámos a cisterna e pouco depois, a meia encosta, estávamos na casa do faroleiro. Do lado esquerdo havia uma varanda de madeira em ruínas e uma cozinha, também em mau estado. A construção principal, ameada a toda a volta, apresentava-se em melhores condições. Pousámos as nossas coisas e, antes do jantar, fomos ver o farol. Ainda era necessário subir escadas de novo, antes de chegarmos ao terraço onde estava a lanterna que trabalhava a oxiacetileno industrial, para ali levado em garrafas. O Livramento deu início a algumas beneficiações, enquanto eu observava os arredores com o binóculo que levara da casa do faroleiro. (...)



3 comentários:

  1. GRANDE COLECÇÃO...Tenho pena de nunca ter conseguido visitá-lo!

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  2. O Djeu é o artista principal nesta colecção. Estes postais antigos são interessantes e incito o Djack a não se saciar na sua pesquisa. Mas quem é o autor do texto amigo do Djack? Isto faz-me lembrar uma passagem do livro Capitania.

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  3. Imagens históricas, inéditas do Ilhéu dos Pássaros Djeu do Tempo de Canequinha mais de 1 séculos. Great José F Lopes

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