sexta-feira, 22 de agosto de 2014

[1061] Na Pracinha d'Igreja, Mindelo, São Vicente, Cabo Verde, século XXI, os documentos não se arquivam. Deitam-se para o lixo!!!

Pd'B interrompe excepcionalmente o seu interregno de trabalho, dado que leu notícia assaz grave sobre São Vicente que o estarreceu. Segundo a mesma, está prestes a ir para o lixo importante documentação histórica relacionada com a ilha, alusiva aos séculos XIX e XX. Parece afinal que nós, mindelenses e aderentes, que temos a mania de lançar a culpa dos nossos males para terceiros, possuimos o cancro do desleixo e do desprezo pelo passado na nossa própria casa-mãe, aquela que mais que todas, deveria ser a guardiã da nossa memória...

Já agora, e para completar este lamento, é de referir o desgosto que tivemos quando em 1999 consultámos o arquivo da Capitania dos Portos. Ele era pó aos quilos, ele era traça aos montes, ele era livros com páginas amachucadas por cima de outros rasgados, uns sobre caixas de arquivo de gavetas abertas, dezenas pelo chão, enfim, um pavor cuja visão apocalíptica nunca mais conseguimos extrair da nossa memória. Ainda hoje, consideramos o maior milagre da nossa vida termos dado com o livro sobre faróis que procurávamos - tarefa talvez facilitada pelo nosso faro investigativo e pela extrema simpatia e empenho de uma funcionária que nos ajudou na pesquisa. Encontrava-se ali parte significativa da história do Porto Grande a degradar-se, a corroer-se, a desaparecer. Hoje, como estará?

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4 comentários:

  1. Comentei, com um "post" no "Arrozcatum"...

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  2. A CMSV não pode nem deve destruir parte do acervo histórico da ilha sem ser avaliada o que está em jogo Também vejo com maus olhos o envio deste parte da história da ilha para os Arquivos da desleixada República de Santiago pois todos sabemos a que destino foi votado o património histórico da ilha. Já estamos escaldados. Vamos seguir este assunto com atenção devida. Um dia teremos que processar as pessoas envolvidas em crimes relativos a destruição patrimonial na ilha. Os franceses dizem Trop C'EsT TrOP

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  3. O português é avesso às metodologias de organização, arquivo e salvaguarda de documentação. Falo com conhecimento de causa, pois nem as forças armadas (onde andei quase 40 anos) se salvam.
    Ora, o cabo-verdiano sai ao português em muita coisa, e normalmente para pior. Portanto, calculo que em matéria de arquivo as coisas devem andar uma lástima na nossa terra.

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