domingo, 7 de dezembro de 2014

[1154] Rui Freitas sobre João Vário (pseudónimo de João M. Varela), cientista e escritor mindelense

João Vário (Blogue Esquina do Tempo)
Caros, uma informação.

Parte do espólio do Professor Doutor João M. Varela foi imortalizado (clique no link a seguir) em http://memoria-africa.ua.pt/Library/JoaoVario.aspx sobretudo full access às poucas tiragens da revista ANAIS e também das suas obras literárias mais sonantes.

(1) Um caso de estudo antropológico-literário-cientifico?

(2) E os demais membros da então fundada "Academia de Estudos de Culturas Comparadas" que produzia ANAIS"? Com o desaparecimento físico do seu Director JMV parece tudo sucumbir em vão? AECCOM ainda existe?

Saudações, RF
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Algumas das frases que simplesmente imortalizam o Professor Varela…


Não se pode ser culto e manhento ao mesmo tempo.

Em Cabo Verde aplica-se o principio de mais valia inversa.


Em Cabo Verde existe três tipos de gente: (1) passadores de pau, (2) matadores do burrinho do bispo e (3) discutidores de merdinhas enfeitadas

De: João Manuel Varela, MD PhD (1937-2007)

Rui Freitas é cabo-verdiano e docente da Universidade de Cabo Verde:
Tem direccionado a sua investigação no conhecimento da biodiversidade da ictiofauna (peixes) de Cabo Verde e contribuído em vários estudos de avaliação do Ambiente e Recursos Marinhos de zonas costeiras no Arquipélago. Defendeu recentemente uma tese de mestrado com vista a compreender a estrutura de comunidades bentónicas (de fundo) e de peixes recifais na AMP (Área Marinha Protegida) de Santa Luzia e segue doutoramento com tópicos interdisciplinares em Ecologia, Evolução e Conservação de Peixes Recifais de Cabo Verde. Conta para esse fim com o apoio de especialistas brasileiros (UFF e UFSC) para estudos de ambientes/sistemas recifais.

5 comentários:

  1. Nunca vi o Professor Varela e pouco conheço da sua obra. Mas é o bastante, somado ao que li de outros sobre ele (bem e mal), para sentir uma enorme admiração e respeito por este Homem. A sua idiossincrasia pouco tem a ver com a nossa, e isso é verdadeiro em todos os sentidos. Creio que é por esta circunstância que ele despertou incompreensão e animosidade a muitos. Circunstância particularmente marcada pela sua capacidade de não se submeter ao encantamento da nossa pequenez e das nossas fatalidades, no desejo veemente de querer olhar tudo de um ponto mais alto para ver melhor e mais lucidamente a realidade. Algo me diz que é por isso mesmo que ele é e será sempre Grande no meio de muitos pequenotes.
    Contudo, admito que outros poderão ter uma opinião mais abalizada do que a minha, visto que, reafirmo, não o conheço tanto como desejaria.

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    1. Seja como for, mais um pequeno/grande texto do nosso amigo Adriano. Quanto a mim, só vi João Vário uma vez, numa palestra que fiz no Centro Cultural Português do Mindelo, quando andava em trabalhos do livro "Capitania", por 1999. O senhor estava no público mas acabei por não ter ocasião de falar com ele. Agora que é uma figura da ciência e cultura cabo-verdianas, disso não resta qualquer dúvida.

      Braça científica,
      Djack

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  2. Gente deste calibre não é bem vinda ao sistema embora tentam idolatrá-lo depois da morte, pois já não incomoda. Estas frases do João Vário são inconvenientes.

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  3. Conheci o João Vário (Junzin de nha Bia D’Ideal) ainda criança, na Rua de Morguino. Filho de uma família modesta, começou cedo a trabalhar para financiar os estudos. A professora Celeste Pereira apercebendo-se da sua inteligência, deu-lhe os apoios necessários para frequentar o Liceu Gil Eanes. A esta digna professora, ele dedicou um dos seus livros de poemas do ciclo Exemplos. Enquanto estudante do Liceu, João Vário deu aulas privadas do segundo e quinto anos a vários jovens, de que se destacavam o seu irmão Toi Neves e Corsino Fortes. Foi também presidente do grupo Vindouros, a que pertenciam José Pinto, hoje médico reformado em Portugal, os filhos de Nhô Djunga do Liceu, Gonçalo e Leopoldo e também o meu irmão, já falecido, Teodoro Bolivar Silva. Chegou a escrever um pequeno poema épico para ser musicado como o hino do grupo mas de que não mais tive notícias. Publicou em 1957 o livro de poemas Horas sem carne, que viria a retirar do mercado, tendo estado em São Vicente nos fins dos anos cinquenta.
    Em Coimbra, onde se formou em medicina, começou a ler novos poetas como Dante, Saint John Perse, Senghor e frequentou uma nova geração de poetas portugueses à procura de um estilo próprio e de uma temática mais universalista. Segundo ele, a poesia das às secas, das fomes e da emigração já tinha sido bem escrita por Osvaldo Alcântara e Jorge Barbosa e ninguém podia fazer melhor. Quanto a ele, procurava escrever a poesia do futuro, aquela que o « cabo-verdiano espera ». Numa discussão, num café, com Ovídio Martins sobre a função da poesia, os dicursos de ambos desencontraram-se e Ovídio em resposta, num guarda-napo, escreveu o poema Eu não Vou para Pasárgada, publicado no seu livro Cem poemas. Mais tarde Onésimo Silveira, no seu ensaio cítico à literatura claridosa Consciencialização na Literatura Cabo-verdiana, afirmava : Esta é a geração que não vai para a Pasárgada ». E o tema da pasárgada criou enormes conflitos de interpretação a que o próprio Baltasar Lopes veio a terreiro responder violentamente a Ovídio Martins no jornal Voz di Povo.
    Em 1965, João Vário fugiu de Portugal para a França e Bélgica, mantendo-se sempre perto da comunidade cabo-verdiana e continuando com o ciclo poético dos Exemplos. Tinha o projecto de criação de uma revista chamada Macronésia onde queria reagrupar todos os ilhéus do Atlântico. Este projecto foi realizado em Cabo Verde com a revista Anais que, infelizmente, morreu também com o seu desaprecimento físico. É pena que as pessoas mais próximas da revista, como o Dr. Arsénio Pina e o Eng° António Pedro Silva, não tenham continuado com o projecto da Academia de Ciências Comparadas.
    Luiz Silva

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    1. Esperemos que o João Vário esteja atento no Além e leia estes materiais que lhe hão-de dar muito prazer - como aos restantes leitores. Bem, é uma grande presunção aqui eu achar que no Além se lê o Praia de Bote, mas que seria interessante, seria.

      Braça ilusório,
      Djack

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