segunda-feira, 26 de setembro de 2016

[2510] Porto Grande, também num Abril mas de 1923 (veja post anterior)

Manuel Firmino de Almeida da Maia Magalhães foi governador de Cabo Verde entre 1919 e 1921. Ver AQUI foto e pequena biografia do antigo governador que também o foi de Macau, tal como mais tarde o já nosso conhecido António Lopes dos Santos.


4 comentários:

  1. Este artigo do jornal O Século nos dá conta da importância que o Porto Grande tinha, facto unanimemente reconhecido a nível nacional. Ficamos a saber do grande empenhamento do então governador Manuel Firmino de Almeida da Maia Magalhães a favor do adequado apetrechamento do porto, que a ser concretizado, o tornaria, incontestavelmente, o melhor da África Ocidental. O governador queria, os cabo-verdianos queriam, os portugueses queriam... O problema é que Portugal era na altura de débil e instável governação, como o foi em toda a I República. Seguiu-se o Estado Novo mas o homem de Santa Comba era um unhas de fome, parado no tempo, sem nunca sequer ter saído de Portugal continental. Fosse a Inglaterra a potência administrante, por certo que outro galo cantaria para o Porto Grande, porque eles, os ingleses, em matéria de negócio não brincam em serviço. No entanto, Portugal reconhecia, em especial o governador de Cabo Verde, que toda a política de fomento devia ser concebida em torno da ilha de S. Vicente e o seu porto. É o que nos diz este artigo do jornal O Século. Mas a governação andava então pelas ruas da amargura, com a queda constante de governos...

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    1. Sabes que tenho boa opinião da maioria dos governadores que tiveram os destinos de Cabo Verde em mãos (tirando um ou outro exemplar, menos abonado de ideias), sobretudo a partir de meados do séc. XIX que são os que conheço melhor. Parece-me mesmo que eles, ali chegados, se apaixonavam pelo sítio e pelas pessoas e pretendiam honestamente ser agentes de mudança e de progresso. Ora acontece que muitos deles, por isto ou por aquilo, nem aqueciam o lugar e de Lisboa a ajuda que chegava às ilhas era escassa. Não havia portanto as ditas melhorias de que terra e povo necessitavam e tudo ia ficando mais ou menos na mesma.

      Mas o teu comentário foi bem colocado e tudo que disseste é correcto. Enfim, as coisas foram como foram...

      Braça com Mindelo no coração,
      Djack

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    2. Djack, sou suspeito por ser militar. Mas o facto de esses governadores terem sido na sua maioria militares pode explicar o espírito de missão com que encaravam os seus cargos, para não falar no seu sentido de justiça e de humanidade. Ontem como hoje ainda, os militares não exercem os seus cargos como via para o enriquecimento fácil. Terminam as suas missões e regressam à sua vida anterior, sem luxos mas honrada. É ver que os militares que nos devolveram a democracia vivem simplesmente das suas pensões de reforma e habitam residências ou apartamentos modestos. O mesmo não se pode dizer da maior parte desses políticos que apareceram na cena nacional a partir da década de 80.
      Faria muito jeito aos aspirantes a políticos passarem por uma aprendizagem e prática de vida iguais às dos militares: ética, amor à pátria, disciplina, honra, pundonor, brio, aprumo moral, modéstia, espírito de camaradagem...
      Sabes bem do que digo porque és filho de militar.

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  2. Acho que tem razão o Adriano...Eram gente de acção, claro, e não de conversa estéril!
    Braça mais ou menos castrense
    Zito

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