quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

[4020] Um sujeito com linguagem imprópria, mais atrasado que racista...

Pd'B prefere dar sempre boas notícias, a não ser quando descobre algumas mesmo más... Desta vez, descobrimos duas fotos da época da construção do aeroporto do Sal, uma das quais reproduzimos hoje, com a respectiva indicação presente no verso. O autor da frase, sujeito "bronc" (ao qual, por motivos óbvios apagámos o rosto), seria engenheiro ou encarregado de obras ou teria cargo afim. Mandou a foto para casa, algures em Portugal continental, com o texto que aqui se pode ler. E a frase é o que é... Seria o homem racista ou simplesmente atrasado? Ou nem uma coisa nem outra, à semelhança do que acontecia com dois marinheiros da Capitania dos Portos de São Vicente, dois Manuéis, um dito "bronc" e outro dito "pritim", apenas para ser mais fácil distingui-los um do outro? Gostaríamos era de saber se no final dos trabalhos, se acaso tirou outra foto com trabalhadores, ainda escreveu frase semelhante ou terá posto "Aqui estou eu, com os meus operários cabo-verdianos que me ajudaram a fazer um bom trabalho". Nunca o saberemos...

Como curiosidade, lembramos que o ministro das Comunicações e restantes entidades (entre as quais Gago Coutinho que hasteou a bandeira nacional) partiram para o Sal, a fim de inaugurarem o aeroporto, a 14 de Maio de 1949 e que a inauguração teve lugar no dia seguinte, fará neste 2019 70 anos... Logo, aqui o marmanjão da foto, estaria a orientar obras suplementares, já posteriores à inauguração do aeroporto.

Fomos ainda ao nosso arquivo ver de algo mais sobre o aeroporto e entre muitas notícias demos com esta, algo divertida e a precisar de bomba de Flit... Já colocado no Pd'B e agora repescado - Ver AQUI

4.JANEIRO.1953

Diário Popular – pág. 7 – MOSCAS A MAIS NO AEROPORTO DA ILHA DO SAL – Ilha do Sal – Há poucos anos, quando aqui esteve a Missão do Instituto de Medicina Tropical a Cabo Verde, chefiada pelo sr. dr. Manuel Torquato Viana de Meira, conseguiu-se eliminar o mosquito e a mosca. O facto deu grande e natural satisfação aos habitantes desta ilha.
Agora volta de novo a afligir-nos a mosca. Além de serem incomodativas para todos, as moscas, aos milhares, dão um aspecto pouco acolhedor ao aeroporto do Sal – o seu director, sr. eng. Manuel Alexandrino, o poderia afirmar! – onde transitam passageiros de todas as nacionalidades e tripulações de aviões a caminho da Europa, América do Sul e América Central.
Ora sucede que se encontra presentemente em S. Vicente a Missão de Estudo e Combate da Malária em Cabo Verde, chefiada pelo sr. dr. Manuel Meira. Não seria possível que o Chefe desta Missão, a caminho de Lisboa dentro de algum tempo, viesse ao Sal para orientar a execução de uma desinfecção semelhante à que anteriormente fez?
Confiamos em que esta nossa razoável sugestão tenha eco junto da Direcção Geral da Aeronáutica Civil. E se assim suceder, estamos certos de que será muito facilitada no Instituto de Medicina Tropical pela boa vontade e valioso apoio do sr. professor dr. Francisco Cambournac, que já estudou e admiravelmente conhece esta pequena parcela do Império Português – M. de C.


3 comentários:

  1. O termo pret foi utilizado no seu sentido sociológico, ou seja, para desqualificar e menorizar aqueles homens só por causa da cor da pele. Claro que eles têm a cor que têm, mas são seres humanos com a mesma alma dos brancos que exercem o mesmo ofício e provavelmente sem que na qualidade do desempenho se note diferença em função da cor. Enfim, a natureza humana é como é...ainda não é capaz de resolver os seus conflitos interiores.

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  2. Cheguei a contar aqui uma sobre essa de "pret".
    Quando foi o rush das bananas, em que os madeirenses convenceram alguns agricultores a cortar o café e plantar bananas (???), um deles tinha como criada uma moça que até era bem clara que se ocupava de tudo. Um belo dia lembrou-se um gajo de a tratar de preta. Ela montou-lhe em cima e enviou-lhe chineladas na cara.
    Não so ela continuou a trabalhar como teve melhores regalias. (Autêntico)

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  3. Questão de educação cívica ou de berço que até hoje perdura. O preto não é pessoa mas uma cor por entre várias e mesmo que fosse deve ser respeitado. Até o chão que pisamos merece respeito. Portanto quem trata as pessoas por cor ainda não atingiu a elevação do espírito ou foi mal educado de berço.

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