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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

[0023] Navios do Porto Grande. Ou que por ele passaram deixando rasto... (002) N/M TREZIC

Para o n/m francês “Trezic”, tudo começa muito lá atrás, em Camaret-sur-Mer, na longínqua Finisterra bretã. Mais propriamente na península de Crozon, onde se situa esse porto francês atuneiro e lagosteiro. Daí partiam os barcos de pesca por longos meses para a Mauritânia. Por isso, nos anos cinquenta foi lançado um novo tipo de embarcação que se tornará característico da zona: o “mauritano”. Equipado com centenas de armadilhas cilíndricas, possuía câmaras frigoríficas de 15 a 30 toneladas e viveiros com capacidade para 30 toneladas para manter os crustáceos vivos. Os motores desenvolviam à volta de 400 cavalos. A exploração desenfreada da espécie e a entrada de outros países neste tipo de faina, trouxe o declínio dos “mauritanos” e a sua adaptação a outros tipos de trabalho nos finais dos anos 80. Eis pois um resumo da génese da família do nosso barco que pode ser encontrada no providencial site www.bateauxdepeche.net/langmaurcm.htm

O "Trezic", atracado ao antigo molhe de Morgat em Junho.1963. Estava a ser preparado para a sua primeira campanha de pesca. Foto da colecção Thomas Widemann (clique na imagem)


Conforme se conta em http://thoniers.free.fr/fiches/trezic.html, o “Trezic” (com a matrícula CM3137) nasce em 1963 na península de Crozon (Morgat), feito sob os mesmos planos do seu irmão gémeo, o “Maitena”, no estaleiro de Auguste Tertu no lugar de Rostellec. Tinha 24 metros de comprimento e era comandado por Henri Guéguéniat. Polivalente, dedicava-se à captura da lagosta de Outubro a Maio e à do atum em Morgat, entre Julho e Agosto, altura e que a temperatura das águas africanas não permitia a conservação das lagostas em viveiros de superfície.

Desgraçadamente, o “Trezic” apenas entrou numa campanha completa, aliás muito profícua. A seguinte seria passada na pesca da lagosta em Cabo Verde. Ao fim de algumas semanas de actividade foi vítima de um acidente que danificou muito o casco, sobretudo na zona de vante. Após encalhe, ainda se faz uma perícia que indiciava possibilidades de salvamento. Auguste Tertu manda vir de Morgat o atuneiro “Marie des Îles” traz carpinteiros e ferramental mas a operação acaba por não ter sucesso e o navio é abandonado. Tinha sobrevido apenas alguns meses.

Ora bem, chegamos ao ponto crucial da nossa “stóra”. Em Cabo Verde, sim, mas onde de facto se deu o acidente? Já o soube, mas agora desconheço-o pois as nuvens da memória tendem a confundir este acidente marítimo com o de outro barco belga que naufragou mesmo dentro do Porto Grande, carregado de cevada. Suponho que em S. Vicente é que se desenrolaram os trabalhos de tentativa de salvamento, pois era na altura o único porto do arquipélago com capacidade para isso. Seja como for, a superstrutura metálica do "Trezic” acabou na esplanada em terra batida que antecedia o cais acostável. E ali visitei muitas vezes essa carcaça cheia de magia que no entanto a partir de certa altura a perdeu pois passou a ser casa de banho pública da fauna local. Para aqueles cuja memória ainda mantém de algum modo esta imagem, ela aqui vai para a avivar.

Foto NJNS - 6.Maio.1965 (clique na imagem)

Finalmente, curtas notas sobre a foto: para além das três personagens, eu , minha mãe e tia-bisavó, pode ver-se o Ford Anglia que o meu pai comprou ao comandante de um barco grego que passou por S. Vicente (na hora do nosso regresso a Lisboa vendido ao Tuta Melo, dono do Cinema Park Miramar) e lá ao fundo  (alinhada com a carcaça do "Trezic") a sempre amada Capitania dos Portos, hoje Torre de Belém.

Posso portanto dizer, "Eu estive lá!"... numa quinta-feira, em fim de tarde...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

[0006] Junto à Praia de Bote, uns degraus desaparecidos...

Foto NJNS - 24.Junho.1965 (clique na imagem)
A antiga escada, hoje desaparecida, da velha Capitania do Portos (substituída por outra mais estreita, de modo a facilitar a circulação automóvel na zona). A foto foi tirada de manhã cedo. Todas estas "mnininha" estavam à espera que abrisse a Vascónia (Ferro e Companhia) para encherem as suas latas de 20 litros de água. Estas eram postas em fila, encostadas à parede da empresa, enquanto elas tagarelavam nos degraus da Capitania, reconfortadas pelo sol matinal. Ornamentando o degrau superior, à esquerda e direita do portão, duas balas que decoraram o local durante décadas, pintadas de vermelho, a extremidade superior de preto...