segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

[0182] VIAGEM A SANTO ANTÃO - 23-25.Julho.1999 (02)

Foto Joaquim Saial - Cais acostável do Porto Grande

Continuo sentado, à espera da hora da partida para Santo Antão. Passam mulheres, chegam passageiros que me farão companhia na viagem, vou vendo, vou observando, vou fotografando. À minha frente, os "alugueres", as carrinhas de caixa aberta com um banco no sentido do comprimento (frente e costas ou costas e frente, como se preferir...) que se vão enchendo e depois partem, assim que a lotação estiver completa. Desta feita, pelo contrário, chegam cheios ao cais acostável e regressam à morada vazios. 

A maior parte dos passageiros é constituída por emigrantes que vieram do Luxemburgo, passar férias à terra. Porto Novo, Ribeira Grande e Ponta do Sol têm muitos cidadãos a trabalhar nesse micro-país europeu. Chegam carregados com a sua bagagem, onde se impõem os edredões e as aparelhagens estereofónicas. Perguntei depois ao Fony para que querem tantos edredões em terra de calor e ele disse-me que é apenas por serem bonitos e assim decorarem bem os quartos de dormir...

Os "alugueres" têm quase todos uma banda horizontal colada no topo dos pára-brisas, com indicação do Stand Barata de Portugal. Portugal sempre presente, na nação irmã. Sinto-me em casa - ou melhor dizendo, sinto-me tão bem ali, como em casa. Ou talvez ainda melhor: esta também é a minha casa...

 CONTINUA

6 comentários:

  1. Joaquim, foi tal como senti e observei quando, em 2002, regressei a Cabo Verde e fiz a viagem a S. Antão. Lembro que tinha saído 40 anos antes. O mesmo desembarque, as mesmas carrinhas Hiace, enfim, o mesmo reencontro com a ilha vizinha. Para mim, a agradável surpresa foi a viagem de carro de Porto Novo para Ribeira Grande, pois foi a primeira vez.
    Continue com a reportagem que em breve o vamos ver a comer papaia e manga madurinhas que nem um nababo, numa daquelas ribeiras fresquinhas.

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  2. As Hiace que o pessoal chama de Iace... E eu fiz esse mesmo percurso numa, pela mesma estrada de Corda, com algumas peripécias curiosas.

    Amanhã continua a saga.

    Braça santantonense,
    Djack

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  3. Jack, meu amigo, esta da viagem a S.Antão aos soluços ainda me dá cabo do estômago...Eu sei que se deve comer devagar mas em matéria de leitura eu sou do género sôfrego...
    No meu tempo eram mais as carrinhas Peugeot a que -não sei porquê - chamavam Juvitas...

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  4. Chama-se a isto, slow voyage... Bem mastigada, bem digerida, para não prejudicar a saúde.

    Quanto às Juvitas, sabemos que fizeram de facto época e que o nome ficou para sempre na memória mindelense. Lembro-me que em 63, 64, havia apenas dois táxis no Mindelo, eles também Peugeot, um 404, o outro não sei, e que eram propagandeados na rádio local. Para além, da inesquecível carrinha do Blá, obviamente, onde viajaram milhares de banhistas fanáticos da Matiota e muitas câmaras de ar cheias, feitas bóias.

    Braça santantonense,
    Djack

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  5. Continuo viajando por essa Ilha querida que o meu ex-condiscipulo Viriato de Barros chamou de interior de S.Vicente. Para mim é expressão do que representa uma ilha para a outra sem nenhum desprimor para cada uma delas.
    Continuo viajando, convosco, mas não nos Hiaces ou Juvitas mas no dorso de uma mula no percurso Janela-Paul ou Janela-Porto-Ribeira das Patas-Altomira-Ribeira da Cruz.
    Mas, Amigos, as minhas jornadas tinham outro encanto que o vosso não tem. Ainda por cima poluem a atmosfera e os meus meios de transporte fertilizavam a terra.
    Ficam com as vossas que fico com as minhas.
    Mantenha
    Valdemar

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  6. O Viriato, amigo do peito que muito admiro, bem como a irmã-poetisa Carlota, tem coisas dessas que bem dão conta do carinho que ele nutre pela sua terra...Oi, Valdemar, gostei dessa fertilizante referencia ao "escape" da velha mula que decerto cavalgavas...Bons tempos...

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