quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

[0184] VIAGEM A SANTO ANTÃO - 23-25.Julho.1999 (04)


Foto Joaquim Saial - Os últimos passageiros, as últimas mercadorias

Foto Joaquim Saial - O N/M "Ribeira de Paul"

Está na hora. Os passageiros tiveram autorização para subir a prancha e eu vou tentar um espaço na coberta superior, onde há melhor visibilidade para os olhos e para a objectiva da máquina fotográfica. Preciso ver desaparecer o Mindelo e depois São Vicente, como três décadas antes, na minha primeira "hora di bai". Só que dessa vez, na longínqua tarde de 24 de Dezembro de 1965, o "Quanza" partira para Leste primeiro, para depois singrar quase para Nordeste, em direcção à Europa. Agora, o rumo é mais ou menos o de NNO. Mas a saída da concha do Porto Grande decerto será muito semelhante.


O "Ribeira de Paul" parece em forma e à primeira vista oferece boas condições de segurança. Pequeno, mas possante, é o "Carvalho" do presente. Cavalga diariamente as velhacas ondas do Mar de Canal, ponte a fuel que liga as duas ilhas, bem como o seu companheiro "Mar Azul".


Carregam-se as derradeiras mercadorias, chegam os últimos passageiros. A partida está eminente. O Fony chegou com o filho, mas o rapaz prefere ir em baixo e por isso viajaremos separados. Eles mergulham nas profundezas do navio, eu vou para cima, em contida expectativa.

 CONTINUA

4 comentários:

  1. Estou a ver o Zito ali na parte de fora da foto, do lado direito, com uma navalha senegalesa a cortar as amarras ao "Ribeira de Paul", para ver se ele parte de vez...

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  2. Os amigos deixam aqui as suas impressões de diasà mas nada dizem de algo que era corrente no percurso Santo Antão-São Vicente e que deu azo a uma frase "Moda gente de Sintantom".
    Dia de partida (como dia de chegada) no Penedo de Janela era como quando o "Sagres" chegava no Mindelo (comparativamente). Toda a gente dos arredores ia ver a azàfama e "dspedi de gente concide". Mas o folclore era ao deixar Penedo quando pediam "cê levé-m ess incmindinha". Como era dificil recusar, o passageiro não saia com menos de 5 a 10 embrulhos. Digamos que não causava muito embaraço porque à chegada geralmente là estavam os destinatàrios mas se não fosse assim tinha-se de ir a Rbera Bote ou Monte Sossego para as entregas. Agora a coisa é outra, né devera?.

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  3. Não me importava nada de ter ali estado ou, eventualmente, vir a lá estar...Vivo na esperança de duas coisas, neste momento: voltar ao Mindelo antes que isso seja impossivel, de todo, e inventar um sistema de acelerar o discurso do viajante Djack que mais parece um certo ministro de Portugal...

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  4. Ó mnis, bsot já pensá se em vez de Ribeira de Paul o barco fosse aquele faluchim que tinha Joquim de Nhô como capton? E se na pior das hipóteses o Djack ainda por cima apanhasse com uma calmaria em cima? Num vaivém entre o Djeu e o ilheu do Boi?
    Então é que a coisa ia dar pano para muita manga e com o caderninho de apontamentos comprado na loja do Leão a não chegar para os registos de bordo do Djack."

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