sexta-feira, 21 de maio de 2021

[4914] Lançamento do Espaço Gamboa (alusivo ao pintor Manuel Gamboa) no Centro Cultural Convento de São José, Lagoa, Algarve


 

PROGRAMA

24 de Maio de 2021

Centro Cultural Convento de S. José

Início: 19h00

 

Intervenção de abertura – Ismael Medeiros

Projeção / exibição de vídeo promocional com:

- imagens de Manuel Gamboa

- curta apresentação do logo do Espaço Gamboa

- excerto de entrevistas a autarcas, familiares e amigos

- intervenção gravada do Presidente da Câmara Municipal de Lagoa

- intervenção gravada, em alemão, de Angelika Richter (FCo)

Intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Lagoa

Projeção / exibição de curto vídeo de Manuel Gamboa (testemunho na 1ª pessoa)

Intervenção do historiador de arte Joaquim Saial

Intervenções da FCo (Fullservice Company in Multimedia, Lda.)

- o Espaço Gamboa, Angelika Richter

- museologia e museografia, Sérgio Lira

- arquitetura, Rogério Amêndoa

Declamação de poemas de Gamboa por Ana Sofia Brito

Encerramento

Primeira biografia do pintor, publicada em 1998

terça-feira, 18 de maio de 2021

[4913] Era assim, em Julho de 1969... Pasme-se!

[4912] Em Abril de 1967 havia mornas no Coro Misto da Universidade de Coimbra

[4911] Post 200 de 2021, que fala de um "dorminhoco" chamado Alberto, em Junho de 1961

[4910] Rua de Lisboa - foto de José Sequeira e Dina Dourado, 12.09.2018

[4909] Marcelo Rebelo de Sousa voltará em breve a Cabo Verde para "mergulhar no povo" e no mar cabo-verdianos

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Ulil ta dá um tchluf!

[4908] D. Jerónimo do Barco, antigo bispo de Cabo Verde, morreu... em 30 de Junho de 1852


Em nota 13 de Maio de 1818 enviada do Rio de Janeiro por Tomás António de Vila Nova Portugal (ministro de D. João VI) ao Núncio Apostólico em Lisboa, dizia-se que o Rei de Portugal (então no Brasil) nomeava D. Jerónimo do Barco bispo de Cabo Verde.

Em carta de 16 de Maio de 1932, o Núncio anunciava aos cónegos e outros dignitários da igreja de Cabo Verde que a Santa Sé aceitara a renúncia do bispo D. Jerónimo [ao que parece, por ter sido eleito deputado...]
(Arquivo da Nunciatura em Lisboa)

Foi ele que por 1824 lançou as fundações do Seminário-Liceu de S. Nicolau.

[4907] Rua do Mindelo, início do século XX


segunda-feira, 17 de maio de 2021

[4906] Centro Cultural Norberto Tavares (município de Santa Catarina, ilha de Santiago) comemora Dia Internacional dos Museus

A 18 de Maio celebra-se o dia Internacional dos Museus, este ano sob o lema “O Futuro dos Museus: Recuperar e Reimaginar”.

Refletindo sobre os efeitos da crise sanitária no setor dos museus, as comemorações deste ano propõem uma abordagem sobre a forma como os museus se reinventam para o cumprimento da sua missão.

O Centro Cultural Norberto Tavares, em parceria com o Instituto do Património Cultural-IPC, através da Direção dos Museus, realiza uma simbólica comemoração direcionada para um grupo de alunos do 6º Ano do Agrupamento I de Assomada.

A programação consta de uma Palestra subordinada ao tema “A Importância dos Museus no Desenvolvimento Socioeducativo”, que acontece pelas 10h00.

Vão estar, ainda, à disposição dos participantes uma Exposição do Espólio da Reserva do Museu Norberto Tavares e visitas guiadas.

Estas atividades cumprem escrupulosamente todas as recomendações sanitárias e estão circunscritas a um grupo de 20 (vinte) alunos e professores.

Recordamos que o Dia Internacional dos Museus foi criado em 1977 pelo ICOM (Conselho Internacional de Museus), com o objetivo de promover, junto da sociedade, uma reflexão sobre o papel dos museus no desenvolvimento comunitário. 

António Alte Pinho

Coordenador do Gabinete de Comunicação e Imagem (GCI) da Câmara Municipal de Santa Catarina, ilha de Santiago





[4905] Marcelo Rebelo de Sousa em Cabo Verde... mais uma vez!

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[4904] Médicos portugueses na Praia e no Mindelo, ajudam Cabo Verde na luta contra a pandemia

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sexta-feira, 14 de maio de 2021

[4902] "Os Flagelados do Vento Leste", edição brasileira de 1979

Nesta caso, trata-se da edição brasileira do clássico de Manuel Lopes, em trabalho cuidado da editora Ática de São Paulo. Capa de Mário Cafiero e prefácio de Luís Romano que na altura era cônsul honorário de Cabo  Verde no Rio de Janeiro. Adquirido em Portugal.

[4901] A Biblioteca do Pd'B, com mais um livro

Desta feita, a 2.ª edição cabo-verdiana do "O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo" (Ilhéu Editora), de Germano Almeida, numa generosíssima oferta do nosso amigo Zeca Soares, oitavo exemplar do livro a dar entrada na nossa biblioteca.

A 1.ª, de 1989, fora de apenas 700 exemplares; esta, de 1991, já foi de 1000. A 1.ª portuguesa, também de 1991, foi de 2500 (ed. Caminho, colecção "Uma terra Sem Amos"). O caminho de um grande livro, sempre delicioso de ler.

[4900] Foi em Abril de 1916, o "fim do mundo" em Santiago

[4899] Praia de Bote, Mindelo, ilha de São Vicente, o melhor lugar do Mundo (e arredores)

Imagem do site "Voyage Virtuel"

[4898] Orquestra Clássica do Centro (Portugal) e Mário Lúcio juntos e ao vivo, em Coimbra

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Mário Lúcio - Foto Joaquim Saial

[4897] O naufrágio do "Yves" em Agosto de 1966 frente à Praia (felizmente sem vítimas) com o novo motor do "Senhor das Areias" a bordo

[4896] Uma casa de fotografia da Praia


[4895] Quando Cabo Verde foi uma colónia francesa

A história do descobrimento de Cabo Verde, sempre foi muito mal contada. Soube-se agora (através do investigador Artur Mendes que nos enviou esta pérola) que afinal as ilhas verdianas foram primeiramente avistadas pelo navegador de Bordéus Pierre Gaspard Dupont em 1387 - o qual as colonizou em nome do rei de França. A tal data de 1460 foi afinal a da conquista das mesmas pelos portugueses, comandados em simultâneo por Diogo Afonso, Diogo Gomes, Cadamosto e António da Noli que na realidade eram irmãos, filhos ilegítimos de D. João I e de uma natural de Bubista (nascida em Sal-Rei, pois claro) que trabalhava no paço, primeira emigrante conhecida a sair das ilhas. Toda esta investigação sairá em breve em livro, pela editora "Catchupa Quent" mas como Pd'B é sempre o primeiro a apresentar as últimas, aqui vai um documento que fala dos tempos em que Cabo Verde pertencia ao país das baguettes e do fromage. Saiu no "Kinsley Graphic", de 10 de Junho de 1898. Leiam e aprendam. O texto deve ter sido escrito por um dos tais "poucos falantes de inglês" que ainda pensavam que estavam em Cap Vert... e não em Cabo Verde, cheios de inveja por não estarem em Cape Verde, com a "Union Jack" a tremular nos mastros.

[4894] Ainda a apresentação de "Literatura e Cultura em Tempos de Pandemia" (com patrocínio da UCCLA) no Centro Nacional de Cultura, Lisboa

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sábado, 8 de maio de 2021

[4892] "Literatura e Cultura em Tempo de Pandemia" saiu anteontem, no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa

Com o alto patrocínio da UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa), foi anteontem, 6 de Maio, apresentado e distribuído aos autores presentes no Centro Nacional de Cultura (Lisboa) o livro "Literatura e Cultura em Tempos de Pandemia" (venda em livraria, a partir de 18 de Maio).

Com 75 autores lusófonos, o livro traduz em prosa e verso o "pensamento" dos participantes/convidados sobre a pandemia que se abateu sobre o mundo em 2020 e que ainda se mantém.

A sessão de lançamento teve na mesa o Presidente da UCCLA, Dr. Vitor Ramalho, para além do Dr. Rui Lourido, coordenador cultural da UCCLA, o editor Manuel S. Fonseca da Guerra e Paz (sob cuja chancela a obra sai) e a Dr.ª Goretti Pina (São Tomé e Príncipe) que falou em nome dos restantes 74 autores.

A nossa colaboração concretizou-se através do poema "O Maldito" e da short story "O Fim", que aqui agora reproduzimos.

Os participantes cabo-verdianos são os seguintes: Águeda Lopes (com o pseudónimo "Vanny Kaya Lopez"), Andreia Tavares de Sousa, Antonino Vieira Robalo, Any Delgado, Germano Almeida, José Luís Hoppfer Almada, José Luiz Tavares, Madalena Brito Neves, Paulù Salmoura, Sofia Delgado e o "meio cabo-verdiano" Joaquim Saial. 


quinta-feira, 6 de maio de 2021

[4891] Mais uma edição de "Chuva Braba" de Manuel Lopes, a dar entrada na BCVPd'B (anos 70 do século XX)

Esta edição, acabada de chegar de um alfarrabista das Caldas da Rainha (Portugal), é mais ou menos pirata, pois não tem data. Saíu na colecção "Romances do nosso tempo", sob a chancela do Clube Português do Livro e do Disco, editora que existiu em Portugal nos anos 70, pelo que será (talvez) a terceira vez que "Chuva Braba" foi publicado. Não se indica o autor da capa, escondido na expressão "Design Grafidec".

segunda-feira, 3 de maio de 2021

[4889] Onésimo Silveira, "claridoso" (ainda do livro citado no post anterior)

São Tomé foi uma descida ao inferno  para si, não?

Uma descida não, um salto com os olhos completamente vendados! Mas aprendi muito e sobrevivi. Vi coisas, tragédias e dramas, que, contados, ninguém acredita. O meu livro "Hora grande" foi escrito em São Tomé. Foi de lá que o mandei para o Dr. Baltasar [Baltasar Lopes da Silva, advogado, autor do romance nacional "Chiquinho" e docente prestigiado]. Lembro-me que ele me escreveu, fui levantar a carta nos correios e, no dia seguinte, a PIDE chamou-me, para me fazer uma grande lição de moral, mas isso não me impediu de publicar o livro, algum tempo depois, em Angola.

Ou seja, o seu primeiro texto literário é enviado de São Tomé e Príncipe para Cabo Verde?

Sim. É um poema que sai na "Claridade", "Saga". O título não era "Saga", era "Êxodo", é o meu retrato da emigração para São Tomé e Príncipe, à semelhança do que acontecia aos judeus para os campos de concentração. O Dr. Baltasar, para amenizar a conotação política do poema, é que muda o título para "Saga". Aceitei, sem problema, a decisão.

Nota: o poema sai na "Claridade" n.º 8, em Maio de 1958.

[4888] O pensamento de Onésimo Silveira, relativamente a Portugal

Do excelente e insubstituível livro "Onésimo Silveira - Uma vida, um mar de histórias", de José Vicente Lopes, ed. Spleen, Praia, Cabo Verde, 2016:

"Contrariamente aos meus antigos colegas de luta de libertação, sempre entendi que, com Portugal, estamos 'condenados' a viver em paz e em progresso. Só agora é que se começou a ver Portugal como um parceiro, realmente. Falta a muita gente em Cabo Verde, coragem para caracterizar, historicamente e do ponto de vista político, as nossas relações com Portugal. São relações em que intervêm muitos aspectos do tipo colonial, mas são também relações de muito afecto e solidariedade. Os cabo-verdianos têm de interiorizar o seguinte: nenhum outro país no mundo gosta mais de Cabo Verde do que Portugal. Portugal e Cabo Verde estão ligados pela história e pelo sangue. E isso não é conversa, é a mais pura realidade."

sábado, 1 de maio de 2021

[4887] Um longo mas importante texto de Adriano Miranda Lima sobre Onésimo Silveira

É da essência dos blogues viverem de textos curtos, para leitura rápida, de preferência acompanhados de imagem/s. Mas há excepções e o presente texto é uma delas. Pela qualidade do autor, Adriano Miranda Lima, e pelo extremo interesse e oportunidade do motivo. Aqui fica ele, portanto, dez anos depois da publicação inicial, em Cabo Verde.

AS BANDEIRAS DE ONÉSIMO SILVEIRA

Ao olhar para a fotografia do palanque do comício eleitoral do Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS), a imagem transmitiu-me a sensação daqueles dias em que o vento agreste fustiga o corpo e endromina o prazer das noites olorosas de Mindelo. Pode ser uma simples impressão minha, só porque corria o mês de Fevereiro, propício a vento e “bruma seca”. 

Onésimo Silveira falava para os adeptos da sua causa, tentando explicar-lhes, com a sua natural veia discursiva, que S. Vicente se perdera na curva assimétrica do destino das ilhas. Postergado pelas políticas dos homens, desviado das rotas antigas, macerado na sua identidade cultural. O extracto sucinto da reportagem jornalística, que me era presente, referia as linhas de força do seu verbo, mas ao jornalista talvez tenha escapado algo de simultaneamente romântico e espectral naquela imagem fotográfica captada na poalha da noite. Provinha talvez das longas barbas brancas do veterano da política, que, só por si, infundiam a magia hipnótica do seu instinto. Convenci-me de que, como sempre, ele estaria ali a jogar com a letra perfeita do léxico de uma arte refinada por muitos anos de caminhada pelos trilhos da política. 

O público ali presente encontraria, ou não, motivos de encantamento nas palavras do político-poeta, ou do poeta-político. Porque a política só ganha se na poesia colher o aroma balsâmico para a aspereza, a agressividade e a incontinência verbal. Mas Silveira deve ter feito a mediação certa entre o lirismo e a retórica política para afinar o tom e o modo na sua crítica a quem achava responsável pelo estado actual da sua ilha. Fiel ao seu passado, e fiando no seu faro político, arvorava a bandeira do inconformismo que o caracteriza, espetando-a no chão das suas sínteses estratégicas. O tempo viria a dizer se ele foi ou não convincente, do alto do púlpito em que fez uso da palavra. 

Mas quem é este veterano da política cabo-verdiana, este homem de barba mefistofélica, que nos faz olhar para a política não apenas como um imperativo cívico mas também como uma romântica aventura humana? Não tenho nem nunca tive qualquer relação pessoal com o Onésimo Silveira, mas, como ele pertence àquela estirpe de seres que saltam facilmente para a luz, conheço-o como todo o cabo-verdiano que se preze, tendo acompanhado os passos mais marcantes do seu percurso. Contudo, a memória pessoal mais impressiva que dele guardo recua a tempos muito antigos, naquela idade em que as meninges infantis recortam e guardam para sempre o que mais impressiona. Era eu ainda menino de escola primária e ele estaria nos últimos anos do liceu. Passava diariamente na minha rua, no trajecto entre a casa e o liceu Gil Eanes, e recordo perfeitamente que o Onésimo despertava nos rapazes mais novos uma curiosidade reverencial, pelo seu ar resoluto e desafiador. Aliás, a personalidade forte e o espírito determinado viriam a determinar o rumo que cedo deu à vida. É assim que, decididamente, deixa Cabo Verde e acaba por rumar à Suécia, onde se licencia, não tardando a ganhar notoriedade como poeta, intelectual e opositor à política colonial, com ligação ao PAIGC. Cerca de 10 títulos literários, entre poesia, conto e prosa do género ensaístico, atestam o vigor da sua cultura. O exercício de um alto cargo na ONU e, posteriormente, como embaixador de Cabo Verde em Portugal, provaram a sua capacidade diplomática e política. Nestas últimas funções, encontraria terreno de eleição para arvorar uma importante bandeira, talvez das que lhe são mais queridas – a da solidariedade humana.

Como quase toda a figura pública, Onésimo tem um lado complexo e controverso da sua personalidade, e não faltará quem lhe aponte defeitos, em meio aos atributos que o exornam como ser humano e como político. Mas o amor à terra natal é seguramente um profundo estado de alma que se lhe tem de reconhecer e enaltecer. Outro teria feito render o mais possível o prestigiante e dourado cargo na ONU. Ele preferiu regressar para participar activamente na política do seu país, e se bem o pensou melhor o fez, criando um movimento político com o qual ganha as eleições autárquicas, passando a ser Presidente da Câmara Municipal de S. Vicente, em dois mandatos consecutivos. 

Pela sua acção como edil, é unanimemente reconhecido como o obreiro da transformação de Mindelo no pós-independência. Realce-se, com efeito, a coragem com que quebrou rotinas pastosas na acção administrativa e fez avançar o progresso urbano da cidade, derrubando, ao mesmo tempo, tabus e preconceitos introduzidos pela sanha revolucionária que ameaçava adulterar e desfeitear a história da cidade. Estátuas de tempos idos que haviam sido desmontadas foram recolocadas nos seus pedestais. Impediu-se assim o sacrilégio de atentar contra o imortal Camões ou figuras como o ilustre estadista e humanista Sá da Bandeira, amigo de Cabo Verde. Ruas que haviam sido violentadas na sua identidade toponímica foram recuperadas para a veracidade histórica, e outras passaram a consagrar nomes de figuras da terra. Esta reposição de valores e princípios que preservam a identidade, só está ao alcance de quem ousa influenciar os acontecimentos, mesmo arrostando o desconforto de reacções adversas. Não fosse a sua acção determinada, a memória da cidade não se teria ressarcido dos excessos de alguns pseudo-revolucionários na sua ânsia de acerto de contas com o passado. A urbe fica a dever-lhe esta grandiosa bandeira, a da sua identidade resgatada, que deve permanecer hasteada no seu mais alto torreão.

Mais recentemente, Onésimo reapareceu em cena para defender o património histórico-cultural da sua cidade natal, ameaçado pela inoperância da actual Autarquia e pelo desamparo do Governo central. Os resultados ficaram, infelizmente, muito aquém da militância cívica que ele e outros cidadãos de vários quadrantes sociais entenderam protagonizar, mas nessa mesma forja fundiu o aço para a batalha seguinte, a do pleito legislativo, que é onde o surpreendo no cimo do palanque. 

Naquela noite eleitoral de Fevereiro, o veterano e incansável Onésimo Silveira “subiu à cruz à frente do seu partido” (1), exangue e de mãos vazias, mas certamente temerário e confiante como sempre, e “o povo acabou por crucificá-lo” (1). Porém, para o alto da cruz levou consigo a bandeira da regionalização, e ali a deixou hasteada. Tremulando no próprio assombro. 

As expectativas estão abertas, enquanto ele acumula cicatrizes dos recontros a que não se furta. Porque Onésimo nunca desiste de se bater pela perpetuação do possível, mesmo que a relação ambígua entre a efemeridade humana e a perenidade dos sonhos seja por vezes perniciosa para os cálculos mais ousados. Uma coisa que o deve, no entanto, entristecer é o silêncio de pedra que parece actualmente nimbar a sociedade civil da sua ilha, cristalizando um vidro espesso e opaco que não facilita a auscultação das vontades nem reflecte as antigas reminiscências. Tão intrigante é esta realidade como tão evidente é estarmos a pisar um terreno que reclama a charrua cívica deste intelectual talhado para brandir a palavra e encorajar ao arrebatamento de ânimo.

Seja o que o futuro próximo nos reserva, Onésimo Silveira, com o seu instinto e a sua resiliência, sabe que a fiança tutelar da sua ilha natal nunca lhe será revogada, inclinem-se por onde se inclinarem os ponteiros dos barómetros, sempre sensíveis a ventos e marés. 

Inúmeras são as bandeiras das suas pelejas, umas esfarrapadas e postadas em peanhas alinhadas na sua memória, outras incólumes ainda no tecido da sua heráldica, prontas para novas batalhas. Este cidadão não arruma as armas, e nenhum povo, nenhuma pátria, pode licenciar um guerreiro deste calibre. Sobretudo, a ilha de S. Vicente.

(1) Depoimento de Onésimo Silveira em entrevista ao jornal “A Semana”, publicada em 20/02/11, com o título “Só me retirarei da política com a minha morte biológica”.

Tomar, 16 de Março de 2011

Adriano Miranda Lima

[4886] Onésimo Silveira foi ontem a enterrar no Cemitério do Mindelo e antes foi velado na Câmara Municipal de São Vicente

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[4885] O reitor da Universidade do Mindelo relembra Onésimo Silveira

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