sexta-feira, 8 de outubro de 2021
quinta-feira, 7 de outubro de 2021
quarta-feira, 6 de outubro de 2021
[5511] Era Abril de 1938 e o "Castilho" fazia brilhar o Mindelo
Vamos dar uma alegria ao nosso amigo Valdemar. Ele sabe que aqui no Pd'B "nôs é burmedje de Mindelense". Mas, que diabo, o Castilho também é um grande clube e merece que relembremos esta pérola de diazá. Os beefs engoliram três cocos que até andaram de lado no butim que os levou de regresso ao vaso de guerra "Penzance".
terça-feira, 5 de outubro de 2021
[5505] As malhas que o Império teceu...
Desde anteontem, após a vitória por 2-1 à Argentina em jogo de futsal disputado em Kaunas (Lituânia), Portugal é campeão do Mundo em futsal. Isso já toda a gente sabe... E também toda a gente sabe que a rapaziada se portou melhor que bem - o que não admira, pois os chutadores de bola já eram campeões da Europa. Mas não tem sido suficientemente enfatizado (embora aqui ou ali se tenha dito) que os dois golos do dia da vitória foram resultado de pontapés de um tal Pany Varela, mucim nachide na Tarrafal (ilha de Santiago), mais concretamente Anildo César Varela Silva, a jogar actualmente pelo Sporting Clube de Portugal. Ou seja, os lusos deram o coco, mas os cocos que entraram na baliza dos portenhos saíram de um pé das ilhas. Nem mais!
Ver AQUI (em português) e AQUI (em inglês)
segunda-feira, 4 de outubro de 2021
[5504] Mais um poema inédito de Carlota de Barros, oferecido ao Pd'B
NA ONDULAÇÃO DOS DIAS
Infatigáveis voam as gaivotas
nesta terra ardente com sabor a sal e a
sol
enquanto uma aguarda expectante mas
serenamente
no cimo do apartamento ao lado
que lhe dê uma guloseima
talvez por ser hábito de hóspedes
anteriores
Meu coração apaziguado
respira agora uma imensa saudade
a saudade eternamente saudade
na ondulação dos dias
voando céleres como o vento
e as gaivotas que mal vejo passarem
logo que meus olhos as avistam
longe
em direção ao mar
indiferentes ao meu desejo de fotografar
seus elegantes voos ondulantes.
Inquietante meu pensamento
surpreende-me
com um antigo desejo meu
de adormecer com a lua na mesma nuvem.
Anda escondida ou fugidia a minha
lua
talvez aprisionada nessa nuvem
rodeada de silêncios e doce harmonia.
Ser neve outro desejo meu
não menos perturbante
ser neve simplesmente neve mimada.
A primeira vez que vi neve
achei-a incrivelmente azul
de um belo e cristalino azul antártico
tão azul que senti meu coração
suavemente acarinhado e jovial
sensação tão suave e doce
como um inesperado afago
no meu cabelo revolto.
Enquanto evoco antigas memorações
avisto ao longe luzes a brilharem no mar
são luzes de barcos de pesca julgo que de lulas
pequenos cristais que lembram o brilho
dos pirilampos.
Não voltei a ver pirilampos brilharem na
noite escura
nem me lembro de quando a última vez que
os vi.
Em criança encantavam-me e queria
apanhá-los
para os levar para o meu quarto.
Sempre tive medo da escuridão e da
solidão da noite
e os pirilampos fascinavam-me
dizia então que os guardaria nos
bolsinhos do meu vestido
e correria rápido para que não fugissem
nem perdessem o brilho.
Meu pai explicou-me ternamente
o que eram os pirilampos e aceitei a
realidade
sempre no meu desassossego inquietante
Com emoção conciliada respirando uma saudade imensa
vou dormir com a lua no pensamento
e o odor a maresia e a salsugem na
memória
continuarei frágil navegando por paraísos azuis
leves e cintilantes no meu
pensamento
ardendo como uma réstia de luz na noite
escura
Talvez amanhã veja a lua nova. Sinto-a
girando
Praia da Rocha, 10 de Julho, de 2021
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| Foto Joaquim Saial |
[5503] Dois distintos médicos, ainda a começar, em Outubro de 1936
O Dr. Fonseca curou-me de um pé partido em três metatarsos, depois de uma aventura num dos morros que orlam o Mindelo. Tão bem curado que nunca mais deu sinal de dor, como acontece a algumas pessoas que em épocas de frio têm queixas em ossos partidos... e curados.
O Dr. Lopes da Silva apresentou o meu romance "Capitania" no Centro Cultural do Instituto Camões no Mindelo e esteve aqui em casa a almoçar anos depois, numa tarde memorável que até teve ida ao Cristo-Rei e em que ele, bem ágil para a idade, subiu os degraus finais (os que se sucedem ao elevador) como se estivesse a andar em superfície plana.
domingo, 3 de outubro de 2021
sábado, 2 de outubro de 2021
[5486] Um texto nosso, na página "Crónicas do Norte Atlântico" do jornal "Terra Nova", em Novembro de 2019, sobre o encalhe do navio-hidrográfico "D. João de Castro" em Janela, Santo Antão, há 74 anos (ver post anterior)
Histórias de mar (1)
O ENCALHE DO NAVIO-HIDROGRÁFICO “D. JOÃO DE CASTRO”
O que é que uma erupção marinha que teve lugar no final da segunda década do século XVIII entre as ilhas açorianas da Terceira e de S. Miguel tem a ver com o primeiro barco construído no Arsenal de Marinha de Lisboa, em 1941, a ilha de Santo Antão, onde este naufragou (ilha essa situada… nos Açores!!!) e com o fugaz vice-rei da Índia, D. João de Castro? “Tudo!”, respondo eu desde já, antes que o leitor diga… “Nada!”
Vamos aos factos. No último dia do ano de 1720, em que reinava Sua Majestade El-Rei D. João V e já fora lançada a primeira pedra do convento de Mafra, deu-se um tremor de terra nos Açores, mais ou menos no enfiamento entre as ilhas Terceira e S. Miguel. Como sucede muitas vezes em casos semelhantes, também aqui nasceu uma nova ilha, de configuração circular, com cinco quilómetros de diâmetro. Porém, devido à erosão marítima, cerca de ano e meio após, as autoridades (no caso o Conselho de Marinha) eram informadas de que a ilha desaparecera.
Surgiu então a lenda da insula que uns diziam desaparecida e outros afirmavam ainda existir – ou pelo menos um baixio dela resultante. A discussão sobre o assunto iria prosseguir, por mais de dois séculos…
Em 1759 fundou-se em Lisboa o Arsenal de Marinha que em 1937 transitou para a margem sul do Tejo, mais concretamente para a região do Alfeite. O primeiro barco ali construído seria o navio hidrográfico “D. João de Castro”, lançado ao mar em 1941, que do militar e cientista de grande envergadura, da primeira metade do século XVI, recebeu o nome. Ao que parece, tratava-se de embarcação de grande nível, equipada com o que de mais moderno havia no género, na altura.
Aquela que terá sido a sua primeira grande tarefa, situou-se nos Açores e teve sucesso imediato. Na realidade, a 28 de Julho de 1941, o “D. João de Castro” descobria o que restava da lendária ilha, apenas um baixio, a que, segundo as tradições navais, foi dado o nome do vaso de guerra. A plataforma rochosa, localizada a 38º13,5’ de latitude Norte e a 26º38,6’ de longitude Oeste , apresentava uma profundidade mínima de 14m.
A última missão do navio, que acabou em tragédia, desenrolou-se nas águas de Cabo Verde, escassos seis anos depois. A 2 de Outubro de 1947 recebia-se um rádio no ministério da Marinha, em Lisboa, em que se dizia que o “D. João de Castro” encalhara e que em princípio estava perdido, no «litoral da ilha de Santo Antão, no arquipélago dos ‘Açores’ na zona de Janela» (2). Isto dizia-o o “Diário Popular”, no dia seguinte, através da caneta de um jornalista pouco ilustrado nas coisas geográficas. A notícia prosseguia, avançando alguns dados sobre o sinistro:
«O desastre verificou-se quando o navio procedia a trabalhos da sua especialidade, que na generalidade são muito arriscados. O barco, comandado pelo capitão-tenente Augusto Vasconcelos de Sousa, técnico distinto e dos mais competentes da nossa Marinha de Guerra, encontrava-se naquele arquipélago em funções de levantamento. Tudo leva a crer que o “D. João de Castro”, dada a má situação em que ficou, só com muita felicidade se salvaria. Novas informações recebidas no ministério da Marinha levam à conclusão de que, infelizmente, o navio-motor “D. João de Castro” se encontra perdido, estando a proceder-se ao maior número possível de salvados a bordo. Às 14h15 largou do Tejo, com destino às águas de Cabo Verde, o contratorpedeiro “Vouga”, que segue para o local a fim de prestar a necessária assistência. Confirma-se que não há desastres pessoais, estando a sua tripulação recolhida em casas particulares, em S. Vicente, para onde foi conduzida a bordo dos rebocadores que logo seguiram para o local do sinistro. Constituem a tripulação, cerca de 30 oficiais, sargentos e praças. (3)»
Ainda se fizeram diversas tentativas para salvar o “D. João de Castro”, mas todas resultaram infrutíferas. Pensou-se em remeter para o Sal um bimotor da TAP com oficiais da Armada especialistas em desencalhes, mas essa ideia foi abandonada a favor do envio de um barco sueco de salvação, o “Fripiof” (4), na altura casualmente fundeado no Tejo, que transportou a bordo o capitão-tenente construtor naval Fernando Araújo. Em face do que ele visse e da sua análise dos factos, assim se decidiria utilizar outros meios, como rebocadores das bases navais francesas de Dacar ou Casablanca. Mas entretanto foi destacado da Guiné o rebocador “Bissau”, para colaborar no salvamento. Contudo, este só chegou ao local do encalhe a 11, cerca de nove dias após o sinistro. O “Fripiof” apenas ali arribaria a 14. A 18 ainda se procedia através de bombas ao esgotamento da água que entretanto havia entrado. No dia 19 chegava-se enfim à conclusão de que não havia mais nada a fazer, pois o barco estava definitivamente perdido. Os salvados foram retirados e toda a tripulação regressou sã e salva a Lisboa. Mas acabava de modo inglório a carreira deste navio científico, mais um dos muitos que encontraram o fim dos seus dias nas águas de Cabo Verde, não se cumprindo infelizmente as palavras do seu comandante que em comunicação para o ministério da Marinha ainda dizia no dia 10: «Espero voltar ao Tejo com o meu navio» (5).
NOTAS
[1]
Em https://latitude.to/articles-by-country/pt/portugal/179012/dom-joao-de-castro-bank
as coordenadas são: Latitude: 38° 08' 24.00" N e Longitude: -26° 22'
48.00" W
[2]
“Diário de Lisboa”, 3.10.1947, p. 7 – Segundo o DL, o navio encalhou a 1, pelas
07h00.
[3]
Na notícia indicada na nota 2, refere-se: “Em casas de pescadores e outras
residências modestas daquele local da costa [de Santo Antão, portanto, segundo
este jornal], foram aboletados oficiais e praças, aos quais os habitantes
proporcionaram todas as facilidades e os alimentos de que dispõem (…)”.
[4]
Não conseguimos em tempo útil informações sobre este navio nem confirmar o seu
nome em que aliás o “Diário Popular” e o “Diário de Lisboa” coincidem nele.
[5] “Diário de Lisboa”, 10.10.1947, p. 1.
[5483] Relembrando um diamante de Eugénio Tavares
Força de Cretcheu
Ca tem nada na es bida
Mas grande que amor
Se Deus ca tem medida
Amor inda é maior.
Maior que mar, que céu
Mas, entre tudo cretcheu
De meu inda é maior
Cretcheu más sabe,
É quel que é di meu
Ele é que é tchabe
Que abrim nha céu.
Cretcheu más sabe
É quel qui crem
Ai sim perdel
Morte dja bem
Ó força de chetcheu,
Que abrim nha asa em flôr
Dixam bá alcança céu
Pa'n bá odja Nôs Senhor
Pa'n bá pedil semente
De amor cuma ês di meu
Pa'n bem dá tudo djente
Pa tudo bá conché céu











































