quarta-feira, 6 de outubro de 2021

[5513] Germano Almeida vai ser homenageado em Penafiel, Portugal

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Foto Joaquim Saial, 1999

[5512] Com o post anterior, atingimos os 800 posts neste ano de 2021. Não há como uma boa pandemia, para se trabalhar muito mais... Isto é...

[5511] Era Abril de 1938 e o "Castilho" fazia brilhar o Mindelo

Vamos dar uma alegria ao nosso amigo Valdemar. Ele sabe que aqui no Pd'B "nôs é burmedje de Mindelense". Mas, que diabo, o Castilho também é um grande clube e merece que relembremos esta pérola de diazá. Os beefs engoliram três cocos que até andaram de lado no butim que os levou de regresso ao vaso de guerra "Penzance".



[5510] Era Setembro de 1937 e havia carros de lixo barulhentos nas ruas do Mindelo - "Não diga tais, Sr. Morais!"...

[5509] Em Cabo Verde, também há!

[5508] Frase "Ali na Cabverd, gent ca t'oiá pa reloge" não é verdadeira



[5507] Mil-pés: o regresso do maldito!

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Foto Balai

terça-feira, 5 de outubro de 2021

[5506] Em breve, tudo iria mudar... Estávamos no final de Setembro de 1973

[5505] As malhas que o Império teceu...

Desde anteontem, após a vitória por 2-1 à Argentina em jogo de futsal disputado em Kaunas (Lituânia), Portugal é campeão do Mundo em futsal. Isso já toda a gente sabe... E também toda a gente sabe que a rapaziada se portou melhor que bem - o que não admira, pois os chutadores de bola já eram campeões da Europa. Mas não tem sido suficientemente enfatizado (embora aqui ou ali se tenha dito) que os dois golos do dia da vitória foram resultado de pontapés de um tal Pany Varela, mucim nachide na Tarrafal (ilha de Santiago), mais concretamente Anildo César Varela Silva, a jogar actualmente pelo Sporting Clube de Portugal. Ou seja, os lusos deram o coco, mas os cocos que entraram na baliza dos portenhos saíram de um pé das ilhas. Nem mais! 

Ver AQUI (em português) e AQUI (em inglês)

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

[5504] Mais um poema inédito de Carlota de Barros, oferecido ao Pd'B


NA ONDULAÇÃO DOS DIAS

 

Infatigáveis voam as gaivotas

nesta terra ardente com sabor a sal e a sol

enquanto uma aguarda expectante mas serenamente

no cimo do apartamento ao lado

que lhe dê uma guloseima

talvez por ser hábito de hóspedes anteriores

 

Meu coração apaziguado

respira agora uma imensa saudade

a saudade eternamente saudade

na ondulação dos dias

voando céleres como o vento

e as gaivotas que mal vejo passarem

logo que meus olhos as avistam   

longe   em direção ao mar

indiferentes ao meu desejo de  fotografar

 seus elegantes voos ondulantes.

 

Inquietante meu pensamento surpreende-me 

com um antigo desejo meu

de adormecer com a lua na mesma nuvem.

Anda escondida ou fugidia a minha lua  

talvez aprisionada nessa nuvem

rodeada de silêncios e doce harmonia.

 

Ser neve   outro desejo meu

não menos perturbante

ser neve   simplesmente neve mimada.

 

A primeira vez que vi neve 

achei-a incrivelmente azul 

de um belo e cristalino azul antártico

tão azul que senti meu coração

suavemente acarinhado e jovial

sensação tão suave e doce

como um inesperado  afago 

no meu cabelo revolto.

 

Enquanto evoco antigas memorações

avisto ao longe luzes a brilharem no mar

são luzes de barcos de pesca   julgo que de lulas

pequenos cristais que lembram o brilho dos pirilampos.

Não voltei a ver pirilampos brilharem na noite escura

nem me lembro de quando a última vez que os vi.

 

Em criança encantavam-me e queria apanhá-los

para os levar para o meu quarto.

 

Sempre tive medo da escuridão e da solidão da noite

e os pirilampos fascinavam-me 

dizia então que os guardaria nos bolsinhos do meu vestido

e correria rápido para que não fugissem nem perdessem o brilho.

Meu pai explicou-me ternamente

o que eram os pirilampos e aceitei a realidade 

sempre no meu desassossego inquietante  

 

Com emoção conciliada  respirando uma saudade imensa

vou dormir com a lua no pensamento

e o odor a maresia e a salsugem na memória

continuarei frágil   navegando por paraísos azuis

leves e cintilantes no meu pensamento 

ardendo como uma réstia de luz na noite escura

 

Talvez amanhã veja a lua nova. Sinto-a girando

 Carlota de Barros

                                 Praia da Rocha, 10 de Julho, de 2021

Foto Joaquim Saial


[5503] Dois distintos médicos, ainda a começar, em Outubro de 1936

O Dr. Fonseca curou-me de um pé partido em três metatarsos, depois de uma aventura num dos morros que orlam o Mindelo. Tão bem curado que nunca mais deu sinal de dor, como acontece a algumas pessoas que em épocas de frio têm queixas em ossos partidos... e curados.

O Dr. Lopes da Silva apresentou o meu romance "Capitania" no Centro Cultural do Instituto Camões no Mindelo e esteve aqui em casa a almoçar anos depois, numa tarde memorável que até teve ida ao Cristo-Rei e em que ele, bem ágil para a idade, subiu os degraus finais (os que se sucedem ao elevador) como se estivesse a andar em superfície plana.


[5502] A gratidão de Djunga, aos que o acompanharam num mau momento, também em Outubro de 1944

[5501] A gratidão de Lela Leite ao médico Dr. Baptista de Sousa, em Outubro de 1944


[5500] Nancy Vieira e Fred Martins, em "Esperança de mar azul"

[5499] Nancy Vieira e Carlos Matos: piano & voz

[5498] Mais Nancy Vieira em concerto

[5497] Jorge Carlos Fonseca, quase na hora da despedida, apela à continuação do comportamento democrático que os cabo-verdianos sempre têm revelado

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sábado, 2 de outubro de 2021

[5494] E, para terminar, o nosso sempre lembrado Zito Azevedo (incluindo "Força de cretcheu"), com a sua bela voz mindelo-coimbrã

[5493] César Lima, em “Força de cretcheu”

[5492] Dany Silva, em "Força de cretcheu"

[5491] Mariana Ramos, em "Força de cretcheu"

[5490] Solange Cesarovna, em "Força de cretcheu"

[5489] Celina Pereira, em "Força de cretcheu"

[5488] Sãozinha, em "Força de cretcheu"

[5487] A pedido do Adriano Lima, uma morna da Brava, com poema de poeta da Brava e cantada por uma grande intérprete da Brava: "Força de cretcheu" (e outras versões, nos posts seguintes)

[5486] Um texto nosso, na página "Crónicas do Norte Atlântico" do jornal "Terra Nova", em Novembro de 2019, sobre o encalhe do navio-hidrográfico "D. João de Castro" em Janela, Santo Antão, há 74 anos (ver post anterior)

Histórias de mar (1)

O ENCALHE DO NAVIO-HIDROGRÁFICO “D. JOÃO DE CASTRO”

O que é que uma erupção marinha que teve lugar no final da segunda década do século XVIII entre as ilhas açorianas da Terceira e de S. Miguel tem a ver com o primeiro barco construído no Arsenal de Marinha de Lisboa, em 1941, a ilha de Santo Antão, onde este naufragou (ilha essa situada… nos Açores!!!) e com o fugaz vice-rei da Índia, D. João de Castro? “Tudo!”, respondo eu desde já, antes que o leitor diga… “Nada!”

Vamos aos factos. No último dia do ano de 1720, em que reinava Sua Majestade El-Rei D. João V e já fora lançada a primeira pedra do convento de Mafra, deu-se um tremor de terra nos Açores, mais ou menos no enfiamento entre as ilhas Terceira e S. Miguel. Como sucede muitas vezes em casos semelhantes, também aqui nasceu uma nova ilha, de configuração circular, com cinco quilómetros de diâmetro. Porém, devido à erosão marítima, cerca de ano e meio após, as autoridades (no caso o Conselho de Marinha) eram informadas de que a ilha desaparecera.

Surgiu então a lenda da insula que uns diziam desaparecida e outros afirmavam ainda existir – ou pelo menos um baixio dela resultante. A discussão sobre o assunto iria prosseguir, por mais de dois séculos…

Em 1759 fundou-se em Lisboa o Arsenal de Marinha que em 1937 transitou para a margem sul do Tejo, mais concretamente para a região do Alfeite. O primeiro barco ali construído seria o navio hidrográfico “D. João de Castro”, lançado ao mar em 1941, que do militar e cientista de grande envergadura, da primeira metade do século XVI, recebeu o nome. Ao que parece, tratava-se de embarcação de grande nível, equipada com o que de mais moderno havia no género, na altura.

Aquela que terá sido a sua primeira grande tarefa, situou-se nos Açores e teve sucesso imediato. Na realidade, a 28 de Julho de 1941, o “D. João de Castro” descobria o que restava da lendária ilha, apenas um baixio, a que, segundo as tradições navais, foi dado o nome do vaso de guerra. A plataforma rochosa, localizada a 38º13,5’ de latitude Norte e a 26º38,6’ de longitude Oeste , apresentava uma profundidade mínima de 14m.

A última missão do navio, que acabou em tragédia, desenrolou-se nas águas de Cabo Verde, escassos seis anos depois. A 2 de Outubro de 1947 recebia-se um rádio no ministério da Marinha, em Lisboa, em que se dizia que o “D. João de Castro” encalhara e que em princípio estava perdido, no «litoral da ilha de Santo Antão, no arquipélago dos ‘Açores’ na zona de Janela» (2). Isto dizia-o o “Diário Popular”, no dia seguinte, através da caneta de um jornalista pouco ilustrado nas coisas geográficas. A notícia prosseguia, avançando alguns dados sobre o sinistro: 

«O desastre verificou-se quando o navio procedia a trabalhos da sua especialidade, que na generalidade são muito arriscados. O barco, comandado pelo capitão-tenente Augusto Vasconcelos de Sousa, técnico distinto e dos mais competentes da nossa Marinha de Guerra, encontrava-se naquele arquipélago em funções de levantamento. Tudo leva a crer que o “D. João de Castro”, dada a má situação em que ficou, só com muita felicidade se salvaria. Novas informações recebidas no ministério da Marinha levam à conclusão de que, infelizmente, o navio-motor “D. João de Castro” se encontra perdido, estando a proceder-se ao maior número possível de salvados a bordo. Às 14h15 largou do Tejo, com destino às águas de Cabo Verde, o contratorpedeiro “Vouga”, que segue para o local a fim de prestar a necessária assistência. Confirma-se que não há desastres pessoais, estando a sua tripulação recolhida em casas particulares, em S. Vicente, para onde foi conduzida a bordo dos rebocadores que logo seguiram para o local do sinistro. Constituem a tripulação, cerca de 30 oficiais, sargentos e praças. (3)»

Ainda se fizeram diversas tentativas para salvar o “D. João de Castro”, mas todas resultaram infrutíferas. Pensou-se em remeter para o Sal um bimotor da TAP com oficiais da Armada especialistas em desencalhes, mas essa ideia foi abandonada a favor do envio de um barco sueco de salvação, o “Fripiof” (4), na altura casualmente fundeado no Tejo, que transportou a bordo o capitão-tenente construtor naval Fernando Araújo. Em face do que ele visse e da sua análise dos factos, assim se decidiria utilizar outros meios, como rebocadores das bases navais francesas de Dacar ou Casablanca. Mas entretanto foi destacado da Guiné o rebocador “Bissau”, para colaborar no salvamento. Contudo, este só chegou ao local do encalhe a 11, cerca de nove dias após o sinistro. O “Fripiof” apenas ali arribaria a 14. A 18 ainda se procedia através de bombas ao esgotamento da água que entretanto havia entrado. No dia 19 chegava-se enfim à conclusão de que não havia mais nada a fazer, pois o barco estava definitivamente perdido. Os salvados foram retirados e toda a tripulação regressou sã e salva a Lisboa. Mas acabava de modo inglório a carreira deste navio científico, mais um dos muitos que encontraram o fim dos seus dias nas águas de Cabo Verde, não se cumprindo infelizmente as palavras do seu comandante que em comunicação para o ministério da Marinha ainda dizia no dia 10: «Espero voltar ao Tejo com o meu navio» (5).

NOTAS

[1] Em https://latitude.to/articles-by-country/pt/portugal/179012/dom-joao-de-castro-bank as coordenadas são: Latitude: 38° 08' 24.00" N e Longitude: -26° 22' 48.00" W

[2] “Diário de Lisboa”, 3.10.1947, p. 7 – Segundo o DL, o navio encalhou a 1, pelas 07h00.

[3] Na notícia indicada na nota 2, refere-se: “Em casas de pescadores e outras residências modestas daquele local da costa [de Santo Antão, portanto, segundo este jornal], foram aboletados oficiais e praças, aos quais os habitantes proporcionaram todas as facilidades e os alimentos de que dispõem (…)”.

[4] Não conseguimos em tempo útil informações sobre este navio nem confirmar o seu nome em que aliás o “Diário Popular” e o “Diário de Lisboa” coincidem nele.

[5] “Diário de Lisboa”, 10.10.1947, p. 1.

[5485] Um interessante artigo, sobre o encalhe do navio-hidrográfico "D. João de Castro" e do navio "John E. Schemeltzer", em Santo Antão, com o sr. Alexandre Alhinho pelo meio (ver post seguinte)

Ver AQUI

O "D. João de Castro" em construção, no Arsenal do Alfeite. Foto Arsenal do Alfeite

[5484] Cabo-verdiano compra porta-contentores que transportava droga, apreendido pelo estado cabo-verdiano

Ver AQUI

[5483] Relembrando um diamante de Eugénio Tavares

Força de Cretcheu


Ca tem nada na es bida

Mas grande que amor

Se Deus ca tem medida

Amor inda é maior.

Maior que mar, que céu

Mas, entre tudo cretcheu

De meu inda é maior


Cretcheu más sabe,

É quel que é di meu

Ele é que é tchabe

Que abrim nha céu.

Cretcheu más sabe

É quel qui crem

Ai sim perdel

Morte dja bem  


Ó força de chetcheu,

Que abrim nha asa em flôr

Dixam bá alcança céu

Pa'n bá odja Nôs Senhor

Pa'n bá pedil semente

De amor cuma ês di meu

Pa'n bem dá tudo djente

Pa tudo bá conché céu


[5482] Hermínia & Morgadinho, em "S'um sabia"

[5481] Memória de Maio de 1937

[5480] Maio de 1937. Foi por coisas imbecis como esta, saída do governo português, que aconteceu o que sabemos...

[5479] A grande Hermínia, em "Navio navegá"

[5478] Quem vai ao mar... Novembro de 1892


A barca "Helen Mar", numa das varias representações existentes na Internet

sexta-feira, 1 de outubro de 2021