A apresentar mensagens correspondentes à consulta Nicolau do rosário ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta Nicolau do rosário ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

sábado, 1 de outubro de 2016

[2537] Homenagem da cidade de Génova ao resistente cabo-verdiano (mindelense) Nicolau do Rosário, morto pelos nazis

Foi em Abril deste ano mas só agora Pd'B teve conhecimento do assunto, através do amigo Fernando Frusoni que, como costumamos dizer, é o genovês mais cabo-verdiano de Itália (ou o cabo-verdiano mais genovês, já ninguém sabe). A pesquisa foi feita por um italiano Bruno Garaventa, casado com uma cabo-verdiana. Trata-se da "rehomenagem" ao herói da resistência italiana ao nazismo Nicolau do Rosário (em italiano designado por Nicolò ou Nicola), mindelense que caiu, dizem uns, morto por arma branca de soldado alemão. Porém, a notícia de jornal não datada que aqui apresentamos refere que tombou por via de uma rajada de metralhadora. Tanto faz, no entanto, para a glória do acto heróico do nosso patrício.

Um abraço ao amigo Manuel Amante da Rosa, embaixador de Cabo Verde em Itália, que também participou nesta homenagem, como não podia deixar de ser, dada a sua posição e interesse pelas coisas da Pátria. Um braça para ambos e um grogue de honra em memória de Nicolau do Rosário.

Texto e fotos são do site do Ministério das Relações Exteriores de Cabo Verde. Como é seu hábito, Pd'B fez uma recolha de notícias para que os nossos leitores fiquem melhor documentados sobre o tema.



Ao centro, Manuel Amante da Rosa, embaixador de Cabo Verde em Roma




Este documento, de que ampliámos parte, foi-nos enviado por Fernando Frusoni. Em tradução livre, o que aqui se diz é mais ou menos o seguinte: "Sendo um negro, distinguiu-se muito durante os combates que se travaram em vários pontos da cidade. Caiu, golpeado por arma branca, em luta com um soldado alemão, em 24 de Abril de 1945." Tal como o motivo da morte, as datas da mesma também diferem, como vemos, pois na placa agora inaugurada a data de falecimento é a de 20 e na campa é a de 24, bem como na cópia de página de livro que Frusoni nos enviou.

Confusões à parte, fica-nos a coragem do resistente Nicolau do Rosário que deve ser lembrada também no Mindelo, seu berço.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

[0967] Mindelo conquista taça de torneio da Câmara Municipal de Tarrafal de São Nicolau

Gentileza da Câmara Municipal do Tarrafal de São Nicolau ao Praia de Bote


Mais uma taça na vitrina do Mindelense. Bicampeão nacional exibiu classe no Tarrafal e conquistou mais uma taça para a sua vitrina, em São Vicente. AJAT-SN posicionou-se no segundo lugar do torneio do Município do Tarrafal, depois de empate com Praia Branca

Presidente da CMTSN entrega a taça aos vencedores do torneio
Com o resultado de 2-1, diante do Futebol Clube Ultramarina, no segundo jogo desta tarde no estádio Orlando Rodrigues, o Clube Sportivo Mindelense conquistou o torneio promovido pela Câmara Municipal, em saudação aos nove anos de criação do Concelho.

A equipa encarnada do Mindelo fez o pleno de vitórias em duas jornadas, somou seis pontos, marcou 8 golos e encaixou apenas um. Ivinha e Hidelvis marcaram pelo Mindelense e Djassa – de penálti – assinou pelo Ultra.

Antes, jogaram AJAT-SN e Praia Branca mas o placard não funcionou e no final do tempo regulamentar o zero-a-zero justificava-se. O empate, entretanto, soou a vitória para o AJAT-SN, que com dois pontos posicionou-se no segundo lugar da competição, remetendo Ultramarina para o terceiro posto e a equipa de Praia Branca para o último lugar da prova.

Mindelense recebeu a taça de primeiro lugar das mãos do Presidente da Câmara Municipal, José Freitas de Brito, e o Vereador Balduíno do Rosário, entregou o troféu ao AJAT.

No rescaldo desta competição, o balanço é positivo na medida em que que para além dos jogos disputados, o torneio permitiu intercâmbio entre clubes, jogadores e público do Tarrafal.

Câmara Municipal homenageia jogadores que militam no Mindelense
É um reconhecimento aos futebolistas de São Nicolau que defendem as cores do Mindelense, campeão nacional. O Presidente José Freitas de Brito justificou a homenagem como sendo “mais um incentivo” aos craques da terra

No Clube Sportivo Mindelense jogam alguns jogadores da ilha de São Nicolau. A maioria, natural do Tarrafal, deixou marcas em clubes do Município como Ultramarina. Todos contribuíram para ajudar o Mindelense a sagrar-se campeão de Cabo Verde na presente temporada.

Hoje, no intervalo do jogo entre Ultramarina e os campeões nacionais, a Câmara Municipal aproveitou para render homenagem aos seis atletas da ilha que militam no clube de São Vicente e renovou desejos de sucessos aos jogadores.

Bada, Catchupa, Adir, Patchick, João Paulo (Tarrafal) e Hidélvis (de Juncalinho, Município da Ribeira Brava) receberam um “certificado” das mãos do Vereador do Desporto, Balduíno do Rosário, e do Presidente José Freitas de Brito.

Na mensagem assinada pelo Autarca, José Freitas de Brito escreve que “o futebol é uma paixão que envolve pessoas. Em cada conquista vossa, o Município do Tarrafal e a ilha de São Nicolau estarão vibrantemente a aplaudir-vos. No início de uma nova etapa futebolística, que desejamos ser de renovados sucessos e conquistas o nosso reconhecimento pela vossa dedicação à causa do futebol. Em meu nome pessoal, no do meu Colectivo e de todo o Povo do Tarrafal auguramos-vos a continuidade dos maiores êxitos. Estamos, todos, na torcida. Boa sorte e sucessos sempre”.

Os jogadores vibraram com o reconhecimento da Câmara do Tarrafal.

Nalguns meios é dado como certa a transferência para o estrangeiro de alguns jogadores do Tarrafal que envergam as cores do Mindelense. O Clube entretanto não comenta estas possibilidades.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

[0700] 700 x 5: um esclarecimento, uma despedida (até já!...), uma saudação, um protocolo e, em ÚLTIMA HORA: João Branco à frente do CCP do Mindelo (ver no final deste post)

ESCLARECIMENTO

Sérgio Frusoni
Não é por mal, a gente sabe. Mas que parece mal, não há dúvida alguma. Roubarem a propriedade intelectual a quem produz cultura é tão ou mais doloroso que o roubo de uma propriedade fixa ou móvel, salvaguardadas as devidas distâncias e os pesos de cada uma delas. Abastardarem escrito nosso, ainda pior, dado que quem lê uma poesia, romance ou texto de jornal, fica sem saber se a gralha ou a mistura de linhas se deve ao autor ou não. 

No caso vertente, nem sequer se trata de velhacaria, mas sim de asneira recorrente - que ambos os autores, já falecidos, dispensavam. B. Leza e Sérgio Frusoni são suficientemente grandes para não andarem misturados quando não é caso disso. Foram duas estrelas luminosas e ainda são, nos caminhos da música e da poesia cabo-verdiana, figuras das mais altas na grande constelação que o Mindelo produziu ao longo dos tempos. Aqui fica o esclarecimento do filho e nosso amigo, Fernando Frusoni.

Tenho ouvido vários  cantores interpretar a morna do meu pai, Sergio Frusoni, “Tempe de Caniquinha “, mas não tive ainda o prazer de ouvir uma interpretação que tivesse utilizado na integra a versão original. O mais grave é que por vezes tenho ouvido utilizar palavras que não têm sentido e que não respeitam a rima seguida pelo meu pai. Ter lido no You Tube que esta morna foi composta por B. Leza e Sergio Frusoni, deixou-me estupefacto. 

Devo esclarecer o seguinte: a morna foi escrita e musicada pelo meu pai e foi pela primeira vez interpretada pelo meu irmão  Franco Frusoni no Conjunto Cénico  Castilhano.

Uma parte da letra original encontra-se no livro de Valdemar Pereira “O Teatro é uma Paixão, a Vida  é uma Emoção “, página 178. Completei a letra que tenho de memória de tanto a ouvir cantar em casa.

Eis a letra original, para  quem a quiser conhecer:

TEMPE DE CANIQUINHA

Sanvecente um tempe era sabe
Sanvecente um tempe era ôte côsa
Cónde sês modjêr ta usába
Um lenço e um xales cor de rósa
Um blusa e um conta de coral

Cónde na sês bói nacional
Tá mornód tê manchê
Cónde sem confiança nem abuse
Tá servid quel cafê
Ma quel ratchinha de cúscús.
Cónde pa nôs Senhóra da Luz
Tinha um grande procisson
Cónde ta colóde Santa Cruz
Ta colóde pa San Jon
Lá na rebêra de Julion

Cónde ta cutchide na pilon
Tá cantá na porfia
Cónde ta tchuveba e na porte
Ta vivide que mas sôrte
E que mais aligria.

Povo ca ta andá moda agora
Na mei de miséria tcheu de fome
Ta embarcá ta bá  ‘mbóra
Sem um papel, sem um nome,
Moda um lingada de carvon.

Era colheita na tchôn
Era vapôr na bahia,
Oh Sanvecente daquês dia
Atê góte de Manê Jon
Tá ingordá na gemáda.

Lá pa quês rua de moráda
Era um data de strangêr
Era um vida folgáda
Ciçarône vida airáda
Ta nadába na dnhêr.

De nôte sentód na pracinha
M’ ta partí gônhe assim…
Pa mim pa bô, pa mim,
Pa mim pa bô, pa mim
Era tempe de caniquinha…

Génova, 11 de Janeiro de 2014
Fernando Frusoni

UMA DESPEDIDA (até já!...)

Soube hoje, através do blogue CAFÉ MARGOSO do amigo actor e encenador João Branco, que a Dr.ª Ana Cordeiro, directora do Pólo do Mindelo do Centro Cultural Português (Instituto Camões) se vai aposentar. Lembrei-me então do meu livro "Capitania, romance de São Vicente de Cabo Verde" (há muito esgotado em Portugal e Cabo Verde), motivo pelo qual a conheci. 

Falei com ela pela primeira vez em 1999, quando fui a São Vicente em viagem de recuperação de memórias, apenas com 100 páginas escritas, das 200 que a obra viria a ter. Fiz então no CCP, em 30 de Junho, uma palestra de apresentação do texto até aí escrito. Em 2 de Abril de 2002, tal como aconteceu na Praia, efectuei no Mindelo (também no CCP) o lançamento do romance, acompanhado de uma palestra sobre os anos 10 do século XX em Cabo Verde. Na cidade do Porto Grande, a coisa meteu sempre televisão e bastante público, entre o qual se contavam antigos condiscípulos do Liceu Gil Eanes e velhos marinheiros da Capitania do Portos, o que sobremaneira me agradou, como se compreende.

Diga-se, a título de curiosidade, que tanto eu como a editora abdicámos de qualquer lucro nos ganhos do livro, para que ele pudesse ser vendido barato, praticamente ao preço do custo nas ilhas. Até o Instituto Camões (Lisboa), por iniciativa da minha editora, se prontificou a enviar os exemplares para Cabo Verde sem cobrar um tostão de portes a nenhuma das partes... 

O livro desapareceu pouco depois, cumprindo-se o desiderato do autor, mas para além desse gosto sabe ficou ainda outro: o da extrema simpatia da Dr.ª Ana Cordeiro em todo o processo relativo ao caminho do livro no arquipélago. Não me esqueço também do belo jantar que me ofereceu em sua casa, onde fui com o Germano Almeida e do sarilho que foi arranjar-lhe uma pequena lembrança para lhe levar, num Mindelo na altura escasso de mimos menos vulgares. Após muita procura, lá desencantei num supermercado uma caixa de bombons, única da casa, milagrosamente guardada para mim... 

E, pelo que me contou na altura e soube por outros amigos ao longo do tempo, ultrapassando de longe a função administrativa e cultural que lhe competia pelo cargo que detinha, ela foi de facto nas últimas décadas a segunda e grande embaixadora (ou embaixadora oficiosa) de Portugal em Cabo Verde. Mas, como diz o João Branco, dela Portugal e a sua segunda terra, Cabo Verde, ainda muito podem esperar. Um abraço do PRAIA DE BOTE e desejos de um risonho futuro, para bem dela própria e dos dois países.

UMA SAUDAÇÃO

O dia é especial. 

Comemora-se a chegada dos Portugueses à ilha do Monte Cara, em dia de São Vicente, há exactos 552 anos, nesse já longínquo 22 de Janeiro de 1462. Grande Diogo Afonso, esse rapaz esforçado que o escultor Gustavo Bastos retratou em bronze cheio de roupas (e decerto de calor), hoje ali plasmado na Praia de Bote, olhando o Atlântico que cruzou, quiçá cheio de vontade de mergulhar nele...

E comemora-se em simultâneo o dia do santo que aqui fica, no seu nicho da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Luz, em imagem já conhecida, talvez feita por alguém da Foto Melo, pode ser que pelo Djibla ou sabe-se lá por quem. 

Ele é o "nosso" santo, a par de Nossenhora da Luz e de São João, os quais constituem de facto a verdadeira trindade religiosa de nôs terra. Viva São Vicente! e Viva Soncente, portanto.

PROTOCOLO ENTRE SÃO VICENTE E SÃO NICOLAU

Tarrafal e Mindelo oficializam relação e adoptam Protocolo de Cooperação 

Ilha de São Nicolau
Protocolo de Cooperação será rubricado esta quarta-feira, 22, durante acto solene por ocasião do Dia de São Vicente, festa municipal na ilha do Porto Grande. O documento será assinado pelos Autarcas Augusto Neves e José Freitas de Brito, em cerimónia que será presidida pelo Chefe de Estado

As relações entre a ilha de São Vicente e São Nicolau são históricas e abrangem vários sectores. Desde que José Freitas de Brito assumiu a Administração municipal no Tarrafal tem-se registado um incremento das relações entre as duas autarquias, com colaboração pontual na base de amizade institucional. Entretanto, as duas municipalidades entendem que é chegada a hora de evoluir nas relações e que a cooperação é o quadro que pode melhor definir as relações que na prática já existem. Assim, o Autarca do Tarrafal está em São Vicente para esta quarta-feira, 22, no quadro das celebrações do Dia de São Vicente e do Município da ilha, assinar o Protocolo de Cooperação com a Câmara presidida por Augusto César Neves.

Há um desejo de reforçar os laços de amizade, solidariedade e cooperação entre as populações de ambas as regiões e neste particular a cooperação através das autarquias assume papel preponderante, realça o edil do Tarrafal. José Freitas de Brito está optimista quanto ao sucesso da geminação com São Vicente e perspetiva como positiva o impacto que esta cooperação pode ter para o desenvolvimento de Mindelo e Tarrafal, nomeadamente, em áreas de promoção de acções que favoreçam a riqueza da vida cultural, social e económica.

A vermelho, o território do Tarrafal de São Nicolau
A geminação, para além das tradicionais áreas de cooperação municipal, observa como pertinente a protecção e a conservação do ambiente, com enfoque para o saneamento público e a recolha de resíduos sólidos, num processo que pode culminar na cedência e empréstimo de máquinas e equipamentos para tratar esse importante sector e que no caso de Tarrafal carece de meios.

Promoção de intercâmbio cultural, de artesanato, desportivo, actividades económicas e produtivas são outras prioridades da geminação.

O Protocolo de Cooperação entre Tarrafal e Mindelo será assinado esta quarta-feira, dia 22, em sessão solene da Câmara Municipal de São Vicente, na presença do Chefe de Estado, Jorge Carlos Fonseca, e de outras individualidades e instituições.

Ainda do Tarrafal de São Nicolau...

O vencedor do concurso para a criação dos Símbolos Heráldicos do Município do Tarrafal é Emanuel José Brito do Rosário que apresentou na perspectiva do júri a melhor proposta.

A referida proposta já foi sufragada na passada quinta-feira, em reunião do executivo camarário que a validou na sequência dos resultados apresentados pela comissão presidida pelo artista plástico, Dr. Leão Lopes, e integrada por mais quatro membros.

O júri entende que a proposta vencedora apenas será revelada nos próximos dias, depois de receber a versão original (em formato digital) do candidato vencedor que tem um prazo de 15 dias, a partir de hoje, para entregar os documentos.

JOÃO BRANCO À FRENTE DO CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS, PÓLO DO MINDELO

Com os devido parabéns, pela merecida nomeação que deixa grandes esperanças aos que verdadeiramente amam a cidade do Mindelo e a ilha de São Vicente.

Ver AQUI

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

[0596] "Da agricultura e algumas dicas" - Parte I de artigo de Arsénio de Pina (republicação, agora no Pd'B)

Arsénio de Pina
A leitura da entrevista da engenheira agrónoma Helena Semedo, directora geral adjunta da FAO e ex-ministra da Agricultura em Cabo Verde, veio espevitar o meu interesse pelo assunto do título do artigo, o qual, de resto, venho ventilando em escritos publicados, dado que passei grande parte da minha infância em meio rural e aprecio tudo quanto diz respeito ao aproveitamento e valorização do meio ambiente, mormente do solo, da água, das plantas e animais. Embora médico, ou talvez por isso mesmo, toda a ecologia me apaixona, pelo que leio o que descubro sobre a matéria. Daí a razão do número de artigos versando a agricultura, a luta anti-erosiva e a contenção da água das chuvas, fraquezas nossas que poderiam ser contornadas de modo a melhorar a produção agrícola, diminuir a importação, criar melhores condições de vida para a população e a atrair turistas, à semelhança do que aconteceu nas Ilhas Canárias.

Não irei falar no Porto Grande de São Vicente porque especialistas e conhecedores das questões do mar já se pronunciaram, bastas vezes e debalde, sobre o assunto, não sendo curial pôr em dúvida o tão badalado, pelo Governo, cluster do mar para São Vicente, que ainda ninguém conseguiu explicar em que realmente consiste, não sendo somente termo inglês para entreter a empatia do Mindelense pela língua de Shakespeare, pelos hábitos britânicos e o seu saudosismo dos tempos em que o gato de Mané Jon era engordado com gemada. O pobre desconfia quando a promessa de fartura é muita, mormente quando ouve garantir um ctchada de denher para fazer do porto da Praia um entreposto marítimo rivalizando com o Porto Grande, o que nos parece duvidoso e sujeito a contingências das costumadas calemas que atiram barcos e construções para terra, a não ser que haja algum milagre, fiados na Concordata com o Vaticano, que transforme as águas alterosas desses períodos em água benta. Esse investimento deveria ir para o Porto Grande, que tem condições naturais excepcionais, estando a baía protegida de temporais e calemas pela situação natural que a mãe-natura lhe reservou.

Ponhamos de parte a questão do Porto Grande, que só cito por desgosto e raiva, e entremos propriamente na matéria do título.

Foto José Carlos Marques - Porto Grande (Setembro.2013)

O aquecimento global tem, paradoxalmente, beneficiado Cabo Verde no capítulo de chuvas regulares, devido ao aumento da humidade relativa da atmosfera com a aproximação da Frente Intertropical Húmida. Há que aproveitar essa benesse retendo a água das chuvas com diques, represas, barragens, lagoas artificiais e a utilização das estradas nessa contenção, como descrevi no artigo Da ausência da multidisciplinaridade e intersectorialidade aquando da construção destas, lagoas artificiais nas ilhas ou locais com pouco declive, como fizeram os Canarinos. Essas lagoas artificiais são feitas escavando o leito de ribeiras com pouco declive ou achadas extensas – simulando crateras de vulcões, abertas a montante - de modo a que a água das chuvas fique aí retida. As encostas das ribeiras devem ser protegidas, concomitantemente, com plantação de árvores e arbustos para a fixação da terra e retenção da água, em sulcos mais ou menos profundos, como vemos nalgumas ilhas.

Obviamente, o que sugiro não deve limitar-se a Santiago, como vem acontecendo, embora, ultimamente, face aos protestos, outras ilhas venham ganhando algumas migalhas. Há que repartir isso criteriosamente, dando prioridade às ilhas menos favorecidas pelos fados governamentais, como São Nicolau, Maio, Boavista, São Vicente, Brava. Só assim se poderá desenvolver a agricultura e fazer regressar os camponeses que migraram para as vilas e cidades por falta de apoios e de meios para colocar com segurança os produtos agrícolas do seu labor nos mercados de maior consumo e de reter os que ainda ficaram no campo, o que pressupõe transporte marítimo seguro e regular, de modo a que o mundo rural, repositório de equilíbrios e valores tradicionais, não continue a ser cada vez mais uma realidade esquecida. Sem isso, nada feito, por tal – transporte marítimo – ser absolutamente prioritário. Ninguém investirá na agricultura sem segurança de colocar a sua produção. Algo me intriga na carência de barcos, dado que os barcos que não puderam ser adaptados para transporte de contentores estão à venda na Europa a baixo preço, e é desses barcos que necessitamos, por não transportarmos contentores entre ilhas. Porque será que o privado não se habilita à sua compra? É facto que a nossa burguesia endinheirada nunca se dispôs a investir em indústrias, embora seja tradição o investimento em barcos, desde os tempos em que Bravenses e Foguenses compravam barcos desactivados da pesca da baleia, nos Estados Unidos da América, como nos conta, na sua saborosa crónica no "Terra Nova", Joaquim Saial, e Abel Pires Ferreira, este com trabalho por publicar, que não encontra patrocínio. No capítulo de investimentos na criação de indústrias, os nossos argentários poderiam ir-se treinando na criação de pequenas indústrias como sal fino, palitos, abaixa-línguas ou espátulas em madeira, fruta cristalizada, charcutaria, xarope de tamarindos, farinha de banana, queijos de cabra do tipo dos da Boa Vista, secagem e salga de peixe fresco servindo-se das experiências dos pescadores e peixeiras do Tarrafal de São Nicolau, do Tarrafal de Monte Trigo, Boa Vista e Maio, e até de compotas e massa de tomate e outras pequenas indústrias, como queria fazer, segundo me confessou, o malogrado amigo Eng. Canuto, na sua Ilha do Fogo, após a reforma. As câmaras municipais (CM) e o ministério da agricultura deveriam ter viveiros de árvores frutíferas em todas as ilhas para promover a sua difusão e reintrodução das eliminadas por pragas e seca passadas. Cabo Verde já chegou a produzir vinho das suas videiras em Santo Antão, Brava e Fogo para o Brasil, exportação posteriormente proibida pelo Marquês de Pombal por fazer concorrência aos vinhos portugueses. O exemplo do aumento da área do cultivo da vinha de várias espécies e de produção de vinhos de boa qualidade na região da Chã das Caldeira e o fabrico de queijos em Santo Antão são bons exemplos a frutificar, porque o desenvolvimento do país não pode depender exclusivamente do exterior.

Foto José Carlos Marques - Paisagem rural de S. Vicente (Setembro.2013)
Também nunca entendi a causa de preços muito mais elevados para os produtos agrícolas e transformados cabo-verdianos em comparação com os similares importados, embora a justifiquem por serem de melhor qualidade do que os importados, o que nem sempre é verdade e deveria antes ser motivo para o consumidor lhes dar preferência e não para os encarecer. Informa-nos o eng. João do Rosário no seu último livro, Cabo Verde, Perspectiva e Realidade, que o transporte entre ilhas é, proporcionalmente, muito mais caro do que da Europa para Cabo Verde, isso devido à permanência de impostos do tempo colonial que favoreciam a importação de Portugal e coartavam a importação de matéria-prima e interditavam a transformação/produção de produtos localmente. Outrossim, os produtos agrícolas europeus para exportação beneficiam de subsídios – condenados pela OMC, mas que persistem - de modo a concorrerem vantajosamente com os de outros países. Solução? Rever os preços dos fretes, eliminar esses impostos e taxar fortemente os produtos importados subsidiados de modo a não fazerem concorrência desleal aos nossos. Todavia há algo que, a mim, continua a revoltar: a chusma de intermediários no comércio entre ilhas – que parasitariamente ficam com a parte que deveria caber aos produtores e camponeses -, a rabidância que não paga direitos nem impostos e esfola o consumidor. Igualmente intrigante, os preços nas feiras serem iguais aos do mercado formal, quando, em todos os países, compra-se mais barato nelas. Os maus hábitos de certos comerciantes e rabidantes têm a pele dura!... Desafore! diria o nosso Djunga Fotógrafo. Aí deveriam intervir as instituições de regulação criadas, as quais preferem olhar para o lado, permitindo preços abusivos, duplos a triplos dos praticados em Portugal de produtos importados daí, quando sabemos que, para a exportação, se retiram os impostos, e nem sempre alguns produtos primam pela qualidade, mormente a fruta, alguns vinhos e o leite. Explicam essa inércia por vivermos em sistema de economia de mercado. Economia de mercado, uma ova!, por não haver concorrência honesta controlada. Vivemos, sim, em regime de oligo e monpólio do capitalismo selvagem necessitando de controlo estatal rigoroso a bem dos consumidores e do país.

Vamos a algumas dicas omitidas no passado, ou não atendidas, que vamos ouvindo ou coleccionando, dado que tudo pode e deve ser pensado e repensado por todos; ninguém é dono da verdade, e há gente boa em ambos os lados da barricada. De resto, a integridade e maturidade das maiorias, conjunturais ou não, avaliam-se pelo respeito com que tratam as minorias, e inversamente, e não como vem sendo hábito dos que, na sua omnipotência centralizada e centralizadora, nos têm governado, tanto do PAIGC/CV como do MpD, actuando como autênticas mãos de Judas a apagar no altar do desenvolvimento todas as velas que não acenderam.

São Vicente, Agosto de 2013
     
(O texto continuará no próximo post)                          

segunda-feira, 13 de março de 2017

[2895] De novo, o heróico "partigiano" são-vicentino Nicolau do Rosário

Leia (e oiça AQUI, incluindo a intervenção do embaixador de Cabo Verde em Roma, Manuel Amante da Rosa, nosso amigo e colaborador)  a Rádio Vaticano, onde se fala do mindelense Nicolau do Rosário, denodado lutador contra os nazis em Génova.

Post antigo do Pd'B sobre NicolauVer AQUI

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

[0568] "Alguns aspectos da Regionalização em Cabo Verde", por Arsénio de Pina

Texto inédito

Arsénio de Pina
No encontro promovido pelo “Grupo de Reflexão para a Regionalização de Cabo Verde”, os pratos fortes serão o balanço das actividades do Grupo e perspectivas futuras, a cargo de João Lima, o custo da regionalização, por José Maria Brito Almeida, e eu limitar-me-ei a ventilar alguns aspectos da mesma, sugerindo ainda aos ouvintes a leitura de artigos de José Fortes Lopes, Luiz Silva, Adriano Miranda Lima, Onésimo Silveira, Ireneu Gomes, no seu segundo livro sobre Psicopatologia da Miséria, a tese de doutoramento de Eder Marcos de Oliveira, o artigo de Hirondina Martins publicado em A Semana, o recente livro de João do Rosário, Cabo Verde, Perspectiva e Realidade, entre outras publicações versando o assunto.

A Regionalização do país - uma modalidade de descentralização política, administrativa, financeira, social e cultural – facilitaria e promoveria a responsabilização dos quadros dirigentes, estimulando simultaneamente os cidadãos a assumirem em pleno a cidadania, a participar activamente na gestão da coisa pública, ganhando consciência e lucidez sobre os seus desígnios e objectivos, a valorizar as vantagens específicas de cada ilha, em vez de as menosprezar ou sufocar, como vem acontecendo, por exemplo, com S. Vicente, quando, entre 1920 e 1930, esta nossa ilha era a mais avançada, fornecendo dois terços do rendimento total do arquipélago, graças às suas actividades marítimas.
A estratégia da regionalização é apartidária, brotada da sociedade civil. Por mais que se espreite, não se encontrará nenhum fumo partidário, nem rabo-de-gato politiqueiro. Nela podem participar todas as pessoas de boa vontade com ideias saudáveis e iniciativas viáveis, pessoas corajosas e determinadas, e mesmo políticos, desde que estes deixem a militância partidária e a má política em casa. Na nossa perspectiva, não é estratégia que possa ser recuperada para interesses partidários e para catar votos, mas pode ser bloqueada se não houver boa-fé do Governo.

Herdámos da administração portuguesa a centralização excessiva, sendo essa mazela mais uma razão para desenvolvermos municípios mais fortes e instituições regionais descentralizadas a que o Poder Central delegará competências e poderes, consagrando o princípio da solidariedade e não limitar-se a uma simples redistribuição das competências entre o poder central e as regiões. O exercício dos poderes delegados será, como não podia deixar de ser, sob controlo e fiscalização do Poder Central quanto ao cabal cumprimento desses poderes, sem outras interferências.

A regionalização tem demonstrado, nos países onde foi instituída, ser um instrumento poderoso que favorece a democracia graças à participação activa dos cidadãos. Em democracia é essencial a liberdade e igualdade perante a lei, para ser possível a participação dos menos favorecidos, face a minorias natural ou artificialmente privilegiadas; a regionalização, do seu lado, aproxima os serviços públicos das populações, diminui a burocracia e a corrupção e legitima o poder através do voto popular, diminuindo a fraude eleitoral através do aumento de postos de trabalho, consequentemente, diminuição do número de desempregados, mais sujeitos a serem comprados por partidos políticos. É incontestável, e disso temos longa experiência, que as possibilidades de participação são muito maiores quando existem governantes eleitos por mérito na competência e na experiência do que quando se verifica a nomeação por parte do Governo ou por favorecimento de militantes partidários.

O instinto político de descentralização e de autonomia manifesta-se sob múltiplas formas, como um protesto contra a insensibilidade do poder central e uma vitória dos interesses e energias locais contra a média uniforme, impotente e artificial do centralismo. Nelas podem manifestar-se livremente e afirmar o espírito inventivo, democrático e autonómico das populações. As liberdades municipais e iniciativas locais dão às populações fisionomia e vida próprias impossíveis na centralização comandada à distância, esterilizadora, lenta, monocórdica e pouco sensível às questões locais, com a vantagem acrescida de motivar as populações das ilhas a não migrarem, a emigrar menos, a permanecerem aí, em actividades reprodutivas, transaccionáveis, captando fundos dos seus filhos na diáspora que investem para o desenvolvimento da sua ilha através de indústrias ligeiras, do turismo, artesanato, agro-negócio, fabrico, por exemplo, mil e uma coisas que importamos, como telhas e blocos em argila, aproveitamento da riqueza mineral (pozolana, gesso, pedra basáltica e colorida e até mármore, na ilha do Maio), engarrafamento de água mineral (Brava, Fogo, Santiago, Santo Antão), exploração de termas medicinais (por exemplo, no Barril, no Tarrafal de S. Nicolau, de que fiz, há anos, uma proposta fundamentada, utilizando as areias quentes medicinais associadas à água mínero-medicinal do Torno ou de Mané Bau, indicadas tanto para o tratamento de reumatismo como de doenças do foro digestivo).

É bom de ver que os partidos políticos e governos, sejam quais forem os seus ideais e interesses, ganham sempre com a centralização, pelo que dificilmente se separam dela. A centralização do poder é o grande meio de este o conservar e controlar de perto, porque concentrado num local na sua omnipotência burocrática com o favorecimento e o apoio de uma pequena elite exploradora à custa dos esforços e do sofrimento da maioria. Não tenhamos dúvidas nem ilusões: esperar a regionalização por iniciativa e decisão de partidos políticos e governos é quase como garantir chuva, em Cabo Verde, no mês de Outubro. Deverá ser a sociedade civil e os jovens a lutar por isso com argumentos válidos até os convencer a considera-las e a adoptar, até porque a juventude, no seu todo mas particularmente a qualificada desempregada, já não acredita no estafado centralismo do poder e ambiciona uma alternativa que lhe abra novas oportunidades.

Cremos bem que as regiões com descentralização administrativa, financeira, política, social e cultural podem ser um instrumento de unidade e de solidariedade nacional, e não de divisão, como alguns temem e transformam em gongon, se for correctamente realizada, de modo a que as populações sintam e se convençam de que as regiões mais atrasadas ou negligenciadas passam a ter autonomia e a dispor de mais recursos do que até agora; como aceitar que certos nababos de Praia, embora esta ilha albergue mais de 50% da população do país, sejam os maiores beneficiários dos investimentos para o desenvolvimento destinado ao país, quando somos nove ilhas habitadas dispersas? Somente no centralismo do poder é que tal anomalia é possível. A descentralização funciona como motores potentes do desenvolvimento e de criação de actividades ao nível local.

O nosso Movimento para a Regionalização, Descentralização e Autonomia de Cabo Verde fez, há ano e meio, uma proposta ao Governo para a constituição de uma comissão de estudo contemplando algumas questões que ventilamos neste encontro, comissão incluindo todos os parceiros sociais, económicos e políticos, a fim de se chegar a um consenso sobre a regionalização, descentralização e autonomia de CV, após o estudo e debate de diferentes experiências de regionalização no mundo (Marrocos, Áustria, Bélgica, Holanda, Dinamarca, etc.), e ainda estamos à espera de resposta. Insensibilidade central às propostas periféricas?

Que haja um “Estatuto Especial para a Praia”, como capital do país, ninguém de boa-fé pode, nem deve ser contra, mas dentro de um contexto geral de descentralização para todo o país. Somente limitado à Praia é que é de estranhar, por o país ser uno e indivisível. A Praia, como cabeça do país, poderá merecer, por isso, um penteado particular, mas se o corpo do país, portanto, as outras ilhas e certos concelhos de Santiago, estiverem cheias de sarna, tinha, cocirinha e apostema, a cabeça praiense estiolar-se-ia.

Sem o conhecimento e discussão aprofundada, ninguém estará em condições de afirmar categoricamente que a regionalização nos convém ou não. As verdades irrefutáveis, somente em religião, tanto nos dogmas como na infalibilidade papal, mas esta limitada a matéria de fé. A Política e a Administração são ciência, e esta contenta-se com aproximações da verdade após estudo, discussão aturada e experimentação. Afirmar a inexistência de meios para a regionalização parece-nos um tanto arriscado, talvez um lapsus linguae, ou, pelo menos, imprudente. À pergunta do nosso Primeiro-Ministro de “quem irá pagar isso”, para negar a sua viabilidade, a única resposta será uma série de outras perguntas: entre outras, quem tem pago a pesada estrutura estatal que vem gerindo o nosso país? Veremos, como nos explicará o companheiro da jornada Brito Almeida, que até se poupará com a regionalização, muito mais eficiente do que o estafado centralismo em que temos vivido e insistimos em continuar botando-lhe uma ligeira maquilhagem.

A abundância de leis, de normas, posturas camarárias, estas raras vezes aplicadas, do nosso sistema de governação, é um regalo para burocratas, mormente para o funcionário menor que se agarra à norma ou à lei e tem dificuldade em representar um papel impessoal. E isso dá origem a uma das burocracias desesperadamente alapadas à letra da lei, sem tentar compreender-lhe o espírito, e criadora de oportunidades para a corrupção. Qualquer caso banal é atirado para o superior hierárquico e isso dificulta e afugenta os investidores privados nacionais, sobretudo os da diáspora e estrangeiros não habituados a tamanhas dificuldades e perdas de tempo. Conclui-se, portanto, haver urgência na Reforma Administrativa.

O Estado deve exercer as competências que as instâncias descentralizadas e as abaixo delas não possam exercer melhor do que ele, abandonando o autoritarismo concentrado e pessoalizado ainda vigente.

Esperamos que o Governo queira escutar as vozes dos cidadãos, da sociedade civil, porque ninguém deve pedir por favor aquilo que lhe pertence por direito. Há que combater e acabar com a tendência de as pessoas que deveriam ser ouvidas e respeitadas pela sua competência, experiência, isenção, provas dadas e rectidão de caracter, serem marginalizadas pelo poder político quando não são militantes do partido no poder. Afinal, o Estado mais não é do que uma máquina que se destina a fornecer-nos os serviços que nós, cidadãos não militantes e militantes, reputamos de essenciais. Se não funciona, ou se funciona mal, é porque algo falhou na forma como escolhemos os dirigentes, ou estes se inebriaram com o usufruto do poder, e temos todo o direito e poder de modificar essa forma de escolha e de decisão.

Um país onde a inteligência é um capital quase inútil e o único capital deveras produtivo e utilizado é a falta de escrúpulos e de ética, não tem grandes hipóteses de progredir. Não queiramos ser nem tolerar isso.

Há gente, geralmente das cúpulas governamentais, que advoga – e muito bem – a desestatização das nossas cabeças, isto é, que não se espere que tudo venha do Estado, dos Governos. Esquecem-se, no entanto, de que a culpa tem sido deles, não dos cidadãos, por ter havido controlo e condicionamento rígido das iniciativas privadas, o que levou à criação de empresários conformados, tímidos e abúlicos, de um lado, e de oportunistas e mafiosos, de outro, não permitindo a formação, como expliquei noutro texto, de uma classe empresarial forte e independente capaz de investir na promoção e criação de indústrias. Grande parte desta classe tem-se limitado a viver da importação de bens, que já devíamos estar a produzir localmente, e da rabidância, sem correr nenhuns riscos. Diga-se a verdade inteira: há impostos exorbitantes sobre os produtos nacionais e matérias-primas importadas, herdados do tempo colonial, para proteger os produtos vindos de Portugal e para frenar a criação de indústrias nas colónias, impostos que ainda vigoram, e facilidades quanto a produtos importados que beneficiam de subsídios da EU. Até a OMC recomendou legislação nacional para proteger a produção local, a qual nunca foi feita. Não irei estender-me neste campo, de que se ocupará um dos palestrantes e vem documentado no livro de João do Rosário.

A regionalização é uma forma de descentralização, como o são o reforço do poder dos municípios e das freguesias ou a transferência de poder para as associações públicas, como as ordens profissionais, ou para instituições particulares não-governamentais do tipo da Adeco, ONDS, ADAD, Amigos da Natureza e outras do género, de solidariedade e defesa do cidadão contribuinte, consumidor e de defesa do meio ambiente, cujos dirigentes são eleitos, não nomeados pelo Governo.

Não me detenho na autonomia, tão caluniada por alguns. Ela significa tão simplesmente mais poderes para gerir a receita, mas também poderes para a cobrar a nível regional e municipal. É um princípio fundamental de maior responsabilidade: quem gasta, cobra, o mesmo é dizer, maior autonomia com maior responsabilidade para se obterem resultados mais adequados e duráveis em tempo útil sem ter de esperar meses pelo deferimento central.

Opor-se, ou apresentar empecilhos à regionalização por poder ser uma ameaça à unidade nacional, é uma grande patranha que não tem pés para marchar e nos recorda uma das figuras do quotidiano utilitário do Prof. João Manuel Varela – os matadores do burrinho do bispo – pessoas que se empenham em matar estruturas que não fazem mal a ninguém, nem à sociedade civil, nem às instituições do Estado, e, até são, pelo contrário, uteis, sem falar nos passadores de pau que empregam o seu tempo a enganar o próximo e são, manifestamente malignos, estando em intensa proliferação.

As regiões devem ocupar-se de decisões que ultrapassam os municípios, isto é, que não podem ser resolvidas a esse nível sem egoísmos dos respectivos municípios: questões de planeamento regional, gestão de incentivos, definição de prioridades de investimento público, entre outras. 

Sendo a democracia mais uma prática diária do que um regime, forçoso é presumir-se poder haver práticas ruins sob a capa de democracia. É o que, infelizmente há mais nos tempos que correm, e tanto mais quanto mais fraca e resignada for a sociedade civil e a tradição de esta intervir para limitar e corrigir o poder do Estado. Certamente, organizações da sociedade civil independentes são incómodas para muitos governos parasitados por predadores usufruindo das benesses do centralismo.

Como continuamos aguardando que o Governo nos oiça e dê andamento à nossa solicitação, e de altas individualidades nacionais, de criar uma comissão para o estudo da viabilidade da adopção da regionalização em Cabo Verde, termino com o mesmo conselho de um artigo anterior dirigido ao Governo:

Caros governantes. Há que respeitar um povo que contornou precipícios terríveis, sinuosos e escorregadios, onde só transita, sem risco de cair, o pé bifurcado da cabra. Ele, o povo das ilhas, excluindo certos privilegiados da Praia, aí está, mirando aqueles que prometeram melhorar os seus caminhos. Queremos, nós das outras ilhas, do interior de Santiago e os da Praia deixados por conta, caminhar convosco do poder central, de mãos dadas, em confiança, sem receio que nos pinchem pela ribanceira abaixo.

S. Vicente, 7 de Agosto de 2013
 Arsénio Fermino de Pina 
(Pediatra e sócio honorário da ADECO)

sábado, 19 de outubro de 2013

[0601] Mais uma "Crónica do Norte Atlântico", desta feita sobre a barca "Coriolanus"


Crónica publicada nos meses de Julho e Setembro.2013
 
A BARCA "CORIOLANUS" FASCINANTE E AZARADO NAVIO DA CARREIRA DE CABO VERDE

Com casco de ferro, três mastros e cerca de 1000 toneladas brutas, o "Coriolanus" era um veleiro elegante, extremamente rápido [1] e dedicava-se ao transporte de mercadorias e passageiros. O barco teve longa história de 60 anos e passou por várias bandeiras e donos, entre os quais alguns portugueses, até que em Agosto de 1936 chegou a um sucateiro em Fall River, Massachusetts, para abate. Lançado à água em Maio de 1876 nos estaleiros escoceses de Archibald McMillan & Son, em Dumbarton, passou em 1891 para mãos alemãs e em 1903 arvorava pavilhão norueguês (sob o nome "Lina") para pouco depois voltar a ser britânico e logo a seguir americano (como "Tiburon"). Só em 1921, já com 45 anos de mar, tem proprietário português que o compra por 7525 dólares e o rebaptiza de "Eugénia Emília". Vejamos então o seu historial lusitano, a partir desse momento.

O navio chegou a New Bedford a 17 de Dezembro de 1921, proveniente de Boston. Uma notícia do Alvorada Diária dava a conhecer que o anterior dono o tinha vendido em hasta pública nesta cidade, uma vez que fora arrestado por causa de um carregamento ilegal de álcool [2]. Comprado pelo capitão Luís Oliveira, estava desde logo destinado à carreira New Bedford – Cabo Verde. Não se sabia então quando se realizaria a sua primeira viagem para as ilhas [3]. Encontramo-lo de novo em Janeiro 1923, sob o comando do seu proprietário, a regressar de Cabo Verde com carga de sal [4].


Pouco depois, em meados de Fevereiro [5], revelava-se um facto que iria complicar a vida do "Eugénia Emília". A 12, o governo dos Estados Unidos apresentara um libelo no tribunal contra o veleiro, que estava no porto de New Bedford, para que o proprietário deste pagasse uma multa aduaneira. Fora-lhe apreendida carga, estimada em 8970 dólares, montante pelo qual ia ser obrigatoriamente posto à venda. E porquê, esta medida? É que em plena lei seca, no "Eugénia" haviam sido encontradas 262 caixas de bebidas alcoólicas, cujo valor era calculado em 7860 dólares, mais 66 garrafas de álcool soltas (150 dólares) e 16 garrafas contendo… cocaína (480 dólares). Para além disso, também não declaradas, jóias que compreendiam relógios, correntes, braceletes, brincos e bolsas de filigrana, 36 peças de âmbar e perfumes. O barco acabou por ser vendido em 21 de Março a Januário O. Amarante, morador em Rotch St., 64, por apenas 6700 dólares [6]. A notícia dava a ficha técnica do navio que era a seguinte: 1050 toneladas brutas, 952 líquidas, 47 pés de comprimento, 35 de largura e 25 de profundidade. E lembrava-se que fora de Luís Oliveira, sob cujo comando fizera uma única viagem, de azarado desfecho. A 23, no tribunal federal, este confessar-se-ia culpado de contrabando de whisky, cocaína e jóias que pretendia fazer passar no porto de New Bedford e seria multado em 200 dólares [7]. A 6 de Julho anunciava-se a sua saída para dia 15, levando carga e passageiros destinados a Cabo Verde com bilhetes de ida por 50 dólares e de ida e volta por 125 mas com validade para seis meses. Os fretes para mil pés de madeira custavam 20 dólares, cada barril dólar e meio e um por cada saca transportada. O comando era agora da responsabilidade do capitão João Correia [8]. Quanto ao capitão Luís Oliveira, vemo-lo em 30 de Dezembro de 1926 a responder por vadiagem, desordem e embriaguez, em repetição de factos semelhantes que se haviam passado no Novembro anterior. O relato do estado em que o marítimo se apresentou é confrangedor: "Sujo, com a barba crescida, cabelo grisalho desgrenhado, coberto de andrajos, o homem que em tempo se orgulhava de ser comandante dum dos mais belos barcos da carreira cabo-verdiana, causava dó pela forma como se apresentou ontem no tribunal. Até aparentava estar um tanto confuso das suas ideias, e compreender bem pouco do que se passava em redor de si [9]."

Como "Eugénia Emília", no cais estatal de New Bedford - Créditos das Colecções Especiais da Biblioteca da Universidade Estatal da Pensilvânia, EUA
Voltamos a encontrar o veleiro em Maio de 1928, com o nome original de "Coriolanus" que terá até ao fim dos seus dias [1]. Procedente de Cabo Verde, estava em Block Island, a cerca de 13 milhas da costa de Rhode Island, com 48 passageiros e 32 tripulantes. No dia seguinte chegou a New Bedford e fundeou junto ao farol de Butler Flats [11]. Depois de longa viagem de 34 dias entre o Fogo e aquele local, foi ainda necessário aguardar a visita do médico do porto (que inspeccionou os passageiros no cais do Estado) e dos inspectores da imigração e da alfândega, acompanhados por um intérprete, no caso, um tal António F. Dias. Só em Janeiro de 1929 saberemos de novo do barco. Em carta enviada de S. Vicente ou do Fogo e recebida na redacção do Diário de Notícias, contava-se o conjunto de desaires sofridos na no entanto curta viagem de 23 dias, entre New Bedford e a ilha do Monte Cara [12]. Devido a forte temporal e deficiente acondicionamento da carga, a tripulação fora forçada a lançar ao mar grande parte desta, entre a qual madeira e camionetas…E da carga que fora desembarcada em S. Vicente, significativa quantidade estava em más condições, coberta de areia. O anónimo autor da carta terminava-a com a seguinte frase: «O descontentamento dos passageiros é enorme e o arrependimento de viajar em navio à vela é ainda maior.» 

A verdade é que a competir com os veleiros havia então as carreiras de vapores da companhia francesa Fabre Line [13], da qual Guilherme Luiz, proprietário do DN, era agente. E contra a de Cabo Verde, à vela, e afinal com razão, ele fazia campanha repetida no jornal. Leiamos, por exemplo, parte do longo texto que vinha agregado a um anúncio que propagandeava a viagem do S.S. "Roma" de Nova Iorque e Providence directamente para S. Vicente, em finais de Setembro de 1927: (…) Com um serviço desta natureza, um paquete capaz de fazer a viagem em 8 dias, proporcionando ao mesmo tempo ao passageiro todos os confortos modernos e com segurança, além de uma alimentação abundante e de primeira ordem, cozinhada à portuguesa e servida por criados portugueses, seria um contra-senso, mesmo uma loucura, pensar em navios de vela que tanta miséria e tragédia têm levado ao seio das famílias cabo-verdianas. Os navios de vela são uma coisa do passado e já há muito tempo deviam estar em exposição nos museus.[14] » Mas se por um lado paquetes como o "Roma", o "Asia", o "Saturnia" e outros iam cumprindo esse desiderato, o cruzamento do Atlântico à vela havia de durar até bem tarde. Após os meados do século XX, em finais de 1965, por exemplo, ainda o "Ernestina" fazia viagens para a América…

A 25 de Abril de 1929, o "Coriolanus", que saíra sete dias antes do Fogo, praça à qual pertencia, estava para chegar a New Bedford [15]. Após longa viagem de cerca de 25 dias, ancorou a 13 de Maio, pelas 10 da noite, à entrada da baía. A longa demora e a ansiedade derivada da mesma provocaram descontentamento entre a colónia cabo-verdiana local. Avistado cerca do meio-dia a leste de Cuttyhunk [16], foi acompanhado a partir das 6 da tarde por um barco da Guarda Costeira e logo depois pelo rebocador "John Duff", até ao farol Butler Flats, como habitualmente, onde lançou ferro. A 14, como também era costume, recebeu a visita das autoridades do porto e funcionários da alfândega e da emigração [17]. Transportava o "Coriolanus" nada menos que 134 passageiros e tripulantes, quantidade considerável de pessoas que pelo menos em parte haviam viajado com condições substancialmente melhores que as permitidas por outros veleiros da carreira de Cabo Verde. Pertencia agora a uma sociedade constituída por Roy Teixeira [18], António Macedo e um tal Albio (?) [19]. Com capacidade para 200 passageiros mais a tripulação, possuía casas de banho pavimentadas a mosaico, luz eléctrica, rádio, e uma orquestra, bem como um jornal que divulgava as actividades diárias. E havia festas constantes a bordo, como o "baptismo" do macaco, muito estimado pela tripulação – o qual acabou por morrer ao cair de uma verga durante uma tempestade [20]…

Ainda em 1929, mas em Junho, previa-se para breve nova partida da barca para Cabo Verde, desta feita carregada de automóveis, bicicletas e mais carga diversa. Seguiam para as ilhas 70 viaturas mas também oito cabo-verdianos deportados [21] e apenas dois passageiros regulares [22]. Comandava-a o capitão Alfredo Piedade e a carga destinava-se sobretudo à cidade da Praia. Esta viagem, também longa, levaria mais de 30 dias [23]…

Como "Coriolanus" - Créditos da Universidade de Massachusetts, Dartmouth, EUA
Tal como sucedia com outros veleiros desta carreira, nem sempre as viagens do "Coriolanus" se faziam entre New Bedford e Cabo Verde. Em princípios de Outubro de 29, o navio estava a fazer o percurso entre as ilhas e a Flórida, onde ia buscar madeira, com passagem pelas Bermudas. Disso mesmo era informado o DN pelo telegrafista de bordo, Olavo M. Cardoso [24], que também dizia em radiograma enviado para o jornal que de Cabo Verde trouxera Manuel Sacramento Monteiro, sobrinho de um dos donos do barco, Abílio Monteiro [25].

No ano seguinte, o "Coriolanus" seria motivo de notícia devido a problemas legais da entrada de passageiros e tripulantes nos Estados Unidos da América [26]. A 24 de Setembro já haviam desembarcado cinco passageiros mas diversos outros estavam em vias de ter de regressar às ilhas, a não ser que conseguissem provar o seu direito de entrada no país. O assunto meteu uma junta especial composta pelos inspectores da imigração de New Bedford George Y. Parker e John G. Hagberg e Miss Florence Welsh, da de Boston, que despacharam favoravelmente o caso de Adílio Gomes mas que remeteram dois para as autoridades de Washington. Na semana anterior, outros casos haviam sido vistos, com pouco sucesso para os interessados, nomeadamente o de Marcelo Quintino Galvão que inscrito como tripulante, estivera na cidade pela primeira vez em 1906. Após ter sido ferido, fora-lhe amputada uma perna. Munido de uma prótese, regressou a Cabo Verde, voltando aos EUA em 1912 para a consertar, o que agora pretendia de novo. No DN de 5 de Março de 1931 [27] ficamos a saber um pouco mais sobre as desventuras do barco e a sorte de significativa parte dos seus tripulantes. Nesse mesmo dia seguiram de autocarro para Boston e embarcariam no "Pátria", repatriados, vinte e seis tripulantes do "Coriolanus". Seis meses antes, o navio arribara muito danificado a New Bedford, onde ficara amarrado no Merril's Warf [28]. Grandes temporais tinham-lhe levado o velame e partido os mastros, para além de terem causado outros prejuízos importantes. Mas as reparações demoraram, porque os proprietários estavam sem fundos para o efeito – inclusive para o pagamento de ordenados à tripulação. Assim, esta passou grandes dificuldades, até ao momento em que o consulado português, tendo tomado conhecimento do drama, resolveu prover a sua alimentação. Na altura, ficaram a bordo apenas o capitão Francisco José Rosário, o contramestre Pedro Maria Andrade, o marinheiro José Baptista Jr. e o cozinheiro Nicolau Moniz [29]. Nesse mesmo dia, notícia de última hora dava conta do libelo interposto junto do United States District Court de Boston pelo causídico Joseph F. Francis, contratado pelo cônsul português, de modo que o navio fosse embargado e vendido e que a receita revertesse a favor da tripulação, colmatando assim os vencimentos em falta e as despesas do repatriamento. Contudo, a odisseia destes homens não acaba aqui. Chegados a Lisboa (o "Pátria" não escalou Cabo Verde), foram internados como náufragos (!) no asilo de Marvila, juntamente com loucos e doentes de outra natureza, como contava o Diário de Lisboa, em notícia de primeira página, reprovando tamanho atentado contra esses "portugueses de lei e de coragem" [30]. O Diário de Notícias de New Bedford, que divulgava esta nota do DL, dizia com razão que os homens do "Coriolanus" não eram náufragos. E adiantava: "No próprio dia do seu embarque foi embargada a 'Coriolanus' pelos salários devidos aos tripulantes. O resultado foi a barca ser vendida em hasta pública no último sábado, rendendo $690 para mais de $6000 de dívidas. No rateio que será necessário fazer, os salários devidos aos marinheiros que foram repatriados e que em Lisboa foram internados como doidos, serão reduzidos a nada. Eis o prémio de tanto sofrimento. É de crer que o governo português já terá atendido, ou cedo atenderá ao seu pedido, transportando-os para Cabo Verde"[31]. 

Em Dezembro de 1931, o "Coriolanus" passou a Clarence Nelson Rogers de Boston, por 250 dólares. E em Agosto de 1936, com a sua venda aos sucateiros da General Iron Smelting Co. de Fall River, acabava sem chama a vida deste garboso mas desafortunado navio que durante décadas sulcou o Atlântico, escrevendo um pouco da história trágico-marítima de Cabo Verde. Deixou porém saudades, como se pode comprovar pela inauguração de um modelo do veleiro no Museu da Baleia de New Bedford, em 19 de Maio de 1972 [32].

NOTAS

[1] Ver em http://www.bruzelius.info/Nautica/Ships/Merchant/Sail/C/Coriolanus%281876%29.html detalhada cronologia do veleiro. Conforme ali se diz, o "Coriolanus" fez em 1877 uma viagem entre a Sicília e Calcutá em 69 dias, tempo igualado por outros veleiros mas nunca batido.
[2] Lembramos que a chamada lei seca foi criada em 16.01.1919 e entrou em vigor exactamente um ano depois. Foi abolida em 05.12.1933.
[3] Alvorada Diária, 19.12.1921, p. 1 (incluindo este, todos os jornais citados são luso-americanos).
[4] Alvorada Diária, 17.01.1923, p. 1.
[5] Alvorada Diária, 14.02.1923, p. 1.
[6] Alvorada Diária, 22.03.1923, p. 6.
[7] Alvorada Diária, 23.03.1923, p. 1.
[8] Alvorada Diária, 06.07.1923, p. 4.
[9] A Alvorada, 31.12.1926, p. 2.
[10] Diário de Notícias, 24.05.1928, p. 1.
[11] Diário de Notícias, 25.05.1928, p. 2. No jornal, designado por "Butlers Flat".
[12] Diário de Notícias, 04.01.1929, p. 1.
[13] Com sede em Marselha, a Fabre Line funcionou entre 1868 e 1970. Recebeu subsídios do Estado português para manter carreiras que interessavam ao país e passavam por Portugal, Açores, Madeira, Cabo Verde e Estados Unidos da América.
[14] Diário de Notícias, 24.09.1927, p. 7.
[15] Diário de Notícias de New Bedford, 25.04.1929, p. 1.
[16] Cuttyhunk é uma das ilhas Elizabeth, no estado de Massachusetts.
[17] Diário de Notícias de New Bedford, 14.05.1929, p. 3.
[18] Roy Teixeira marcou durante cerca de meio século a comunidade cabo-verdiana dos Estados Unidos da América, país ao qual chegou com apenas 16 anos. Conhecido como "Lawyer Teixeira", para além de dono de barcos foi consultor de proprietários e capitães de outros. A este propósito, ver ALMEIDA, Raymond A. Cape Verdeans in America: Our Story, ed. Raymond A. Almeida. Boston: Tchuba-American Committee for Cape Verde, Inc., 1978, Boston.
[19] Deve ser gralha referente a Abílio Monteiro de Macedo.
[20] In texto referido na nota 4.
[21] Provenientes de outra barca, a "John R. Manta", que entrara nos Estados Unidos com clandestinos. Ver Diário de Notícias de New Bedford, 15.06.1929. p. 1 e 17.07.1929, p. 2.
[22] Diário de Notícias de New Bedford, 06.07.1929, p. 2.
[23] Diário de Notícias de New Bedford, 28.08.1929, p. 2.
[24] Olavo Cardoso suicidou-se em Cabo Verde, com 25 anos de idade, no início de 1932. Era então um dos proprietários da barca "Bradford E. Jones" (que na altura estava em Cabo Verde), juntamente com Abílio Monteiro de Macedo. A este propósito, ver Diário de Notícias de New Bedford, 14.01.1932, p. 1.
[25] Diário de Notícias de New Bedford, 05.10.1929, p. 2.
[26] Diário de Notícias de New Bedford, 24.09.1930, p. 1.
[27] P. 1.
[28] Zona histórica de New Bedford, ligada à pesca da baleia.
[29] A lista dos repatriados era a seguinte: Francisco Cabral Fernandes, segundo-piloto; Olavo Monteiro Cardoso, comissário; Anastácio Monteiro, Pedro Semedo Monteiro, Henrique de Oliveira, Vasco Almeida, Alfredo Manuel Lima, Jorge António dos Santos, Álvaro A. A. dos Santos, José Cabra, Miguel Barbosa Amado, Domingos Pereira Antunes, Jorge Cabral Avelino, Armando Garcia, Eduíno Mendes e Francisco Gomes Furtado, marinheiros; Augusto C. Fortes, despenseiro; Hermano Alves Pina, enfermeiro; José Vieira dos Santos e Custódio Gomes Pina, carpinteiros; Isabel Pires da Veiga e Luísa Barbosa Fernandes, criadas; António Nobre de Oliveira, Francisco Almeida e Marcelo Quintino Galvão, criados. Manuel Sacramento Monteiro, figura que depois granjeou considerável importância no Fogo, era declarado como praticante.
[30] Diário de Lisboa, 20.03.1931, p. 1.
[31] Diário de Notícias de New Bedford, 08.04.1931, p. 1.
[32] No âmbito de sessão promovida pelo museu e pela comunidade cabo-verdiana local em que discursou o Dr. Norman Araújo, ali nascido mas descendente de cabo-verdianos. Norman Araújo era doutorado em Letras por Harvard com tese sobre a literatura de Cabo Verde premiada pela Academia Internacional de Cultura Portuguesa com o prémio Bartolomeu Dias. O modelo foi feito pelo dr. Costagliola de Sean Cliff, Long Island. A este propósito ver o Diário de Notícias de New Bedford de 20.5.1072, p. 2   e 31.5.1972, p. 2.