No mesmo recente dia em que dei com o desastrado banco pessoano, fotografei um local que é conhecido do Brito-Semedo, do Adriano, do Valdemar, da Ondina e da Carmo, entre outros amigos que já ali tenho levado (o Zito...), por entre passeios na baixa lisboeta, com intervalos pantagruélicos e degustações vinícolas (enfim, algum exagero nestas palavras, convenhamos...). Os bons fotógrafos, conseguem imensas boas fotografias a partir do nada; os amadores, esses precisam de um milagre para terem uma boa fotografia. E de facto assim foi. Nesse pós-almoço dominical passado saiu uma das melhores dos últimos tempos. Ela aqui fica, para os "meus" turistas e amigos cabo-verdianos que já ali entraram. E também para os que não conheço, obviamente.
quarta-feira, 22 de março de 2017
[2905] Carta do Fogo...
Todos conhecemos pelo menos um descendente, com o mesmo nome e "nominha", rapaz da Armada portuguesa e de vários galões. Aqui fica, para os foguenses que cá vêm se deliciarem, esta carta dirigida à Spencer Novelty MFG, na Rua Spencer de Brooklyn, 141, New York; USA.
Repare-se no desenho, sacas de café com as iniciais de Agnelo A. A. Henriques mais a palavra Fogo, as folhas de cafezeiro e o cordeiro (agnus), para além no sinete do lacre com o "nominha". Um luxo, de requinte!!!
Ah!, A rua e a dita americanas ainda existem. Se não acreditam, vão ver ao Google Maps... Para finalizar, a frase muito antiga inventada há segundos aqui no Pd'B: "Fogue ca é (era) só bulcon"... E, já agora, deixem os vossos comentários.
[2904] Simão Juliano, o herói cabo-verdiano (santantonense da Ribeira Grande), "homem livre" e salvador de náufragos do "Pernambuco"
Já conhecíamos a história, centrada nos feitos heróicos de Simão Juliano, cabo-verdiano que em 1853 salvou treze náufragos do vapor "Pernambucana". Mas não com o desenvolvimento que a "Revista Estrangeira", jornal literário publicado entre 1853 e 1862 (Lisboa) lhe deu. Foi o nosso colaborador Artur Mendes quem a descobriu, fomos nós que editámos o material e são os leitores do Praia de Bote que vão usufruir deste saboroso petisco acerca de um herói "marítimo", grande entre os grandes, dos muitos que a nação cabo-verdiana produziu. Ver mais imagens de Simão Juliano e outras curiosidades, dignas do interesse dos nossos visitantes, no blogue irmão Esquina do Tempo, AQUI E, já agora, deixem os vossos comentários...
segunda-feira, 20 de março de 2017
[2902] Um banco de madeira no Largo do Corpo Santo, Lisboa, um erro, gravadores que gravam mal, fiscais que não fiscalizam e o esqueleto de Fernando Pessoa a saltar nos Jerónimos
Pela mão do Artur Mendes, a gralha do banco chega ao "Observador" a 21.3.2017
Ver AQUI
O Praia de Bote é blogue marítimo e naval e quando se fala de oceano está sempre pronto para nele mergulhar. Por isso, esta conversa não cabo-verdiana fica aqui bem na mesma.
Sim, a coisa é grave. Os turistas que têm passado pelo claustro do Mosteiro dos Jerónimos nos últimos tempos têm ouvido ruídos estranhos, provenientes no túmulo do poeta da "Mensagem". Dão estes a impressão de choque de uma caveira contra tíbias, na companhia de húmeros e costelas, quiçá com a ajuda de seis ou sete vértebras e mais alguns tarsos e metatarsos. Ou seja, é um ruido similar ao de quem vê a sua obra enxovalhada...
Vem isto a propósito do verso gravado num dos bancos de madeira que mobilam a renovada praça do Corpo Santo, em Lisboa, ali bem perto do Cais do Sodré, também ele novinho em folha, e do edifício dos Paços do Concelho da capital portuguesa.
Os bancos, de sólida madeira de peça única e suportes quase invisíveis de metal, agradáveis à vista e razoavelmente confortáveis, têm versos gravados (um em cada um deles). Enfim, isso não se percebe logo à primeira, pensa-se que são frases destrambelhadas, órfãs e solitárias, porque quem teve a ideia achou talvez que os ditos surgiram de geração expontânea, sem poema e sem autor, quiçá saídos de uma "Máquina Automática de Fazer Frases para Bancos"...
Ora no banco em que ontem à tarde me sentei e que depois fotografei está um verso do poema "D. Dinis" da "Mensagem" de Fernando Pessoa. Leiamo-lo, atentando no 7.º verso:
Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.
Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.
Pois houve alguém na CML que teve a ideia; houve alguém numa oficina que fez a gravação; houve alguém da oficina ou da CML que fez a colocação do equipamento de mobiliário urbano; e houve alguém na CML que deveria ter fiscalizado. Pois, NADA, NADA DE NADA. Ninguém viu, ninguém percebeu, ninguém entendeu, ninguém deu com o gato...
A asneira lá está e lá estará... até ao dia em que a ossada de Fernando Pessoa, desgastada de tanto saltitar na tumba, se transforme em pó e apenas faça fshhhhh, fshhhhh... Mas isso ainda vai demorar um tempo...
Ah! Quem escreveu este post não está imune ao erro... mas tenta sempre evitá-lo e olha, olha e reolha para o que escreve, tentando sempre apanhar o gato escondido. Por fim, a questão não é a existência da gralha mas sim o facto de ela ainda lá estar.
Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.
Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.
A asneira lá está e lá estará... até ao dia em que a ossada de Fernando Pessoa, desgastada de tanto saltitar na tumba, se transforme em pó e apenas faça fshhhhh, fshhhhh... Mas isso ainda vai demorar um tempo...
Ah! Quem escreveu este post não está imune ao erro... mas tenta sempre evitá-lo e olha, olha e reolha para o que escreve, tentando sempre apanhar o gato escondido. Por fim, a questão não é a existência da gralha mas sim o facto de ela ainda lá estar.
sábado, 18 de março de 2017
quinta-feira, 16 de março de 2017
quarta-feira, 15 de março de 2017
[2898] Promessa cumprida
Como prometido, seguiram agora mesmo, para todos os que fizeram comentários, as duas páginas do "Diário de Lisboa" - o da expulsão do nosso amigo Zito (ver post 2891). Não as enviei para o Paulo, porque ainda não me indicou o seu endereço electrónico para lhe poder oferecer este material.
segunda-feira, 13 de março de 2017
[2897] Não é só atirar a linha e fisgar o peixe... agora, como antes...
"A Capital", Lisboa, 13.Julho.1915
O autor, Armando Xavier da Fonseca, era engenheiro e alguma da sua bibliografia pode ser vista AQUI
[2895] De novo, o heróico "partigiano" são-vicentino Nicolau do Rosário
sábado, 11 de março de 2017
[2893] SUBMARINOS À VISTA… (artigo escrito em 2006)
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| Emmanoel Oliveira "Monaya" |
Praia de Bote resolveu juntar alguma documentação visual a este artigo de Emmanoel Oliveira e links para a biografia do comandante do U-68 da altura, Karl-Friedrich Merten (Ver AQUI) e a história do seu navio (Ver AQUI)
Estava o mundo em plena Segunda Grande Guerra e o oceano Atlântico era então dominado pelas forças do Eixo. Os submarinos germânicos não davam descanso aos navios que abasteciam o Reino Unido, eram particularmente temidos devido ao seu poder mortífero e silenciosa capacidade de destruição. A propaganda militar nazi incumbiu-se de espalhar uma imagem de terror e precisão na aniquilação do inimigo, as missões arriscadas e bem sucedidas multiplicavam-se, artigos sobre o assunto enchiam os jornais de ambos os lados da linha de fogo. O mar de Cabo Verde foi palco de algumas dessas manobras e recontros.
Na calma tarde de 27 de Setembro de 1941 a população de Tarrafal do Monte Trigo em Santo Antão foi agitada pelo súbito aparecimento de submarinos a escassos metros da praia. Eram cerca das dezasseis horas quando o primeiro submarino emergiu e não tardou que o Guarda Fiscal Rufino Lopes, acompanhado de três remadores, do sargento do pelotão ali colocado e do filho Crisanto, se aproximasse do submersível cujo único ruído que produzia era de marteladas ou batimentos como se estivesse a ser consertado.
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| O U-68 |
Em estado de alerta, o pelotão de cerca de 45 homens do exército português, entrincheirado na praia, armado de espingardas e de uma metralhadora com tripé, não podia rechaçar o intruso, decidiram então enviar um mensageiro ao quartel do Porto Novo a quase 60 quilómetros de distância (via litoral).
Germano Delgado, rapaz nos seus dezasseis anos e mais um colega foram os escolhidos para a missão. Saíram da aldeia às dezoito horas, caminharam sem parar, sem descanso, rasgaram vales, montes e bocas de ribeiras para poderem entregar a importante missiva às seis da manhã do dia seguinte. Foi assim que Mindelo pode receber a informação e enviar um vaso de guerra para averiguar e intervir em caso de necessidade.
Durante a noite os submarinos desapareceram, no dia seguinte tudo voltou à normalidade. A criançada ajudava no transporte de munições para a trincheira incitando os soldados a dispararem as armas. Todos queriam ouvir nem que fosse um tiro só, o que não aconteceu. No pelotão ali colocado havia um sargento e um furriel, os restantes eram soldados, todos mondrongos, hospedados nas casas da família Ferro, na ocasião proprietária de toda a localidade.
Uns dizem que eram dois os submarinos, outros lembram-se de um único. Na verdade os relatórios militares revelam que eram quatro, sendo três alemães e um inglês.
Os germânicos precisavam encontrar-se numa baía calma e segura para trocarem de víveres e armamento entre si, para além de assistir um dos tripulantes que precisava de cuidados médicos com urgência. Foi assim que o U-111 e o U-68 ancoraram lado a lado na tarde de 27 de Setembro, há sessenta e cinco anos, a menos de 200 metros da praia. O barulho que se ouvia vinha das manobras de transbordo de quatro torpedos, enquanto os comandos dos dois submersíveis jantavam juntos, descontraidamente.
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| O HMS "Clyde" |
A tripulação do U-67 ouviu duas fortes explosões dentro da baía, deduziu que um dos submarinos foi atingido ou mesmo ambos tinham sido afundados. Uma outra versão insiste que as detonações deram-se em terra. Naquela noite porém ninguém no Tarrafal deu conta desse confronto bélico nem das explosões, a aldeia dormia como nos dias de hoje ainda dorme, calma e serena, na paz de Deus.
| A rendição do U-111 |
Do "Clyde" não temos noticias, perdemos-lhe o rasto.
Emanuel C. D’Oliveira
O Sr Germano António Delgado “o mensageiro”, hoje com 87 de idade, conta as peripécias do dia 27 de Setembro de 1941.
O Sr Crisanto Lopes tinha 12 anos quando se aproximou dos submarinos, acompanhando o pai em missão de serviço.
sexta-feira, 10 de março de 2017
[2891] Uma canalhice, num período de chumbo
Ao contrário do anunciado (ver post anterior), ainda vai hoje!...
Todos os países têm os seus dias negros. Por culpa dos elementos da natureza, da economia, da cultura (melhor dizendo, incultura) ou, mais frequentemente, da política. Neste último caso, por culpas externas ou internas. Todos os têm, talvez sem excepção. O jovem Cabo Verde não falhou à regra. Tal como aconteceu em Santo Antão, por uma reforma agrária mal conduzida, em São Vicente sem mortes mas com prisões arbitrárias, tortura e outras vilanias próprias de momentos revolucionários. Não vale a pena bater no ceguinho, pois todos sabemos o que houve e quem foram os torcionários e as vítimas. Felizmente, o país entrou nos eixos e hoje tem lugar honroso no universo das nações democráticas. Mas aqui fica esta "reportagem" do "Diário de Lisboa", de 14 de Junho de 1977, bem marcada pela ideologia da época (e do jornal) oferecida pelo Artur Mendes, para ler, interiorizar, comentar e não esquecer.
ZITO, O "CABO-VERDIANO"
… Numa das pausas da doença que o haveria de vitimar, o Zito confessou-me: "- Se Deus me der força e ânimo, ainda gostaria de escrever as memórias do meu passado nas ilhas de Cabo Verde…”
Sabendo ele da minha "ratice bibliotecária", pediu-me que procurasse nos vários arquivos nacionais o periódico que noticiou a expulsão da "sua terra amada". De modo que não ficaram as suas memórias de Cabo Verde (muitas das quais podem ser lidas no Praia de Bote e no Arrozcatum) mas, cumprindo o desejo do nosso amigo, aqui fica a mais negra delas...
"Do grupo faziam parte dois indivíduos de nacionalidade portuguesa: um filho de pai português, mas nascido em Cabo Verde e outro de nome José Manuel Faria de Azevedo…" Eis, pois, o que o "Diário de Lisboa" publicou no dia 14 de Junho de 1977.
Assim, amigo Zito, a minha missão está cumprida.
Até sempre!
Artur
Devido a incapacidades do blogue, a leitura, embora se consiga fazer, é difícil em algumas das colunas. Assim, ofereceremos as duas páginas inteiras (as originais) onde vem o artigo, com fácil leitura, aos leitores que comentarem o artigo.
Todos os países têm os seus dias negros. Por culpa dos elementos da natureza, da economia, da cultura (melhor dizendo, incultura) ou, mais frequentemente, da política. Neste último caso, por culpas externas ou internas. Todos os têm, talvez sem excepção. O jovem Cabo Verde não falhou à regra. Tal como aconteceu em Santo Antão, por uma reforma agrária mal conduzida, em São Vicente sem mortes mas com prisões arbitrárias, tortura e outras vilanias próprias de momentos revolucionários. Não vale a pena bater no ceguinho, pois todos sabemos o que houve e quem foram os torcionários e as vítimas. Felizmente, o país entrou nos eixos e hoje tem lugar honroso no universo das nações democráticas. Mas aqui fica esta "reportagem" do "Diário de Lisboa", de 14 de Junho de 1977, bem marcada pela ideologia da época (e do jornal) oferecida pelo Artur Mendes, para ler, interiorizar, comentar e não esquecer.
ZITO, O "CABO-VERDIANO"
… Numa das pausas da doença que o haveria de vitimar, o Zito confessou-me: "- Se Deus me der força e ânimo, ainda gostaria de escrever as memórias do meu passado nas ilhas de Cabo Verde…”
Sabendo ele da minha "ratice bibliotecária", pediu-me que procurasse nos vários arquivos nacionais o periódico que noticiou a expulsão da "sua terra amada". De modo que não ficaram as suas memórias de Cabo Verde (muitas das quais podem ser lidas no Praia de Bote e no Arrozcatum) mas, cumprindo o desejo do nosso amigo, aqui fica a mais negra delas...
"Do grupo faziam parte dois indivíduos de nacionalidade portuguesa: um filho de pai português, mas nascido em Cabo Verde e outro de nome José Manuel Faria de Azevedo…" Eis, pois, o que o "Diário de Lisboa" publicou no dia 14 de Junho de 1977.
Assim, amigo Zito, a minha missão está cumprida.
Até sempre!
Artur
[2890] Amanhã...
Amanhã, no Pd'B, veremos a memória eloquente de uma inesquecível malfeitoria feita a desaparecido amigo nosso, nos idos de 1977... Para ler, interiorizar, comentar e não esquecer... Pensámos mostrá-la hoje, mas a coisa dá muito trabalho de edição, de modo a que possa ser lida pelos visitantes com facilidade.
[2889] O vapor ex-"Norwich" e depois "Fortuna", da Empresa de Navegação Lda.
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| O "Fortuna", ainda como "Norwich" |
Para saber mais sobre este navio, clique AQUI
Colaboração de Artur Mendes
Sob esta razão social pretendem os srs. José e Philip Santos Silva, negociantes na ilha do Fogo, formar uma empreza a vapor entre o nosso archipelago e os Estados Unidos da América.
Achamos acertado e de grande utilidade o empreendimento d’estes nossos amigos pois ninguém, em Cabo Verde, ignora as vantagens que esta carreira traz à província e o benefício que com ella teem os caboverdeanos que emigram anualmente param a América e que até agora iam em pequenos palhabotes, mal acomodados, numa travessia de milhares de milhas, por mares bem perigosos, sendo até frequentes os naufrágios.
Com um vapor passa-se a fazer a viagem com rapidez e comodidades que em pequenos navios de vela se não podiam ter.
A nosso ver esta empreza tem muito futuro e todos quanto possam dispor de 50,000 reis para comprar uma acção empregarão bem o seu capital, pois certamente os lucros serão remuneradores.
Felicitamos os srs. José Philip Santos Silva pelo seu arrojado empreendimento, fazendo votos para a rápida resolução deste negócio e que em breve tenham notícias de ter o sr. José Santos Silva comprado o vapor que iniciará a carreira ainda este anno.
Este sr. partiu há dias da América para a Inglaterra, levando alguns milhares de dollars com que concorreu para a empreza a colonia portugueza residente nos Estados Unidos.
Na filial do Banco Nacional Ultramarino desta cidade estão depositados, de vários accionistas, como o anuncio no nosso jornal 7.250,000 reis e 4.315 dollars.
Avante pois, e oxalá que quem possa na província dispor de algum capital o não retraia, empregando-o nesta prometedora empreza.
in jornal "A Voz de Cabo Verde", algures em 1912, em mês anterior a Abril.
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| Notícia de "A Voz de Cabo Verde" de 1 de Abril de 1912 |
quinta-feira, 9 de março de 2017
[2888] O contínuo emagrecimento do tchuc são-vicentino (infelizmente consentido) ou o desprezo persistente pela ilha do Monte Cara
O ORÇAMENTO GERAL DO ESTADO PARA 2017 É UMA AFRONTA À ILHA DE S. VICENTE E AO SEU POVO
(Este comunicado do Grupo de Reflexão da Diáspora que gostosamente o Pd'B divulga tem o significado de um alerta à sociedade civil mindelense, aos deputados por S. Vicente, em particular, e aos políticos cabo-verdianos, em geral).
Foi tornado público, nas suas linhas gerais, o Orçamento Geral do Estado para o corrente ano de 2017. Da leitura do mesmo, constata-se, com chocante surpresa, que a ilha de S. Vicente foi relegada para o quinto lugar na distribuição dos recursos para o investimento público, sendo contemplada com 489.867.959 escudos, e deste modo ficando bastante aquém do município da Praia (732.434.620 escudos), e atrás da ilha de Santo Antão (784.144.715 escudos), do município de Santa Catarina (647.792.953) e da ilha do Sal (505.762.936 escudos). Entretanto, notícia veiculada no jornal online “Mindel Insite” dava conta de que este orçamento francamente penalizador para S. Vicente, nem por isso mereceu qualquer comentário público aos deputados eleitos pelo círculo eleitoral da ilha, à excepção de um da oposição. Estranho e perturbante é o silêncio cobarde daqueles que têm a estrita obrigação política de pugnar pelos interesses do povo em nome do qual exercem os seus mandatos!
Não se conhecem ainda todos os contornos e pormenores técnicos do documento em causa, assim como os pressupostos e os fundamentos que determinaram a sua concepção. Mas uma coisa parece já de uma certeza meridiana. Pelos vistos, voltamos a estar perante um orçamento de cunho marcadamente centralista e, como se não bastasse, eivado de critério político muito nebuloso. Porque é de todo impossível não interpretar este orçamento como uma atitude de puro revanchismo e de claro afrontamento contra a ilha que mais tem denunciado os males do centralismo político e as suas danosas consequências para o progresso do país.
Mas o que mais revolta, porque a injustiça dói fundo, é este orçamento vir completamente ao arrepio das promessas eleitorais alardeadas na ilha de S. Vicente pelo líder do MpD e actual primeiro-ministro. Porque é um facto incontestável que este governo do MpD ganhou as eleições legislativas, há precisamente um ano (Março de 2016), com o apoio expressivo dos mindelenses e dos democratas cabo-verdianos que confiaram o seu voto a quem alto e bom som prometeu mudanças radicais em relação aos discursos e às políticas até então seguidas pelo PAICV, que privilegiavam destacadamente a Ilha de Santiago, em detrimento de uma visão mais igualitária e homogénea do conjunto nacional.
Deste modo, o que se vê é a ilha de Santiago continuar a beneficiar da fatia de leão na distribuição do bolo orçamental, o que em si demonstra quão falsas e capciosas foram as promessas de reabilitar o espírito de solidariedade nacional, de moralizar a política e de promover a correcção dos desequilíbrios regionais através de uma efectiva descentralização do poder e de uma mais equânime distribuição dos recursos.
Ora, a ilha de S. Vicente é a segunda mais importante do país em função do seu peso demográfico e do seu contributo para o PIB. É certo que o princípio da solidariedade nacional pode e deve exigir um critério de distribuição da riqueza que passe por ressarcir as ilhas menos desenvolvidas, à custa daquelas que mais recursos geram. Mas o que este orçamento nos representa, mediante uma leitura fria, e a avaliar pelas fatias orçamentais logo no início discriminadas, é esta curiosa e inverosímil situação, ditada simplesmente pelos números:
1. A ilha de S. Vicente parece ter contribuído sozinha, ou em parte substancial, para a recuperação do atraso de outras, assim se explicando que, em tratamento orçamental, ela se posicione em quinto lugar, muito distante do município da Praia e nas caudas da ilha de Santo Antão, do município de Santa Catarina e da ilha do Sal;
2. A ilha de Santiago no seu todo, e conforme os valores orçamentais em presença, é mais uma vez consideravelmente privilegiada, e, absurdo dos absurdos, nem sequer partilhando do espírito de solidariedade nacional que aparentemente terá justificado a não alocação dos recursos prometidos a S. Vicente, tendentes a inverter a situação de emergência social e económica que se vive na ilha.
Outrossim, e numa avaliação casuística, não se percebe que a ilha de S. Vicente tenha um tratamento orçamental equiparável ao de um simples município, só pela circunstância de tratar-se de uma ilha unimunicipal. A ilha tem de ser vista na globalidade da sua condição geoeconómica e importância político-social, bem como na perspectiva das suas potencialidades, as que são efectivas e as que são exploráveis numa dimensão calculadamente mais alargada e à escala nacional. Ela foi no passado a principal geradora das receitas do território e por má-fé política foi sendo, no pós-independência, continuamente marginalizada pelo poder central, impedida, por coacção política, de ser um importante pólo da economia nacional, que era e é a sua vocação natural.
Sucede ainda que a S. Vicente afluem populações das ilhas vizinhas, nomeadamente de Santo Antão, à procura de trabalho, fenómeno que vem agravando os seus problemas sociais, como o desemprego, a habitação clandestina e a marginalidade. É um ónus que se deve ao coração franco e aberto dos mindelenses, mas sem qualquer apoio suplementar por parte do governo central. Foi exactamente perante este quadro social que o actual primeiro-ministro prometeu, em campanha eleitoral, um conjunto de medidas especiais para reverter a deprimente situação em que a ilha tem estado mergulhada desde há décadas. No entanto, desde a posse do actual governo nada até agora se perfilou nesse sentido. Pelo contrário, a percepção geral é que a ilha é neste momento como uma rampa deslizante, rumo a um pântano cujas consequências se receiam bem temerosas. E o que mais intriga e desafia a paciência e o ânimo do mais pacato cidadão, é que têm sido constantemente anunciados investimentos de milhões em Cabo Verde, mas sempre para os mesmos destinatários.
Nesta conformidade, é de todo inaceitável que S. Vicente tenha uma dotação orçamental bastante inferior à do município de Santa Catarina e à das ilhas de Santo Antão e do Sal. Razões do Estado podem explicar certos caminhos ínvios que a política percorre, mas em matéria orçamental os princípios de justiça e de equidade jamais podem ser postergados ou prostituídos, sem que resultem em cadeia graves repercussões no ânimo e no moral das populações. Espelho de uma clara intenção política, este orçamento é motivo de profunda inquietação para o povo de S. Vicente.
Portanto, é urgente e é imperativo que o Governo explique por que razão a segunda ilha do país é sonegada para um quinto lugar na distribuição orçamental, ao passo que Santiago e os seus municípios continuam inexplicavelmente privilegiados e em posições cimeiras. A supor-se um eventual critério de distribuição versus ressarcimento, reafirma-se que o princípio só parece ter sido aplicado a S. Vicente, a única contribuinte da partilha nacional, enquanto Santiago continua intocável no seu pedestal e escandalosamente liberta de obrigações de solidariedade e coesão territorial.
Cidadãos, a política em Cabo Verde parece enveredar cada vez mais por caminhos tortuosos que deixam perplexas as populações que um dia acreditaram nas virtudes nacionais e confiaram nas capacidades dos que assumiram a responsabilidade de governar os seus destinos.
A sociedade civil mindelense parece mergulhada num clima de apatia social e desinteresse cívico sem precedentes, que só se explica pela preponderância de valores individualistas e egoístas e pelo eclipse dos líderes políticos locais, divididos em querelas inúteis da baixa política. E é em grande parte por esta postura de abdicação, de autêntica paralisia, que S. Vicente tem sido alvo de tratos de polé, marginalizada pelo poder político, desviada do destino que lhe desenharam os homens bons que no passado foram os construtores de uma sociedade local fecunda e promissora.
Importa, pois, indagar e esclarecer os motivos por que a ilha de S. Vicente foi destratada de uma maneira tão acintosa e provocatória. E é nesse sentido que, não aceitando ver relegada a segunda ilha mais importante do arquipélago para uma quinta posição na escala das prioridades orçamentais, os cidadãos abaixo assinados lançam um apelo veemente aos políticos e à sociedade civil mindelenses, para que assumam as suas respectivas responsabilidades, enquanto é tempo.
Subscrevem este Documento cidadãos cabo-verdianos sem qualquer filiação político-partidária, preocupados com a contínua degradação da situação económico-social da ilha de S. Vicente e da região em que nasceram ou viveram parte significativa das suas vidas, e que, em vista disso, reclamam uma reforma urgente do sistema político e administrativo do país, bastas vezes prometida e adiada para as calendas gregas.
Pelo Grupo de Reflexão da Diáspora, e por ordem alfabética:
Arsénio Fermino de Pina
Adriano Miranda Lima
Carlos Adriano Vitória Soulé
José Fortes Lopes
Luís Andrade Silva
Valdemar Pereira
[2887] Praia, o Far-West pouco profissional
Em poucos dias, na Praia, dois assaltos a bancos. Assaltos a bancos em Cabo Verde?, dirá o leitor, absolutamente espantado. Sim, a moda já chegou às ilhas (perdão, a Santiago). Mas parece que os rapazes são algo inábeis, apresentando-se como perfeitos amadores, isto é, ou se deixam prender logo ou largam o saco das notas pouco depois. Enfim, fiascos totais, uma vergonha para o SLB (ahahaha, nada disso, não é Sport Lisboa e Benfica, é Sindicato dos Ladrões de Bancos), falta de profissionalismo a toda a linha. Propomos a uma das muitas universidades de Cabo Verde uma licenciatura, quiçá um mestrado, se possível um doutoramento sobre esta área, cujos praticantes revelam tão ridículo e inadmissível amadorismo. Em tudo, há que ter classe, bolas! Temos dito!...
Ver AQUI
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