quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

[3510] Comemoração dos sete anos do Pd'B (8) - Do Sal para o Porto, com fantasmas pelo meio...

Esta carta foi expedida do Aeroporto do Sal a 28 de Outubro de 1958, tendo como destinatário o Comandante da Armada João Paes Baptista de Carvalho. O remetente, cujo autógrafo é ilegível, era provavelmente algum colega em trânsito que deixara o navio hidrográfico "A 527 NRP Comandante Almeida Carvalho" (ver AQUI), que bem conheci (e onde almocei duas ou três vezes), bem como os mindelenses de boa memória, pois por ali e pela Guiné andou entre 1950 e 1964, altura em que passou a corveta com o nome de "Cacheu". 

Do comandante Baptista de Carvalho não dizemos mais nada, mas remetemos os nossos vistantes para um saborosíssimo artigo que encontrámos e que sinceramente foi um asurpresa, dado o seu "fantasmagórico" conteúdo. Leiam e arrepiem-se!.... Ver AQUI a parte "O LUGAR ONDE A SAUDADE MATOU", onde se fala da Quinta do Comandante, em Oliveira de Azeméis.

[3509] Comemoração dos sete anos do Pd'B (7)

Praia de Bote faz hoje sete anos, um longo caminho percorrido, um divertimento imenso.


[3508] Comemoração dos sete anos do Pd'B (6) - O governador que não o foi...

"A Capital" (Lisboa), 13.10.1910
Já aqui temos falado muitas vezes de governadores de Cabo Verde que foram a âncora de muitas vidas salvas, quando o governo central em Lisboa estava cego, surdo e mudo às necessidades de Cabo Verde, necessidades essas muitas vezes de vida e morte. É claro que houve um ou outro menos hábil, menos inteligente, menos empenhado ou menos atento a essas premências das ilhas. Mas no geral, ao depararem com a miséria que nelas grassava, fizeram, como lhes competia, o seu dever possível. 

E também já temos instado os universitários locais a darem atenção a essas figuras que fazem parte integrante da história do país. Como dissemos há poucos dias, as biografias destes muitos homens dão para uma vasta quantidade de teses de mestrado e doutoramento. É só ir ao "depósito" das bibliotecas, dos arquivos e dos jornais que elas estão lá, gatchóde, à espera de quem as traga à luz do dia.

Bem, mas hoje, dia de 7.º aniversário do Pd'B, resolvemos trazer ao conhecimento. dos visitantes do Pd'B um que antes de o ser... não o foi. Escassos três dias depois da proclamação da República, o 1.º tenente Muzanti, oficial da Armada, era nomeado governador de Cabo Verde, juntamente com os da Guiné, Angola e Índia. Acontece que, por motivos que ainda desconhecemos, Muzanti acabou por não ir para Cabo Verde, seguindo a 7 de Novembro para o arquipélago em seu lugar o brilhante mas muito prolemático Artur Marinha de Campos, também oficial da Armada.

João Augusto de Oliveira Muzanti acabou por chegar a almirante, tendo falecido enquanto desempenhava o cargo de Chefe de Estado Maior Naval (hoje seria Chefe de Estado Maior da Armada), na tarde do dia 21 de Março de 1937, depois de lhe ter sido amputada uma perna em virtude de doença que sofria. De longa e preenchida biografia, apontamos apenas dois factos da mesma: combateu em 1908 nas chamadas "campanhas de pacificação da Guiné", enquanto governador da colónia (1906-1909), e foi ele que ao comando do aviso "República" salvou Gago Coutinho e Sacadura Cabral quando estes caíram nos penedos de São Pedro e São Paulo, durante da célebre viagem Lisboa-Rio de Janeiro.

"A Capital" (Lisboa), 7.11.1910

[3507] Comemoração dos sete anos do Pd'B (5) - O grande Mindelense, em Março de 1971

Foi pouco antes da independência, em Março de 1971. Estávamos na época de 1970/71 e o Mindelense já tinha ganho seis campeonatos de Cabo Verde. O interessante texto anónimo punha água na fervura, para apaziguar eventuais ânimos exaltados mas é claro não se sabia o que iria suceder, quanto a resultados, naquele jogo. A luta era renhida e estava em cena a rivalidade clubística entre São Vicente e Santiago, com um derby de estalo para entusiastas da bola: Clube Sportivo Mindelense contra Sporting Clube da Praia, jogo impróprio para cardíacos. Quem ganhou? Ora, ora, que se esperava? Olhe para o emblema que colocámos ali à esquerda e logo descobre... Quanto ao "depois" da independência, o Mindelense despachou mais 12 prélios. É obra!... Isto, para não falarmos da liga insular de São Vicente, da taça de São Vicente e da super-taça de São Vicente. Portanto... VIVA O MINDELENSE!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

[3506] Comemoração dos sete anos do Pd'B (4) - E sim, amanhã há mais...

Depois da prenda do Val, veio a prenda do Zeca Soares. E que prenda, um luxo. Amanhã surgirá aqui, com todas as honras, na continuação da festa do 7.º aniversário do Pd'B.
Braça d'ratachá osse pa tude munde e bsot bá durmi!

[3505] Comemoração dos sete anos do Pd'B (3) - Bom comércio da Travessa da Praia

A Rua de Praia (na realidade, Avenida da República) e a Travessa da Praia, ambas relacionadas com a Praia de Bote, sempre tiveram boas lojas, muito comércio e gente com fartura. Aqui ficam dois sinais disso, o da Loja do Povo, de Joaquim Rodrigues Lima, e o da Loja 1.º de Março, de Ricardo José Serradas (o jornal tinha um rasgão e daí o negro sobre o "R" de Ricardo que limpámos ao máximo), ambas na Travessa da Praia. Era Março de 1902. Como nota suplementar, informamos que o fogo de artifício utilizado nas comemorações deste 7.º aniversário foi adquirido na Loja do Povo. Digam lá que não faz um brilharete... Ah... e Ricardo José Serradas continua a ter a companhia de Nha Marquinha! Buuuuuuuuuu!!!


[3504] Comemoração dos sete anos do Pd'B (2)

Praia de Bote. Sete anos a disparar história, cultura e notícias de Cabo Verde para o Mundo. Agradecemos a todos os que têm acarinhado este espaço, nomeadamente os comentadores militantes cujos nomes não mencionamos, porque não é necessário - eles aparecerão aqui hoje ou amanhã, dando sinal de vida. Agradecemos também aos que aqui vêm de modo anónimo e fazem parte do quase meio milhão de visitas que o nosso contador regista. E, em última análise, agradecemos ao sujeito principal do Pd'B, pois sem ele este blogue não faria sentido e que tem 9 letras e um espaço (reservado a Santa Luzia). Qual é ele, qual é? Pois claro: Cabo Verde!!!

NOTA: Avisamos os nossos comentadores que, dado o manancial de posts publicados hoje e que serão colocados amanhã, o Pd'b ficará em espera por três ou quatro dias, para eles terem maior disponibilidade de escrita. Não se assustem com a fartura, portanto...

[3503] Comemoração dos sete anos do Pd'B (1) - 7 anos de vida, 3500 posts, quase 416 000 visitas


[3502] Wynton Marsalis Septet in "Happy Birthday Pd'B" - Thanks, giant Wynton!!!

[3501] Mais parabéns ao Pd'B, desta vez directamente de Tours, com som de Brasil. Merci, monsieur le vice-consul Val!!!

[3500] De Cabo Verde (ou de França ou de Dakar, não sabemos, mas agradecemos), chegam os parabéns de Jean-Claude Gomes. Ubrigadim Jean-Claude. E chegam em n.º 3500, grande pontaria Jean-Claude!!!

[3499] Doreen's Jazz New Orleans - Happy Birthday, Thanks Doreen, Pd'B loves you and your clarinet!!!

[3498] Era inevitável, a Índia não se ia esquecer do aniversário do Pd'B. जन्मदिन मुबारक हो

[3497] E vindas do Céu dos músicos, as felicitações do Louie - Groovy man, groovy!!!... Pd'B loves you, Satchmo!!! Yeahhh man!!!

[3496] Jovens cantores de Viena (onde o blogue é visto por milhares de habitantes) não esquecem o Pd'B - Vielen dank freunden!

[3495] As felicitações da Escócia. Thanks, friends!! We love the sound of bagpipes!

[3494] Britânicos felicitam Pd'B em prol da propaganda que o blogue tem feito à extinta Western Union...

[3493] Obrigado, obrigado, obrigado, malta do Happy Birthday from Westminster Choir College, Pd'B já chora de emoção

[3492] Até eles!!! Thanks, Peanuts

[3491] Ufffffffffffffffffffffffff!!! Até de Hong Kong nos chegam as felicitações!!!

[3490] Mais uns parabéns para o Pd'B - Thanks Lucky, "ganda" swing!!!

[3489] Começam a chegar os parabéns ao Praia de Bote, pelo seu 7.º aniversário - Thanks Stevie, you are the greatest!

[3488] Desista do que tinha para fazer amanhã, puxe uma cadeira e sente-se na Praia de Bote no seu 7.º aniversário. Há mancarra, sucrinha, pirinha e chuinga, de borla. Para os mais exigentes, arranjamos monftchode e grog bedjo

Praia de Bote, prestes a comemorar sete anos de vida dedicados ao Mindelo, a São Vicente e a Cabo Verde, prepara comemoração condigna, com muito material curioso e sobretudo um concurso que vai pôr os nossos colaboradores em polvorosa.

Portanto, arregacem as mangas, acordem os neurónios e afinem as teclas do computador que vem aí tempestade concursional... E viva o 7!!!


Início do fogo de artifício em honra do Pd'B na baía do Porto Grande. Segundo nos revelou o nosso correspondente no Mindelo Djosa de nha Bia, o povo de São Vicente está a convergir para a Praça Nova, onde se desenrolará a maior parte do vasto conjunto de actividades previstas nas comemorações do 7.º aniversário do Pd'B - que aproveita as sinergias do Carnaval mindelense de 2018: é que já lá estão as bancadas montadas para o desfile e assim fica-nos mais barato, ahahahaha

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

[3487] Entrevista com Germano Almeida

Hoje e amanhã, Pd'B para! Estamos a preparar a passagem do 7.º aniversário (que se comemora dia 7) e entrada no nosso oitavo ano de vida. Curiosidades, documentação inédita e um GRANDIOSO concurso com sete perguntas. Aproveitamos também a pausa para organizar uma pequena homenagem ao Zito Azevedo, cujo 1.º aniversário de falecimento se concretiza a 11. Até lá... comente, comente e comente! Braça.

Entretanto, oferecemos-lhe a recente entrevista de Germano Almeida ao "Diário de Notícias", AQUI


Foto Joaquim Saial

domingo, 4 de fevereiro de 2018

[3486] Táxiiiiiiiiiiiii, táxiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!


Junho.1968

Sede no Plurim d'Virdura (o que é que Pd'B não descobre?)

[3485] Quando a Western Telegraph de São Vicente morreu, Nhô Roque estava atento.

Sem comentários nossos, para ser mais pura a leitura. Foi isto em Novembro de 1971.




[3484] No "Terra Nova" de Janeiro (excerto)


[3483] Cabo Verde ganha uma nova ilha!!!! O milagre aconteceu!!!! De dez, passámos para onze, com a novíssima ilha do Farol...

É domingo, o Pd'B desacelerou, devido a escritas prementes, mas não deixa de dar aos seus visitantes conhecimento da nova ilha misteriosamente surgida no arquipélago verdiano (foi Djosa de nha Bia que deu por ela e contou o caso à RTCV) - que assim deixou de ser o tal dos "dez gronzim di téra" e passou a ser o dos "onze gronzim". Presidente da República, governo e deputados estão de partida para reconhecimento da nova ilha que vai receber um destacamento permanente de 50 fuzileiros, o qual assegurará a soberania do novo espaço ilhéu, e um faroleiro em permanência...

sábado, 3 de fevereiro de 2018

[3482] Brrrrrrrrrr, aqui em Portugal está um gelo, vou mas é levantar voo e aterrar em São Pedro... passando por cima do Porto Grande e do Mindelo, claro. Adeus, até ao meu regresso!!!!!

Amanhã, se quiserem falar comigo, encontram-me na Baía das Gatas, de papo para o ar. Mas não chateiem muito que eu necessito de repouso. Já agora, vou beber um groguim, antes de apanhar o avião...

[3481] É sábado, a caixa multibanco mais próxima de si está esgotada e não tem euros? Vá ao BNU do Mindelo e levante escudos... Hum!.. Enfim, tente...

[3480] Reafirmo: Cabo Verde está em todo o lado! (ver posts 3473 e 3475)

É sábado, o dono do Pd'B arranjou um espacinho nas suas tarefas de escrita e resolveu, ao contrário do que havia anunciado no post anterior, colocar aqui mais um mimo cabo-verdiano. Deliciem-se que petiscos destes só no Pd'B!...

Hoje já nem tanto, mas há umas décadas era comum algumas pessoas que tinham determinadas características verem-nas passadas a si como alcunha e depois aos filhos como apelido. O sujeito era de Évora e chamavam-lhe João Évora? O filho tornava-se MESMO Évora, Abílio Évora, por exemplo; a mulher chamava-se Adélia e trabalhava numa fazenda? Passava a ser a Adélia da Fazenda, como alcunha, e o filho via constar no seu registo o apelido António Serafim Fazenda... e assim por diante. Todos conhecemos casos destes.


Temos aqui um que julgo ser desse género. A conclusão a tirar é quase óbvia... Trata-se de um pedido de Bilhete de Identidade, existente no Arquivo Distrital de Portalegre. O pai ou o avô, ou outro ancestral mais antigo desta senhora de Sousel (Alto Alentejo), devia ser natural ou ter estado algum tempo em Cabo Verde e daí... o "Cabo Verde" no apelido. É claro que posso estar enganado, mas duvido... Entretanto, houve outros Cabo Verde (com dados no mesmo arquivo) que não passaram o apelido aos filhos. Mas isso dava pano para mangas e há outras coisas para fazer. Quem tiver paciência que os procure...

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

[3479] Isto não é um post. Não vale a pena comentar pois, como sempre, posts não numerados serão eliminados em breve. AFINAL ESTE "NÃO POST" PASSOU A POST, PARA SE PODER DAR RESPOSTA AO ADRIANO

Mostrou o Adriano - em comentário a post anterior - vontade de saber se o Sr. José Inocêncio da Silva frequentou o Seminário-Liceu de São Nicolau. Ora sendo o Pd'B o melhor blogue... da Praia de Bote, não podíamos deixá-lo sem resposta, pois aqui sabemos tudo... menos aquilo que não sabemos. Assim, recorremos precisamente ao opúsculo do post anterior, para esclarecer o nosso amigo. Trata-se da biografia de José Inocêncio da Silva, escrita por Belmiro Vieira (irmão de Arménio Vieira - ver AQUI a notícia da morte de BV, com saborosa anedota que contava).

"Nasceu Inocêncio Silva em S. Nicolau, numa época em que àquela ilha acorriam de diferentes pontos do arquipélago, jovens na ânsia de irem frequentar o então Seminário -Liceu, cuja profunda e edificante actividade no desenvolvimento intelectual dos seus alunos é ainda hoje relembrada com saudades.

Como todos os da mocidade do seu tempo, o jovem Inocêncio matriculou-se nas disciplinas singulares que então se ministravam naquele estabelecimento de ensino, às quais ele se dedicou sempre com mais acendrado amor e com progressivo proveito.

Desde início revelou especial vocação pelas disciplinas de Português e Estilística, em que bastas vezes chegou a zurzir brilhantemente os seus camaradas, quando sustentavam qualquer discussão literária.

Era naquela altura professor de Estilística o célebre e insigne orador, cónego Augusto Coimbra que teve Inocêncio da Silva no mais alto apreço, pois que reconhecia nele apreciáveis predicados de aluno que augurava futuros triunfos.

Conta-se que um dia o professor perguntou de chofre aos seus alunos qual o livro que não tinha nem podia ter índice, ao que ninguém, dentre os alunos, soube responder. Somente Inocêncio Silva encontrou para o mestre a acertada resposta de que era o dicionário duma língua, o que lhe valeu maior admiração e estima do professor.

Bem cedo revelou acentuadas tendências para as produções literárias, salientando-se principalmente em composições de carácter descritivo, dramático, pastoril, etc.

Com uma já vasta e densa bagagem de conhecimentos, saiu Inocêncio da Silva do Seminário-Liceu e, em 1915, ingressou no quadro postal desta Colónia, onde hoje se encontra chefiando a estação Postal de São Vicente [Nota do Pd'B: que achamos se situava no edifício que também foi quartel e onde depois se criou o Liceu Gil Eanes]. (...)"

A biografia continua por mais página e meia mas a parte que interessa ao Adriano é esta que aqui copiámos. Não frequentou Inocêncio a Universidade mas foi sempre um estudioso e autodidacta até ao fim dos seus dias. 

Pediu o Adriano um falucho e ele aqui fica também (não é bem, bem, falucho, mas anda lá perto) em foto feita no mesmo dia da anterior, ou seja, na quarta-feira passada, focando o mar de Cascais.


Sendo que os últimos seis posts foram muito trabalhosos e por outro lado dão oportunidade a quem gosta de comentar e escrever de se entreter com eles, Pd'B vai dedicar-se algum tempo (não muito) a outras tarefas de escrita (como sabem, esta fábrica nunca para). Se entretanto houver comentários que o exijam, poderemos dar um gosto à caneta (perdão às teclas) e responder. Se não houver, os visitantes que repousem a ver esta nossa fotografia feita anteontem.

Foto Joaquim Saial, Boca do Inferno, Cascais, Portugal (obviamente, o pescador não é o dito cujo...)

[3478] José Inocêncio da Silva (1894-1967), algumas memórias no Pd'B (2)

Este opúsculo foi publicado pelo Grupo Académico Progredior, em 1946. Aqui o Pd'B sabe pouco deste grupo, ligado ao Liceu Gil Eanes, excepto que um dos seus membros era Celso Cândido da Silva Fernandes, homem de Santiago que faleceu cedo em Lisboa, em 1980. Seja como for, são 14 interessantes páginas com uma biografia de JIS da autoria de Belmiro Vieira e reprodução de críticas de jornais portugueses (e até de um do Brasil) à obra "Rumo Novo".

Mais saborosa para os nossos dentes de rato de biblioteca e de bibliófilo é a dedicatória a uma mademoiselle cujo nome JIS escreveu com três palavras mas cuja identificação, por termos quase a certeza de que ainda está viva, não reproduzimos. Podemos no entanto dizer que foi esposa de um deputado português de esquerda, de grande prestígio, esse sim, já falecido.

Sabemos que numa viagem do Orfeão Académico de Coimbra a Cabo Verde (por volta de 1960) os orfeonistas e alguns docentes, entre os quais o professor progressista Paulo Quintela (professor de Línguas Germânicas, homem de teatro e tradutor), estiveram na casa de JIS no local onde ele escreveu esta dedicatória, a Vila Inês (a que ele por graça designa como "castelo" e assim se chamava em honra da esposa, D. Inês Silva), no Lameirão. Há uma foto desse encontro no Arquivo do Djô Martins. E se não nos enganamos, um dos estudantes era o Manuel Alegre que entretanto descobriu o Bana… A dita mademoiselle, provavelmente, também era integrante do grupo e daí o contacto.

Quanto ao Lameirão são-vicenteino, penso que os habituais frequentadores do Pd'B (os falantes e os mudos envergonhados) sabem onde fica: para os lados do Mato Inglês e Pé de Verde, num local de razoável acesso, pois é atravessado pela estrada que vai do Mindelo para a Baía das Gatas.


Oferta amistosa do biografado à simpática académica de Coimbra mademoiselle (três palavras no nome) com votos sinceros dos melhores êxitos no seu curso e vida longa.
Castelo da Vila Inês (Lameirão)
Em São Vicente de Cabo Verde, 10.9.1960
Autógrafo de José Inocêncio da Silva

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

[3477] Nos primórdios da energia solar em Cabo Verde

"Diário Popular", Lisboa, 23.DEZEMBRO.1960, p. 14

APROVEITAMENTO DA ENERGIA SOLAR EM CABO VERDE – O governador-geral de Cabo Verde [Silvino Silvério Marques] examinou hoje, no Laboratório Nacional de Engenharia Civil [Lisboa], a aparelhagem destinada ao estudo do aproveitamento da energia solar naquela província, para fins de destilação de água. Aquela entidade foi recebida pelo director do Laboratório, sr. eng. Manuel Rocha (ver AQUI), tendo escutado as explicações dos srs. eng.º investigador Lajinha Serafim (ver AQUI) e eng.º Salgado Prata.

O LNEC

[3476] José Inocêncio da Silva (1894-1967), algumas memórias no Pd'B (1)

Pd'B tem publicado material que guarda em arquivo relativo ao Sr. José Inocêncio da Silva, de nominha Djô Fei, funcionário dos CTT no Mindelo e plumitivo competente. 

Um deles foi um cartão de uma palestra proferida pelo Dr. João de Mascarenhas em 1 de Novembro de 1964 no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Vicente. JIS convida para esta palestra, na sua qualidade de Presidente da delegação local da Sociedade Histórica da Independência de Portugal. É um cartão físico que ainda conservamos e que por nós foi digitalizado. O outro foi recolhido na Internet. Aqui quem convida é o Sr. António Alfredo Miranda e a palestra, sob o título "1.º de Dezembro com presença do passado na vida da Sociedade Histórica da Independência de Portugal", foi proferida por JIS no Liceu Gil Eanes, num 1.º de Dezembro indeterminado (o convite não o indica.).            (ver ambos os cartões AQUI). 

Hoje, apresentamos uma pagela que descobrimos dentro de um livro alusivo a JIS que recentemente deu entrada no nosso arquivo, o qual mostraremos em breve e em pormenor. É apenas uma das muitas críticas favoráveis que a sua obra recebeu (neste caso saída no diário "O Século", de Lisboa) e que divulgaremos junto dos nossos visitantes. JIS merece, pois consideramos que ter ele sido apoiante do regime que caiu em 25 de Abril não é motivo para ser condenado ao ostracismo a que o votaram. É que JIS era também um fervoroso cabo-verdiano. E isso é que interessa!...

[3475] Repito, repito e repito o título do post 3473: Cabo Verde está por todo o lado. Até no escritório de um juíz...

Ver AQUI
E Kiki Lima, também.



No caso, trata-se da serigrafia "Figuras" sobre papel, assinada e datada de 2001, com mancha de 49x32 cm (medida total do papel com 70x50 cm) Vemos abaixo outras duas obras do mesmo género, de Kiki Lima


[3474] Comunicações do governador de Cabo Verde Barjona de Freitas à Sociedade de Geografia de Lisboa

Ver AQUI
Intitula-se o livrinho editado em 1905 pela Livraria Ferin (Rua Nova do Almada, 70-74, Lisboa), "Considerações Sobre a Província de Cabo Verde" e é da autoria do já então ex-Governador de Cabo Verde António Alfredo Barjona de Freitas, tenente-coronel do Serviço de Estado-Maior e sócio do Instituto de Coimbra e da Sociedade de Geografia de Lisboa. 

Formam-no 72 páginas e contém duas comunicações, uma de 5 de Dezembro de 1904 e a outra de 9 de Janeiro de 1905 (esta, muito mais longa que a primeira). A hesitação de que o militar fala logo no início da primeira comunicação deve-se, conta-o ele a seguir,  ao facto de não estar na posse de muita documentação pessoal, na altura ainda retida na Praia, por via de se ter demitido do seu cargo: "(...) Quero explicar que embarquei na intenção de voltar à província e que ali deixei os meus livros e papéis, as minhas notas e apontamentos, todo o material de estudo que me poderia permitir tornar menos insignificante a ligeira exposição que vou fazer a Vossas Excelências. Encontrando porém, em Lisboa, uma situação ministerial diversa, entendi do meu dever oferecer a minha demissão (que foi aceite), pela convicção em que estou de que sendo indispensável a quem governa no Ultramar a força e apoio que só lhe podem vir da comunhão de ideias com o ministro, deve este ter inteira liberdade na escolha dos governadores. (...)

Uma nota nossa sobre o segundo recorte: "Para que, porém, Cabo Verde possa alcançar a situação desafogada a que há pouco aludi, não basta um governo bem orientado nas suas necessidades, mas ainda que ao trabalho e esforços de lá [realizados em Cabo Verde] correspondam trabalhos e esforços de cá [da Metrópole]. Ou seja, Barjona de Freitas (nomeado governador de Cabo Verde a 10 de Agosto de 1903 pelo governo nacional de Hintze Ribeiro, esteve no cargo até 1904) tocava numa ferida antiga que se prolongou bastante, depois destas suas palavras. É que houve de facto governadores de Cabo Verde com imensa qualidade, que se preocuparam com a colónia e que sofreram com os sofrimentos dela e contudo não obtiveram do governo central as ajudas de que necessitavam. Mas isso já nós sabemos: que Cabo Verde foi colónia esquecida, mais que qualquer outra.



[3473] Não há dúvida. Cabo Verde está em todo o lado.

Pd'B foi ontem ao Museu do Ar na Granja do Marquês, Pêro Pinheiro, Sintra. Pd'B já lá tinha estado, durante um evento de apresentação pública do restauro feito entre 2013 e 2015 a um bimotor Dakota (DC3) que lançou pára-quedistas na Normandia e depois foi adaptado ao uso de passageiros na linha imperial portuguesa. Mas sabíamos de um outro avião, um Dornier DO-27, com insígnias especiais, que agora fotografámos. Ele aqui fica, para os nossos visitantes se deliciarem. Não são necessárias palavras. Todos percebem o que ali está. Vrummmmmmmmmmm, vrrrrrrrrrummmmm!!!