sábado, 21 de março de 2020

[4532] Uma raridade: "Breviário de João Crisóstomo", de Nuno Rebocho

Nuno Rebocho
"Breviário de João Crisóstomo (memorial sobre as pedras)" é livrinho inicial do nosso saudoso amigo e companheiro de escritas e outras aventuras, Nuno Rebocho (1945-2020). Saiu em 1965, como 2.º volume da colecção "Livros revelação" (ed. ?). Lá dentro, cinco peças, com o seguinte índice:

p. 13 - COLHEITA DAS PALAVRAS PERDIDAS
p. 19 - LAMENTAÇÃO DA MONTANHA
p. 27 - MEDITAÇÃO DE UM MONÓMANO
p. 39 - MEGALÓMANO AINDA UMA VEZ
p. 44 - PASSAGEM PARA A MORGUE

Trata-se de verdadeira raridade, cuja imagem de capa nos foi oferecida por um amigo comum, Veladimir Romano da Cruz que possui a obra em oferta antiga do autor. Procurámos na Internet e nem sinal de imagem parecida com esta. Aqui fica ela, portanto, com os agradecimentos devidos ao V'lá. Amigo (útil) de Cabo Verde como o Nuno foi, ele merece aqui esta singela homenagem.


[4531] 21.3.2020, dia 3 do cerco, dia da ilha do Fogo

Visitamos hoje o Fogo, a terceira ilha, alfabeticamente falando. O arquivo do Pd'B relativo a postais do Fogo é paupérrimo: apenas dois exemplares. Mostramos aqui um deles, pracinha de S. Filipe com seu coreto e pavimento brilhante de cimento, polido por anos de andanças. O texto do postal, de alguém que em 26 de Abril de 1994 escreveu a um professor do ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada), é sucinto mas extremamente curioso. Não é necessário transcrevê-lo, porque se percebe bem. Finalizando: embora alusivo ao Fogo, o postal ilustrado foi enviado de São Vicente.

sexta-feira, 20 de março de 2020

[4530] 20.3.2020, dia 2 do cerco, dia da ilha Brava (Djarbrava ou Djarbraba)

Hoje, vamos à ilha Brava, com um postal a preto e branco, enviado em 27 de Agosto de 1928 para um subúrbio de Estocolmo, Stocksund. Muito curioso, com indicação de que se trata da casa de Adelino Leite, na Rua 5 de Outubro (hoje, Rua da Cultura), Nova Sintra, bem como se pode ver a estação de correio de onde o postalinho foi enviado. Outro motivo é o de mulheres em faina de carrego, apanhadas em atitude natural, sem pose para fotógrafo. O remetente é Hemitério Macedo e Lima e o endereço é de um Gust. (Gustaf?) Stemstrom que decerto falava português.



quinta-feira, 19 de março de 2020

[4529] 19.3.2020, dia 1 do cerco: portugueses e os 35.000 cabo-verdianos amigos que cá vivem, estão a sobreviver - Hoje, vamos à Boavista

A coisa tem de ser levada com paciência de chinês. E havemos de passar a barreira com sucesso. Reina a calma, segundo parece. Pelo menos do que posso ver aqui da janela do escritório... 

Para desanuviar, entre outros posts que colocaremos, sai a partir de hoje e nos próximos 9 dias uma colecção de 10 postais, um por cada ilha... das ilhas. E por ordem alfabética, com a Boavista (Bubista) à cabeça. É postal com imagem do Rabil, de turista a passar férias em Santa Maria  (com três amigos? uma família de quatro?) que o enviou para Treviso, a 40 km de Veneza, em 2000. Não se percebe se o remetente é italiano a treinar o seu português ou se é português (ou cabo-verdiano) a fingir de italiano. "Todos biens" e "tomar benho" dá algum colorido à "fala", tal como a foto com as cores vivas das casas acabadas e não aqueles habituais mostrengos em cimento cinzento que muito se vislumbram na paisagem urbana das terras de morabeza.




quarta-feira, 18 de março de 2020

[4528] "O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo", de Germano Almeida. Depois da 1.ª edição (aqui na estante há quase três décadas), começam agora a chegar à biblioteca cabo-verdiana do Pd'B outras, incluindo uma basca...

Em cima, a primeira edição portuguesa, de Abril de 1991 (ed. Caminho, col. "Uma terra sem amos"), com dedicatória de 3 de Fevereiro de 2002. Em baixo, a edição basca e uma das edições portuguesas. Logo que cheguem pelo correio, mostrá-las-emos mais detalhadamente.




[4527] Em primeira mão (ou quase), um poema oferecido por José Luiz Tavares, nestes tempos de chumbo. Um braça para ele!

Foto Bruno Portela
José Luiz Tavares nasceu a 10 de Junho 1967, no Tarrafal, ilha de Santiago, Cabo Verde. Estudou literatura e filosofia em Portugal, onde vive. Entre 2003 e 2020 publicou catorze livros espalhados por Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Colômbia. Recebeu uma dezena de prémios atribuídos em Cabo Verde, Brasil, Portugal e Espanha. Não aceitou nenhuma medalha ou comenda, até agora. Traduziu Camões e Pessoa para a língua cabo-verdiana. Está traduzido para inglês, castelhano, francês, alemão, mandarim, neerlandês, italiano, catalão, russo, galês, finlandês e letão. Sobrevive ao tempo do mundo sem estar conectado a nenhuma rede social.


FINDA

[Litania em tempos de coronavírus]


Depois, sim, que agora
estamos vivos.
Depois — quando o espirro
expirar.
Depois — quando tiveres
pó na goela.
Não agora — que agora
estamos vivos.

Antes, sim, com os braços
portentosos.
Antes - sim – de a fraqueza
noivar com eles. Depois, sim,
porque há ar no ar
e a despedida é sem desculpa
e sem tristeza.

Antes não, que te falta
o assobio e a trela,
e a cara é sem rugas,
e a morte concorda contigo,
e tudo é mão de amigo
mesmo se te espreita
o tempo inimigo.

Depois sim, que estar vivo
é cedo encarquilhar-se;
não, não agora, porque estás
no impenetrável interior,
e desconheces o limite ulterior,
e não sabes pedir por favor
o socorro amplamente publicitado.

Agora sim,
que é antes de toda a dor,
                         ainda no corpo tens cor,
                         e sobe-te  à boca
                         centos de sabores.

Mas ainda não ao grande sim,
porque maravilha-te estar aqui
(só mais um instantinho),
embora penses na mão da eternidade
ou como é doce o despenhamento.

Antes não
— porque há a verdade
que desconheces,
e porque realmente não sabes
tudo desejas devotamente.

Não ainda — que os teus ossos
não sabem a alcatrão,
nem depois — que o esqueleto
é pertença do patrão.

Não depois,
mas agora sim,
porque tens fogo nas ventas,
mascas pó e polenta,
e o tempo inimigo te diz
que tudo se há de compor.

segunda-feira, 16 de março de 2020

[4524] De Vasco Martins, a Sinfonia 3, Movimento 1. Uma grande peça, para final de tarde

[4523] Ainda os navios brasileiros afundados no Porto Grande durante a I Guerra Mundial. Um testemunho



A história dos cargueiros “Guahyba” e “Acary” afundados no Porto Grande por um submersível alemão durante a Grande Guerra já foi abundantemente tratada em posts deste blogue, pelo que nos dispensamos de a repetir. Mas como a investigação aqui nunca para, demos com o postal ilustrado de uma senhora que chegou a São Vicente enviado para um amigo em Alpedrinha, no endereço grafado como “Antonio Ozório” - que decerto é António Osório de Sá que tem Museu da Música com o seu nome (inaug. Maio 2014) naquela interessante localidade da Beira Baixa, Portugal. 

Aqui fica a nota, com transcrição e apenas com umas linhas de reprodução, por causa dos copianços indevidos e sem identificação de onde foram feitos… 

Uma memória de tempos difíceis, tanto ou mais que os de agora. E um testemunho de quem viu, mesmo, os destroços dos dois navios.

18/11/917
Sr. Osório,
Cá sigo o meu destino. Até à Madeira, bastante enjoada; até aqui, menos mal. Parece que estamos livres dos submarinos. Cá estão dois navios brasileiros que há dias foram bombardeados pelos boches. Estão encalhados.

[4522] Os postais italianos de Bonucci e Frusoni vendidos no Bazar Central


Pois, assim era. O Bazar Central situava-se onde depois foi a Drogaria do Leão, frente à Alfândega, esquina da esquerda da Rua de Lisboa, para quem a sobe. E tinha porta precisamente para essa esquina que depois foi transformada em janela. Pertencia a Pietro Bonucci e a Giuseppe Frusoni. Sérgio, o poeta e pintor, era filho deste e de Erminia Bonucci, portanto sobrinho de Pietro que era irmão da mãe. Naquele estabelecimento vendiam-se as coisas mais desencontradas, como armas e corais, "objectos de fantasia indígena" e, inevitavelmente... postais ilustrados. Ora os dois italianos não estavam com meias medidas e mandavam fazer os "cartoline illustrate" em Itália, possivelmente por serem mais baratos e de maior qualidade - Pd'B, que tudo descobre, aqui mostra a prova aos seus visitantes. Ver também o post 2803, AQUI


[4521] O Monte Cara e o Djéu visto a partir dele, em duas magníficas vistas oferecidas pelo nosso amigo Zeca Soares. Más um braça d'ratchá osse, aqui do Pd'B

[4520] Boas notícias das ilhas: Cabo Verde continua a resistir ao maldito

sexta-feira, 13 de março de 2020

[4514] Nestes dias negros, a boa música de Cabo Verde: Simentera, em "Nha codé"... pa spantá gongom

[4513] Livro de Adriano Miranda Lima segue a sua carreira, agora na Praia, depois de ter sido lançado no Mindelo

LANÇAMENTO CANCELADO

PALAVRAS DO AUTOR

Lamento informar-vos de  que foi cancelada a apresentação do livro em título para que tive a honra e o prazer de vos convidar. Não acontece por minha iniciativa, mas sim porque o Ministério da Cultura de Cabo Verde determinou o encerramento a partir de hoje de toda a actividade cultural em espaços públicos sob  a sua tutela, como medida sanitária cautelar contra o coronavírus.

Assim, peço imensas desculpas pelo transtorno eventualmente causado a quem já tivesse inscrito na sua agenda pessoal esse compromisso. A apresentação fica adiada para quando o "gongom" do maldito vírus deixar de representar uma ameaça à nossa rica saúde.

Entretanto, o livro fica desde já à venda (1.200 escudos) na Biblioteca Nacional, por autorização da respectiva Curadora, sem prejuízo de um próximo evento para a apresentação formal da obra e eventual discussão à volta do seu tema.

quarta-feira, 11 de março de 2020

[4511]

O último homem

Tinham sido os dias da grande pandemia. O último homem, que vivera num recôncavo frente ao oceano, já muito fraco, saiu nessa manhã para ver o mar. Em rocha próxima, que emergia da água, estava pousada uma gaivota. O homem sorriu, pensou que afinal não morreria sozinho e finou-se. Instantes após, o pássaro levantou voo e dentro em pouco estava no meio do seu bando, participando em concorridos voos picados, na apanha de alimento. Por aquela praia, nunca mais se viu ninguém.

Joaquim Saial

Foto Joaquim Saial


segunda-feira, 9 de março de 2020

[4510] Lançamento do livro "Dr. José Baptista de Sousa - o Homem, o Médico e o Militar", de Adriano Miranda Lima - o texto do apresentador, Arsénio Fermino de Pina



Adriano Miranda Lima
Infelizmente, Pd'B ainda não tem fotos para mostrar, relativas a este evento que, segundo sabemos, correu muito bem. A foto que ilustra o artigo (imagem de Joaquim Saial) refere-se a outro livro "Cabo Verde, os caminhos da regionalização" em que AML foi co-autor, lançado também em Lisboa, a 25 de Julho de 2014 e foi agora copiada pelo "Notícias do Norte" do Pd'B (post 0980). Logo que possível, pois, a reportagem fotográfica que se impõe. Aguardemos...

Uffff! Foi falar e elas surgirem. Aqui estão, então, fotografias (de Abílio Alves) do recente lançamento do livro de Adriano Miranda Lima na Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde, Lisboa.









sábado, 7 de março de 2020

[4505] Estudantes salenses terão vagas no Instituto Politécnico de Tomar

Os estudantes da ilha do Sal poderão ter, a partir do próximo ano lectivo, novas oportunidades para estudarem em Portugal mais precisamente no centro deste país, ou seja em Tomar, município de Santarém. O Instituto Politécnico de Tomar (IPT) demonstrou a sua abertura no sentido de disponibilizar vagas para receber já a partir do próximo ano escolar 15 alunos provenientes da ilha do Sal em condições bastante vantajosas que serão idênticas às dos alunos nacionais (portugueses) em termos de propinas, alojamento e alimentação. 

Vista parcial do IPT 

Este assunto está a ser estudado pela Direcção desta instituição de ensino superior português e, de acordo com o vice-Presidente do IPT, Nuno Madeira será facilmente atingível para este ano lectivo no âmbito de um protocolo já existente há 20 anos com o município salense.
Estes são os resultados mais importantes saídos de um encontro entre Nuno Madeira, representando o IPT, com o promotor e coordenador do Gabinete de Apoio a Inclusão Social dos Cabo-verdianos, Ildo Rocha Fortes. 



Explicações sobre o IPT 

A questão de ser, em primeiro plano, os alunos da ilha do Sal tem a ver com o reactivar e a dinamização de um protocolo existente há já 20 anos entre o município do Sal e o IPT, mas Nuno Madeira demonstrou a sua abertura em receber estudantes de outras ilhas de Cabo Verde fazendo saber, entretanto, que uma aluna proveniente da cidade do Mindelo está a frequentar o curso de mestrado em Engenharia Informática naquele instituto. 

O Instituto Politécnico de Tomar disponibiliza, nos dois pólos (Tomar e Abrantes) diversos cursos, entre os quais 15 de Licenciaturas, 14 de Mestrados, 13 de Pós-graduações e 24 cursos Técnicos Superiores Profissionais para além de uma de Oficina de Transferência de Tecnologia e Conhecimento, três Escolas Superiores e 22 Laboratórios de apoio aos cursos. Estão ainda presentes no campus universitário do IPT duas Multinacionais. 

O IPT alberga 2000 alunos, 230 docentes e 170 elementos de staff e ainda tem parcerias com mais de 40 países e Erasmus.

Nuno Madeira fez saber que de acordo com dados estatísticos, os alunos saídos do IPT têm uma penetração no mercado do trabalho que gira a volta dos 92 por cento seis meses após terminarem os cursos.

Este Instituto Politécnico disponibiliza ainda aos seus estudantes estrangeiros um  “World Point of Contact” que visa apoiar, integrar e acompanhar o aluno no seu percurso académico. O “World Point of Contact” dispõe de um grupo de mentores que estão disponíveis para acompanhar os alunos, sem complicações nem burocracias. Estes mentores trabalham na facilitação da integração dos alunos estrangeiros que escolheram o IPT para estudarem, no crescimento e desenvolvimento dos mesmos, na criação de novos amigos, na criação de uma rede de apoio logística, emocional e informal de modo a poderem superar as suas limitações e a alcançarem os seus objectivos.

De acordo com Nuno Madeira, o IPT quer aproximar-se de Cabo Verde. Daí, pensar enviar uma delegação a Cabo Verde já em Abril ou Maio, no sentido de promover o Instituto Politécnico de Tomar junto dos alunos e das autoridades cabo-verdianas.


 Dr. Ildo Fortes e Dr Nuno Madeira do IPT contentes com resultados do encontro

No âmbito dessa aproximação, através da intermediação do Gabinete de Apoio a Inclusão Social dos Cabo-verdianos, o IPT também pretende convidar o Embaixador de Cabo Verde em Portugal, Eurico Monteiro, e o Presidente da Câmara Municipal do Sal, Júlio Lopes, no sentido de proferirem uma aula aberta nas instalações do IPT.

Nuno Madeira quer também promover no IPT um concerto das batucadeiras de Cabo Verde que poderia acontecer por final deste ano lectivo.

Ildo Rocha Fortes indicou que a sua presença no encontro com o Vice-presidente do Instituto Politécnico de Tomar tem a ver com estreitas relações que o Gabinete de apoio a Inclusão Social dos Cabo-verdianos que coordena.

Para Rocha Fortes o Gabinete está num processo de viragem e vai ser transformado numa cooperativa de economia social assentes em três pilares ligadas a Solidariedade Social, Educação e os Serviços. Este Gabinete funciona desde 2013 em parceria com a CRETCHEU, Associação Cabo-verdiana de Almada que está sediada na Cova da Piedade, na margem Sul do Tejo.

quarta-feira, 4 de março de 2020

[4502] Jantar Sambrás na Associação Caboverdeana de Lisboa


[4501] Adriano Miranda Lima lança livro em Lisboa

Sábado, dia 7, pelas 16h00, terá lugar na Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde em Lisboa (junto à saída do Metro de Carnide e da esquadra PSP entretanto fechada) a apresentação do livro "Dr. José Baptista de Sousa – o homem, o médico e o militar", da autoria do coronel aposentado do exército português Adriano Miranda Lima, nosso amigo e mais persistente comentador do Praia de Bote. Como não poderemos comparecer, esperamos que AML obtenha fotografias da concretização deste evento que teremos todo o prazer em aqui divulgar.