sábado, 11 de março de 2017

[2893] SUBMARINOS À VISTA… (artigo escrito em 2006)

Emmanoel Oliveira "Monaya"
Praia de Bote resolveu juntar alguma documentação visual a este artigo de Emmanoel Oliveira e links para a biografia do comandante do U-68 da altura, Karl-Friedrich Merten (Ver AQUI) e a história do seu navio (Ver AQUI)

Estava o mundo em plena Segunda Grande Guerra e o oceano Atlântico era então dominado pelas forças do Eixo. Os submarinos germânicos não davam descanso aos navios que abasteciam o Reino Unido, eram particularmente temidos devido ao seu poder mortífero e silenciosa capacidade de destruição. A propaganda militar nazi incumbiu-se de espalhar uma imagem de terror e precisão na aniquilação do inimigo, as missões arriscadas e bem sucedidas multiplicavam-se, artigos sobre o assunto enchiam os jornais de ambos os lados da linha de fogo. O mar de Cabo Verde foi palco de algumas dessas manobras e recontros.

Na calma tarde de 27 de Setembro de 1941 a população de Tarrafal do Monte Trigo em Santo Antão foi agitada pelo súbito aparecimento de submarinos a escassos metros da praia. Eram cerca das dezasseis horas quando o primeiro submarino emergiu e não tardou que o Guarda Fiscal Rufino Lopes, acompanhado de três remadores, do sargento do pelotão ali colocado e do filho Crisanto, se aproximasse do submersível cujo único ruído que produzia era de marteladas ou batimentos como se estivesse a ser consertado.

O U-68
Ao apresentar-se na qualidade de autoridade da minúscula e mais do que pacata aldeia de Tarrafal, os homens armados com metralhadoras ligeiras no convéns da nave começaram a movimentar-se apressadamente, nisto o Guarda Fiscal achou que era prudente afastar-se e regressar à terra o mais rapidamente possível sem efectuar os procedimentos burocráticos habituais. Porém conseguiram aperceber-se que se tratavam de alemães.

Em estado de alerta, o pelotão de cerca de 45 homens do exército português, entrincheirado na praia, armado de espingardas e de uma metralhadora com tripé, não podia rechaçar o intruso, decidiram então enviar um mensageiro ao quartel do Porto Novo a quase 60 quilómetros de distância (via litoral).

Germano Delgado, rapaz nos seus dezasseis anos e mais um colega foram os escolhidos para a missão. Saíram da aldeia às dezoito horas, caminharam sem parar, sem descanso, rasgaram vales, montes e bocas de ribeiras para poderem entregar a importante missiva às seis da manhã do dia seguinte. Foi assim que Mindelo pode receber a informação e enviar um vaso de guerra para averiguar e intervir em caso de necessidade.

Durante a noite os submarinos desapareceram, no dia seguinte tudo voltou à normalidade. A criançada ajudava no transporte de munições para a trincheira incitando os soldados a dispararem as armas. Todos queriam ouvir nem que fosse um tiro só, o que não aconteceu. No pelotão ali colocado havia um sargento e um furriel, os restantes eram soldados, todos mondrongos, hospedados nas casas da família Ferro, na ocasião proprietária de toda a localidade.

Uns dizem que eram dois os submarinos, outros lembram-se de um único. Na verdade os relatórios militares revelam que eram quatro, sendo três alemães e um inglês.

Os germânicos precisavam encontrar-se numa baía calma e segura para trocarem de víveres e armamento entre si, para além de assistir um dos tripulantes que precisava de cuidados médicos com urgência. Foi assim que o U-111 e o U-68 ancoraram lado a lado na tarde de 27 de Setembro, há sessenta e cinco anos, a menos de 200 metros da praia. O barulho que se ouvia vinha das manobras de transbordo de quatro torpedos, enquanto os comandos dos dois submersíveis jantavam juntos, descontraidamente.

O HMS "Clyde"
O que os alemães ignoravam era que a combinação do encontro via rádio tinha sido captada e decifrada pelos ingleses, apesar da complexa e enigmática técnica de comunicação dos germânicos. Quando, por volta da meia-noite, por precaução, o U-111 e o U-68, resolveram afastar-se para o mar alto a aguardar o U-67 (o terceiro submarino), aparecem os ingleses no "Clyde" (submarino da classe River). Começaram então a troca de disparos de torpedos e muitas manobras de combate entre todos os submarinos presentes. É nesse preciso momento que chega o último submarino alemão, o U-67. Confundido com tantos sinais ou sombras no seu sonar, sem saber muito bem como proceder, não conseguiu evitar um violento embate contra o submarino inglês, ficou bastante danificado mas conseguiu afastar-se sem se afundar.

A tripulação do U-67 ouviu duas fortes explosões dentro da baía, deduziu que um dos submarinos foi atingido ou mesmo ambos tinham sido afundados. Uma outra versão insiste que as detonações deram-se em terra. Naquela noite porém ninguém no Tarrafal deu conta desse confronto bélico nem das explosões, a aldeia dormia como nos dias de hoje ainda dorme, calma e serena, na paz de Deus.

A rendição do U-111
Os submarinos dispersaram-se, cada um à procura de segurança no vasto oceano Atlântico. Finalmente, restabelecidos do susto, o U-67 conseguiu alcançar uma doca nazi na França após transferência de alguns torpedos para o U-68 na costa da Mauritânia, este depois seguiu para o Atlântico-Sul e continuar a sua missão. O U-111 dirigiu-se às proximidades das Canárias onde tinha por tarefa atacar comboios de navios que abasteciam os aliados. Devido a problemas mecânicos, foi subjugado e a tripulação presa por um rebocador civil armado apenas de uma metralhadora de 20mm. 

Do "Clyde" não temos noticias, perdemos-lhe o rasto.

Emanuel C. D’Oliveira


O Sr Germano António Delgado “o mensageiro”, hoje com 87 de idade, conta as peripécias do dia 27 de Setembro de 1941.

O Sr Crisanto Lopes tinha 12 anos quando se aproximou dos submarinos, acompanhando o pai em missão de serviço.

[2892] "Falar de escultura": Joaquim Saial e escultor Álvaro Carneiro, novo projecto na USALMA, Almada


Para ler o documento com facilidade, clique nele (como sempre)

sexta-feira, 10 de março de 2017

[2891] Uma canalhice, num período de chumbo

Ao contrário do anunciado (ver post anterior), ainda vai hoje!...

Todos os países têm os seus dias negros. Por culpa dos elementos da natureza, da economia, da cultura (melhor dizendo, incultura) ou, mais frequentemente, da política. Neste último caso, por culpas externas ou internas. Todos os têm, talvez sem excepção. O jovem Cabo Verde não falhou à regra. Tal como aconteceu em Santo Antão, por uma reforma agrária mal conduzida, em São Vicente sem mortes mas com prisões arbitrárias, tortura e outras vilanias próprias de momentos revolucionários. Não vale a pena bater no ceguinho, pois todos sabemos o que houve e quem foram os torcionários e as vítimas. Felizmente, o país entrou nos eixos e hoje tem lugar honroso no universo das nações democráticas. Mas aqui fica esta "reportagem" do "Diário de Lisboa", de 14 de Junho de 1977, bem marcada pela ideologia da época (e do jornal) oferecida pelo Artur Mendes, para ler, interiorizar, comentar e não esquecer.

ZITO, O "CABO-VERDIANO"

… Numa das pausas da doença que o haveria de vitimar, o Zito confessou-me: "- Se Deus me der força e ânimo, ainda gostaria de escrever as memórias do meu passado nas ilhas de Cabo Verde…”

Sabendo ele da minha "ratice bibliotecária", pediu-me que procurasse nos vários arquivos nacionais o periódico que noticiou a expulsão da "sua terra amada". De modo que não ficaram as suas memórias de Cabo Verde (muitas das quais podem ser lidas no Praia de Bote e no Arrozcatum) mas, cumprindo o desejo do nosso amigo, aqui fica a mais negra delas...

"Do grupo faziam parte dois indivíduos de nacionalidade  portuguesa: um filho de pai português, mas nascido em Cabo Verde e outro de nome José Manuel Faria de Azevedo…" Eis, pois, o que o "Diário de Lisboa" publicou no dia 14 de Junho de 1977.

Assim, amigo Zito, a minha missão está cumprida.

Até sempre!

Artur

Devido a incapacidades do blogue, a leitura, embora se consiga fazer, é difícil em algumas das colunas. Assim, ofereceremos as duas páginas inteiras (as originais) onde vem o artigo, com fácil leitura, aos leitores que comentarem o artigo.



[2890] Amanhã...

Amanhã, no Pd'B, veremos a memória eloquente de uma inesquecível malfeitoria feita a desaparecido amigo nosso, nos idos de 1977... Para ler, interiorizar, comentar e não esquecer... Pensámos mostrá-la hoje, mas a coisa dá muito trabalho de edição, de modo a que possa ser lida pelos visitantes com facilidade. 


[2889] O vapor ex-"Norwich" e depois "Fortuna", da Empresa de Navegação Lda.

O "Fortuna", ainda como "Norwich"











Para saber mais sobre este navio, clique AQUI

Colaboração de Artur Mendes

Sob esta razão social pretendem os srs. José e Philip Santos Silva, negociantes na ilha do Fogo, formar uma empreza a vapor entre o nosso archipelago e os Estados Unidos da América. 

Achamos acertado e de grande utilidade o empreendimento d’estes nossos amigos pois ninguém, em Cabo Verde, ignora as vantagens que esta carreira traz à província e o benefício que com ella teem os caboverdeanos que emigram anualmente param a América e que até agora iam em pequenos palhabotes, mal acomodados, numa travessia de milhares de milhas, por mares bem perigosos, sendo até frequentes os naufrágios.

Com um vapor passa-se a fazer a viagem com rapidez e comodidades que em pequenos navios de vela se não podiam ter.

A nosso ver esta empreza tem muito futuro e todos quanto possam dispor de 50,000 reis para comprar uma acção empregarão bem o seu capital, pois certamente  os lucros serão remuneradores. 

Felicitamos os srs. José Philip Santos Silva pelo seu arrojado empreendimento, fazendo votos para a rápida resolução deste negócio e que em breve tenham notícias de ter o sr. José Santos Silva comprado o vapor que iniciará a carreira ainda este anno.

Este sr. partiu há dias da América para a Inglaterra, levando alguns milhares de dollars com que concorreu  para a empreza a colonia portugueza residente nos Estados Unidos. 

Na filial do Banco Nacional Ultramarino desta cidade estão depositados, de vários accionistas, como o anuncio no nosso jornal  7.250,000 reis e 4.315 dollars.

Avante pois, e oxalá que quem possa na província dispor de algum capital o não retraia, empregando-o nesta prometedora empreza.

in jornal "A Voz de Cabo Verde", algures em 1912, em mês anterior a Abril.

Notícia de "A Voz de Cabo Verde"  de 1 de Abril de 1912

quinta-feira, 9 de março de 2017

[2888] O contínuo emagrecimento do tchuc são-vicentino (infelizmente consentido) ou o desprezo persistente pela ilha do Monte Cara

O ORÇAMENTO GERAL DO ESTADO PARA 2017 É UMA AFRONTA À ILHA DE S. VICENTE E AO SEU POVO

(Este comunicado do Grupo de Reflexão da Diáspora que gostosamente o Pd'B divulga tem o significado de um alerta à sociedade civil mindelense, aos deputados por S. Vicente, em particular, e aos políticos cabo-verdianos, em geral).

Foi tornado público, nas suas linhas gerais, o Orçamento Geral do Estado para o corrente ano de 2017. Da leitura do mesmo, constata-se, com chocante surpresa, que a ilha de S. Vicente foi relegada para o quinto lugar na distribuição dos recursos para o investimento público, sendo contemplada com 489.867.959 escudos, e deste modo ficando bastante aquém do município da Praia (732.434.620 escudos), e atrás da ilha de Santo Antão (784.144.715 escudos), do município de Santa Catarina (647.792.953) e da ilha do Sal (505.762.936 escudos). Entretanto, notícia veiculada no jornal online “Mindel Insite” dava conta de que este orçamento francamente penalizador para S. Vicente, nem por isso mereceu qualquer comentário público aos deputados eleitos pelo círculo eleitoral da ilha, à excepção de um da oposição. Estranho e perturbante é o silêncio cobarde daqueles que têm a estrita obrigação política de pugnar pelos interesses do povo em nome do qual exercem os seus mandatos! 

Não se conhecem ainda todos os contornos e pormenores técnicos do documento em causa, assim como os pressupostos e os fundamentos que determinaram a sua concepção. Mas uma coisa parece já de uma certeza meridiana. Pelos vistos, voltamos a estar perante um orçamento de cunho marcadamente centralista e, como se não bastasse, eivado de critério político muito nebuloso. Porque é de todo impossível não interpretar este orçamento como uma atitude de puro revanchismo e de claro afrontamento contra a ilha que mais tem denunciado os males do centralismo político e as suas danosas consequências para o progresso do país.

Mas o que mais revolta, porque a injustiça dói fundo, é este orçamento vir completamente ao arrepio das promessas eleitorais alardeadas na ilha de S. Vicente pelo líder do MpD e actual primeiro-ministro. Porque é um facto incontestável que este governo do MpD ganhou as eleições legislativas, há precisamente um ano (Março de 2016), com o apoio expressivo dos mindelenses e dos democratas cabo-verdianos que confiaram o seu voto a quem alto e bom som prometeu mudanças radicais em relação aos discursos e às políticas até então seguidas pelo PAICV, que privilegiavam destacadamente a Ilha de Santiago, em detrimento de uma visão mais igualitária e homogénea do conjunto nacional.

Deste modo, o que se vê é a ilha de Santiago continuar a beneficiar da fatia de leão na distribuição do bolo orçamental, o que em si demonstra quão falsas e capciosas foram as promessas de reabilitar o espírito de solidariedade nacional, de moralizar a política e de promover a correcção dos desequilíbrios regionais através de uma efectiva descentralização do poder e de uma mais equânime distribuição dos recursos.

Ora, a ilha de S. Vicente é a segunda mais importante do país em função do seu peso demográfico e do seu contributo para o PIB. É certo que o princípio da solidariedade nacional pode e deve exigir um critério de distribuição da riqueza que passe por ressarcir as ilhas menos desenvolvidas, à custa daquelas que mais recursos geram. Mas o que este orçamento nos representa, mediante uma leitura fria, e a avaliar pelas fatias orçamentais logo no início discriminadas, é esta curiosa e inverosímil situação, ditada simplesmente pelos números:

1. A ilha de S. Vicente parece ter contribuído sozinha, ou em parte substancial, para a recuperação do atraso de outras, assim se explicando que, em tratamento orçamental, ela se posicione em quinto lugar, muito distante do município da Praia e nas caudas da ilha de Santo Antão, do município de Santa Catarina e da ilha do Sal;

2. A ilha de Santiago no seu todo, e conforme os valores orçamentais em presença, é mais uma vez consideravelmente privilegiada, e, absurdo dos absurdos, nem sequer partilhando do espírito de solidariedade nacional que aparentemente terá justificado a não alocação dos recursos prometidos a S. Vicente, tendentes a inverter a situação de emergência social e económica que se vive na ilha.

Outrossim, e numa avaliação casuística, não se percebe que a ilha de S. Vicente tenha um tratamento orçamental equiparável ao de um simples município, só pela circunstância de tratar-se de uma ilha unimunicipal. A ilha tem de ser vista na globalidade da sua condição geoeconómica e importância político-social, bem como na perspectiva das suas potencialidades, as que são efectivas e as que são exploráveis numa dimensão calculadamente mais alargada e à escala nacional. Ela foi no passado a principal geradora das receitas do território e por má-fé política foi sendo, no pós-independência, continuamente marginalizada pelo poder central, impedida, por coacção política, de ser um importante pólo da economia nacional, que era e é a sua vocação natural.

Sucede ainda que a S. Vicente afluem populações das ilhas vizinhas, nomeadamente de Santo Antão, à procura de trabalho, fenómeno que vem agravando os seus problemas sociais, como o desemprego, a habitação clandestina e a marginalidade. É um ónus que se deve ao coração franco e aberto dos mindelenses, mas sem qualquer apoio suplementar por parte do governo central. Foi exactamente perante este quadro social que o actual primeiro-ministro prometeu, em campanha eleitoral, um conjunto de medidas especiais para reverter a deprimente situação em que a ilha tem estado mergulhada desde há décadas. No entanto, desde a posse do actual governo nada até agora se perfilou nesse sentido. Pelo contrário, a percepção geral é que a ilha é neste momento como uma rampa deslizante, rumo a um pântano cujas consequências se receiam bem temerosas. E o que mais intriga e desafia a paciência e o ânimo do mais pacato cidadão, é que têm sido constantemente anunciados investimentos de milhões em Cabo Verde, mas sempre para os mesmos destinatários.

Nesta conformidade, é de todo inaceitável que S. Vicente tenha uma dotação orçamental bastante inferior à do município de Santa Catarina e à das ilhas de Santo Antão e do Sal. Razões do Estado podem explicar certos caminhos ínvios que a política percorre, mas em matéria orçamental os princípios de justiça e de equidade jamais podem ser postergados ou prostituídos, sem que resultem em cadeia graves repercussões no ânimo e no moral das populações. Espelho de uma clara intenção política, este orçamento é motivo de profunda inquietação para o povo de S. Vicente. 

Portanto, é urgente e é imperativo que o Governo explique por que razão a segunda ilha do país é sonegada para um quinto lugar na distribuição orçamental, ao passo que Santiago e os seus municípios continuam inexplicavelmente privilegiados e em posições cimeiras. A supor-se um eventual critério de distribuição versus ressarcimento, reafirma-se que o princípio só parece ter sido aplicado a S. Vicente, a única contribuinte da partilha nacional, enquanto Santiago continua intocável no seu pedestal e escandalosamente liberta de obrigações de solidariedade e coesão territorial.
  
Cidadãos, a política em Cabo Verde parece enveredar cada vez mais por caminhos tortuosos que deixam perplexas as populações que um dia acreditaram nas virtudes nacionais e confiaram nas capacidades dos que assumiram a responsabilidade de governar os seus destinos.

A sociedade civil mindelense parece mergulhada num clima de apatia social e desinteresse cívico sem precedentes, que só se explica pela preponderância de valores individualistas e egoístas e pelo eclipse dos líderes políticos locais, divididos em querelas inúteis da baixa política. E é em grande parte por esta postura de abdicação, de autêntica paralisia, que S. Vicente tem sido alvo de tratos de polé, marginalizada pelo poder político, desviada do destino que lhe desenharam os homens bons que no passado foram os construtores de uma sociedade local fecunda e promissora.

Importa, pois, indagar e esclarecer os motivos por que a ilha de S. Vicente foi destratada de uma maneira tão acintosa e provocatória. E é nesse sentido que, não aceitando ver relegada a segunda ilha mais importante do arquipélago para uma quinta posição na escala das prioridades orçamentais, os cidadãos abaixo assinados lançam um apelo veemente aos políticos e à sociedade civil mindelenses, para que assumam as suas respectivas responsabilidades, enquanto é tempo. 

Subscrevem este Documento cidadãos cabo-verdianos sem qualquer filiação político-partidária, preocupados com a contínua degradação da situação económico-social da ilha de S. Vicente e da região em que nasceram ou viveram parte significativa das suas vidas, e que, em vista disso, reclamam uma reforma urgente do sistema político e administrativo do país, bastas vezes prometida e adiada para as calendas gregas.
                               
Pelo Grupo de Reflexão da Diáspora, e por ordem alfabética:

Arsénio Fermino de Pina
Adriano Miranda Lima
Carlos Adriano Vitória Soulé
José Fortes Lopes
Luís Andrade Silva
Valdemar Pereira

[2887] Praia, o Far-West pouco profissional

Em poucos dias, na Praia, dois assaltos a bancos. Assaltos a bancos em Cabo Verde?, dirá o leitor, absolutamente espantado. Sim, a moda já chegou às ilhas (perdão, a Santiago). Mas parece que os rapazes são algo inábeis, apresentando-se como perfeitos amadores, isto é, ou se deixam prender logo ou largam o saco das notas pouco depois. Enfim, fiascos totais, uma vergonha para o SLB (ahahaha, nada disso, não é Sport Lisboa e Benfica, é Sindicato dos Ladrões de Bancos), falta de profissionalismo a toda a linha. Propomos a uma das muitas universidades de Cabo Verde uma licenciatura, quiçá um mestrado, se possível um doutoramento sobre esta área, cujos praticantes revelam tão ridículo e inadmissível amadorismo. Em tudo, há que ter classe, bolas! Temos dito!...
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

[2886] A "morte" de ABC Corantes e o "nascimento" de Corsino Fortes (ver post anterior)

Como prometido, aqui estão as sete páginas originais (24-30) do n.º 9 de "Claridade" (Dezembro.1960), a que Pd'B teve acesso directo, onde Corsino Fortes escreve por "cunha" do seu professor Baltasar Lopes / Osvaldo Alcântara. Boa e sábia cunha esta, que nos revela um poeta de excelente estirpe, como se confirmou depois e sempre. Assim se documenta como morreu ABC Corantes e nasceu um bardo claridoso in extremis. Quanto à estranha segunda parte do pseudónimo juvenil de CF, ela tem a ver com nada mais que o seu nome: CORsino ANtónio forTES...








quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

[2885] Revisitando Corsino Fortes

Um grande e saborosíssimo texto da revista "Nós Genti", do último Agosto, sobre o poeta mindelense da "Cabeça Calva de Deus", recentemente desaparecido.

Pedimos a atenção dos nossos leitores para o excerto que destacamos agora e que amanhã ilustraremos com material genuíno (isto é, "mesmo" original).

Ver AQUI

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

[2879] Primeiro estudo sobre arte pública da época colonial em Cabo Verde, a ser publicado em breve na revista da Faculdade de Belas Artes de Lisboa (já em fase de revisão de texto)

Longo assunto de 19 páginas, com ilustrações a cores e muitas anotações e indicação bibliográfica, é primeiro passo para o estudo desta área da escultura em Cabo Verde. Até aqui, fora motivo de diversas palestras nossas não escritas. Agora, ei-lo finalmente passado ao papel, em letra de forma. E foi um gosto escrevê-lo!...




[2878] "caretta caretta", das Canárias mas também de Cabo Verde

World Press Foto 2017, categoria "Natureza", prémio ganho por esta fotografia de Francis Pérez (também em foto) feita a 8 de Junho de 2016 em Tenerife, Canárias. O horror transmitido pela excelente imagem, mais que documental, dispensa comentários. Até porque o título diz tudo: "Caretta caretta trapped"...


[2877] Memória de 1961, da morte do Dr. Adriano Duarte Silva (pelo Dr. Aníbal Lopes da Silva) e uma capa de livro



domingo, 19 de fevereiro de 2017

[2876] Cidade do Mindelo, declarada epicentro da economia marítima de Cabo Verde

Palmas, foguetes e apitos! Talvez o princípio do fim do desprezo a que a ilha de São Vicente tem sido votada nas últimas décadas. Que as promessas não falhem, que os políticos as cumpram e que o progresso venha! Assim seja, tenhamos fé!!!

Ver AQUI

Foto Filipe Conceição Silva

sábado, 18 de fevereiro de 2017

[2875] Um mistério para resolver, em sábado de ressaca de falta do Zito: o caso do desconhecido admirador do Pd'B, José Luís Fonseca Soares de Carvalho

Como alguns sabem, para um blogue funcionar (e ser criado) tem de haver um endereço de email associado. No nosso caso, é o mindelosempre@gmail.com. 

Por outro lado, abaixo de cada post está uma indicação antecedida de um G+ +1 que podemos ver neste exemplo que retirei do último colocado. Serve isso para que quem gosta desse post possa demonstrá-lo, clicando ali, à semelhança do que sucede no Facebook com os "like". 


Ora o administrador do blogue pode saber quem faz isso, clicando no email do blogue num botão que diz "Notificações", aquele com um sino que vemos na imagem abaixo. 

Acontece que vou acompanhando a situação, por curiosidade, confirmando que essas pessoas nunca participam no blogue de outra maneira. Até há pouco, havia uma senhora (de nome luso, português, brasileiro ou cabo-verdiano...) que o fazia. Agora, é um nosso desconhecido amigo José Luís Fonseca Soares de Carvalho. Não há praticamente post em que este admirador do Praia de Bote não ponha o +1, mas nunca chegou à fala connosco. Pelo que vasculhei, sei que é cabo-verdiano e que vive em França ou num país francófono (isso não cheguei a perceber exactamente).

Para rematar, e sabendo que ele decerto verá este post, começo por lhe agradecer a simpatia e a persistência da vinda militante ao Pd'B. Remato, com o convite para que seja mais um de nós e venha por aqui dar os seus palpites, as suas opiniões, trazer a sua sabedoria sobre Cabo Verde e participar neste blogue que pelos vistos também lhe pertence. Um abraço e ficamos todas à sua espera. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

[2872] Zito em destaque no Sapo de Cabo Verde (está em baixo, em "Cenas da Net", e vai dar ao Esquina do Tempo)

Ver AQUI

[2871] Mornas de Cabo Verde, por Zito Azevedo. Luxo em forma de som

Aqui está de novo, e pela vez terceira, a bela voz "coimbrã" do Zito, atacando mornas com luxo que arrepia a pele, de emoção. Um talento desperdiçado que poderia ter dado muitos mais momentos de verdadeira cabo-verdianidade. Mas as coisas são o que são e este conjunto de músicas, embora curto, só por si já demonstra a alta qualidade desta voz da rádio que ouviremos sempre com prazer.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

[2870] E também viajou pela Esquina do Tempo que hoje fez sete excepcionais anos (oiça ali as mornas cantadas pelo Zito)

Ver AQUI, na totalidade

[2869] Zito viaja através de corais vermelhos, nas águas de Cabo Verde (blogue de Ondina Ferreira)

Ver AQUI, na totalidade

[2868] Zito Parti!

Sempre fui dado a arranjar combinações de letras com palavras, a partir de matrículas de automóveis. É um passatempo como outro qualquer, nomeadamente em viagem, quando nada mais há a fazer que conduzir. Vi agora a matrícula do carro funerário em que o nosso amigo viajou pela última vez e não consegui deixar de fazer (em crioulo, mas também possível em português) a associação com que intitulo o post.