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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

[0243] TCHUBA NA MINDEL

As fotos chegaram-nos através do "cônsul" oficioso de Cabo Verde em Tours, o nosso amigo e colaborador Valdemar Pereira; a ele, chegaram-lhe pela mão do trompetista cabo-verdiano Joaquim Soares Almeida "Morgadinho"; e a este vieram de alguém com as iniciais ABS. As fotos são muito recentes. Cortámos algumas, por se ver parte do automóvel de onde foram tiradas (parte da porta e do retrovisor) e endireitámos meia dúzia delas. Por outro lado, não publicamos aquelas onde se reconhecem rostos de pessoas. Há uma ou outra que não parece ser de S. Vicente, mas... Aqui fica, portanto, esta reportagem de mais um dia de água no Mindelo. Agradeçamos ao Deus cristão ou aos da mitologia a graça concedida e ao autor (cujo nome indicaremos, se ele se acusar), ao Morgadinho e ao Valdemar, também.

















sábado, 7 de julho de 2012

[0203] EM 1962. BANA, NO TEATRO, EM DACAR (SENEGAL), PELA MÃO DE VALDEMAR PEREIRA

ADENDA: Horas após a inserção deste post, vários amigos (sobretudo portugueses) nos perguntaram o que é isso de "guarda-cabeça". Trata-se de uma tradição cabo-verdiana que consta de uma cerimónia contra o mau-olhado e tem lugar na noite que vai do sexto para o sétimo dia, após uma criança ter nascido. Quel cosa d'spantá bruxa... Esta tradição tem equivalentes, com múltiplas variantes, em outros locais em todo o mundo. Em Portugal, por exemplo, ainda há quem  ofereça um filho pequeno à Lua, para evitar  problemas futuros, sobretudo de saúde.

Prometido é devido. Aqui vai o testemunho daquela que parece ter sido a única passagem de Bana pelo teatro. A coisa aconteceu em Dacar, pela mão do pai do teatro cabo-verdiano de diazá, Valdemar Pereira. E a stóra vem contada em "O teatro é uma paixão", da autoria do mesmo Val, nosso colaborador e amigo (ed. de autor, Almada, 2001). O livro teve lançamento em 8 de Maio de 2010 em Lisboa, na Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde numa sessão memorável que o PRAIA DE BOTE apresentou e que teve a presença de Adriano Lima que de igual modo disse interessantes palavras. Também estava no local o pai do teatro cabo-verdiano moderno, João Branco - que apresentaria o livro meses mais tarde, em S. Vicente. Leiamos então a parte alusiva a Bana (com ligeiras adaptações) e vejamos as fotos.

«O sketch baseava-se num ritual de guarda cabeça, a decorrer num lugar imaginário, algures em Monte Sossego. A intenção era fazer do Bana uma das figuras centrais para em dado momento final dar-lhe asa para soltar a sua portentosa voz. Mas tudo começa com a concepção de um entretenimento em qua as pessoas e as peças materiais do ritual estão a postos. Mas aconteceu que houve falta de presença do Bana. No que tocava ao rapaz, solicitado por causa da sua arte, era por vezes difícil acertar-lhe com o paradeiro. Assim, as rezas, as ladainhas, as vigílias, enfim tudo o que fazia parte da praxe do guarda cabeça funcionou e aprontou em devida altura, mas... faltava chegar o homem  que ia animar a festa antes do cuscuz a que todos tinham direito.

Cena do sketch "guarda cabeça", escrito por Valdemar Pereira, com Grigol, Bitim, Octávio, Fefa, Alice, Valdemar (em pé), Bia Gata (deitada) e Bana a interpretar o seu próprio papel
(...) Até que finalmente o nosso homem apareceu, sorridente, mas incapaz de reagir às minhas brincalhonas intervenções, o que é compreensível dado que não tinha então qualquer traquejo para o improviso. Então eu provoquei-o, insinuando que ele estava com vergonha de falar por ter sido apanhado a jogar batota no sótão do Derby, ao que a plateia ripostou no mesmo tom de boa disposição, dizendo que não senhor, ele não jogava, não bebia, havia sim muitas "pequenas", isso sim senhor, que andavam atrás dele e não lhe davam tempo para nada, etc.»

Cena com Valdemar Pereira (à esquerda), Bana e Fefa Matos no Théâtre du Palais, Dacar, 8.10.1962

sexta-feira, 6 de julho de 2012

[0202] BANA, O PRIMEIRO DISCO EM DACAR

Bana é História. Bana não tem comparação. Jamais alguém poderá dizer com acerto que o enorme mnine de Soncente canta melhor ou pior que este ou aquele. Bana é único e irrepetível e sem dúvida o equivalente masculino de Cesária Évora no que toca a mornas e coladeras. PRAIA DE BOTE apresenta hoje o primeiro disco do mestre, gravado em Dacar. Não conhecemos a data de edição mas sabemos que é dos primeiros anos 60. A acompanhá-lo, a orquestra do igualmente importante saxofonista, clarinetista e maestro Luís Morais.

Claro que há un certain monsieur Valdêmárrrrr Pêrrêrrá (pronúncia de Tours) que nos poderá falar do assunto com mais detalhe. Esperemos que o dito monsieur surja - a não ser que esteja distraído a beber um apetitoso tinto da Maison des Vins de Loire. Ou outros por ele, que saibam do assunto. Aqui ficam então a capa, a contracapa e a face A do EP ou 45 rotações, como então se dizia. Uma preciosidade, nada descaderóde, apesar do Nhontono...



Imagens eBay

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

[0177] "Mindelo e Porto Grande", poema de Valdemar Pereira

Valdemar Pereira
Porto Grande, a bela concha orlada pelo anfiteatro da cidade do Mindelo e montanhas circundantes em que avulta o Monte Cara, sempre foi motivo de inspiração de poetas e músicos da nossa cidade. Lá longe, na diáspora, em terras gaulesas, o nosso colaborador Valdemar Pereira não foge a essa sina (nem quer fugir), talvez com uma garrafa de Bordeaux por perto, comedidamente bebida (como sabe melhor)... à falta de um grogue di terra mais animador em momentos de escrita.

Praia de Bote agradece ao autor e amigo e oferece o petisco aos seus banhistas, em mais um tempo de sodade de nôs Mindelo e de nôs Porto Grande.




Mindelo e Porto Grande

O mar do Porto é belo com seu reflexo azul
sobre a água o fulgor de uma incrível cor anil
onde o ilhéu dos Pássaros, rochedo cinzento,
salta misteriosamente ampliando o momento
onde as almas, sem palavras, com harmonia
se encontram para um deleite dessa sinfonia
do Mar Eterno sem fundo sem fim d'Eugénio
ilustre e perene, já que foi egrégio e génio.

Infinitamente presente, a ventania lancinante
conta os estrofes duma Morna emocionante
com suas palavras de alegria ou melancolia
ou mesmo qualquer outra singular melodia
enquanto apreciamos o divino Monte Cara
e Porto Grande, que já não é o de outrora
com paquetes, veleiros e barcos de carga
onde havia azáfama dia e noite até aurora.

Enquanto seus poetas escreviam os versos
e os pintores criavam painéis mais diversos
o povo tinha seus sucessos e seus reversos
momentos de algum júbilo e muita tristeza.
Havia certamente uma escondida pobreza
mas, no fundo, dissecado, digo de certeza,
embora as alturas de fome e de gravidade
que houve no Mindelo e no Porto Grande
tivemos gente de coragem e de dignidade.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

[0071] O "28 de Maio". Ainda um navio das ilhas

Valdemar Pereira
Em mais uma simpática oferta do nosso colaborador Valdemar Pereira, PRAIA DE BOTE mostra hoje o "28 de Maio", navio que durante anos fez carreira entre as ilhas de Cabo Verde e teve ainda incursões por águas angolanas.

Comecemos pelo nome, ele mesmo... 28 de Maio. Para os mais esquecidos, refere-se à data de 28 de Maio de 1926 na qual se deu o golpe do general Gomes da Costa que acabou com a I República frouxa mas democrática e abriu caminho a um longo período ditatorial em Portugal, conhecido como Estado Novo. A data, marcante (e que devia marcar), serviu depois para nome de ruas, instituições e... barcos. Curioso é o facto de o antigo Lazareto em Porto Brandão (Almada), que durante muito tempo se chamou "Asilo 28 de Maio", ter albergado durante anos retornados das ex-colónias portuguesas, em particular de... Cabo Verde.

O "28 de Maio", foto propriedade de Valdemar Pereira (clique na imagem)

A propósito do navio "28 de Maio", há informação na Internet, nomeadamente em três números do 'Diário da República' cujo caminho abaixo indicamos. São achegas curiosas acerca deste barco que ainda andou por Angola e que dão mais algumas notas sobre a sua história.

(clique AQUI e não na imagem, para ter acesso aos três artigos)

Há também mais dados no Fotolog de Valdemar Pereira onde esta foto já foi publicada, embora em condições deficientes pela fraca qualidade que aquele programa oferece às imagens. Clique no link abaixo.


E finalmente, uma pequena nota num artigo por nós publicado no jornal cabo-verdiano "Liberal", a propósito de outros navios.

"Liberal" - 9.Junho.2006

HISTÓRIAS DE MAR (4)
O "COSTEIRO III" E O AFUNDAMENTO DO 
PALHABOTE "S. MIGUEL"

Em artigo anterior desta série de “Histórias de Mar”, vimos o "Costeiro III" a associar-se às buscas empreendidas relativamente ao desaparecido e logo reaparecido cutter "S. Tiago", em Maio de 1953, entre as ilhas de Santiago e do Sal.

Ora este navio pertencia à Sociedade Geral, de Lisboa (também armadora dos famosos "Alfredo da Silva", "Manuel Alfredo", "Ana Mafalda" e "Rita Maria", para apenas citarmos aqui quatro dos mais populares desta companhia entre a população cabo-verdiana) e largou no anterior 24 de Janeiro do Tejo, com destino a Cabo Verde e à Guiné, depois de ter recebido a visita do ministro do Ultramar – o que revela a importância que lhe era dada nas novas ligações entre as ilhas e entre estas e o vizinho território continental africano. Comandava-o, o capitão de longo curso Jara de Carvalho. O barco levava carga completa de combustíveis e beneficiara nos meses anteriores de várias adaptações, entre as quais a transformação de uma coberta em camarata (repare-se, “camarata” e não “camarotes”) para 52 passageiros de terceira classe e apenas quatro camarotes, que deveriam ser de segunda.

As razões próximas da ida do "Costeiro III" para Cabo Verde eram a saída dali do "28 de Maio" e o facto de estar parado o hoje mítico veleiro «Senhor das Areias», à época considerado impróprio para viagens de passageiros com a eficiência e a qualidade que se pretendia. Terão sido instâncias superiores (provavelmente o governo da colónia) a avançar com o desejo de uma melhoria da situação, à qual a Sociedade Geral logo aquiesceu, por um período experimental de seis meses. (o artigo continua mas o resto do mesmo não tem interesse para a história do "28 de Maio")

quarta-feira, 27 de julho de 2011

[0070] O "Guiné" em S. Vicente, durante a II Guerra Mundial

Valdemar Pereira
O nosso colaborador Valdemar Pereira, ao remexer na papelada que lhe enche a casa, deu com um montão de materiais por si simpaticamente cedidos ao PRAIA DE BOTE que mais uma vez lhe agradece o gesto de gentileza.

Um deles é uma foto do "Guiné", um dos muitos navios da Companhia Colonial de Navegação (CCN), frente ao Monte Cara.

Durante a segunda guerra mundial, e porque os submarinos alemães que sulcavam o Atlântico em matilhas raivosas prontas à caça de navios não olhavam a gastos e enviavam tudo para o fundo, os barcos nacionais punham os nomes e as bandeiras, bem à vista, como aqui se pode ver. Mais valia prevenir que remediar, pois embora Portugal fosse neutral, dificuldades no visionamento da identidade dos nossos navios podiam fazer toda a diferença na hora da verdade...

Ao dar umas voltas para saber mais um pouco sobre este vapor, o PRAIA DE BOTE deu com dois factos curiosos, um dos quais atesta um dos momentos da história relativamente recente de Cabo Verde:

Segundo documentação existente nos arquivos da Fundação Mário Soares «chegam a Lisboa, a bordo do navio 'Guiné', 110 presos políticos libertados do Campo do Tarrafal na sequência da amnistia de Outubro de 1945.» O campo de concentração do Tarrafal iria no entanto sobreviver muito para além desta aparente abertura do regime salazarista no final da II Guerra, espécie de bónus cínico à opinião pública mundial.

O "Guiné", foto propriedade de Valdemar Pereira (clique na imagem)
No semanário "Expresso" de 30.Dezembro.2008 dizia-se também: «O português Adelino Mendes, condecorado por Fidel Castro pela sua participação na Revolução Cubana, integrou em 1936 a Revolta dos Marinheiros contra Salazar, em Lisboa, tendo-se refugiado em Cuba durante a II Guerra Mundial. Filho de humildes camponeses da Serra da Lousã, Adelino Mendes, que apascentara ovelhas e cabras antes de ingressar na Armada, juntou-se aos comunistas do Partido Socialista Popular (PSP, marxista-leninista), em 1941, e veio a participar activamente na Revolução Cubana. Em Havana, onde chegou a bordo do navio "Guiné", foi recebido pelo secretário-geral dos comunistas cubanos, Blas Roca.»

A foto abaixo, onde não surge o Monte Cara mas que é decerto da mesma altura, e do mesmo local, está patente no excelente blogue sobre coisas do mar "Ships & The Sea".

O "Guiné" - Devida vénia ao blogue "Ships & The Sea" (clique na imagem)

quarta-feira, 30 de março de 2011

[0052] Novo colaborador, Valdemar Pereira, oferece apontamentos da "sua" Praia de Bote

Valdemar Pereira
"Mnine de Soncente", antigo funcionário da Western Telegraph Company, emigrante do Senegal, pai do teatro cabo-verdiano, funcionário da diplomacia portuguesa em África e na Europa, poço infindável de histórias e sobretudo grande cabo-verdiano, o nosso  bom e estimado amigo Valdemar Pereira dá-nos o prazer da sua presença no PRAIA DE BOTE. Esperemos que para continuar...

....................

A Praia de Bote sempre me fascinou com suas estórias e suas riolinhas. Passava ali devagarinho, para poder desfrutar do que contavam, imaginando os factos, no espaço e no tempo, como se fosse eu o protagonista porque assim tinha mais piada.

Na Praia de Bote havia a casa da Chica de Cucuta, pretinha, gordinha "costa na tchom dnher na mom". Se ela não era bonita, a Chica era no entanto simpática, sempre vestida de branco e, muitas vezes, com uma beata atrás da orelha. Não, dela não vou contar nenhum facto. Imaginem! Pronto!

Dali, dessa praia, partiam os intrépidos pescadores que tanto admiramos.
Cheguei a ver uns que, antes, iam ao botequim do Bans "matar o jejum" com um bom copo de groque para depois entrar no barquinho de vela latina, verdadeira casquinha de noz, para a pesca em solitário no Canal.
Também assisti à chegada deles, por volta das seis da manhã, com um atum. Não sei se era o suficiente para o dia ou se só vinha uma unidade porque não havia frigorífico para conservar mais. Dava-me a impressão que iam buscar o pescado numa armadilha. Eles vangloriavam-se de conhecer a "linha do peixe".

Outras figuras desse lugar eram os que o faziam contrabando. Vinham de onde vinham, arrastavam o bote com a mercadoria dentro e esperavam o momento para passar. Era como que um desafio às autoridades marítimas que, estou certo, muitas vezes fechavam os olhos. Contam que um deles, muito conhecido pelas suas saídas (e também entradas !!!) repetia vezes sem conta o Grande Foco do Racionalismo Cristão e, no fim, dizia "Deus é Bom Pai". Mas tremendo de medo e querendo aliar todas as forças ocultas, arrematava de seguida "diabo também não é mau".

Penso que cada dia que passa o fascínio da Praia de Bote é um bocadinho maior em nós.

Praia de Bote, foto Joaquim Saial (clique na imagem)

domingo, 20 de março de 2011

[0048] Eden-Park, a saudade que fica e alguns documentos para a posteridade

(clique nas imagens)

A história de hoje é longa e curta ao mesmo tempo.

É culturalmente longa, porque o Eden-Park foi de facto um demorado segundo pai de cultura e sabedoria mas também de divertimento para muitas gerações de cabo-verdianos (incluindo aqueles que não o souberam preservar e que ficarão com esse anátema colado à pele para todo o sempre, já que a História não perdoa). A riquíssima influência do Eden-Park está muito bem contada no documento que aqui se divulga. Sabe-se lá quantas sentidas lágrimas foram vertidas pela sua autora durante a escrita do mesmo e portanto... também é curta porque tanto eu como diversos outros (entre os quais obviamente se conta a última guia dos destinos daquela casa) fizeram o que puderam para que o crime não se consumasse. Infelizmente, não conseguimos alterar as espirais do destino. Perdemos. Os sanvicentinos perderam. Todos os cabo-verdianos perderam... Ita missa est. Ponto final.

(clique na imagem)
Mas há sempre algo que fica. Eu detenho alguns sinais; outros terão outros. Divulguemo-los, para que a memória se consolide e as novas e futuras gerações possam estigmatizar os criminosos culturais que tal malvadez fizeram. Que sinais tenho eu, então?
(clique na imagem)
Comecemos por Julho de 1999. Três bilhetes. Todos de matinés de "filmes de porrada" em que em cada um não havia mais que três ou quatro espectadores (um deles, aqui o PRAIA DE BOTE). Três espectáculos, mais ou menos doze bilhetes vendidos. Digamos assim, para que a culpa não fique totalmente solteira - que não está, de facto - que das lágrimas pingadas pelo Eden-Park muitas foram de crocodilo. É que sem espectadores não há cinema que resista...

(clique na imagem)
O convite para o espectáculo do Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra foi-me oferecido pela Dr.ª Ana Cordeiro, estimada e diligente directora do Centro Cultural Português, pólo do Mindelo. Apetecido espectáculo para ela, sobretudo, dado que o pai estava entre os orfeonistas presentes. E uma outra figura, das maiores da música de Cabo Verde, o convidado Ildo Lobo, que terá pisado talvez pela última vez palcos do Mindelo. Foi delicioso vê-lo cantar com aqueles veteranos de Coimbra, salvo erro "Tchapéu di Padja". Eram os tempos da vigência de Onésimo Silveira à frente da Câmara Municipal de S. Vicente. Caso curioso, no final do espectáculo, como é tradição da "Briosa", os orfeonistas chamaram ao palco os antigos estudantes de Combra presentes na sala. Um dos que subiram foi a actual presidente, Isaura "Zau" Gomes... Acompanhou-me nessa noite, a D. Zinha Lima, grande amiga e professora competentíssima de múltiplas gerações de santantonenses e sanvicentinos.

(clique na imagem)

(clique na imagem)
Passemos a 2002. Um só bilhete, que a minha passagem pela ilha foi curta, de apenas quatro dias, para lançamento de livro - coisa repetida noutros quatro de Praia. Na altura tinham ido comigo a esposa e a filha do Germano Almeida, a Íris. Os 300 paus foram aplicados num dos filmes da saga "Senhor dos Anéis" (repare-se que o preço dos bilhetes não aumentara de 1999 para 2002). Tratava-se também de uma matiné e o Eden-Park estava à cunha. Foi em 31 de Março de 2002, a minha última passagem pelo saudoso cinema do qual assim me despedi em apoteose, vendo-o cheio como nos velhos tempos. Só faltou a mancarrinha que não vi nenhuma mulher a vendê-la nem à entrada nem à saída.

Aqui ficam portanto algumas memórias com que o PRAIA DE BOTE saúda o mais famoso cinema de Cabo Verde, a família que o sustentou tantos anos e as geraçõs que do local tiraram proveito, muito bom proveito...

NOTA FINAL: O documento produzido pela Sr.ª D. Maria Luísa Marques da Silva chegou-me através do sempre amigo Valdemar Pereira que o recebeu do Djibla ao qual por sua vez foi entregue pela autora com a condição de este só o divulgar quando todo o processo Eden-Park estivesse concluído, o que só recentemente aconteceu. Ao Val agradecemos a partilha e lamentamos tanto quanto ele a desgraça: meu velho, Eden-Park já ca tem teatre...