segunda-feira, 15 de julho de 2013

[0503] PRAIA DE BOTE esteve no funeral de Bana

No Cemitério do Alto de São João (Lisboa, Portugal) realizou-se hoje, por volta das 16h00, o funeral/cremação de Bana, o mais famoso cantor cabo-verdiano de sempre. Compareceram no local altas individualidades de Cabo Verde e Portugal, entre as quais Sua Ex.ª o Sr. Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, e o ministro da Cultura, Mário Lúcio, que chegou acompanhado do Secretário de Estado da Cultura de Portugal, Jorge Barreto Xavier. Não citamos os nomes de muitas outras figuras conhecidas de ambos os países que estiveram presentes, mas aqui fica uma selecção das fotografias feitas pelo PRAIA DE BOTE que assim as lança para o éter da Internet, de modo a serem partilhadas pelos admiradores do cantor sem par que não puderam estar presentes.

BOAS NOTÍCIAS PARA CABO VERDE - O jornal "A Semana" refere que é quase certo que as cinzas do mnine d'Matiota irão para Cabo Verde - neste caso, é o mesmo que dizer para S. Vicente. O Rei da morna juntar-se-á assim a outros insignes nomes da canção cabo-verdiana já desaparecidos, o que é mais que justo para a nossa ilha.

Aspecto geral do crematório do Cemitério do Alto de São João - Foto Joaquim Saial
Pelas 14h00, já estavam muitos admiradores presentes - Foto Joaquim Saial
Bem antes da cerimónia, já se viam dezenas de ramos e coroas de flores - Foto Joaquim Saial
Átrio do crematório e catafalco onde depois foi pousada a urna de Bana - Foto Joaquim Saial
Chegada de um carro com flores - Foto Joaquim Saial
Foto Joaquim Saial
Foto Joaquim Saial
Foto Joaquim Saial
Foto Joaquim Saial
Chegada do Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca - Foto Joaquim Saial
Mário Lúcio e Jorge Barreto Xavier, representantes da Cultura de Cabo Verde e Portugal - Foto Joaquim Saial
Foto Joaquim Saial
Foto Joaquim Saial
Sacerdote que disse as últimas palavras antes da cremação - Foto Joaquim Saial
Foto Joaquim Saial
Foto Joaquim Saial
Chegada da urna com o corpo de Bana - Foto Joaquim Saial
Entrada no átrio do crematório - Foto Joaquim Saial
Foto Joaquim Saial
Foto Joaquim Saial
Uma de várias mornas de despedida a Bana - Foto Joaquim Saial
Foto Joaquim Saial
Foto Joaquim Saial
Foto Joaquim Saial
Foto Joaquim Saial
Final da cerimónia fúnebre - Foto Joaquim Saial
Membros da Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde, Lisboa - Foto Joaquim Saial
Um amigo alemão de Cabo Verde - Hans "Lonha" Peter  Heilmeier - Foto Joaquim Saial
Foto Joaquim Saial

domingo, 14 de julho de 2013

[0502] Funeral de Bana é hoje, dia 15, segunda-feira

A Missa de Corpo Presente será hoje, segunda-feira, 15 de Julho, às 13h00, na Igreja da Sagrada Família em Benfica, à qual  se seguirá o funeral, por volta das 14h15, para o Cemitério do Alto de São João, Lisboa (onde o corpo será cremado, segundo o desejo manifestado em vida).

O livro de condolências estará aberto na Chancelaria da Embaixada de Cabo Verde, sita na Avenida do Restelo, 33 em Lisboa, nos dias 16 e 17 de Julho, das 10 às 16h00.

sábado, 13 de julho de 2013

[0501] Morreu Bana (apesar de tudo, não!), a grande voz masculina de Cabo Verde - VER NOTÍCIAS NA IMPRENSA PORTUGUESA NO FINAL E LONGO COMENTÁRIO DE LUIZ SILVA - E no final do post, foto da passagem de Bana pelo teatro, em Dacar

Não esperava o Pd'B ter de escrever no post 501 notícia tão triste. Mas a vida e a morte são mesmo assim: imprevistas. Ou quase, como neste caso... À família do cantor e ao povo de Cabo Verde, um grande e fraterno abraço, na despedida da VOZ sem igual.

Segundo mensagem que Alberto Rui Machado nos enviou, Bana faleceu por volta das 2 da manhã de hoje no Hospital Beatriz Ângelo, Loures, Portugal. Em "A Semana" refere-se que por vontade da família será sepultado em Portugal.

Aos nossos leitores, aqui deixamos imagens de alguns dos seus discos, pequena amostra de uma discografia imensa.

Quanto a este dia amargo, o nosso sentimento consubstancia-se assim: morreu Bana, viva Bana!!!

Clique AQUI e oiça as melhores mornas de Bana; clique AGORA AQUI e oiça as suas melhores coladeras.


















Bana no Público  AQUI

 
Bana no DN AQUI

Bana no Expresso AQUI

Bana na RTP (com filme) AQUI

Bana no jornal I AQUI (com informações sobre funeral)

Na sequência do comentário de Valdemar Pereira sobre a presença de Bana no teatro em Dacar, PRAIA DE BOTE publica aqui a fotografia de que aquele falou, com a legenda com que saiu num outro post do Pd'B

Cena do sketch "Guarda cabeça", escrito por Valdemar Pereira, com Grigol, Bitim, Octávio, Fefa, Alice, Valdemar (em pé), Bia Gata (deitada) e Bana a interpretar o seu próprio papel

sexta-feira, 12 de julho de 2013

[0500] Comemorações do 500.º post - VER POST ANTERIOR

No post 500, para além do fogo-de-artifício que está a rebentar no Porto Grande e ilumina feericamente a Praia de Bote, três (grandes) agradecimentos:
1 - Aos que nos visitam e participam no blogue com os seus comentários.
2 - Aos que colaboram connosco, enviando textos e as imagens da nossa ilha e de Cabo Verde, em geral.
3 - Aos que aqui vêm e não participam com comentários. É pena, mas pelo menos também fazem parte dos banhistas desta praia tchei d' stil.


[0499] Comemorações prévias do 500.º post - Flash 4 de 4


A transcrição das "Crónicas do Norte Atlântico", que há cerca de um ano são publicadas regularmente no jornal/papel "Terra Nova", tem sido uma constante no Pd'B que assim leva estas crónicas e o nome do jornal a um público mais vasto. As crónicas saem mensalmente no TN, algum tempo após oferecemo-las a publicar no blogue parceiro Esquina do Tempo e só então vêm para o Pd'B. Um grande divertimento pessoal, desenterrando das brumas do olvido situações cujo perfil geográfico se desenvolve nas ilhas, nos States e em Portugal, sempre com Cabo Verde em fundo. Hoje é a vez de aqui darmos à estampa um desses textos, sobre um dos mais lembrados navios da rota de Cabo Verde e depois de viagens inter-ilhas. E assim terminamos as comemorações prévias do n.º 500 que será o próximo.

Crónica de Maio.2013

A SAUDOSA ESCUNA MARIA SONY

O Maria Sony, escuna de dois mastros, é um dos derradeiros barcos de pequeno porte da carreira de Cabo Verde. Encontramo-lo pela primeira vez em Setembro de 1959, em Fairhaven, frente a New Bedford [1], onde se encontrava a receber um motor de 200 cavalos [2]. Procuravam os armadores fugir deste modo à sina dos veleiros de antanho, sujeitos aos caprichos do vento, e perpetuar uma tradição de navegação à vela, agora com auxílio de motor, que assim contornaria dificuldades meteorológicas imprevistas. Ideia romântica, afinal com os dias contados – que já eram bem outros.

O Maria Sony em Novembro de 1959

O navio, propriedade de Manuel Joaquim Andrade e de seu sobrinho e sócio Cecílio Andrade [3], fora baptizado com o nome de uma das filhas daquele [4]. Construído na Nova Escócia, Canadá, para a pesca da baleia, em 1911, contava na altura cerca de meio século [5] e escalara New Bedford pela primeira vez em 1939. A carreira era anual e a carga diversificada, de roupas, víveres e outros produtos, transportando também passageiros. Desta feita, num trajecto de cerca de 40 dias [6], trouxera das ilhas géneros alimentícios e apenas duas mulheres, uma das quais dera à luz à passagem por Providence, em finais de Julho. Era habitual a escuna demorar-se em preparos e carregamento por meses, como também acontecia desta vez. Na torna-viagem, previa-se que levasse roupas usadas, mobiliário e brinquedos para os pobres de Cabo Verde, fruto da contribuição das colónias cabo-verdianas locais.

Dois meses depois, já com o motor posto, os 21 tripulantes [7] do Maria Sony aprontavam-se para a partida. Cecílio Andrade aproveitava a reportagem do DN para mostrar reconhecimento com imaginação a todos que lhe tinham evidenciado a sua simpatia: «E creiam que os nossos corações levam uma grande recordação desta grande América, cujo nome definimos assim em português: “Amor” e “Riqueza”. Porque as três primeiras letras, “Ame”, representam o presente do conjuntivo do verbo “amar” e as últimas três, o adjectivo “rica”. Portanto, temos “America”». Ele e o tio agradeciam ainda a Adalberto do Rosário, presidente do “Band Club”, a José Monteiro, António Dias e a todos os compatriotas que por qualquer forma tinham demonstrado boa vontade em os auxiliar nas oportunidades em que se haviam visto em dificuldades, bem como às autoridades de Imigração de Providence e New Bedford. E havia desejo de regressar aos Estados Unidos, na Primavera seguinte, com um carregamento de feijão e milho, comestíveis caros às bocas cabo-verdianas da região. Negócios atrasaram alguns dias a partida para S. Vicente de Cabo Verde que só teve lugar a 4 de Novembro [8].

Mais de um mês após, o José Monteiro antes referido receberia um telegrama da Bermuda em que se noticiava que o Maria Sony ali chegara rebocado, depois de apenas ter percorrido 800 das 3000 milhas previstas [9]. Atribuía-se a longa demora à época escolhida para a viagem, de final de ano, em que o mar estava enfurecido e por isso a progressão se tornava difícil. Uma carta de Cecílio Andrade para o DN estabelece o grau de desgraça da viagem [10]: «A infelicidade perseguiu-nos, poucos dias depois de termos saído dessa hospitaleira cidade, e tivemos muita sorte em termos salvo as nossas vidas. O navio recebeu graves avarias, durante um grande temporal que durou 15 dias e que nos obrigou a lançar ao mar 2000 litros de combustível, quase toda a carga do convés e uma pequena parte da carga do porão, para manter o barco ao cimo de água e salvar as nossas vidas ameaçadas. Fomos rebocados para St. George, na Bermuda, pelo vapor norueguês Rio de Janeiro e pelo guarda costa  [11] americano Goose Bay, a fim de receber algumas reparações [12].»



Entretanto a situação ia-se agravando. A 21 de Janeiro do ano seguinte [13], o DN era eco de uma carta de João S. Manita, de Somerville, Mass., em que este relatava as notícias que tinha recebido através dos pastores da Igreja Evangélica Portuguesa da Bermuda [14], Henrique J. Santos e João Pacheco dos Santos, sobre os graves problemas do Maria Sony e sua tripulação. As más novas estavam plasmadas num recorte do jornal Royal Gazette e contavam o seguinte: os marinheiros haviam chegado à Bermuda a 13 de Dezembro, sem dinheiro e com o barco em péssimas condições de navegabilidade. Calculava-se que os custos para reparação rondariam 3 a 4000 libras e havia até quem considerasse que a velha escuna não merecia tal reparação. Por outro lado, embora Manuel e Cecílio Andrade estivessem à beira da ruína, o capitão Pedro Évora recusava-se a prosseguir viagem sem que as reparações fossem concretizadas. Cecílio contava que com mulher e cinco filhos em Cabo Verde o barco era o seu único meio de subsistência e que sem ele ficaria na penúria. Mas nem tudo eram amarguras para os homens do Maria Sony. O vice-cônsul português da Bermuda, bem como o consulado português em Nova Iorque estavam atentos e a prestar o apoio possível. A Casa do Marinheiro da Bermuda forneceu-lhes o cartão que lhes permitia ter acesso gratuito aos cinemas locais. A mesma Casa e a comunidade portuguesa ofereceram roupa e alimentos que eram armazenados no Clube Vasco da Gama. Por outro lado, o Departamento da Imigração deu consentimento de trabalho aos homens, a fim de se poderem sustentar e a Corporação de S. Jorge, a Sociedade do Porto e a Igreja de Inglaterra empregaram-nos a todos, oferecendo-lhes salários muito acima dos que ganhariam em Cabo Verde [15]. Mas havia ainda dois problemas graves a resolver: é que durante o período em que o Maria Sony estivera nos Estados Unidos, alguns dos marinheiros haviam casado com jovens americanas e agora não desejavam regressar às ilhas, o que agravava os problemas dos Andrade. Como se isto não bastasse, previa-se que o Rio de Janeiro iria exigir pagamento pelo reboque que tinha feito durante 23 horas…

Quem no entanto punha de facto o dedo na ferida era um articulista do The Standard-Times, de New Bedford [16]. Dizendo que o caso da escuna inspirava mais que comunicados sentimentais, analisava com frieza os factos que segundo ele tinham dado origem à tragédia: «As autoridades federais da Nova Inglaterra, que superintendem ao tráfico marítimo, disseram, particularmente, que o Maria Sony saíra deste porto em precárias condições de navegabilidade, com carga imprópria e perigosamente acondicionada, com uma tripulação insuficiente e sem o necessário equipamento de navegação e sinalização. Baseadas em observações directas e nas declarações do pessoal do Maria Sony, as autoridades federais indicaram ainda que o barco não possuía um navegador competente para uma viagem transatlântica, não tinha um maquinista qualificado nem uma casa de máquinas apetrechada e que nem as bombas do barco nem o motor se encontravam em condições. Além disso, embora uma viagem normal leve a tal barco mais de 30 dias, o capitão disse haver, ao fim de 34 dias, extrema necessidade de alimentos e de água. As autoridades federais verificaram também que as condições sanitárias a bordo do palhabote eram insuportáveis. E de especial importância em tudo isto, é o facto de 22 pessoas terem navegado no Maria Sony e, ao tal fazerem, confiaram as suas vidas aos responsáveis pelo barco e sua operação. Pouco antes de serem levados a reboque para a Bermuda, nos princípios de Dezembro, sofrendo fome, sede e exaustação, haviam já perdido as esperanças de sobreviverem. (…)». Mais adiante, o articulista refere que devido ao facto de o barco ser de bandeira portuguesa as autoridades americanas não o tinham podido inspeccionar nem impedir a sua partida. E ia mais longe, sugerindo que os Estados Unidos da América e Portugal deveriam chegar a acordo relativamente a esse assunto, para evitar futuros desaires [17].

O Maria Sony quedou-se ali, por dez meses. Findo esse tempo, finalmente reparado com ajuda financeira de cabo-verdianos residentes na América [18], largou para Cabo Verde. De S. Vicente, em Janeiro de 1962, Cecílio Andrade, agradecia em verso, ao governador do território, toda a simpatia e apoio que lhe tinham sido oferecidos pelo seu povo [19]. O navio jamais voltaria à América.

Bermuda, Terra Abençoada, Salvé!

I
Bermuda, tu te ergues no Meio-Oceano tão fascinante
Levanta-te do teu pedestal – pois és a mais hospedeira
Das tuas irmãs do Caraibo  [20] – e és a rainha mais empolgante,
Conhecida de todos os tempos como pioneira.

II
De San George a Somerset, os teus viajantes cosmopolitas
Cantaram por todos os cantos os teus encantos naturais,
Que se divulgaram pelo Mundo, e até aos  [21] teus pés beijaram os [mareantes
Que sob a tua égide recebem a tua ditosa bênção, destino dos [impiedosos vendavais.

III
E sob as tuas asas, abrigaste-me com carinho dez meses,
E, assim, Bermuda, tiraste-me da lama junto da sepultura.
Pois senti a minha alma que ressuscitou muitas vezes
Numa missão caritativa praticada para o bem do povo com bravura [22].

Encontraremos o Maria Sony poucos anos mais tarde, em Agosto de 1964, quando participa no salvamento de alguns náufragos do Frigorífica V que encalhara na Ponta da Baixona, no Fogo [23].

Barco lendário, ainda hoje motivo de saborosas conversas saudosistas entre os anciãos, o Maria Sony é mais um dos veleiros que fizeram a história trágico-marítima de Cabo Verde. Foi baleeiro, cargueiro e navio de passageiros com vela e motor e acabou ingloriamente naufragado no arquipélago [24] que lhe rendeu devida homenagem, em morna [25] e selo de 50$00 [26].



Notas:

[1] DN (Diário de Notícias de New Bedford e seguintes), 02.09.1959, p. 1.
[2] DN, 04.11.1959, p. 2: contrariando a informação presente na notícia anterior, diz-se aqui que o motor possuía 165 cavalos-força.
[3] Cecílio Andrade, de facto homem do mar, é dado como comandante do Maria Sony mas no DN de 02.09.1959, p. 2, surge uma fotografia com três figuras identificadas como capitão Pedro Évora, primeiro piloto Jerónimo Ramos e Braz Évora, segundo piloto. No DN de 21.01.1960, p. 2, essa qualidade de Pedro Évora é confirmada: «O capitão Pedro Évora recusa-se a dirigir o barco, se este não for reparado (…)».
[4] Ver fotografia do navio e da madrinha in SILVA, Com. Conceição “Homens e navios na obra de Teixeira de Sousa”, Revista da Armada, n.º 398, Junho.2006, p. 23; outra filha, Yolanda Andrade, funcionária da embaixada do Canadá em Dacar, organizou em 2010 na Câmara Municipal do Sal e na Associação Valorizar Sal uma exposição de painéis sobre o navio, no âmbito da visita da governadora-geral do Canadá, Michaëlle Jean, a Cabo Verde – Sapo, Notícias Cabo Verde, 22.05.2010.
[5] DN, 30.10.1959, p. 1.
[6] Variam os números, nos DN de 30.Outubro (40) e 14.Dezembro (44).
[7] DN, 09.11.1959, p. 2; no DN de 02.02.1960, p.1, diz-se que eram 22.
[8] DN, 04.11.1959, p. 2.
[9] DN, 14.12.1959, p. 2.
[10] DN, 18.12.1959, p. 1.
[11] Navio da Guarda Costeira dos Estados Unidos da América.
[12] DN, 18.12.1959, p. 1: o DN apelou neste número, com ênfase, à solidariedade dos portugueses da América (nomeadamente aos de origem cabo-verdiana) e ao Governo português, no sentido de prestarem ajuda aos tripulantes do navio: «A situação destes pobres homens é lamentável, visto se encontrarem já muito empenhados, com os mantimentos no fim, havendo ainda custosas reparações a fazer no barco para poderem seguir viagem. Como estamos na época do Natal, época de solidariedade e de compaixão pelo semelhante, apelamos para a colónia portuguesa – e muito especialmente para as comunidades cabo-verdianas – para que, por meio das suas organizações ou de uma comissão para esse fim nomeada, se tire uma subscrição pública, a fim de auxiliar os corajosos e infelizes tripulantes, a poderem prosseguir na viagem para Cabo Verde. (…) Por sua parte, ao Governo português cabe auxiliar, na medida do possível, as vítimas desta tragédia.»
[13] DN, 21.01.1960, p. 2.
[14] Portuguese Evangelical Church of Bermuda, hoje Evangelical Church of Bermuda.
[15] No DN de 21.01.1960, p. 2, é difícil a leitura do montante que parece ser de 5/8 dólares por hora.
[16] Citado no DN de 02.02.1960, p. 1.
[17] Sugeria até que o assunto pudesse ser levado ao Congresso Internacional de Segurança da Vida nos Mares que se realizaria nesse anos de 1960, de modo que a lei já existente para os barcos com mais de 500 toneladas de deslocação se pudesse aplicar também aos veleiros e outros navios de menor porte que realizavam viagens de alto mar.
[18] http://www1.umassd.edu/specialprograms/caboverde/cvpacket.html (texto de Ray Almeida, visto em 27.04.2012)
[19] Só divulgado no DN em 08.08.1962, p. 2.
[20] (sic)
[21] (sic)
[22] Referência aos materiais doados ao povo de Cabo Verde que o Maria Sony transportava, aquando do acidente.
[23] DN, 24.08.1964, p. 1.
[24] Por volta de 1980 (ano que não conseguimos confirmar).
[25] Grupo Túlipa Negra, disco Curtição (1982).
[26] Desenho de M. Schultz, 1987.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

[0498] Comemorações prévias do 500.º post - Flash 3 de 4 (o 4.º será o post 499)

Durante o seu percurso de dois anos e meio, o Pd'B tem desenterrado um pouco da história de Cabo Verde, sobretudo da ilha de S. Vicente, através de materiais de arquivo físicos ou digitalizados (postais e envelopes, entre outros) aos quais na maior parte dos casos ninguém tem dado importância mas que são essenciais para a construção dessa mesma história, por exemplo na vertente comercial.

18 de Agosto de 1940. A Casa Ribeiro de Almeida, do Mindelo, então de luto, como se pode ver no envelope reproduzido, escreve para a firma N. V. Polak & Schwarz Essencefabrieken, em  Zaandan na Holanda, ocupada pelos nazis desde Maio. Um dos Ribeiro de Almeida, o Vitor, ainda foi meu colega no Liceu Gil Eanes e recordo que nos anos 60 a firma do pai era uma das mais prósperas da ilha, ao lado de Serradas, Leão, Benvindo e Casa Luso-Africana, por exemplo. 

Quanto à empresa de essências contactada para um qualquer negócio que desconhecemos, o caro leitor poderá saber mais dela e do sumptuoso edifício que ocupava, clicando AQUI

Curiosos são os carimbos do Obercommando der Wehrmacht (Alto Comando do Exército), mostra da arrogante sobranceria do ocupante do país dos moinhos. Colocamos o mesmo envelope em duas posições, para esses carimbos terem melhor legibilidade.




segunda-feira, 8 de julho de 2013

[0497] Comemorações prévias do 500.º post - Flash 2 de 4 (o 4.º será o post 499) VER NOTÍCIA E FILME EXTRAS SOBRE O MINDELENSE NO FINAL DESTE POST


Uma das virtudes sempre presentes no PRAIA DE BOTE, ao longo deste meio milhar de posts, tem sido a das colaborações - todas importantes e de grande qualidade. Mas uma, vinda directamente do Mindelo, merece destaque nestas comemorações, obviamente sem desprimor para as restantes. Trata-se dos envios feitos pelo nosso amigo Zeca Soares, em geral, acompanhados de fotos. Hoje, mais uma vez, aqui apresentamos imagens suas, bem curiosas e representativas da sobrevivência que dia após dia é apanágio das ilhas verdianas.

Trata-se de um tomateiro pirata, surgido em Fonte Francês, para alegria da população local e dos passantes que o têm mantido intacto - veremos até quando.

Fonte Francês (imagem de diazá) - c/ gralha "Fonte Francis", por o postal ser de origem inglesa
Foto Zeca Soares
Foto Zeca Soares
Deixemos os nossos leitores com uma foto de pormenor e as palavras do Zeca Soares:
Foto Zeca Soares (pormenor)
É uma espécie que consegue resistir as secas, e nasce no meio dos arbustos, pelos campos da ilha de São Vicente, sobretudo nos períodos de chuva. Reproduz-se em grandes quantidades e é vendido, imagine-se ao litro. Mas desta vez, veja-se onde este pézinho de tomate foi deitar raiz, crescer, e reproduzir-se: nas paredes de uma habitação, como se pode ver pelas fotos. Há mais de um mês que apareceu, e hoje dia 3 de Julho, continua no mesmo lugar. Não sei o que vai ser daquela parede, quando a chuva chegar lá para o fim do mês.

Pergunta o Pd'B: como estará agora o pé de tomate? Terá sido colhido? Ter-se-á desenvolvido ainda mais?

1.ª MÃO DA FINAL DO CAMPEONATO DE CABO VERDE: MINDELENSE GOLEIA ACADÉMICA DO PORTO NOVO COM 2 TENTOS DE ADIR E UM DE DUKINHA -  Ler notícia AQUI

quinta-feira, 4 de julho de 2013

[0496] Comemorações prévias do 500.º post - Flash 1 de 4 (o 4.º será o 499)

PRAIA DE BOTE tem vindo a dar, sobretudo nos últimos tempos, uma múltipla visão da diáspora cabo-verdiana na América, consubstanciada em artigos do jornal "Terra Nova", depois plasmados no blogue amigo ESQUINA DO TEMPO e, dias depois, aqui. Sempre com investigações baseadas em jornais luso-americanos, portugueses e em imagens fidedignas. Mais uma delas (ou duas, em frente e verso) aqui fica hoje, em homenagem as nossos leitores, colaboradores fiéis e àqueles que nunca falam nem escrevem mas lêem o que nesta praia se passa (assim o dizem as confortáveis estatísticas).


A imagem é de um postal ilustrado de 15 de Setembro de 1964 e relata a viagem do casal Joe e Adelina dos EUA para S. Vicente. 

A travessia do Atlântico demorou 7 dias e 15 horas, diz-se no postalinho que mostra a sempiterna Rua de Lisboa e mais se informa que no navio vinham outros 4 "creolos". Palavra bonita e demonstrativa de lembrança de raízes destes visitantes relativamente à terra dos seus antepassados. D. Adelina J. Perry Baptista faleceu em Fairhaven com 98 anos, em 25 de Outubro de 2011. Era filha de Joseph (José, americanizado) e Cândida Lopes e esposa de José J.  Baptista (no postal, como Joe). Esta senhora era activo membro da Igreja Internacional do Nazareno, onde era catequista. Deixou três irmãs e vários sobrinhos e sobrinhas. Teve como irmãos Regina, Edwin (aquele a quem o postal é dirigido), Entenor, Arthur e Vasco Perry. Está sepultada no cemitério de Acushnet. Cabo-verdiana de segunda ou terceira geração, não deixou de ir conhecer (ou rever ) a terra dos antepassados - facto que ficou registado no postal. Resta dizer que três meses e meio depois aqui o Djack regressou de Cabo Verde à Europa... Talvez se tenham cruzado, algures na Rua de Lisboa, o Djack mastigando "chuinga" e ela "chewing gum"...

A Casa do Leão, o palácio do governo, o pelourinho de verdura, uma rua bem calcetada e um ar mais que civilizado desta terra sem igual é o que podemos beber na lindíssima imagem colorida, edição da Casa do Leão. Esqueçamos, porém, a falha do fotógrafo que plantou aquele horroroso poste em primeiro plano, onde ele não devia estar...


terça-feira, 2 de julho de 2013

[0495] Comemorações prévias do 500.º post iniciar-se-ão a partir do post 496

Comemorações do 500.º post iniciam-se a partir do próximo e prolongar-se-ão até o meio milhar ser atingido, altura em que haverá grandiosa sessão de fogo de artificio com Banda Municipal a tocar... Ao serviço da Praia de Bote, do Mindelo, de São Vicente e de Cabo Verde desde 7 de Fevereiro de 2011, Pd'B sente que tem vindo a cumprir o que se propôs. Entretanto, fica um cenário excepcional como aconteceu excepcionais vezes. Porque aqui, excepcionalmente, a arte portuguesa também conta...


[0494] Nos 38 anos da independência de Cabo Verde

PRAIA DE BOTE saúda o evento. Já que não fosse pela grande qualidade dos convidados, pelo menos porque o da esquerda já foi seu vizinho e o do lado direito foi seu colega de turma do ex-Liceu Gil Eanes. Como aqui o Djack nesse dia também estará a falar em público (no caso, sobre arte portuguesa) e não poderá estar presente, ficam os desejos de uma boa tertúlia.

[0493] Holanda financia terminal de cruzeiros em São Vicente

Porto Grande aproxima-se ainda mais das grandes cidades portuárias turísticas

A Holanda e Cabo Verde assinaram um acordo de financiamento do estudo para a construção de um terminal de cruzeiros no Mindelo, na ilha cabo-verdiana de São Vicente, que deverá estar operacional em agosto de 2015.

O custo global do projeto está orçado em 35 milhões de euros, mas, para a fase do estudo de viabilidade económica e financeira, a cooperação holandesa vai desbloquear 12 milhões de euros através da empresa ORIO, que construiu idênticas infraestruturas em diversas ilhas das Caraíbas e em Chipre.  

O acordo, rubricado na sede do Ministério das Relações Exteriores de Cabo Verde, na Cidade da Praia, foi assinado pelo chefe da diplomacia cabo-verdiana, Jorge Borges, e pelo embaixador da Holanda no arquipélago, Pieter Jan Zwaan, com residência em Dacar.  

A verba para a segunda fase deverá, segundo o diplomata holandês, ser discutida ainda esta semana durante uma visita de trabalho do primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, à Holanda, país com quem Cabo Verde tem relações diplomáticas desde a independência, em 1975. 

Na visita, segundo Jan Zwaan, o chefe do executivo cabo-verdiano irá encontrar-se com o seu homólogo holandês, Mark Rutte, e com vários empresários locais.  

Oficialmente, o Gabinete de Imprensa de José Maria Neves indicou que a visita à Holanda destinava-se a celebrar o 38.º aniversário da Independência de Cabo Verde (5 de julho de 1975) com a comunidade cabo-verdiana residente no país europeu.  

Segundo Adriano Soares, administrador da empresa nacional de portos (Enapor), presente na cerimónia, só o Porto Grande (Mindelo) recebeu, em 2011, 37 navios de cruzeiro, número que, no ano seguinte, subiu para 42.

Dinheiro Digital com Lusa

[0492] Cabo Verde é o país convidado da Feira Internacional do Artesanato Lisboa 2013 (enviado para PRAIA DE BOTE pela ECV)

A Senhora Embaixadora de Cabo Verde, Dr.ª Madalena Neves, tem o prazer de vos convidar para a inauguração da FIA, no dia 6 de Julho, a partir das 15h00, na FIL - Parque das Nações, bem como para as restantes atividades promovidas por Cabo Verde (ver programa provisório em anexo).

Os bilhetes de entrada na FIA poderão ser levantados na Embaixada – Gabinete da Embaixadora (de 2.ª a 6.ª feira das 09h00 às 16h00, mediante marcação prévia através do e-mail gabinete@embcv.pt).

Aguardamos a vossa visita!

6 a 14 de Julho de 2013
   
Horário: 
Exposição - das 15h00 às 24h00
Gastronomia - das 12h30 às 24h00 (Almoços e Jantares)
Local - FIL, Parque das Nações