sexta-feira, 24 de julho de 2015

[1587] Morreu hoje em Cabo Verde o poeta e diplomata Corsino Fortes (Mindelo, 1933 - Mindelo, 2015)

Ver AQUI, AQUI, AQUIAQUIAQUI e AQUI
Praia, Palácio da Cultura (hoje de Ildo Lobo), 4 de Abril de 2002, durante o lançamento do romance "Capitania". Corsino Fortes, de branco; à direita, o também poeta e editor da "Rosa de Porcelana", Filinto Elísio

segunda-feira, 13 de julho de 2015

[1586] Luiz Silva duas vezes em Lisboa, em 24 de Julho: em pessoa e em livro (entretanto, comente os posts imediatamente anteriores, desde o 1579)



[1585] Página "Crónicas do Norte Atlântico" do jornal "Terra Nova" de Cabo Verde prestes a comemorar três anos ininterruptos de publicação, em prol da história e cultura de CV (veja o post anterior, sobre Luiz Silva)


Eis o final da crónica de Julho, a penúltima antes do 3.º aniversário:

(...) Após 31 dias de viagem, em Outubro a escuna [trata-se da Valkyria] reentra em Providence. Continua a comandá-la o capitão Rose/Rosa e o veleiro transporta passageiros e carga para Frank Silva, da mesma cidade. Ainda a vemos a chegar à Brava, procedente de New Berdford, de onde saíra a 12 de Agosto, mas está para breve a sua derradeira viagem. Saída de Providence a 23 de Outubro para Cabo Verde, com 14 tripulantes, cinco passageiros e 100 toneladas de carga no valor de 2000 dólares, naufragou em alto mar. Cansado de 38 anos de vida, o ex-baleeiro não resistiu ao temporal e afundou-se, levando consigo dois tripulantes. A restante equipagem e passageiros foram milagrosamente recolhidos pelo navio-tanque Oyleric. Actos heróicos houve-os também, por entre a desgraça. Mas esses contá-los-emos na edição do "Terra Nova" de Setembro, altura em que a página "Crónicas do Norte Atlântico" comemora três anos de publicação ininterrupta. E integralmente, copiando notícias da época, como espécie de anexo ao presente texto. Quanto ao capitão Henrique Rosa, esse era sentenciado em 29 de Dezembro de 1930 com pena de um ano e dez meses de cadeia a cumprir na Prisão de Atlanta, pelo crime de tentar fazer entrar 11 passageiros clandestinos nos Estados Unidos, enquanto comandante do John R. Manta… Mas também esse caso será tratado no nosso próximo artigo. 

[1584] Luiz Silva no "Terra Nova" de Junho, em artigo de Frei Fidalgo de Barros

Trata-se do 5.º texto escrito pelo fundador e longo director do jornal Terra Nova sobre "Figuras que contribuiram para o sucesso do Terra Nova". Nunca é demasiada repetição dizer que para ver melhor deve clicar na imagem.


[1583] Voaram 270.000 da Caixa Económica do Mindelo

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[1582] As grandes penalidades de ontem

[1581] Mindelense, sempre!!! Três vezes consecutivas campeão nacional, conquista campeonato de Cabo Verde pela 17.ª vez


Mindelense é tricampeão de Cabo Verde. A equipa da (e do) Praia de Bote soma e segue. Parabéns aos bravos da Rua de Praia, aos chutadores da baía de São Vicente, aos mnis do Porto Grande.
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sábado, 11 de julho de 2015

[1579] Janeiro de 1961: um empurrãozinho da TAP para o fim do Império. É o que dá ser-se ridículo, sobretudo com o último quadradinho. Foi por estas e por outras que... (clique na imagem, para a ampliar)

Regra do blogue: novo post, só quando este tiver cinco comentários de comentadores diferentes (ou mais...). 


[1578] Do Mindelo, para a Hungria comunista

Regra do blogue: novo post, só quando este tiver cinco comentários de comentadores diferentes (ou mais...). 

O assunto é simples e conta-se em poucas palavras. Abílio Almeida Lemos, envia de de São Vicente, em Outubro de 1950 uma carta ao Dr. Kubinyi András, residente em Budapeste (a qual só chegaria ao destino no início do mês seguinte). Desconhecemos qual seria o conteúdo da mesma. Mas sabemos que o Dr. András nasceu e morreu na capital da Hungria (1929-2007) e que foi um renomado historiador, arqueólogo e pesquisador, interessado por estudos sobre a época medieval e membro da Academia de Ciências Húngara. O que tinha Abílio Lemos a ver com Kubinyi András, ficará escondido nas páginas desta missiva para sempre. Seis anos mais tarde, dar-se-ia a sangrenta revolta húngara contra o domínio soviético...

Mas seria Abílio Almeida Lemos natural da ilha? Aquele BIDC n.º 3 significa Bateria Independente de Defesa da Costa n.º 3 que teve base na Horta, Açores. Terá depois passado para São Vicente? Mistérios que só um certo coronel mindelense-templário poderá talvez explicar, descobrindo até quem terá sido o nosso Abílio Lemos...



sexta-feira, 10 de julho de 2015

[1577] A vil "queda" de Camões

E foi assim que num dia de 1974 ou 1975 um bando de ignorantes (chamar-lhes "revolucionários" seria exagerado elogio; pelo contrário, apelidá-los de "seguidores" do pai da nação, teria teor de significativa ofensa a este - não foi ele quem disse “A língua portuguesa é uma das melhores coisas que os portugueses nos deixaram”?) fez cair Luís Vaz do pedestal onde de há muito via com o seu olho único os milhares (milhões) de passantes que "ta rudiá" Praça Nova lhe faziam companhia diária (sobretudo nocturna). 

Esses mesmos, ou outros por eles, logo depois, aperceberam-se da supina asneira e com todo o esmero repararam o mal feito. Luís Vaz lá voltou então ao pedestal onde, com duas orelhas atentas, ouve o povo do Mindelo falar tanto português como crioulo, ambas música celestial para os seus ouvidos de poeta máximo da lusitanidade. Resumindo: tudo está bem quando acaba em bem. 

Praia de Bote, que anda sempre à caça e já desesperava por não ter provas visuais do crime de "lesa Luís", deu finalmente com um postal ilustrado onde se vê o pedestal sem o vate. Ele aqui fica, como memória de uma tonteria dos tempos de chumbo, remediada pela inteligência dos mindelenses.

Pormenor do postal acima reproduzido
Nota: nem falamos de Sá da Bandeira, atirado ao chão por ser o horrendo patife que eliminou a escravatura, Adriano Duarte Silva o ignominioso vilão que fez tudo para haver um cais acostável moderno em São Vicente, José Lopes, irritante por ser um dos melhores poetas das ilhas e Diogo Afonso que só merecia derrube por ter cometido o crime de ter povoado ilhas desertas... Claro que também nestes casos os mindelenses de bom senso deram mais tarde significativa lição de grandeza, repondo as figuras nos mesmos locais ou até em melhores enquadramentos (caso de Diogo Afonso).


quinta-feira, 9 de julho de 2015

[1576] Memórias de Cristal (2)

PELO 93º ANIVERSÁRIO DA MINHA MÃE

Adriano Miranda Lima
Mãe, por momentos, pensei que, hoje, dia 9 de Julho, não iria enviar-te um beijo, pelo teu aniversário natalício. Claro, sempre admiti, com insuportável mágoa, que alguma vez esse dia ia acontecer.

Mas não me conformei, montei uma cilada à Fatalidade, armando-me com a música do verbo e a veemência do sentimento. E, por estranho sortilégio, trocaram-se as voltas à Fatalidade: o rouxinol fechado numa gaiola de fogo continuou, indiferente, a entoar o seu lindo canto; escreveu-se na água a palavra memória e ela permaneceu legível e inalterável como se gravada com cinzel na pedra dura. Depois, dei comigo a voar, qual pomba pressurosa, entre os dias 1 e 9 de Julho, espalhando flores pelo caminho. Desliguei a voz das palavras e deixei que por um instante elas fossem simplesmente flores e, livres, escolhessem os seus vasos de cristal. E então percebi que a corola de uma rosa contém a graça genesíaca de acordar as vozes adormecidas na incerteza do amor ou na incontinência do esquecimento. Esquecimento…esse buraco negro que tragicamente suga o amor.

Por isso é que o meu beijo deste ano para ti, Beza, tem o coração de uma estrela, a sua luz radiosa e a força ígnea do seu núcleo. É uma estrela que construo sob o signo de Julho e ilumino com uma acendalha de fé. Ninguém será capaz de ofuscar a luz dessa estrela, porque ninguém conhece a incandescência do fogo como um filho de Julho. E nada consegue deter essa estrela porque a palavra nada não existe no vocabulário de um sonho. Coração de estrela, esse beijo é também a coroação de um desejo, o mais sentido.

Sim, Mãe, este ano será o de todos os teus aniversários, os do teu passado de menina e moça, os da tua maturidade, e os da tua eterna presença nas luzes que todas as noites acendemos. Antes de a noite chegar, já és luz; antes de as nossas luzes fenderem a escuridão, já és a maior e a mais brilhante luz no trânsito das nossas vidas.

Tomar, 9 de Julho de 2015
Adriano Miranda Lima

domingo, 5 de julho de 2015

[1574] Bispo do Mindelo, D. Ildo Fortes, na Cova da Piedade, entre os seus patrícios (1)


Bandeiras de Almada, Cabo Verde e Associação Cretcheu
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Praia de Bote esteve mais uma vez num grande acontecimento de cabo-verdianidade, desta feita na celebração religiosa e festa que trouxe a Almada D. Ildo Fortes, o bispo do Mindelo, por ocasião do 40.º aniversário da independência de Cabo Verde. 

Na igreja de Nossa Senhora de Fátima (Cova da Piedade - Laranjeiro), grande número de portugueses e cabo-verdianos assistiu à cerimónia religiosa.

Seguiu-se um almoço em que, como era inevitável, brilhou o prato nacional das ilhas, a sempre amada cachupa - esta, deliciosa, por sinal, das melhores que nos tem sido dado provar. A senhora embaixadora de Cabo Verde, Dr.ª Madalena Neves, assistiu à missa e esteve também com os seus patrícios durante o repasto, abrilhantado por músicos de Cabo Verde e pelas Cantadeiras de Essência Alentejana, intercâmbio interessantíssimo que em princípio vai ter desenvolvimento em Setembro, em programa que se esboçou à nossa mesa, connosco e com amigos nossos e do qual daremos conhecimento na devida altura. 

Praia de Bote está a redigir notícia sobre a festa de hoje para o "Terra Nova" e por isso só adianta no blogue as palavras acima apresentadas. Contudo, hoje e durante mais alguns dias, mostraremos aqui parte da longa série de fotografias que fizemos durante este evento que caiu fundo na alma dos cabo-verdianos que entre nós vivem e labutam, comunidade das mais estimadas e mais próximas dos portugueses - estes também com a sua diáspora, por isso sabendo muito bem o que custa estar longe da Pátria e quão gratificante é uma vez por outra receber quem dela nos vem visitar. Hoje, apenas imagens da missa.

Como sempre, clique nas imagens para as ver melhor


Pároco José Pinheiro (Cova da Piedade) e bispo D. Ildo Fortes (Mindelo)
Exma. Embaixadora de Cabo Verde (centro) esposo e D. Filomena (ECV)

Cabo-Verdiana faz uma das leituras. Veja-se a écharpe com cores de CV






Apresentação de cumprimentos à representante de Cabo Verde

[1573] Carlos Veiga recebe Ordem Amílcar Cabral

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[1572] Democracia "plenamente instaurada", versus "democracia plena"

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[1571] Cabo Verde: o País que tem mais gente fora do que dentro

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sexta-feira, 3 de julho de 2015

[1570] Dia 5 é também o dia 40! Ou de como Cabo Verde e Portugal têm mais em comum do que aquilo que os afasta.


E não é por acaso que o grande desfile comemorativo dos 40 anos da independência se realizará na Praia, na Avenida Cidade de Lisboa e que no Mindelo a rua mais famosa é também a de Lisboa. No dia 5, dia dos 40, viva Portugal e viva Cabo Verde!!!








A [última bandeira portuguesa] de Cabo Verde foi a primeira a ser enviada para este Museu [Militar]. A independência foi a 5 de Julho [de 1975]; no mês seguinte, o então tenente-coronel Amílcar Morgado, chefe de gabinete do último alto-comissário, almirante Almeida d’Eça, fê-la chegar a Santa Apolónia. “Perdida” durante décadas nas imensas reservas do principal museu português de carácter militar, só agora foi identificada, juntamente com o ofício que certificava a sua entrega. “Um pequeno tesouro”, foi como o atual director do Museu, coronel Luís Albuquerque, saudou a descoberta.
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quinta-feira, 2 de julho de 2015

[1569] Memórias de Cristal (1)

UM RAIO DE SOL POENTE
Em memória da minha mãe

Adriano Miranda Lima
Naquele dia, já lá vão quase 12 anos, preparei-me para ir ler um pouco no Café Del Mar, como era hábito. A mãe acompanhou-me até ao portão de ferro do jardim. Fazia-o sempre que pressentia que eu ia sair ou eu lho anunciava. Percebia-se nesse gesto o selo inconfundível de um carinho maternal. Andava preocupada comigo, por razões da minha vida pessoal, mas nunca lhe cheguei a confessar que eu viajara para Cabo Verde mais pela vontade de estar algum tempo dilatado com ela do que por outras razões transitórias.

Segui o meu caminho, e a mãe debruçada sobre o portão de ferro a acompanhar os meus passos, ali permanecendo até que a curva da rua lhe cortou a linha de vista. Eu ia mergulhado no meu solilóquio e as pedras da calçada calavam a sua frustração por esquivar-me às irregularidades do seu desenho. Não se lhes ouvia senão o som cavo do meu pisar. São pedras ansiosas de sentir quem as calca, retentoras da respiração das almas transeuntes do sobe desce daquela rua íngreme. Se soubermos impregnar nelas o sentimento dos nossos passos, serão um infindável cardápio das nossas angústias, ilusões e alegrias. Mas hoje apetecia-me escrever, não com tinta sobre papel, ou giz sobre ardósia, mas simplesmente riscar o ar com gatafunhos anódinos e indecifráveis, na ânsia de alguém as decifrar com a tábua da sua verdade. Quem sabe até onde o vento leva o eco do nosso pensamento?

Pouco li no Café Del Mar porque a mãe não abandonava o epicentro do meu espírito - era eu agora a preocupar-me com ela. De manhã, ela tinha subido as escadas para o piso superior, com a ligeireza que os seus 81 anos ainda permitiam, para me dizer que eu tinha de tomar um bom “café da manhã” porque andava magrinho. Achava que eu não estava a alimentar-me convenientemente. Eu, acabado de me tornar sexagenário, era ainda o menino a merecer cuidados. A mãe carregou sempre com as nossas vidas, e nem a idade mais avançada lhe dava descanso. É como uma flor que não murcha por mais que o ar seque, por mais que o vento a sacuda, teimando em manter-se viçosa sobre a terra áspera.

Regressei a casa, seguindo agora contra o declive da estrada. As mesmas pedras da calçada ali estavam, expectantes de escutar o reverso da minha caminhada, de arquivar mais um testemunho de transeunte vergado sobre o seu silêncio. E pensei então em quantos inscrevem na solidez quente e inerte das pedras das calçadas as histórias das suas vidas. Sem saberem que elas são as suas mais fiéis confidentes. 

Soprava agora uma ligeira brisa proveniente dos lados da Lajinha. O Sol já estava a descair, talvez ansioso de sentir na água o refrigério do seu ardor voluptuoso.

Quando avistei a casa, a mãe já lá estava, no pequeno jardim da casa, como se não tivesse arredado pé do sítio onde a deixara duas horas antes. Foi o eco das pedras das calçadas lhe fez chegar os meus passos? Ou foi afagar-se com a frescura da tarde e aproveitou para aguardar pela minha chegada? Não sei responder. São coisas de mãe.

Ao aproximar-me, o que eu vi foi a imagem que para sempre guardarei da minha mãe aos seus 81 anos. Um raio de sol poente iluminava-lhe o rosto, em tons de luar de Agosto, fazendo-me lembrar o quadro de Renoir intitulado “Mulher com a Rosa”. Simultaneamente, uma leve brisa empurrava-lhe para trás os largos caracóis cinzentos. Nos lábios, o mesmo sorriso da mulher do quadro de Renoir. Suave e discreto, como o perfume que exalava do seu colo quando me embalava.

Tomar, 1 Julho de 2015
Adriano Miranda Lima

[1568] Poema de Valdemar Pereira

Moço, e quem lhe disse a minha identidade para me catalogar numa categoria de idade?

Valdemar Pereira



Por eu ser velhinha sei muita coisa certinha
que vem de tempos em que você nada tinha
e que ninguém determinou que podia nascer
e se seria gente perfeita para uns anos viver.


Andou olhando para meu cesto e a bengala
e eu nem sei se me tratou de velha estarola
pois (também vejo você) não lhe dou parola
já que não adivinho o que vai nessa sua tola.


Nos tempos que correm, condenam os velhos
ao abandono se não tiverem força nos joelhos.
E se isso é realmente destino de muita pessoa
só não é para os que pensam e não falam à toa.

[1567] Deputado português Ribeiro e Castro abandona Parlamento e Cabo Verde perde ali um grande amigo

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Foto Parlamento de Portugal