sexta-feira, 16 de setembro de 2016
[2434] Manuel Ferreira e romance "Hora di Bai" quase todo...
Manuel Ferreira (ver AQUI) foi um dos escritores portugueses mais cabo-verdianos, por casamento, convívio com os claridosos, obra e gosto. Para os nossos visitantes, aqui ficam quatro edições de "Hora di Bai" (1.ª ed. 1962). Logo que o Pd'B disponha de outras (pelo menos, duas, o que sucederá em breve), elas serão divulgadas (com estas, de novo).
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| 1.ª ed., 1962 |
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| 2.ª edição (revista), 1963 - Capa de José da Câmara Leme |
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| Ed. de 1987 - Capa Estúdios das Pub. Europa-América |
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| Ed. s/data, dita 1.ª do Círculo de Leitores |
Uma curiosidade: o autor dedica este livro a sua esposa, Orlanda Amarílis, também escritora. Eis o texto da primeira edição (sic):
A MINHA MULHER:
a quem, ao longo deste últimos
anos, fui surripiando, às vezes
traiçoeiramente, muita da maté-
ria desta narrativa, impossibili-
tando-a de um dia e tornar sua...
No livro apresentado no segundo post, continua a dedicá-lo "A Minha Mulher" mas no texto introduzem-se três palavras ("no trato diário") e surgem duas traslineações mal feitas (decerto por culpa da gráfica).
A MINHA MULHER:
a quem, ao longo deste últimos
anos, no trato diário, fui surri-
piando, às vezestraiçoeiramente,
muita da maté-ria desta narra-
tiva, impossibilitan-
do-a de um dia e tornar sua...
Nas duas outras edições, o livro é dedicado "À Orlanda" e são mantidas as palavras "no trato diário".
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
[2431] Na passagem do 1.º centenário do ensino liceal em Cabo Verde
CENTENÁRIO DO ENSINO LICEAL EM MINDELO – CABO VERDE
Assim o nome do Liceu Infante D.Henrique e depois Gil Eanes está intimamente ligado aos momentos altos da nossa história. Comemorar este acontecimento é um acto de justiça para com os homens e mulheres que ali se distinguiram como professores e alunos, preparando as novas gerações para novos combates por Cabo Verde.
Caboverdianamente,
Luiz Silva
Mindelo/Paris, Julho de 2016
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| Luiz Silva |
Aplaudo a iniciativa de alguns cidadãos mindelenses de comemorar o centenário da criação do Liceu Nacional Infante D. Henrique, em Mindelo, no ano de 2017. O artigo de Manuel Brito Semedo confirma a necessidade desta comemoração com o objectivo principal de: renovar a reflexão sobre a importância da criação deste estabelecimento de ensino tanto em Cabo Verde como também nos países de língua portuguesa ; facilitar o encontro dos antigos alunos de várias gerações e, certamente, constituir uma oportunidade rara de se fazer também o inventário das capacidades formadas nesse Liceu. Uma suma estamos perante uma excelente oportunidade de fazer uma reflxão sobre o passado, o presente e o futuro.
Não é difícil explicar as razões do encerramento do Seminário-Liceu de São Nicolau (1866 – 1917) devido aos conflitos entre a República (1910) e a Igreja Católica e o nascimento do Liceu Nacional Infante D. Henrique (1917). Há que reconhecer o mérito do ensino no Seminário de São Nicolau onde se formou a geração Claridosa e outros quadros que se distinguiram em todas as áreas do saber. Sairam do Seminário-Liceu os maiores quadros de Cabo Verde da altura, como Baltasar Lopes, Félix Monteiro, Pedro Cardoso, Juvenal Cabral, o mestre António Aurélio Gonçalves, Júlio Monteiro e outros. Com a subida de Salazar ao poder (1928), impôs-se então uma outra visão (reaccionária) da relação entre as colónias e a Metrópole, que levaria ao fecho, em 1936, do Liceu Infante D. Henrique, em Mindelo, que fora o fruto duma luta da elita, limitando o ensino às escolas primárias. Numa cidade, onde já existia uma elite pujante, uma forte classe operária, um grande cinema, uma tipografia privada (que já produzia o jornal de Notícias e a revista Claridade), o combate em defesa do liceu fez-se através da imprensa, distinguindo os seus maiores escritores: Augusto Miranda, Baltasar Lopes, Manuel Ribeiro d’Almeida e acima de tudo o Doutor Adriano Duarte Silva, reitor do liceu, que se deslocou a Portugal e que somente regressou quando teve a garantia da reabertura do liceu mesmo com um outro nome, o de Gil Eanes, o que veio a acontecer em 1937.
| A casa do senador Vera-Cruz (Liceu Infante D. Henrique) - Foto José Carlos Marques, 2013 |
A toponímia da cidade do Mindelo ignora as figuras mais célebres da ilha e de Cabo Verde que passaram pelo Liceu Nacional Infante D. Henrique e Liceu Gil Eanes. Não é possivel uma leitura inteligente desta cidade se não formos capazes de fornecer aos nossos jovens e aos nossos visitantes um retrato fiel da história da cidade, atribuindo os seus nomes e estátuas às ruas, praças e jardins. Logo após a Independência, dever-se-ia ter feito um inventário das figuras mais importantes na história destas ilhas que se distinguiram na vida económica, cultural e desportiva. O livro de João Nobre de Oliveira, A Imprensa Cabo-verdiana (1820-1975), permite-nos descobrir figuras importantes de Cabo Verde, cujos nomes deviam ilustrar algumas artérias da nossa cidade.
Mas a criação do Liceu Infante D. Henrique (1917) está acima de tudo ligada ao desenvolvimento do Porto Grande. Não é justo falar do desenvolvimento da cidade do Mindelo e do Porto Grande sem se referir à presença inglesa em São Vicente que modelou a sociedade cabo-verdiana e não só, tanto ao nivel da cultura, da economia e do desporto. Os ingleses introduziram o salário semanal que libertava o trabalhador cabo-verdiano das sequelas da escravatura, permitiu a criação de sindicatos (ver o poema de Pedro Cardoso dedicado à Associação Operária do Mindelo em 1913), dando origem a uma pequena burguesia autónoma e uma classe operária que sabiam defender os seus direitos sociais e políticos perante a potência colonial. Tudo isto graças à influência inglesa que deixou em Mindelo novas posturas social e política, únicas no então Império português. A propósito disto, um museu da presença inglesa em São Vicente seria fundamental para o inventário da história de São Vicente e de Cabo Verde. Como dizia Manuel Lopes, no seu livro de contos O galo cantou na Baia, "toda a cachupa que Jul Antone comia lá no interior de Santo Antão cheirava a Porto Grande". O mesmo acontecia em todas as ilhas agrícolas que forneciam de víveres o Porto Grande. Ainda hoje é possível fazer uma leitura do povoamento da cidade do Mindelo que atingiu o seu auge no tempo áureo do carvão com a chegada de sãonicolenses no norte da ilha (Maderalzinho, Alto São Nicolau e Chã de Alecrim), santantonenses na Ribeira Bote, maienses na Rua de Coco, santiaguenses da Ribeira da Barca à volta da Praça Estrela (famílias Tavares, Moreira, Semedo, Estudante, Barros, Gomes, etc). Como soi dizer-se, São Vicente é a Ilha das Ilhas, pois graças ao Porto Grande, se acolheu gente que vinha visitar ou trabalhar e formar-se nesta ilha. A decadência do Porto Grande e a falta de uma nova política de desenvolvimento económico da parte do município e do governo condenam actualmente a ilha e a sua juventude a uma situação de desemprego, miséria e degradação nunca dantes visto. Urge solucionar o problema do desemprego em São Vicente, faltando ideias para a sua solução. Os horários de trabalho são antiquados e o turismo é insuficiente para garantir qualquer desenvolvimento a longo prazo. Por outro lado a política da Emigração morre por falta de ideias. Cito como exemplo comparativo as transfererências realizadas pelos malianos o seu país de origem que totalizam 70% das suas economias, os senegaleses 50%, enquanto que os cabo-verdianos apenas atingem 30%. Num outro país seria inquietante para a economia dos municípios assim como para o Governo. Será que a Regionalização, pondo termo ao centralismo económico do Estado, poderá trazer novas esperanças à cidade do Mindelo? Não será já muito tarde?
Ainda hoje fala-se do tempo de carvão em que o "gato de Mané ta engordá na gemada" na feliz expressão de Sérgio Frusoni. Foi precisamente com o intuito de dinamizar no plano cultural a cidade do Mindelo e o seu Porto Grande nos anos vinte do século passado, que as duas instituições foram criadas pela da sociedade civil: o Liceu Nacional Infante D.Henrique em 1917 e o cinema Eden Park em 1922. Dizia então o Senador Vera Cruz , cujo nome está intimamente ligado à criação do Liceu Infante D. Henrique e ao desenvolvimento económico e cultural de São Vicente: "uma cidade sem um liceu e sem um cinema não merece este nome". Ao oferecer a sua casa para servir como liceu, o Senador foi o exemplo do cidadão que põe os interesses da sua ilha/nação acima dos seus próprios interesses. Éisso que gostaria de ver praticado pelos políticos, intelectuais, a sociedade em geral da nossa praça, completamente alheios aos problemas do povo e da nação.
Este centenário será antes de tudo, a ocasião de se revisitar a história de São Vicente e de Cabo Verde, deturpada por pessoas que ignoram que esta ilha foi o pulmão de Cabo Verde, como Teixeira de Sousa uma vez disse. Será também uma grande oportunidade para se fazer justiça aos homens e mulheres que estiveram à frente do Liceu Infante D.Henrique e Gil Eanes e de todas as lutas travadas por São Vicente e Cabo Verde.
Durante mais de quarenta e cinco anos, foi o único liceu de Cabo Verde frequentado também por alunos oriundos das outras ilhas e originários da Guiné Bissau. Não porque o regime colonial fizesse favores a São Vicente em detrimento das outras ilhas e das outras colónias. O governo português teve de ceder perante o combate em prol do liceu. Como disse o Dr. Teixeira de Sousa, em 1962 no seu discurso de boas vindas ao Ministro do Ultramar, o Dr. Adriano Moreira, São Vicente não devia nada aos portugueses mas sim aos ingleses, embora estes não deixassem de ter os seus interesses.
Nos anos setenta apareceu uma certa corrente ideológica acusando o ensino do Liceu em Cabo Verde de formar agentes coloniais para as colónias portuguesas. Não era então somente o liceu, mas também todos os liceus portugueses e universidades. Não é possivel condenar o analfabetismo nas colonias portuguesas e criticar aqueles que se investem no ensino mesmo sem uma componente ideológica. Na verdade devido à escassez de emprego em Cabo Verde e não podendo emigrar, candidatavam-se a cargos na administração colonial portuguesa para os bancos, ensino liceal, administração pública, etc. Mas não fora esse o propósito dos fundadores do Liceu que eram já identificados como nacionalistas, tanto no caso do Liceu Infante D. Henrique como do Liceu Gil Eanes. A verdade é que os dois liceus estiveram sempre na resistência onde Adriano Duarte Silva, Baltasar Lopes, Antero Barros e outros foram sempre as grandes referências e que forneceram o maior numero de combatentes para a luta de libertação.
| Antigo Liceu Gil Eanes - Foto de José Carlos Marques, 2013 |
Para esta comemoração do centenário não seria possível acho que seria oportuno e importante a publicação dos dircursos do Dr. Adriano Duarte Silva tanto em Cabo Verde como na Assembleia nacional de Portugal em defesa de Cabo Verde. Deste modo a nossa juventude teria a oportunidade de estudar e conhecer a verdadeira história da emancipação cultural e política de Cabo Verde, actualmente amputada pelos historiadores dos partidos políticos. Consta que o conterrâneo Virgílio Brandão possui a totalidade dos textos do Dr. Adriano Duarte Silva, conseguidos nos Arquivos da Torre do Tombo em Portugal, assim como também o discurso do Dr. Teixeira de Sousa, de 1964, aquando da inauguração do busto do Dr. Adriano Duarte Silva na Pracinha do Liceu Gil Eanes.
Os alunos do Liceu Infante D.Henrique e Gil Eanes estão espalhados pelo Mundo, onde têm transmitido os valores adquiridos no Liceu de São Vicente. O conterrâneo, poeta e romancista, Nuno Miranda, que foi aluno do Liceu Nacional Infante D. Henrique e do Liceu Gil Eanes e director da revista Claridade, publicou em 1959 um artigo intitulado O Cabo-verdiano um portador de cultura, que consta dos artigos dos Colóquios Caboverdianos, obra publicada pela Junta de Investigação do Ultramar.). Nesse artigo, Nuno Miranda procura alargar o espírito e os ideais do nosso ensino. Diz ele: "ora o ensino em Cabo Verde, com seus sistemas, seus conteúdos e seus propósitos, deve ser antes de tudo um instrumento vitalizante que se não abstraia das peculiaridades circunjacentes ao meio em que a retina da criança da nossa terra encontra estruturação; e que, paralelamente, oriente gradualmente o educando para o conhecimento de outas terras da África que têm para ela tantos motivos de afinidade". Reunir todos os antigos alunos, com todas as suas valências, no centenário do Liceu Infante D.Henrique será uma grande oportunidade do município e do governo de Cabo Verde de redescobrir a herança do Liceu, dar a conhecer as potencialidades daqueles que se encontram no estrangeiro, escutar os seus desejos de servirem o país de onde estiverem, apresentar sugestões e propostas ( incluindo o regresso dos emigrantes, pois a terceira idade pode constituir uma nova riqueza para Cabo Verde) enfim capaz de fazer. Quiçá poderemos promover nesta ocasião o renascer uma nova dinâmica associativa criando uma grande associação de antigos alunos, com sede em Mindelo, gerida democraticamente e capaz de manter as ligações entre os antigos alunos residentes no país e na Diáspora com o seu município e o governo.
Não faltarão benévolos dentro e fora do país para apoiar este grande encontro em homenagem ao ensino liceal em Cabo Verde. Mas pergunto-me se não seria o município do Mindelo a chamar a si a responsabilidade de tamanha iniciativa associando também os ministério da Educaçao e da Cultura Creio também que o Congresso dos Quadros Cabo-verdianos, a Associação dos Alunos do Ensino Secundário (antiga Associação dos antigos alunos do Liceu Gil Eanes), as associações cabo-verdianas dispersas pelo mundo (Holanda, França, América, África) poderiam associar-se a esta iniciativa, aproveitando as geminações, lobbyes, etc, para este fim.
Para além do que foi acima assinalado, este centenário pode trazer novas ideias e um novo dinamismo à cidade do Mindelo. Actividades culturais, como simposiuns, mesas redondas, congressos, debates públicos, praticamente desapareceram da cidade do Mindelo. Esta precisa de ser repensada, de criar factos e acontecimentos, ultrapassar ideias simplistas e fáceis, tais como festivais, investindo na economia, no urbanismo, na cultura, na música, no desporto nas artes plásticas, na literatura etc. Faltam-nos homens da dimensão do Senador Vera Cruz, César Marques, Manuel Ribeiro de Almeida, Baltasar Lopes, Teixeira de Sousa, Francisco Lopes da Silva que pensaram esta cidade e nos legaram um rico património urbanístico e cultural. Temos muitas universidades sim (mas questiono-me se não são demais...) e não temos livrarias, cinemas, bibliotecas nos bairros, o que acelera a marginalização das populações periféricas.
Seria importante organizar a comemoração do centenário da criação do Liceu Nacional Infante D. Henrique, em Mindelo de tal modo que coincidisse no mês deJulho de 2017, pois poder-se-ia contar com a participação de muitos emigrantes dispersos pelo Mundo. Há tempo para organizar e pensar um progama que reflita o percurso do liceu em São Vicente, da cidade do Mindelo em geral, sua contribuição ao desenvolvimento deste país, passando pela literatura, a música, o teatro, o desporto, as estórias e traquinices na Pracinha do Liceu, etc. Certamente que virão muitas ideias sempre bem vindas. Não somos muitos mas contamos com todos.
Assim apelo para que os organizadores comecem desde já a trabalhar num programa que inclua a marcação da data da comemoração. Com os trabalhos actuais no antigo Liceu Gil Eanes da Pracinha estamos certos de que o prédio poderá acolher os seus antigos alunos com toda a honra.
Mais uma vez felicito o grupo de mindelenses activos que tomou esta iniciativa de levar avante este evento. Que outras iniciativas sociais, culturais, económicas e políticas surjam sempre para acordar a cidade e os mindelenses da sua letargia.
Luiz Silva
Mindelo/Paris, Julho de 2016
[2430] Vamos entrar no "Guardião"?
Ver AQUI
A reportagem já tem mais de um ano mas é bem sabim entrar no "Guardião" sem pedir licença a nôs comandante... Vamos a isso!
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| Foto RTC |
[2428] O "Mauretania" em São Vicente
Relativamente ao nosso post 2426 (ver AQUI), eis um comentário do Emmanuel:
Muito interessante saber que o nosso turismo de cruzeiros não é recente e sua evoluçao algo lenta em termos de ofertas aos visitantes. Em 1966 foi noticia a atracaçao, no cais do Porto Grande, de um cruzeiro de turistas de nome Mauretannia. Devido a sua dimensão teve que encostar-se do lado de fora do cais. Tem algum registo desse acontecimento? se não me engano pode ter sido o maior navio a chegar a CV naquela epoca.
Satisfazendo o pedido, aqui fica então para ele uma foto célebre do "Mauretania" atracado ao cais acostável que foi divulgada no Blogue do Paló (ver AQUI) e que reproduzimos com a devida vénia. Podem ali ser vistas mais fotos (algumas das quais julgamos pertencerem ao acervo do nosso amigo Djô Martins). E o que é mais divertido no meio disto tudo é que eu estava em São Vicente quando o "monstro" por lá passou e também abri a boca ao vê-lo no cais acostável. Grande romaria do povo do Mindelo a caminho do sítio durante o período em que o vapor ali esteve. Não se falava de outra coisa.
Satisfazendo o pedido, aqui fica então para ele uma foto célebre do "Mauretania" atracado ao cais acostável que foi divulgada no Blogue do Paló (ver AQUI) e que reproduzimos com a devida vénia. Podem ali ser vistas mais fotos (algumas das quais julgamos pertencerem ao acervo do nosso amigo Djô Martins). E o que é mais divertido no meio disto tudo é que eu estava em São Vicente quando o "monstro" por lá passou e também abri a boca ao vê-lo no cais acostável. Grande romaria do povo do Mindelo a caminho do sítio durante o período em que o vapor ali esteve. Não se falava de outra coisa.
[2427] Ainda o caso do vandalismo no Farol Rainha D. Amélia, em São Pedro (Ilha de São Vicente, Cabo Verde)
Nos nosso post 2418 divulgámos este filme que hoje mostramos de novo, publicado no SAPO no passado dia 12. O blogue amigo Arrozcatum também se fez eco do assunto, ilustrado-o com uma fotografia. Entretanto, um simpático "Anónimo" deixou lá este comentário:
Desta vez sou forçado a fazer este reparo porque falta uma informação complementar que esta induzir as pessoas em erro.
Aquelas imagens do Farol de São Pedro são antigas, cerca de cinco anos mais ou menos. Da ultima vez que estive no local há uns anos atrás, constatei que ela foi alvo duma interversão, e que funciona agora com energias renováveis em painéis solares. O edifício foi reparado e vedado de forma há proteger de vandalismo por não haver guarda permanente.
Aquelas imagens do Farol de São Pedro são antigas, cerca de cinco anos mais ou menos. Da ultima vez que estive no local há uns anos atrás, constatei que ela foi alvo duma interversão, e que funciona agora com energias renováveis em painéis solares. O edifício foi reparado e vedado de forma há proteger de vandalismo por não haver guarda permanente.
Respondemos então ao nosso amigo:
Caro "Anónimo", quanto a esta imagem que o Arrozcatum aqui deixou, não sei nada. Mas quanto ao filme que divulguei no Praia de Bote e que começou este assunto, ele foi publicado pelo SAPO em 12 de Setembro, apenas há quatro dias. Agora se o SAPO publicou um filme antigo, também não sei. O meu amigo diz que esteve no farol "há anos". Às tantas, essa intervenção de que fala já foi destruída por vândalos. Veja então o filme e confira a data:
http://videos.sapo.pt/pKRCKzvSDYWb0AsTuV3l
De resto, tomáramos nós que o farol estivesse como o caro "Anónimo" diz. Seria uma grande alegria.
Braça,
Djack
É claro que acreditamos no nosso "Anónimo". Mas como dissemos na resposta, o mais certo é que essas benfeitorias de que ele fala feitas no farol tenham sido vandalizadas entretanto. A verdade é que o vídeo é de dia 12. Será mesmo que o SAPO pegou num filme velho? Resta-nos que o Zeca Soares ou o Emmanuel nos tirem as dúvidas.
Braça para o "Anónimo" que mostra interesse pelas coisas da nossa ilha e braça antecipado para quem resolver o mistério.
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
[2426] A coisa passou-se nos derradeiros tempos do Cabo Verde colonial e saiu em "O Arquipélago" de 17.01.1974
Atente-se no último parágrafo. Terá havido melhorias, nestes 40 anos? Obviamente, queremos dizer "melhorias substanciais". Os nossos comentadores que se pronunciem. São Vicente agradecerá.
[2424] Porto de Calheta moderniza-se mas quer preservar as memórias locais
Press Release enviado para Pd'B
Excelente ideia e brilhante filosofia que pretende recuperar as memórias da nação e uma história que não se pode deitar para o lixo (e que ainda por cima pode render dividendos a Cabo Verde). Damos fortes parabéns aos autarcas locais e desejamos as maiores felicidades para o projecto (veja-se o nosso sublinhado a azul no texto que nos foi remetido).
Com a cerimónia de lançamento da primeira pedra, as obras de requalificação do Porto de Calheta arrancam este sábado, 17 de Agosto, pelas 11h00. As obras estavam para arrancar mais cedo, mas a campanha eleitoral determinou este atraso. De todo o todo, antes do final do ano, provavelmente em Dezembro, irá proceder-se à inauguração da primeira fase.
No passado, principal centro de pesca e de comércio de São Miguel, o Porto de Calheta avança para a primeira fase de requalificação com a reposição de areia na área balnear, instalação de uma praça digital, construção de espaços verdes e de restauração, bem como a montagem de módulos para pequenos negócios e a edificação da Casa do Pescador.
O novo Porto de Calheta vai contar, ainda, com um acesso pedonal, um arrastador para pequenas embarcações, um parque infantil e um espaço para realização de pequenos espectáculos e festivais. O objectivo central deste projecto, que conta com um apoio do governo no valor de 40 mil contos, é recuperar este ex-libris patrimonial de São Miguel, dando-lhe a dinâmica comercial de outrora, e tornar a cidade mais atractiva em termos de oferta turística.
Numa segunda fase, assistir-se-á à requalificação de todo o núcleo urbano, com edifícios de estilo colonial em avançado estado de degradação.
“O nosso compromisso será o de dotar a Calheta de infraestruturas modernas por forma a criar uma dinâmica de negócio, atrair mais turistas e investimentos para dinamizar a economia local e, desta forma, melhorar a qualidade de vida dos micaelenses”, sustenta o Presidente Herménio (Meno) Fernandes.
Gabinete de Comunicação e Imagem
Câmara Municipal de São Miguel
Veneza | Cidade de Calheta
São Miguel | Santiago | Cabo Verde
terça-feira, 13 de setembro de 2016
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
domingo, 11 de setembro de 2016
sábado, 10 de setembro de 2016
[2412] Texto de Emanuel d'Oliveira,"Monaya" (que esperamos continuar a ter aqui, como colaborador e sobretudo como comentador)
Barcos atacados no Porto Grande de São Vicente levam o Brasil à guerra
Apesar do clima de guerra à escala planetária, S Vicente deve ter amanhecido calmo no dia 2 de Novembro de 1917. Calma abalada por dois estrondos por volta das sete horas da manhã. Era uma sexta-feira, a baía do Porto Grande, embora sofresse forte concorrência de Dakar, Canárias e também de Marrocos no negócio de carvão, aconchegava vários vapores de diferentes nacionalidades. O mundo estava em guerra, era a Primeira Grande Guerra, tendo Portugal tomado parte, lutando em França, defendendo o vasto e cobiçado território ultramarino, particularmente Moçambique que estava sob ameaça de iminente ocupação germânica.
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| Emanuel d'Oliveira (in blogue Barros Brito) |
Nos anos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) os portos carvoeiros das Canárias e no Senegal competiam com a baía de Mindelo, mas juntos continuavam a abastecer com carvão, na nossa região geográfica, um bom número de navios que ainda utilizavam a hulha negra como combustível. Além de depósito de carvão mineral de referência no Atlântico-sul, o Porto Grande servia também de ponto de amarração de nove cabos submarinos, importante base de comunicação telegráfica intercontinental.
Os ingleses, proprietários das firmas dos cabos submarinos e do negócio do carvão, tinham motivos de sobra para proteger a baía e, assim foi durante os primeiros meses da guerra. Mais tarde, deixaram a defesa de Mindelo a cargo da marinha portuguesa para irem combater os alemães de Paul Emil Von Lettow-Vorbeck no sudeste da África.
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| O Acary, encalhado em São Vicente de Cabo Verde |
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| Kophamel Waldemar, comandante do U-151 |
Os barcos transportavam peles e café para o porto do Havre, proveniente o Guahyba de Montevideo e Acary do Rio de Janeiro. O primeiro aprontava-se para sair naquela mesma tarde, a tripulação achava-se na rotineira preparação das máquinas e demais apetrechos antes de cada largada. Em 1917 os habitantes de São Vicente passavam por uma grande penúria alimentar. A crise havia-se instalado na sequência dos frequentes despedimentos de trabalhadores da estiva do carvão. A Câmara Municipal, nesse ano, ao resolver dar uma refeição à faminta população, provocou o aumento da procura de Mindelo pelos habitantes das ilhas vizinhas que também sofriam com a seca, desemprego e fome. A situação agravou-se ainda mais. Uma dupla “móia” pode ter sido providencial.
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| O submarino U-151 |
Um deles, encalhado na parte Sul da Baía, diz-se ser o Guahyba, popularmente referido como Guiba, Dele se via a proa até há bem pouco tempo. O torpedo que o atingiu passou à frente do Acary, ancorado a cerca de 300 metros. Temos a localização certa dos destroços de um dos barcos. Resta identificar de qual deles se trata e localizar o outro. Os vestígios ainda existentes devem ser bem poucos visto que nunca mais se falou do Acary (ex-Ebernburg) ironicamente apreendido aos alemães poucos meses antes. Por outro lado, o que restava do Guahyba foi desmantelado por dificultar manobras de barcos nas imediações, tendo até provocado alguns incidentes.
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| Jovens mindelenses no que talvez tenha sido a proa do Guahyba |
O próximo ano será o do centenário do afundamento dos navios brasileiros, irremediavelmente torpedeados por um submarino alemão em território português e também cabo-verdiano com fortes interesses britânicos. Cabo Verde e São Vicente em particular, assim como as demais nações envolvidas, têm muito para dizer sobre o dia 2 de Novembro de 1917 e, com isso, mais uma oportunidade de realçar a nossa contribuição para a história de outros países e do mundo, mas também na promoção da paz mundial.
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
[2408] O "Shell Matiota" em quadro recente
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
[2407] Djosa de nha Bia colabora na campanha de angariação de comentadores...
...campanha essa que ainda não deu nem um fruto mas que com Djosa irá decerto trazer até nós uma multidão de gente das ilhas, a ponto de estas ficarem tão desertas como se encontravam em 1462.
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quarta-feira, 7 de setembro de 2016
terça-feira, 6 de setembro de 2016
[2404] Comente os nossos posts...
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segunda-feira, 5 de setembro de 2016
domingo, 4 de setembro de 2016
[2402] Será possível? Será mesmo possível? Terei pesquisado mal? Terei? Se assim foi, desenganem-me que ficarei contente
Caí no site da Biblioteca Nacional de Cabo Verde e procurei Chiquinho Baltasar Lopes. E tive a amarga surpresa de a "Bíblia" das ilhas ter APENAS dois exemplares disponíveis. Isto será mesmo verdade ou haverá engano da minha parte? Por favor, descubram-no, digam-me "Enganaste-te!" e eu darei saltos de contentamento. E já agora emendem aquele "Préf.", aquele "Africa", mais aquele "Existe dois exemplares", mais os "edicao", mais o "Atica" e o "outra" que é "outro", porque se refere a "exemplares". Fora isso, repito: digam que me enganei e que na Biblioteca Nacional de Cabo Verde há pelo menos uma dúzia de "Chiquinhos".
[2401] 11.º "Chiquinho" chegou ao Pd'B
Nesta semana de longo trabalho, chegou-me por mensagem de telemóvel a certeza de que era possível contar com a ambicionada 4.ª edição de "Chiquinho", a qual apenas conhecia por indicação bibliográfica mas não por capa. E no dia seguinte, pelo correio, surgiu o book, ele próprio. Antes, procurara insistentemente a imagem da capa da edição na Internet, mas nada. Por isso, ela aqui fica, para que o mundo a conheça, bem marcada (para evitar oportunistas cópias...). Estavamos em 1974 e a capa é de Dorindo de Carvalho.
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