Um dos irmãos italianos era o Pietrino Mastrodomenico di Giuseppe (suponho que vem daí a marca de atum "José"). Os Mastrodomenico eram gente de Castelnuovo di Conza, província de Salerno e para além do atum cujo anúncio o Pd'B aqui mostra, faziam import-export de Itália para África... a preços módicos. E tinham (obviamente) depósito de mercadorias e venda por atacado. Homem de generosidade, ofereceria $500 para um peditório destinado aos pobres da cidade, organizado pelo jornal «Futuro de Cabo Verde», no terceiro aniversário da implantação da República.
Acabou por figurar num conto meu, já publicado, "A trágica biografia de Fernando Desamparado da Luz Spinelli". Eis um excerto:
"O pai de
Fernando, Vittorio Spinelli, chegara à cidade de Praia em 1913, com dezoito
anos, para trabalhar no estabelecimento de Pietrino Mastrodomenico di Giuseppe,
comerciante italiano natural de Castelnuovo di Conza, província de Salerno.
Pietrino, que fazia importação e exportação de mercadorias entre o país natal e
África, precisava de mais um ajudante para o seu depósito de venda por atacado.
Por coincidência, na altura, o cura de Castelnuovo, sabendo que ele estava bem
estabelecido nesse então longínquo Cabo Verde, escreveu-lhe pedindo-lhe para
receber aquele «rapaz inteligente e trabalhador» que, desempregado, se propunha
encontrar ocupação com futuro, nem que fosse no fim do mundo. Pietrino, de
imediato respondeu positivamente ao abade. No mês seguinte, Vittorio desembarcava
na Praia, para afinal pouco ali se demorar. Com efeito, mal integrado, apesar
do bom tratamento que o patrão lhe dava, ao fim de um ano metia-se num
palhabote a caminho de São Vicente, desejoso de conhecer esse Mindelo, quase
europeu e mais cosmopolita que a capital do arquipélago, ao qual os colegas
caixeiros teciam tantos elogios."