domingo, 3 de abril de 2011

[0056] A viagem do ministro do Ultramar, Adriano Moreira, a Cabo Verde em Agosto e Setembro de 1962. Uma reportagem completa do "Diário Popular".

Entre 13 de Agosto e  6 de Setembro de 1962, o então ministro do Ultramar, Adriano Moreira, fez uma longa visita ao arquipélago de Cabo Verde. Não comentamos as notícias que retirámos do vespertino "Diário Popular", excepto no caso da de 29 de Agosto em que o ministro se dirige com humildade à residência do poeta José Lopes, no Mindelo, (doente, este morreria dias após) para lhe entregar as insígnias da Ordem do Infante com que fora agraciado por Américo Tomás, Presidente da República. A foto que do acto reproduzimos é do "Diário de Lisboa" de 4.Setembro.1962.

Professor e intelectual de enorme prestígio, grande português e inegável amigo de África, Adriano Moreira, embora ministro do antigo regime, merece um lugar de destaque na nossa memória comum de portugueses e cabo-verdianos, pela sua seriedade e dedicação às coisas de África que abraçou com honesto sentido de dever, dentro das difíceis contingências da época.

Aqui vão, pois as notícias do "Diário Popular", transcritas na quase totalidade (duas das fotos são do "Diário de Lisboa"). As alusivas a S. Vicente e Santo Antão são destacadas a cor diferente (a visita a S. Vicente foi interrompida para um salto à ilha irmã, onde inaugurou o cais de Porto Novo, com regresso para mais uns dias ao Mindelo).

Adriano Moreira, em foto da época
13.AGOSTO.1962
Pág.1 – EM VISITA OFICIAL SEGUIU PARA CABO VERDE O MINISTRO DO ULTRAMAR

16.AGOSTO.1962
Pág. 8 – O MINISTRO DO ULTRAMAR EM CABO VERDE – Cidade da Praia, 16 – O ministro do Ultramar, prof. Adriano Moreira, que ontem chegou a esta cidade e se demorará vinte e três dias no arquipélago de Cabo Verde, partiu hoje para o concelho de Santa Catarina, onde visitou obras em curso e parou nas diversas freguesias do percurso. No regresso almoçou no Posto de Fomento Agro-Pecuário de S. Jorge dos Órgãos, que é uma das mais aprazíveis estâncias turísticas desta ilha. À noite, haverá jantar de gala, no Palácio do Governo, seguido de recepção.

Amanhã, o ministro dirige-se ao concelho do Tarrafal, dedicando parte do dia 18 a visitas a serviços oficiais da cidade da Praia. Ainda nesse dia, o prof. Adriano Moreira irá a bordo do navio-patrulha  «Vouga» para a ilha do Fogo, onde permanecerá durante dois dias, seguindo depois para a Brava, onde ficará também dois dias.

No dia 23, o ministro irá à ilha do Maio, e no dia 24 será homenageado nesta cidade com uma recepção.

Nos restantes dias da sua permanência em Cabo Verde, o titular da pasta do Ultramar visitará as ilhas da Boa-vista, do Sal, de S. Nicolau e de Santo Antão, inaugurando nesta última o novo cais acostável do Porto Novo.

17.AGOSTO.1962
Pág. 8 – VALE MAIS SER POBRE DO QUE SER ESCRAVO – Cidade da Praia, 17 – O ministro do Ultramar seguiu esta manhã, de avião, para a vila do Tarrafal, onde recebeu uma calorosa saudação por parte da população, reunida na sede do Município, para assistir à sessão solene realizada em honra do sr. prof. Adriano Moreira. Depois, o ministro visitou serviços públicos e organismos diversos, assim como obras em curso naquela vila, e tomou parte num almoço oferecido em sua honra. Cerca das 14 horas, regressou a esta cidade, de automóvel.

O prof. Adriano Moreira iniciou ontem o cumprimento do programa da sua visita oficial ao arquipélago indo ao concelho de Santa Catarina que é o segundo de Cabo Verde em população, pois tem cerca de vinte e cinco mil habitantes. Nos Paços do Concelho daquela localidade, foi saudado pelo presidente da edilidade, Nobre de Oliveira, e proferiu, em resposta, um discurso que foi calorosamente aplaudido.

«Possuímos – disse, então, o ministro – virtudes que se foram perdendo no Mundo e isso parece constituir motivo de escândalo. Povo modesto, temos tido a coragem de, além do mais, não considerarmos justo que se ataquem sem castigo os países indefesos e de discordar que se disponha da liberdade dos povos, sem cuidarem de saber se ferem ou não a História, mas pensando apenas nos respectivos e imediatos interesses. Mais vale ser pobre do que ser escravo: nós somos pobres, mas livres». – (ANI).

18.AGOSTO.1962
Pág. 16 – O MINISTRO DO ULTRAMAR VISITOU OBRAS EM CURSO NA CIDADE DA PRAIA – Cidade da Praia, 18 – Depois de ter visitado o concelho do Tarrafal, encontra-se de novo na cidade da Praia o sr. ministro do Ultramar, prof. Adriano Moreira, que hoje se desloca a diversos organismos oficiais e observará as principais obras em curso.

Aquele membro do Governo, que às 16 horas dará audiências no Palácio do Governo, parte à noite para a ilha do Fogo, que tem uma superfície de 476 quilómetros quadrados e cerca de 26 mil habitantes.

O prof. Adriano Moreira demorar-se-á dois dias naquela ilha, visitando os respectivos concelhos e tomando contacto com os seus problemas mais importantes. – (ANI).

19.AGOSTO.1962
Pág. 8 – DIPLOMAS LEGISLATIVOS DE IMPORTÂNCIA PARA CABO VERDE – Cidade da Praia, 19 – O ministro do Ultramar foi ontem alvo de grande manifestação popular, ao visitar inesperadamente o Clube Recreativo, onde se efectuava uma festa.

Depois, deslocou-se a várias obras, deu audiências e trabalhou na preparação de diplomas legislativos de importância para a vida da província. O ministro partiu, à noite, para a ilha do Fogo, a bordo do contratorpedeiro «Vouga».

20.AGOSTO.1962
Pág. 7 – A VISITA DO MINISTRO DO ULTRAMAR A CABO VERDE

21.AGOSTO.1962
Pág. 6 – O MINISTÉRIO DO ULTRAMAR CONCORREU COM DEZ MIL CONTOS PARA A CAIXA DE CRÉDITO AGRO-PECUÁRIO DE CABO VERDE – Cidade da Praia, 21 – Como já foi anunciado, o ministro do Ultramar, prof. Adriano Moreira, vai publicar no Boletim Oficial desta província o diploma legislativo relativo à criação de uma Caixa de Crédito Agro-Pecuária para a qual o ministério do Ultramar concorre com dez mil contos.

O diploma legislativo é constituído por trinta artigos que instituem a Caixa com autonomia administrativa e financeira, e personalidade jurídica. A sede da Caixa é na cidade da Praia, podendo ter delegações em outras sedes de concelho e, enquanto não o tiver, será representada pelos secretários de Fazenda. A Caixa realizará operações de crédito a médio e a longo prazo e, excepcionalmente, a curto prazo.

Os fundos da Caixa são constituídos por dez mil contos, agora concedidos, mais as verbas que venham a ser inscritas no orçamento da Província, assim como quaisquer aquisições a título gratuito. A Caixa pode emitir obrigações e aceitar depósitos, utilizar empréstimos dos bancos emissor da Província e do Fomento; realizar quaisquer outras operações de crédito. A Caixa é administrado por concelho constituído por um presidente e seis vogais, sendo o presidente designado pelo governador e um dos vogais representando as actividades económicas. A Caixa poderá emitir obrigações amortizáveis no prazo máximo de vinte anos. Os créditos serão sempre concedidos por forma a dar preferência aos pequenos agricultores ou criadores de gado. O governador regulamentará dentro de dias o funcionamento da Caixa. (L.)

O ministro do Ultramar visitou a ilha Brava


S. Filipe (ilha do Fogo), 21 – O ministro do Ultramar visitou hoje a mais pequena ilha do arquipélago de Cabo Verde : a Brava, que tem apenas sessenta e quatro quilómetros quadrados de superfície e cerca de oito mil e setecentos habitantes.

Cerca da meia-noite seguirá para a ilha do Maio. – (ANI).

23.AGOSTO.1962
Pág. 16 – A ILHA DO MAIO NO ARQUIPÉLAGO DE CABO VERDE É HOJE VISITADA PELO MINISTRO DO ULTRAMAR – Ilha do Maio, 23 – Prosseguindo na sua vista de trabalho ao arquipélago de Cabo Verde, o ministro do Ultramar é hoje aguardado na vila do Maio, após nove horas de viagem a bordo do contratorpedeiro «Vouga», desde a ilha Brava, que ontem percorreu.

Toda a população da Maio terá oportunidade de saudar o prof. Adriano Moreira, já que a ilha, embora não seja a mais pequena do arquipélago (tem a superfície de 269 quilómetros quadrados) é a que tem menos habitantes: cerca de 2700.

Após o desembarque, o titular da pasta do Ultramar, que vem acompanhado pelo governador de Cabo Verde, tenente-coronel Silvério Marques, e por técnicos de vários departamentos do Estado, que com ele vieram de Lisboa ou se lhe juntaram na capital do arquipélago, será recebido nos Paços do Concelho e, em seguida, cumprimentado pelas principais individualidades locais. O programa inclui várias visitas ainda antes do almoço, após o qual o ministro procederá a outras visitas e concederá audiências. Finalmente, a meio da tarde, o prof. Adriano Moreira embarca no contratorpedeiro «Vouga», dirigindo-se para a capital do arquipélago, a cidade da Praia, de onde saiu no sábado. – (ANI).

24.AGOSTO.1962
Pág. 7 – A VISITA DO MINISTRO DO ULTRAMAR A CABO VERDE – Cidade da Praia, 24 – O sr. ministro do Ultramar, prof. Adriano Moreira, assistiu hoje, na capital do arquipélago, a uma cerimónia de juramento de bandeira, no Estádio Municipal, e estará presente a uma recepção oferecida pelas autoridades económicas.

Da cidade da Praia, o ministro seguirá para as ilhas de Boavista, Sal, S. Nicolau, S. Vicente e Santo Antão, que percorrerá até ao dia 5 de Setembro, data em que regressa a Lisboa. – (ANI).

Um discurso do prof. Adriano Moreira

Ao visitar a ilha do Maio, antes de embarcar para a capital do arquipélago, o sr. ministro do Ultramar presidiu a uma sessão solene, no decorrer da qual, em resposta a uma saudação do administrador Celso Rodrigues, teve ocasião de pronunciar um discurso vibrante.

Disse aquele membro do Governo:
«É-nos necessário que todos saibam que a cada um está entregue uma tarefa fundamental: que todos saibam que nenhum pode ser desprezado de dar essa contribuição, e que todos saibam que, sendo modestos, nenhum tem o direito de ser humilde, porque todos devem estar a participar numa tarefa que é das mais transcendentes da História portuguesa. É-nos tão necessário ter chefes, homens de pensamento, sábios, como nos é necessário ter um povo modesto, mas não humilde, que mantenha intacta a força das almas e dos corações que estiveram na base da própria nacionalidade».

25.AGOSTO.1962
Pág. 16 – A VIAGEM DO MINISTRO DO ULTRAMAR A CABO VERDE – Cidade da Praia, 25 – O ministro do Ultramar, prof. Adriano Moreira, parte hoje, de avião, para a ilha da Boavista. A viagem demora uma hora.

Após o desembarque no aeródromo de Rabil, o prof. Adriano Moreira, que é acompanhado pelo governador de Cabo Verde, tenente-coronel Silvério Marques, efectuará várias visitas na povoação e depois estará presente numa sessão solene, que em sua honra se efectuará em Sal-Rei. Visitas nesta última vila precederão o almoço, após o qual regressa ao aeródromo de Rabil, para partir para a ilha do Sal, onde visitará instalações militares. Ainda na ilha do Sal, o ministro assistirá, à noite, a um serão de música regional e à disputa de uma taça que tem o seu nome, entre equipas militares e civis de voleibol. – (ANI).

26.AGOSTO.1962
Pág. 11 – O MINISTRO DO ULTRAMAR VISITOU ALGUMAS POVOAÇÕES DA ILHA DO SAL – Ilha do Sal, 26 – O ministro do Ultramar, prof. Dr. Adriano Moreira, que ontem chegou a esta ilha, acompanhado pelo governador da Província, tenente-coronel Silvério Marques e pela sua comitiva, partiu esta manhã para santa Maria, onde foi recebido, com uma sessão solene nos Paços do Concelho. Depois de uma visita a diversos organismos públicos e a obras em curso, o ministro deslocou-se às instalações salineiras da Pedra de Lume, onde teve ensejo de apreciar alguns problemas relacionados com a actividade local. Mais tarde, no aeroporto, foi-lhe oferecido um almoço.

O ministro, após o ágape, visitou a povoação de Palmeira e as instalações de uma companhia petrolífera. O prof. Adriano Moreira deve conceder, ao fim da tarde, algumas audiências. À noite, o titular da pasta do Ultramar é homenageado com um banquete, oferecido pela comissão municipal.

27.AGOSTO.1962

Pág. 1 e 16 – A ILHA DE S. NICOLAU FOI HOJE VISITADA PELO MINISTRO DO ULTRAMAR – S. Nicolau, 27 – O ministro do Ultramar, prof. Adriano Moreira, visitou hoje esta ilha, a antepenúltima que percorre, na sua digressão pelo arquipélago cabo-verdiano.

Após o desembarque, no aeroporto de S. Nicolau, o prof. Adriano Moreira, que da ilha do Sal era acompanhado pelo governador de cabo Verde, tenente-coronel Silvério Marques e por vários componentes da sua comitiva oficial, seguiu de automóvel para a Ribeira Brava, em cujos Paços do Concelho foi saudado durante uma se são solene.

Seguidamente, o ministro realizou várias visitas na vila, indo ainda ao Caleijão e os Posto Zootécnico, onde concedeu várias audiências.

Na parte da tarde, o ministro do Ultramar visitou, no interior da ilha de S. Nicolau, as povoações de Carvoeiro, Fajãs e Cachaço, jantando na povoação do Tarrafal, onde, às 22 horas (locais) embarcará no contratorpedeiro «Vouga», que dez horas depois chegará a S. Vicente. – (ANI).

Na pág. 5, outra notícia alusiva a Cabo Verde – REUNIÃO DE DIRIGENTES DA J.C. E DA J.C.F. DE ANGOLA, MOÇAMBIQUE E CABO VERDE – Enquadrados no «Grande Encontro de Juventude» que as Organizações Juvenis de Acção Católica projectam realizar no próximo ano, participaram em Luanda, os trabalhos da I Assembleia Interprovincial dos dirigentes da J.C. e da J.C.F. de Angola, Moçambique e Cabo Verde.

Participaram nesta assembleia dirigentes da Metrópole que se deslocaram propositadamente de Lisboa, bem como os ver. Assistentes dr. Narciso Rodrigues e Sebastião Lereno Dias.
Até amanhã serão debatidas as formas de aplicação dos métodos de apostolado em ordem ao momento actual, incidindo este estudo especialmente sobre a situação da juventude portuguesa e a transmissão da mensagem cristã.

A Assembleia de Dirigentes da Metrópole, onde estarão igualmente presentes dirigentes de Luanda, Nampula, Sá da Bandeira e Cabo Verde, iniciar-se-á em Fátima no dia 1 de Setembro, encerrando-se no dia 4 sob a presidência do Cardeal Patriarca.

28.AGOSTO.1962
Pág. 7 – A VISITA DO MINISTRO DO ULTRAMAR A CABO VERDE – S. Vicente (Cabo Verde), 28 – O ministro do Ultramar, prof. Adriano Moreira, é hoje aguardado nesta ilha, onde ficará dois dias, antes de seguir para Santo Antão, de onde novamente virá a S. Vicente, para outra permanência de mais dois dias.

Após o desembarque, o prof. Adriano Moreira desloca-se aos Paços do Concelho, para presidir a uma sessão solene e, mais tarde, visita o cais acostável, a sede da brigada de fiscalização e várias instalações industriais.

Por último, aquele membro do Governo assiste a uma recepção em sua honra, oferecida pelo Grémio Recreativo do Mindelo, e que será seguida por um espectáculo folclórico. – (ANI).

29.AGOSTO.1962
Pág. 8 – PROSSEGUE A VISITA DO MINISTRO DO ULTRAMAR A S. VICENTE DE CABO VERDE – S. Vicente, Cabo Verde, 29 – O ministro do Ultramar iniciou o programa do segundo dia da sua estada em S. Vicente visitando a povoação de Salamanca [sic - seria Salamansa] e a Baía das Gatas, acompanhado pelo governador de cabo Verde, tenente-coronel Silvério Marques, e por alguns componentes da sua comitiva. De tarde, realizará novas visitas: às instalações da Shell portuguesa, da Millers e dos estaleiros Navais e outros serviços do Estado. Por último, em S. Vicente, será homenageado com uma recepção que em sua honra oferece a Câmara Municipal.

A população da ilha – cerca de vinte e dois mil habitantes – teve conhecimento com agrado do anúncio, ontem feito pelo titular da pasta do Ultramar, de que vai ser criado em Cabo Verde o Instituto de Assistência Social. No discurso que proferiu, ao ser recebido nos Paços do Concelho, o ministro aludiu ainda a vários problemas das ilhas cabo-verdianas, designadamente a estrutura agrária e o aumento demográfico, declarando que antes de regressar a Lisboa terá oportunidade de se pronunciar publicamente sobre esses problemas e as suas possíveis soluções. – (ANI).

O poeta cabo-verdiano José Lopes recebeu as insígnias da Ordem do Infante

S. Vicente, 29 – O sr. ministro do Ultramar esteve hoje na residência do poeta José Lopes, a quem entregou a insígnia da Ordem do Infante com que foi agraciado pelo Chefe do Estado. – (L.).

Com José Lopes - Foto "Diário de Lisboa", 4.Setembro.1962 (clique na imagem)
O ministro foi autorizado a utilizar a sua competência legislativa

Um despacho da Presidência do Conselho, publicado no «Diário do Governo», torna público ter o Conselho de Ministros deliberado autorizar o titular da pasta do Ultramar a usar da sua competência legislativa durante a viagem às províncias de Cabo Verde e da Guiné.

30.AGOSTO.1962

Pág. 9 – CHEGOU À ILHA DE SANTO ANTÃO O MINISTRO DO ULTRAMAR – Vila Maria Pia (Santo Antão), 30 – O ministro do Ultramar, prof. Adriano Moreira, chegou a Santo Antão cerca das 8 horas locais, acompanhado pelo governador de Cabo Verde, tenente-coronel Silvério Marques, a bordo do contratorpedeiro «Vouga».

A ilha de Santo Antão, onde o titular da pasta do Ultramar estará três dias, regressando depois a S. Vicente, é a última do arquipélago de Cabo Verde que o prof. Adriano Moreira visita. Trata-se da segunda ilha do arquipélago quanto à superfície e à população, pois tem a área de 779 quilómetros quadrados e cerca de trinta e cinco mil habitantes.

O ministro do Ultramar desembarcou no porto da Vila Maria Pia, sede do concelho de Ribeira Grande, em cujo Município foi recebido oficialmente. Depois de várias visitas na localidade, assistiu a um almoço que lhe ofereceram os representantes das actividades económicas em Santa Bárbara, visitando seguidamente explorações agrícolas e obras de hidráulica que estão a ser levadas a cabo em várias ribeiras.
O programa oficial prevê, ainda, um jantar oferecido pela Câmara Municipal desta vila. – (ANI).

31.AGOSTO.1962

Pág. 8 – VISITOU O CONCELHO DE PAUL O MINISTRO DO ULTRAMAR – Vila Maria Pia (Santo Antão), 31 – O ministro do Ultramar, prof. Adriano Moreira, partiu hoje de manhã desta vila para o concelho de Paul, acompanhado pelo governador de Cabo Verde, tenente-coronel Silvério Marques, e por alguns componentes da sua comitiva.

Em Vila das Pombas, sede daquele município, o prof. Adriano Moreira foi recebido nos Paços do Concelho, onde se efectuou uma sessão solene. Depois de várias visitas naquela localidade, dirigiu-se para uma propriedade chamada «Passagem», onde almoçou. De volta à Vila das Pombas, o ministro concederá ali diversas audiências, regressando ao fim da tarde a Vila Maria Pia. – (ANI).


1.SETEMBRO.1962
Pág. 14 – A REGIÃO DE PORTO NOVO EM CABO VERDE FOI VISITADA PELO MINISTRO DO ULTRAMAR – Cabo Verde, Ponta do Sol, 1 – O ministro do Ultramar, acompanhado pelo governador de Cabo Verde, tenente-coronel Silvério Marques, e da comitiva, saiu de Vila Maria Pia, cerca das 8 horas, em visita à região de Porto Novo.

Apesar da hora matutina, muita gente estava no local de partida para saudar o prof. Dr. Adriano Moreira, que foi alvo de grandiosa manifestação de carinho por parte dos habitantes de Vila Maria Pia.

Durante o percurso imensa gente comprimia-se nos locais de passagem da caravana ministerial, para saudar aquele membro do Governo.

Parte do trajecto entre Vila Maria Pia e Porto Novo teve de ser efectuado a cavalo, em virtude de não estar ainda concluída a obra de construção da estrada que se desenrola através de altas montanhas e entre gigantescos precipícios, que liga aquelas duas localidades.

Durante a visita, o ministro do Ultramar foi-se inteirando do estado da obra e conversou com os trabalhadores encarregados da construção da magnífica via que passará a ligar dois pontos de grande interesse da ilha de santo Antão. – (L.).

2.SETEMBRO.1962
Pág. 11 – O MINISTRO DO ULTRAMAR INAUGUROU O CAIS ACOSTÁVEL DE PORTO NOVO – Mindelo (Cabo Verde), 2 – O ministro do Ultramar, prof. Adriano Moreira, partiu esta manhã para a ilha de santo Antão, no prosseguimento da sua viagem ao arquipélago de Cabo Verde. Inaugurou ali o cais acostável de Porto Novo e almoçou com a sua comitiva e entidades oficiais a bordo dos navios atracados ao cais. Cerca das 16 horas regressa a S. Vicente, onde às 22 horas, o Rádio Clube do Mindelo lhe oferece um sarau.

Novo diploma de Adriano Moreira

No Mindelo, o ministro do Ultramar assinou novo diploma legislativo que revê a divisão dos concelhos «podendo estes, transitoriamente e sob certas condições, serem substituídos por circunscrições administrativas». – (ANI).
Foto "Diário de Lisboa", 5.Setembro.1962 (clique na imagem)

4.SETEMBRO.1962
Pág. 8 – TERMINA HOJE A VISITA DO MINISTRO DO ULTRAMAR À ILHA DE S. VICENTE - Mindelo (S. Vicente), 4 – O prof. Adriano Moreira termina hoje a visita de cinco dias que efectuou à ilha de S. Vicente, de onde partirá amanhã para a capital do arquipélago.

O ministro do Ultramar ocupou a manhã com visitas a estabelecimentos militares, comando militar, quartel da segunda companhia de Caçadores e aquartelamento da companhia de Artilharia. À tarde, concederá audiências no Palácio do Governo, onde lhe é oferecido um jantar, seguido de recepção.

A população das ilhas cabo-verdianas tomou conhecimento com satisfação dos diplomas que o titular da pasta do Ultramar ontem promulgou, criando o ensino profissional agrícola, que compreende cursos elementares de aprendizagem, cursos de formação e cursos de aperfeiçoamento, e ainda unificando o comando da PSP e da Guarda Fiscal. – (ANI).

5.SETEMBRO.1962
Pág. 1 – TERMINA HOJE A VISITA OFICIAL DO MINISTRO DO ULTRAMAR A CABO VERDE – Mindelo (S. Vicente), 5 – O ministro do Ultramar, prof. Adriano Moreira, deixou hoje esta cidade dirigindo-se ao aeroporto de S. Pedro, onde embarcou às 8 horas (locais) para a cidade da Praia.

O titular da pasta do Ultramar, que é acompanhado pelo governador de Cabo Verde, tenente-coronel Silvério Marques, e por outras entidades da sua comitiva oficial, teve oportunidade de apreciar o vulcão da ilha do Fogo, que ainda há poucos anos esteve em erupção e que foi sobrevoado pelo aparelho em que viajava o ministro.

Da cidade da Praia, o prof. Adriano Moreira seguirá para a cidade da Ribeira Grande, a chamada cidade velha, que foi a primeira capital do arquipélago de Cabo Verde, presidindo ali a várias cerimónias que se desenrolarão na multissecular fortaleza real de S. Filipe.

Mais tarde o ministro assiste, na capital, a uma sessão do Conselho do Governo e inaugura uma exposição sobre obras públicas levadas a cabo no arquipélago. Por fim, janta no Palácio do Governo, terminando desta forma a visita oficial às ilhas de Cabo Verde que iniciou no dia 15 de Agosto.

Antes de deixar esta cidade, o prof. Adriano Moreira entregou, em nome do Chefe do Estado, condecorações a várias personalidades: a comenda da Ordem do Infante D. Henrique ao dr. Baltasar Lopes da Silva, e a Ordem da Instrução Pública aos professores primários D. Inácia Bettencourt, Alexandre Silva Tavares e Hugo Reis Borges, dirigindo nessa altura palavras de felicitações aos agraciados. – (ANI).

A chegada a Lisboa
O sr. prof. Adriano Moreira chega amanhã, dia 6, da parte da tarde, ao aeroporto da Portela de Sacavém.

6.SETEMBRO.1962
Pág. 1 – REGRESSA HOJE A LISBOA O MINISTRO DO ULTRAMAR

Adriano Moreira, foto recente da Agência Ecclesia (Igreja Católica Portuguesa)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

[0055] Praia de Bote

Foto de Mic Dax, datada de 16.Novembro.2008. Pode ser vista, como milhares de outras, no excelente site Mindelo Infos.

Praia de Bote, foto Mic Dax (clique na imagem)

[0054] Novo Bispo do Mindelo, Dom Ildo Fortes - Ao pastor do rebanho sanvicentino, o "PRAIA DE BOTE" deseja as maiores venturas

Notícia RTC
Novo Bispo de Mindelo vai ser ordenado domingo em Portugal

A posse canónica de Dom Ildo Fortes, será no Mindelo, no dia nove de Abril, numa cerimónia religiosa na pró-catedral de Nossa Senhora da Luz.

O novo Bispo da Diocese do Mindelo, o padre Ildo Fortes, vai ser ordenado às 14h00 de domingo, 3 de abril, em Portugal pelo cardeal Dom José Policarpo. Fortes vai suceder no cargo, o Bispo Dom Arlindo Furtado.

A posse canónica de Dom Ildo Fortes, será no Mindelo, no dia nove de abril, numa cerimónia religiosa na pró-catedral de Nossa Senhora da Luz, presidida pelo representante do Papa, Dom Luís Mariano Monte Maior, núncio apostólico para Cabo Verde.
D. Ildo Fortes (foto RTC)
[...] O padre Lino Paulino salientou que este é um momento de graça, e uma grande festa de fé está a ser preparada para a recepção do novo bispo envolvendo as catorze paróquias da diocese e outras entidades.

Já o padre Adriano Cabral, além de salientar que as comissões criadas para a recepção do novo bispo, estão engajadas nos preparativos para a posse, disse esperar a vinda das autoridades máximas da igreja católica em Cabo Verde, do bispo da Guiné-Bissau e do vigário geral de Bafatá.

A chegada de D. Ildo está marcada para as 17h00 do dia nove, para às 17h30 fazer uma primeira comunicação na Praça D. Luiz. A cerimónia da posse canónica terá início às 18h30 na pró-Catedral de Nossa Senhora da Luz..

A primeira eucaristia presidida pelo novo bispo da diocese do Mindelo, terá lugar no dia 10 de Abril. Além dos presidentes das Câmaras Municipais de Barlavento, a cerimónia de posse canónica será assistida pelo presidente da Assembleia Nacional, Basílio Ramos, e pelo primeiro-ministro José Maria Neves.

fonte:  REDACÇÃO, com RCV (Carlos Lima)

[0053] Adriano Miranda Lima - Poemas da Praia de Bote - "Violão Enfeitiçado" (3)

Adriano Miranda Lima
Mais um belo poema do nosso colaborador Adriano Miranda Lima, inspirado na Praia de Bote. Nele, capta com toda a subtileza de quem o viveu, esse fascinante (poderá até dizer-se com toda a propriedade "mágico") local da ilha de São Vicente, repleto de memórias divertidas e plangentes.  

Segue o inevitável agradecimento, traduzido "naquel braça de ratchá osse" ao nosso amigo mindelense, gileanista, coronel e poeta (só bons cartões de apresentação).


VIOLÃO ENFEITIÇADO

O
nde morava o ship chandler
Agora é o silêncio e o caruncho
Que saldam as contas derradeiras.
Mas quando a noite vai alta
O povo ouve música de violão
A tanger no sobrado abandonado,
Música que adormece os sentidos
E estonteia quem passa na rua.

Cava ainda mais fundo
O medo de quem a ouve
Quando o som da música
Se verte em toada fina e baixinha.

Estranha melodia que mais parece
Reflexo musicado
Duma súplica,
Dum lamento,
Dum gemido!

Será canto de saudade
De quem ao longe suspira?
Trova sentida
De quem do amor se desespera?
Ou morna de despedida
De quem na ausência se antevê?

Só um violão enfeitiçado
Ousa derramar tanta dor,
Tanto lamento…

quarta-feira, 30 de março de 2011

[0052] Novo colaborador, Valdemar Pereira, oferece apontamentos da "sua" Praia de Bote

Valdemar Pereira
"Mnine de Soncente", antigo funcionário da Western Telegraph Company, emigrante do Senegal, pai do teatro cabo-verdiano, funcionário da diplomacia portuguesa em África e na Europa, poço infindável de histórias e sobretudo grande cabo-verdiano, o nosso  bom e estimado amigo Valdemar Pereira dá-nos o prazer da sua presença no PRAIA DE BOTE. Esperemos que para continuar...

....................

A Praia de Bote sempre me fascinou com suas estórias e suas riolinhas. Passava ali devagarinho, para poder desfrutar do que contavam, imaginando os factos, no espaço e no tempo, como se fosse eu o protagonista porque assim tinha mais piada.

Na Praia de Bote havia a casa da Chica de Cucuta, pretinha, gordinha "costa na tchom dnher na mom". Se ela não era bonita, a Chica era no entanto simpática, sempre vestida de branco e, muitas vezes, com uma beata atrás da orelha. Não, dela não vou contar nenhum facto. Imaginem! Pronto!

Dali, dessa praia, partiam os intrépidos pescadores que tanto admiramos.
Cheguei a ver uns que, antes, iam ao botequim do Bans "matar o jejum" com um bom copo de groque para depois entrar no barquinho de vela latina, verdadeira casquinha de noz, para a pesca em solitário no Canal.
Também assisti à chegada deles, por volta das seis da manhã, com um atum. Não sei se era o suficiente para o dia ou se só vinha uma unidade porque não havia frigorífico para conservar mais. Dava-me a impressão que iam buscar o pescado numa armadilha. Eles vangloriavam-se de conhecer a "linha do peixe".

Outras figuras desse lugar eram os que o faziam contrabando. Vinham de onde vinham, arrastavam o bote com a mercadoria dentro e esperavam o momento para passar. Era como que um desafio às autoridades marítimas que, estou certo, muitas vezes fechavam os olhos. Contam que um deles, muito conhecido pelas suas saídas (e também entradas !!!) repetia vezes sem conta o Grande Foco do Racionalismo Cristão e, no fim, dizia "Deus é Bom Pai". Mas tremendo de medo e querendo aliar todas as forças ocultas, arrematava de seguida "diabo também não é mau".

Penso que cada dia que passa o fascínio da Praia de Bote é um bocadinho maior em nós.

Praia de Bote, foto Joaquim Saial (clique na imagem)

domingo, 27 de março de 2011

[0051] Mindelense, campeão regional de S. Vicente (texto in "A Semana")

Mindelense é campeão regional de São Vicente, ao vencer Amarante por 3 a 1 e dedica título ao falecido treinador Tchida.

A equipa do Mindelense festejou este sábado o título de campeão regional de futebol da ilha de São Vicente, ao vencer o Amarante por três bolas a uma, em jogo da 12.ª jornada realizado no Estádio Adérito Sena. A equipa da Rua de Praia dedicou o título ao seu treinador extinto, Tchida.

O destaque da partida foi o avançado Fufura, que apontou os três golos que dois anos depois voltaram a dar o título ao Mindelense. Nené marcou para o Amarante. Agora o objectivo dos homens da Rua de Praia treinados por Almara passa por fazer boa figura no campeonato nacional, que arranca no mês de Maio.

Nesta jornada, a antepenúltima do Campeonato Regional de São Vicente, estão ainda por realizar os seguintes jogos, apenas para cumprir calendário: Ponta de Pom x Falcões do Norte, Salamansa x Batuque e Derby x Académica.

Ao clube vizinho e amado, o "Bote" dá um latido de alegria e o dono um "braça" do tamanho da Capitania... ou da Rua de Praia.

sexta-feira, 25 de março de 2011

[0050] Filinto Joia Martins, uma personagem do Mindelo

Filinto Joia Martins, foto da colecção Jorge "Djô" Martins

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O envelope que aqui vemos já foi por mim publicado noutro local, embora de menores possibilidades estéticas e técnicas que o PRAIA DE BOTE. Mas  como merecia uma melhor sorte e acompanhamento, por isso foi ele o escolhido para ser o 50.º post deste blogue. 

Diga-se, para começar, que não conheci o senhor do remetente. Ou se o conheci, já dele não me recordo. Trata-se de Filinto Joia Martins,  ao que parece homem de vários interesses, entre os quais a fotografia. Deixemos no entanto ao nosso amigo e guru da genealogia de Cabo Verde, João Manuel Nobre de Oliveira, alguns dados sobre a biografia de Filinto Martins:

"Nasceu a 27 de Janeiro de 1925, no Mindelo, S. Vicente, e ali faleceu a 13 de Outubro de 1989 na sua ilha natal. Foi membro da Assembleia Legislativa de Cabo Verde (no tempo colonial) e representante consular da Holanda (o governo da República de Cabo Verde, aos 18 de Março de 1980, concedeu-lhe o Exequatur como cônsul honorário dos Países Baixos nas ilhas do Barlavento)."

Catálogos Bellas Hess (clique na imagem)
Foi também comerciante, sócio gerente da Sociedade Luso-Africana e presidente da Associação Comercial de Barlavento.

Aparentando ser de 1952 (a leitura da data é difícil), o envelope é dirigido  à National Bellas Hess, em Kansas City, Missouri, EUA, empresa de vendas por catálogo. Coisa pessoal? Isto é, tratar-se-ia de pedido de compra de algum produto para si próprio? Ou teria a carta como destino  concretizar encomendas de clientes da Sociedade Luso-Africana?

Seja como for, ela demonstra, mais uma vez, o  forte cosmopolitismo de S. Vicente, onde de há muito havia quase tudo, na área comercial (com privilegiada entrada através do Porto Grande), que podia satisfazer os apetites dos seus habitantes mais endinheirados.

Sede da empresa Bellas Hess, in jornal Examiner de Kansas City

segunda-feira, 21 de março de 2011

[0049] Alemão proveniente de Cabo Verde, aprisionado no mar da Madeira durante a II Guerra Mundial, suspeito de espionagem...

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Chamava-se Reinhard Georg Paul, o sujeito. Viajava ele havia dois dias, num barco português, partido de S. Vicente, quando este foi abordado por um outro, de nacionalidade francesa, o homem aprisionado e supostamente enviado para um campo de concentração.

Perguntas: como sabiam os frenchies que ele ali ia? Quem forneceu, a partir do Mindelo, a notícia? Foi obra do acaso ou alguém do consulado inglês (haveria também consulado francês?) deu com a língua nos dentes? Seria o Reinhard mesmo espião? Vindo da Libéria para S. Vicente e levado do mar da Madeira para um campo de concentração, que segredos esconderia?

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Está ainda por fazer a história da espionagem a que um porto como o Grande - por onde muito trânsito de passageiros se desenvolvia -, deu decerto vida durante a II Guerra Mundial. Que terá depois acontecido ao boche? Afinal, só ainda estávamos em Fevereiro de 1940. A guerra estava apenas no início. A  cidade de Paris seria ocupada em breve, a 14 de Junho...

A notícia por nós hoje desenterrada é do vespertino português "Diário de Lisboa", de 8 de Fevereiro de 1940. E aqui fica, para deleite dos nossos leitores, como muitas outras das centenas que temos e que por aqui aparecerão a seu tempo.

domingo, 20 de março de 2011

[0048] Eden-Park, a saudade que fica e alguns documentos para a posteridade

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A história de hoje é longa e curta ao mesmo tempo.

É culturalmente longa, porque o Eden-Park foi de facto um demorado segundo pai de cultura e sabedoria mas também de divertimento para muitas gerações de cabo-verdianos (incluindo aqueles que não o souberam preservar e que ficarão com esse anátema colado à pele para todo o sempre, já que a História não perdoa). A riquíssima influência do Eden-Park está muito bem contada no documento que aqui se divulga. Sabe-se lá quantas sentidas lágrimas foram vertidas pela sua autora durante a escrita do mesmo e portanto... também é curta porque tanto eu como diversos outros (entre os quais obviamente se conta a última guia dos destinos daquela casa) fizeram o que puderam para que o crime não se consumasse. Infelizmente, não conseguimos alterar as espirais do destino. Perdemos. Os sanvicentinos perderam. Todos os cabo-verdianos perderam... Ita missa est. Ponto final.

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Mas há sempre algo que fica. Eu detenho alguns sinais; outros terão outros. Divulguemo-los, para que a memória se consolide e as novas e futuras gerações possam estigmatizar os criminosos culturais que tal malvadez fizeram. Que sinais tenho eu, então?
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Comecemos por Julho de 1999. Três bilhetes. Todos de matinés de "filmes de porrada" em que em cada um não havia mais que três ou quatro espectadores (um deles, aqui o PRAIA DE BOTE). Três espectáculos, mais ou menos doze bilhetes vendidos. Digamos assim, para que a culpa não fique totalmente solteira - que não está, de facto - que das lágrimas pingadas pelo Eden-Park muitas foram de crocodilo. É que sem espectadores não há cinema que resista...

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O convite para o espectáculo do Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra foi-me oferecido pela Dr.ª Ana Cordeiro, estimada e diligente directora do Centro Cultural Português, pólo do Mindelo. Apetecido espectáculo para ela, sobretudo, dado que o pai estava entre os orfeonistas presentes. E uma outra figura, das maiores da música de Cabo Verde, o convidado Ildo Lobo, que terá pisado talvez pela última vez palcos do Mindelo. Foi delicioso vê-lo cantar com aqueles veteranos de Coimbra, salvo erro "Tchapéu di Padja". Eram os tempos da vigência de Onésimo Silveira à frente da Câmara Municipal de S. Vicente. Caso curioso, no final do espectáculo, como é tradição da "Briosa", os orfeonistas chamaram ao palco os antigos estudantes de Combra presentes na sala. Um dos que subiram foi a actual presidente, Isaura "Zau" Gomes... Acompanhou-me nessa noite, a D. Zinha Lima, grande amiga e professora competentíssima de múltiplas gerações de santantonenses e sanvicentinos.

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Passemos a 2002. Um só bilhete, que a minha passagem pela ilha foi curta, de apenas quatro dias, para lançamento de livro - coisa repetida noutros quatro de Praia. Na altura tinham ido comigo a esposa e a filha do Germano Almeida, a Íris. Os 300 paus foram aplicados num dos filmes da saga "Senhor dos Anéis" (repare-se que o preço dos bilhetes não aumentara de 1999 para 2002). Tratava-se também de uma matiné e o Eden-Park estava à cunha. Foi em 31 de Março de 2002, a minha última passagem pelo saudoso cinema do qual assim me despedi em apoteose, vendo-o cheio como nos velhos tempos. Só faltou a mancarrinha que não vi nenhuma mulher a vendê-la nem à entrada nem à saída.

Aqui ficam portanto algumas memórias com que o PRAIA DE BOTE saúda o mais famoso cinema de Cabo Verde, a família que o sustentou tantos anos e as geraçõs que do local tiraram proveito, muito bom proveito...

NOTA FINAL: O documento produzido pela Sr.ª D. Maria Luísa Marques da Silva chegou-me através do sempre amigo Valdemar Pereira que o recebeu do Djibla ao qual por sua vez foi entregue pela autora com a condição de este só o divulgar quando todo o processo Eden-Park estivesse concluído, o que só recentemente aconteceu. Ao Val agradecemos a partilha e lamentamos tanto quanto ele a desgraça: meu velho, Eden-Park já ca tem teatre...

sábado, 19 de março de 2011

[0047] Um rádio Telefunken, uma licença que custou 25$00, memórias dos sons no éter

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No dia 15.Março.1963, o Chefe dos Serviços dos Correios, Telégrafos e Telefones de Cabo Verde, organismo com sede na Praia, passava a um residente em S. Vicente a licença para exploração de um posto radioeléctrico. Contudo, conforme se diz no documento, esse posto - afinal simples receptor de rádio da marca Telefunken - "somente [podia] receber emissões públicas de rádiodifusão". Sublinhe-se o "emissões públicas" que subentendia nas entrelinhas um "nem pensar em clandestinas"...

O proprietário do aparelho comprara-o a prestações, por volta de 1956, numa loja de mobílias na Cova da Piedade, Almada (que também transaccionava aparelhos de rádio). Terá sido este o único objecto por ele adquirido durante toda a sua vida por tal processo já que tudo o resto, sem outra excepção, o foi a pronto. Grande companheiro da família, foi através dele que aqui o PRAIA DE BOTE recebeu no espírito os primeiros, saudáveis e utilíssimos cromossomas da música cabo-verdiana. Todo o dia aquela máquina debitava na Capitania dos Portos, na sala que ainda hoje apresenta a segunda janela após o Plurim d'Pexe, para além das notícias e outros programas, mornas e coladeras sem fim. Grande Rádio Barlavento, grande Rádio Clube do Mindelo... palavras para quê? Recorde-se, a propósito, numa delas (RCM?),  a voz inesquecível de Hermenegildo Cardoso, cabo escriturário mondrongue da Capitania e radialista amador.

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 Resta dizer que o dono do radiozinho podia perfeitamente ter tido o aparelho clandestino durante os três anos que viveu na Rua de Praia. Ninguém o molestaria, dado o sítio em que o mesmo se encontrava instalado, repartição pública respeitada e com a qual nenhum chefe dos correios, por mais zeloso que fosse, interferiria para vasculhar... ou multar. Mas acontece que o sargento de que ali se fala era rigorosos cumpridor da lei e jamais lhe passou pela cabeça ter em casa um rádio clandestino. Por isso, pagou pela licença os gordos 25 paus que no papel se referem...

Veja-se ainda, a propósito da rádio sanvicentina, o texto no nosso amigo jornalista Carlos Lima (também ele ligado à Capitania dos Portos através do pai, o saudoso polícia-marítimo Orlando "Lola" Lima). E o carinho que atribui à acção de diversos nomes da rádio da terra, entre os quais os de Aníbal Lopes da Silva ou o do nosso colega bloguista Zito Azevedo.

NOTA FINAL: o aparelho ainda existe e, mais que isso, ainda funciona, embora com um ruído aqui, outro ali.

quinta-feira, 17 de março de 2011

[0046] O Dr. Regala, a Praceta (ou Praça) do Regala, a Casa do Leão e um casal na Praceta do Regala

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O Dr. Francisco Augusto Regala (natural de Aveiro e falecido em 1937), médico ilustre e extremoso amigo de S. Vicente e do seu povo, não requer grandes apresentações. O interessante e esclarecedor texto de Francisco Lopes da Silva poderá no entanto avivar algumas memórias e dar a conhecer aos distraídos (ou mais novos) a vida e obra desse português  que amou a terra e gentes cabo-verdianas como poucos. Um outro texto da autoria do PRAIA DE BOTE também poderá ser caminho para o mesmo efeito.

Não se trata portanto de refazer a sua biografia mas tão só de relembrar a famosa Praceta onde repousa o busto de bronze erigido por subscrição pública lançada por comissão presidida por um ainda jovem Baltasar Lopes (da autoria de R. de Castro e datado de 1941, como o PRAIA DE BOTE teve ocasião de registar in loco, há cerca de uma década, e fotografado em imagens infelizmente desaparecidas).

No confluência da estrada que dá para o hospital, o sítio era ameno e frondoso, servido por banquinhos que convidavam ao sossego e à meditação. Hoje descaracterizado, ficou a sua traça inicial viva em algumas fotografias que aqui deixamos como homenagem ao homem que tantas vidas mindelenses salvou.

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Comecemos por um excelente postal editado pela Casa do Leão, cuja impressão foi feita em Francforte,  Alemanha, na casa Fritz Brieke Söhne (Filhos de Fritz Brieke ou coisa parecida), especializada em postais ilustrados. A foto do verso, sendo a n.º 23, indica que a Casa do Leão pelos menos editou mais de duas dezenas de vistas do Mindelo nesta altura (conhecemos os versos 3, 10 e 23, embora não saibamos a quais imagens correspondem; temos algumas do mesmo conjunto, do Porto Grande e da Praça Nova, que a seu tempo divulgaremos).

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A fotografia é de grande qualidade, em termos de enquadramento e nitidez, e regista para sempre o restaurante Mindelo, para além da entrada da actual Rua Guerra Mendes. O busto do facultativo, sobre coluna torsa bem lançada, presidia à praça, de pavimento quadriculado e quatro bancos de pedra ou cimento, parentes dos que durante décadas também serviram a Praça Estrela.

Narciso João Neves da Silva e esposa
A foto seguinte, eventualmente de um tempo próximo da que já vimos, está datada de 29.Março.1963 e mostra um casal especial para o PRAIA DE BOTE, cujo elemento masculino foi um dos patrões-mores mais estimados do Porto Grande, como ainda hoje muitos dos seus antigos subordinados (em boa parte felizmente vivos) podem testemunhar.

Assim se juntam então aqui dois militares, um coronel do Exército e um sargento da Armada, de épocas distintas, que embora sendo na origem elementos da administração colonial souberam sentir a terra mindelense como poucos e nela deixaram saudades. Um mais que outro, obviamente, ressalvando as devidas proporções dos cargos e das contingências da vida que a Regala deram a mais que merecida imortalidade.

terça-feira, 15 de março de 2011

[0045] No Cemitério do Mindelo, um sinal de Baltasar Lopes...

Campa de um grande homem, humilde na morte, onde não foi esquecida a cultura clássica Foto Joaquim Saial (clique na imagem)

domingo, 13 de março de 2011

[0044] Primeiro latido de "Bote" (ver post anterior)

Este é o meu primeiro latido. Sou o "Bote", como sabem, o famoso cão de quatro patas: (Auuu!!!!)

Porque é que ao fim de uma data de dias (Auuu!!!), sim, uma data de dias, a petição online "Manifesto para um S. Vicente melhor", criada por gente séria e que ama a sua terra ainda só tem 224 assinaturas? (nesta altura, alguns dias após o meu latido, o número subiu para  229 Auuu!!! Ainda vale a pena latir Auuuuuu!!!) S. Vicente não merece mesmo uma assinaturazinha sua, uma só, amigo cabo-verdiano ou mondrongue ou marciano que me está a ouvir latir? (Auuu!!!) Vá, faça um pequeno esforço, ponha o  nome na petição e prometo que quando vier a S. Vicente não lhe mordo as canelas (Auuu!!!).

[0043] Aparecido na Praia de Bote, ficou "Bote"

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Este blogue soube hoje, pelas nove horas TMG, via Western Telegraph Company (telegrama enviado por Valdemar Pereira), que o animal que no Porto Grande dois pescadores viram atirar-se ao mar a partir de um vapor da United States Lines é afinal um cachorro de quatro patas (ca bsot cunfundi c'catchor de dôs pé) e que o mesmo foi encontrado de madrugada a dormir debaixo do bote de pesca "Mindelo", propriedade de Junzim Gomi.

Como tal, o bicho foi por nós adoptado, passou a chamar-se "Bote" e, declaradamente, tornou-se... nossa mascote.

"Bote" aparecerá sempre que lhe apetecer ladrar ou apenas trincar um osso. Pedimos aos nossos leitores para não lhe darem nem carne de atum (tal coisa é para ele um pouco contra-natura) nem corned beef. Convém manter a linha...

sábado, 12 de março de 2011

[0042] Cabeçalho de "Praia de Bote" utilizado em texto de Zizim Figuera

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Ao grande escriba/cronista da ilha de São Vicente agradecemos a simpatia da utilização da nossa imagem de marca no Liberal (propaganda de borla é sempre bem-vinda) onde fomos colegas e voltaremos a ser, logo que deste lado tenhamos tempo suficiente para regressar a essas lides. É sempre um prazer sabermos que o que fazemos tem utilidade para outros. Aquele abraço ao Zizim e longa vida para longa escrita.

sexta-feira, 11 de março de 2011

[0041] Carnaval de 1962 em New Orleans. Quase, quase, o Mindelo, quase, quase, a Praia de Bote...

E enquanto não desaguam no "Praia de Bote" fotos do Carnaval do Mindelo de 2011, vejamos este fabuloso Carnaval de New Orleans de 1962, ano da nossa chegada às areias da Praia de Bote... A fita retrata a terça-feira gorda ou "mardi gras", como por lá se diz à francesa. Festa rija, apetitoso espectáculo, belo filme. Sabe-se lá se passou no Eden Park ou no Park Miramar como actualidade estrangeira...

quinta-feira, 10 de março de 2011

[0040] Navios do Porto Grande. Ou que por ele passaram deixando rasto... (003) N/M BRAJARA

Imagem eBay (clique na imagem)
A história é curta e simples, mas nem por isso deixamos de aqui a trazer. Trata-se do "Brajara" que encontrámos em fotografia digital, fundeado no Porto Grande, com a "Washington Face behind", como alguém a legendou. 

Sim, atrás dele lá está o nosso Monte Cara, por essa altura ainda com o designativo do primeiro presidente americano, o Washington que também era George. A data é a de 30 de Setembro(?) de 1948. O "Brajara" tinha escapado à guerra e passou por S. Vicente, sabe-se lá porquê. Para reabastecimento,/abastecimento de combustível, para descarga de algumas mercadorias, talvez de passageiros, eventualmente devido a avaria...  

O "Brajara" in http://www.warsailors.com/freefleet/shipics.html
O navio era norueguês, de Oslo, armado por Ludvig. G. Braathen, como se indica em "Pictures of Ships",  Noruegian WW Ships. Este Braathen fundara em 1946 a  Braathens South American & Far East Airtransport A/S, ideia que lhe ocorreu antes, em 1936, numa altura em que o "Brajara" esteve com avaria nas máquinas. 

Encontrámos a data de 1953 como a de feitura do barco, o que parece pouco consentâneo com a legenda da foto. Terá durado até 1967... Parece-nos mais fidedigna a nota que indica que foi construído nos estaleiros Götaverken A/B, Gothenburg na Suécia, em 1934.

Seja como for, o navio ficou ligado para a posteridade ao Monte Cara. E não ficou mal, na foto... Para além de que, neste distante dia de 1948, muita gente decerto o viu a partir da Praia de Bote. Salvé, portanto, Monte Cara, salvé "Brajara"!!!



terça-feira, 8 de março de 2011

[0039] Carnaval no Mindelo (4)


Preparação para o Carnaval deste ano, na Rua de Lisboa, (26.Fevereiro.2011). O povo do Mindelo e as casas e lojas características da artéria mais famosa da cidade, num pequeno filme assinado por Kdaviburns, in YouTube.

sexta-feira, 4 de março de 2011

[0038] Carnaval no Mindelo (3)

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E, como não há duas sem três, aqui ficam para a posteridade a "Marcha Conselheiro" e o "Samba Batucada" de Adriano Delgado e a "Marcha" de Frank Cavaquinho ("Cavaquim") do Grupo Recreativo "Flor Azul", neste folheto raríssimo, religiosamente guardado há quase meio século no nosso arquivo.

São do mesmo ano da foto do post anterior (1964)? Não o sabemos, mas é quase certo que sim.

[0037] Carnaval no Mindelo (2)

Foto NJNS, 11.Fevereiro.1964 (clique na imagem)
Bloco Flor Azul, se bem nos lembramos, o vencedor do desfile deste ano de 1964. Se assim não for, haja quem nos elucide. A menina no topo do mundo era irmã do nosso grande amigo Alexandre "Bintim" Lima Oilveira. Contou-nos ele, há poucos anos, ao ver esta imagem. Os elementos preponderantes do bloco iam de mosqueteiros, vestidos em cetim branco e azul-claro. Uma verdadeira maravilha. Estamos na Praça Nova e a casa em fundo já todos os leitores do "Praia de Bote" de origem cabo-verdiana ou aderentes a reconheceram como sendo a do inesquecível Dr. Aníbal Lopes da Silva.

[0036] Carnaval no Mindelo (1)

Carnaval, S. Vicente, Mindelo, Porto Grande, Praia de Bote...
Só um hino é possível nestes próximos dias, o mais melodioso de todos os tempos... "sem igual", como diz a Cize.
Aquel braça pa tude munde e tchéu d'farinha na cara!


"Carnaval de São Vicente", publicado no CD de Cesária Évora "Café Atlântico" (1999), é uma composição de Pedro Rodrigues.

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J'a'm conchia São Vicente
Na sê ligria na sê sabura
Ma 'm ca pud fazê ideia
S'na carnaval era mas sab

São Vicente é um brasilin
Chei di ligria chei di cor
Ness três dia di loucura
Ca ten guerra ê carnaval
Ness morabeza sen igual

Nô ten un fistinha mas sossegod
Ca bô exitá bô podê entrá
Coque e bafa ca ta faltá
Hôje é dia di carnaval

São Vicente é um brasilin
Chei di ligria chei di cor
Ness três dia di loucura
Ca ten guerra ê carnaval
Ness morabeza sen igual (x 6)

quinta-feira, 3 de março de 2011

[0035] Recuemos quase um século, a 1913. Nessa altura já se fazia bom pão (quase de certeza) no Mindelo

In "O Futuro de Cabo Verde", 1.Maio.1913 (clique na imagem)


...e numa padaria portuguesa, na Rua de S. João, coração do Mindelo, aqui bem pertinho da Praia de Bote. Quem seria o José Rodrigues Duque? Um mondrongue, quase de certeza, se considerarmos o nome do estaminé panificador. E fazia "pom d'midje", o artista, para além de bolacha doce. Depois é que vieram as bolachas do Matos, as mais duras do Mundo, mas também as mais saborosas. Inesquecíveis.

quarta-feira, 2 de março de 2011

[0034] Padaria Marçal, o bom sabor do pão.

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Pão mesmo mesmo fresco/quentinho, é na Padaria Marçal. Olá se é!!! Enfim, rendamo-nos às evidências... Era!!!