Ocorrência 11 - O "Andalusian"
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| Luís Filipe Morazzo |
Continuando na esteira dos navios que tragicamente durante o percurso da segunda guerra mundial, acabaram os seus dias em águas cabo-verdianas, vítimas na sua maioria de ataques desferidos por submarinos, vamos tentar perceber o que aconteceu a um outro comboio, o SL-68, que entre os dias 17 e 21 de Março de 1941, ao navegar nas mesmas águas do SL-67, a cerca de 110 milhas a N das ilhas de Cabo Verde, foi selecionado como mais um dos alvos destes temíveis predadores de navios.
Este comboio, que tinha zarpado de Freetown, Africa do Sul, a 13 de Março de 1941, com destino a Londres, era composto por 58 navios de várias nacionalidades (gregos, ingleses, franceses, holandeses, noruegueses, suecos, romenos). Quase todos os aliados estavam aqui representados e devido aos fortes ataques a que foi sujeito durante o percurso, foi obrigado a dispersar os seus navios, após ter perdido oito dos seus componentes, vítimas de ataques sucessivos executados pelos submarinos U-105 e U-106.
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| O Andalusian |
A primeira vítima tratou-se do cargueiro inglês Andalusian, com um deslocamento bruto da ordem das 3636 toneladas, construído em 1918, propriedade de um dos mais famosos armadores ingleses, a Ellerman Lyne de Liverpool.
O submarino U-106 logo que avistou o comboio SL-68 lançou na direção dos seus navios quatro torpedos. Somente dois tiveram sucesso, após atingirem os cargueiros inglês Andalusian e o holandês Tapanoeli que de imediato começaram a adernar fortemente a bombordo e afundar lentamente.
O Andalusian foi atingido entre os porões 1 e 2, às 21h07, do dia 17 de Março de 1941. Trazia um carregamento completo de cerca de 4000 toneladas de cacau em grão nos seus porões. A sua tripulação era composta por 42 homens. Todos eles conseguiram abandonar o navio em segurança em duas baleeiras, tendo uma delas, ao fim de 21 horas de navegação à vela, com 23 dos náufragos a bordo, sido resgatada pelo paquete português Niassa, que os transportou de seguida até ao Funchal. A outra baleeira com os restantes 19 sobreviventes, ao navegar na direção oposta da primeira, veio a encontrar circunstancialmente as duas baleeiras do Tapanoeli, com as quais acabaram por fazer rumo à ilha da Boavista, onde arribaram a 20 de Março de 41. Após uma estadia de três dias, durante os quais foram muito bem recebidos e acarinhados por todos os nativos da ilha, conseguiram embarcar no navio português 28 de Maio que os transportou até ao Mindelo na ilha de S. Vicente, onde desembarcaram todos sãos e salvos a 23 de Março de 1941.