As fotos chegaram-nos através do "cônsul" oficioso de Cabo Verde em Tours, o nosso amigo e colaborador Valdemar Pereira; a ele, chegaram-lhe pela mão do trompetista cabo-verdiano Joaquim Soares Almeida "Morgadinho"; e a este vieram de alguém com as iniciais ABS. As fotos são muito recentes. Cortámos algumas, por se ver parte do automóvel de onde foram tiradas (parte da porta e do retrovisor) e endireitámos meia dúzia delas. Por outro lado, não publicamos aquelas onde se reconhecem rostos de pessoas. Há uma ou outra que não parece ser de S. Vicente, mas... Aqui fica, portanto, esta reportagem de mais um dia de água no Mindelo. Agradeçamos ao Deus cristão ou aos da mitologia a graça concedida e ao autor (cujo nome indicaremos, se ele se acusar), ao Morgadinho e ao Valdemar, também.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
[0242] CRIOULO, CRIOULOS E A RECUSA DA CANGA CENTRALISTA, bases de mais um interessante texto de José Fortes Lopes
A Situação e o Estatuto dos Crioulos de Cabo Verde: A REGIONALIZAÇÃO E O DEBATE SOBRE O CRIOULO - 1.ª Parte
José Fortes Lopes
Faleceu no passado mês de Julho o nosso muito estimado Zizim (José Figueira Júnior), esse grande mindelense que dedicou a parte final da sua vida em defesa de um Crioulo democrático e tolerante, escrevendo e publicando na imprensa contos em Crioulo na versão mindelense, e usando um alfabeto etimológico em vez do ALUPEC, que é o alfabeto do pacote da “Oficialização do Crioulo” que o actual poder pretende impor aos cabo-verdianos de todas as ilhas do arquipélago. O Zizim teria apreciado saber que um debate sobre a Regionalização, e eventualmente sobre o Crioulo, foi anunciado e poderá vir a ocorrer em Cabo Verde.
O debate sobre o Crioulo tem sido uma constante nos últimos 50 anos, desde o tempo da administração portuguesa, passando pelo regime de partido único, até se chegar à actual democracia pluripartidária. Neste momento em que a Regionalização está na agenda nacional, faz todo o sentido trazer à colação a problemática do Crioulo, quiçá incluindo-a no mesmo pacote, como elemento indissociável daquela reforma do Estado em vista. Anteriormente, durante o regime colonial, esse debate era passível de arrostar sempre uma certa carga ideológica, causando constrangimento se não político pelo menos ao nível de possíveis ressonâncias culturais indesejáveis para o poder então vigente. De facto, por hipótese alguma se daria aval à projecção de uma língua que concorresse com a língua oficial e de Estado. O resgate do Crioulo para a luz da ribalta, no pós-independência, em clima festivo de total liberdade de expressão e pensamento e de extravasamento efusivo de tudo o que era recalcado, aparece associado à visão de um Crioulo como instrumento de libertação.
Todavia, é com o advento da democracia que o debate sobre a língua toma um cariz mais técnico, com o pressuposto da necessidade de compreender e estudar a sua génese, desde logo associando-a àquilo que os sucessivos regimes consideram essência da nação cabo-verdiana. E é então que se prevêem dispositivos institucionais para a sua protecção, dentro de um sistema bilingue, onde o Português ficou, no entanto, definido como a língua de comunicação oficial, possivelmente até ulteriores etapas para a consagração plena da chamada “língua materna”, numa situação de bilinguismo assumido, onde o papel da língua portuguesa, por questões práticas, não poderia nem deveria ser posto em causa. Porém, nos últimos 10 anos, sob a batuta do PAICV, ressurge o debate sobre o Crioulo numa perspectiva marcadamente ideológica, desta vez sob uma bandeira identitária santiaguense, com o Crioulo a ser apresentado como um instrumento de libertação de um “povo dominado linguisticamente”. Tese surrealista muito cara ao que resta de uma certa elite maniqueísta cabo-verdiana saída do esquerdismo do 25 de Abril, bem como a certos sectores ligados ao actual poder e ainda muito presos a algum radicalismo mental, para quem uma ruptura total com a considerada “língua de domínio colonial” seria uma maneira de enterrar traumas ainda não resolvidos, ainda que usando um discurso ambivalente ou ambíguo para ocultar o seu verdadeiro íntimo.
Se a instauração de um processo de estudo dos Crioulos de Cabo Vede parece louvável, já a oficialização prematura e apressada do Crioulo aparece, todavia, mais como um “coup de force”desses grupos Fundamentalistas, como Onésimo Silveira os caracteriza, apoiados e financiados pelo Governo, apanhando de surpresa muitos cabo-verdianos que andavam mergulhados no sono da sua apatia e demissão cívica. Talvez porque ninguém imaginasse semelhante ousadia, súbito despontou nos espíritos uma apreensão generalizada sobre as consequências de uma aventura que pode ser desastrosa por significar o fecho umbilical linguístico de Cabo Verde, medida por certo encarada como essencial para um utópico e irrealista retorno às “origens”, isto na perspectiva dos Fundamentalistas, o que só pode acarretar um retrocesso do país face aos padrões culturais a que se moldara. O regime, para satisfazer a sua base de sustentação sociológica ou mesmo étnica, e em coerência com uma matriz ideológica que remonta aos tempos da luta de libertação, onde o sonho e a utopia não tinham limites, lançaria assim o país numa perigosa aventura, mediante uma precipitada adopção do uso do Crioulo como futura ferramenta de trabalho, ao mesmo tempo que desincentivando o uso corrente do Português, relegando-o para o plano de uma mera língua estrangeira, numa altura em que não existem condições para que tal ocorra.
Aquilo que devia representar um lento e gradual processo de maturação e experimentação, ao longo de décadas, lustres ou mesmo séculos, envolvendo investigação e estudo académicos sérios, com investigadores experimentados e a elaboração de estudos e análise de cenários prováveis, que poderiam apontar inclusivamente para a sua ineficácia, aparece apressadamente como um processo acabado, um prato pronto a ser servido friamente a Cabo Verde e aos cabo-verdianos. Nunca se vira tanta ligeireza em Cabo-Verde, quando, numa questão de semelhante delicadeza, seria de esperar muita cautela e bom senso, a “sagesse” e, necessariamente, o diálogo. E isto quando Cabo Verde continua bastante vulnerável e confrontado com questões inerentes à sua viabilidade: o país não tem recursos, está ainda totalmente dependente da ajuda externa financeira da comunidade internacional para a sua sobrevivência e o seu desenvolvimento, incluindo a garantia dos instrumentos básicos para a afirmação da sua soberania. Sendo inquestionável a intenção que subjaz à defesa e dignificação do Crioulo, o processo da sua oficialização poderá obviamente ser aprovado em sede democrática, mercê de uma maioria unicamente de base numérica, mas nunca o será com a legitimidade que só pode ser conferida por um escrutínio alargado, qualificado e diversificado, como impõe uma questão de tamanha delicadeza e importância para o futuro do país. Mas claro que não foi assim nem parece haver preocupação de agir de outra maneira. Primeiro, tentou-se iludir os cabo-verdianos com o anúncio de que oficialização da versão, dita, badia do Crioulo, estava apenas circunscrita à chamada “República de Santiago”, como símbolo de uma assumida identificação sociológica e cultural com o que se considera a “origem”. Tal atitude confunde abusivamente as pessoas, que “naivement” tenderiam a convencer-se de que se está oficializando os “Crioulos”, como denuncia com toda a razão Onésimo Silveira nos seus recentes artigos. Mas como pedir bom senso num país em que a corrida desenfreada ao “progresso e desenvolvimento” induzido de fora e assente na assistência internacional, não dá tempo para pensar em todas ou diferentes opções sobre importantes matérias de interesse nacional? Com efeito, esta marcha forçada e apressada é intencional para que as pessoas não reflictam nas suas sérias implicações, pois o que se pretende é recriar o paradigma do Estado-Nação, Unitário e Homogéneo, típico do século XX, mediante a fusão genética num único povo, o cabo-verdiano idealizado, injectando-lhe a fusão linguística dos Crioulos numa Língua Unitária, a língua cabo-verdiana idealizada e utópica, e com uma Administração Política e Económica Unitária e Centralizada na Praia (configurando assim assim o ideal do Estado, napoleónico, jacobino, centralista e burocrático). Compreende-se esta atitude como sendo a tendência normal dos Estados em processo iniciático de consolidação, mas, como diz o ditado, não se podem fazer omeletes sem se quebrarem ovos. Porém, o busílis da questão reside na circunstância concreta de nem todos os ovos serem propriedade do cozinheiro-mor, pois não é possível iludir o carácter arquipelágico e regionalista de Cabo Verde, sendo de todo impossível fazer desaparecer os Crioulos e a ‘biodiversidade’, no sentido lato, do país. Relativamente a este aspecto, Onésimo vem lembrar ‘Aqui D’el Rei’ que no Arquipélago de Cabo Verde existem formalmente Crioulos e não um Crioulo como pretendem. Nenhum teórico, por mais brilhante que seja, pode convencer alguém do contrário. Nesta situação, é legítimo que se re-instaure um debate sobre os Crioulos de Cabo Verde. E não adianta lançar acusações de anti-patriotismo e de inimigo do Crioulo aos que propugnam pela racionalidade da solução do problema. Um confronto levado a este extremo fica completamente poluído por emoções nocivas. E aí reside precisamente o grande pomo de discórdia que tem assombrado uma discussão que só pode pautar-se por clarividência e serenidade. E o governo em vez de serenar os ânimos, suspendendo o processo, acrescenta ainda mais confusão com os diversos anúncios que vem lançando em matéria de Oficialização do Crioulo.
No seu último artigo, Onésimo Silveira refere-se ao debate sobre os Crioulos: “Para eles, não há ilhas, mas sim uma ilha-continente; não há sociedades cabo-verdianas, mas sim a sociedade da sua ilha; não há Crioulos, mas sim um Crioulo, o seu, que a “língua materna” tem de impor às ilhas periféricas.” O mesmo autor adverte os chamados Fundamentalistas para o erro de olhar para a democracia como exclusivamente legitimada pela aritmética eleitoral, esquecendo que ela pode vir a ganhar os mesmos germes de permissividade e violência psicológica de um regime de ditadura. Mas neste preciso domínio nos encontramos felizmente resguardados pelo constitucionalismo democrático que garante um sistema eficaz de freios à acção do governo. Infelizmente, Cabo Verde continua a ser um campo de experimentação de uma certa esquerda sonhadora, nomeadamente no campo da cultura, que se converteu na chamada “gauche caviar”, que, no entanto, quando lida com o poder e o dinheiro se revela de um pragmatismo a raiar a hipocrisia e a negação dos valores e princípios por que devia propugnar. É esse mesmo sector da nossa sociedade que, mandando às urtigas os seus engulhos e complexos mal resolvidos, não abdica de cultivar o Português erudito e de tentar obter nacionalidade portuguesa. Onde está a coerência? A advertência de Onésimo vem mesmo a propósito, colocando os pontos nos ‘is’: Em cada ilha deste arquipélago existe uma realidade concreta e objectiva: pessoas de carne e osso, não meros eleitores, falando quotidianamente os seus Crioulos, não havendo lugar para um Crioulo Oficial, Imaginário e Utópico. Nenhuma medida política ou administrativa pode redesenhar esta realidade.
Mas num país onde o amadorismo floresce e ganha terreno cada dia (ver o debate que tem ocorrido na sociedade civil sobre proliferação de universidades e escolas sem conteúdo, projectos insustentáveis), é fácil revender banha da cobra e requentar várias vezes pratos pré-cozinhados. Acostumados a comer gato por lebre, ou a pôr óculos verdes às cabras para poderem comer pedra, muitos cabo-verdianos rejubilam-se na unanimidade do discurso politicamente correcto sobre o Crioulo libertador, sem se perspectivar os problemas decorrentes de uma oficialização precipitada do Crioulo e da eliminação do Português do quotidiano cabo-verdiano e a enorme ratoeira em que o resto de Cabo Verde se mete. Nunca se debateu nem se apresentou os prós e os contras, os riscos desta opção, numa sociedade onde o debate de ideias e discussões públicas sobre o futuro de Cabo Verde são incipientes ou inexistentes. O Governo ainda não explicou como vai resolver a problemática dos Crioulos, deixando tudo para improvisação e a batata quente para outros, pois alguém terá de, consciente e responsavelmente, escolher uma das três soluções. Ou se tende para Crioulo-Esperanto, fusão artificial e utópica de todos os Crioulos, fazendo desaparecer as outras versões do Crioulo; ou se oficializa todos os Crioulos de uma vez e em todas as ilhas, o que corresponde a uma situação insustentável, típica de Torre de Babel; ou se oficializa simplesmente o badio, como via experimental para o Crioulo padrão a oficializar (é sabido de antemão que oficiosamente o governo vem experimentando a implementação do badio como Crioulo oficial, apesar de pretenderem o contrário. Os sinais exteriores denunciam essa atitude dúbia). As três soluções sobre a mesa são, portanto, e a priori, inviáveis ou inaceitáveis. (A problemática da língua portuguesa, outro assunto bicudo, será discutida na 2ª Parte deste artigo).
O primeiro risco da oficialização do Crioulo-badio tem a ver com o reforço do efeito centrípeto desta medida, com incidências inevitáveis no centralismo, desta feita em termos linguísticos. Mas pergunta-se se o mindelense ou o santantonense abandonarão os seus Crioulos para abraçarem o badio ou o Crioulo-Esperanto? É bom que os governos, e quaisquer que eles sejam, tenham em atenção a gravidade que reveste a deliberada e programada extinção do património linguístico e cultural das ilhas do arquipélago, com a imposição de um Crioulo eleito como padrão e a tentativa de extinção, não natural, das outras versões. Para além de ilegítima, seria um atentado à diversidade cultural cabo-verdiana. É bom que saibam que podem ter de responder tanto perante os cabo-verdianos como perante a comunidade internacional. (Continua: A Situação e o Estatuto da Língua Portuguesa em Cabo Verde: A REGIONALIZAÇÃO E O DEBATE SOBRE O CRIOULO)
sábado, 1 de setembro de 2012
[0241] UM MISERÁVEL E CHOCANTE DESPREZO PELA HISTÓRIA...
Lomb D'jom (Alto Bomba) Monte Sossego, dias actuais. Restos de artilharia da época colonial, destinada a defender a ilha de S. Vicente de eventuais investidas alemãs durante a II Guerra Mundial. C. anos 40 do século XX.
Sem comentários nossos, porque eles não são necessários... excepto este, para os que ainda não perceberam a coisa: isto também é a História de Cabo Verde!!!
Elucidativas fotografias enviadas pelo nosso colaborador Zeca Soares. Copiá-las e divulgá-las é um imperativo cultural tendente a contrariar a inércia, o laxismo, o desinteresse...
[0240] REGIONALIZAÇÃO PARA CABO VERDE EM DISCUSSÃO
Pelo seu inegável interesse para a ilha de S. Vicente, o PRAIA DE BOTE publica hoje este longo texto de José Fortes Lopes.
Arrancou o debate sobre Regionalização de Cabo Verde?
José Fortes Lopes
O Primeiro-Ministro de Cabo Verde reconheceu pela primeira vez, no passado mês de Agosto, após tergiversar tempo demais, que um amplo debate sobre a Regionalização é necessário, anunciando a realização para um futuro, embora incerto, de um fórum alargado à diáspora e a abertura de um Livro Branco sobre o tema.
Do MPD, apesar de se conhecer a posição oficial deste partido favorável à Regionalização, expressa na pessoa do seu líder Carlos Veiga, Mário Silva, deputado e líder santiaguense do MpD, em recente entrevista, tenta refrear o debate para que o processo possa ser mais uma vez enviado para as calendas gregas, tão ancorado é o centralismo e o imobilismo na visão de alguns santiaguenses. A um dado passo da sua entrevista, ele afirma: “Isto só para demonstrar que no estado em que as coisas estão não estou muito preocupado porque a regionalização vai demorar décadas a ser concretizada. Aliás, já desafiei colegas meus, defensores acérrimos da regionalização, a apresentarem projectos, mas ainda estou à espera…”. Esta é a posição, mais ou menos encapotada, dos que defendem o centralismo ou pretendem uma simples reforma administrativa ou mesmo um adiamento sine die da Regionalização, como aliás aconteceu com o fiasco do Atelier sobre a Regionalização de 2007. Mário Silva parece assim na retranca do seu partido sobre esta matéria, a avaliar pelas intervenções públicas feitas pelo seu líder e outros correligionários.
Com efeito, 10 anos, o tempo de duas legislaturas em Cabo Verde, correspondem a uma eternidade em política, e o tempo encarregar-se-ia de matar pura e simplesmente o debate. Dentro de 10 anos, Onésimo Silveira, um dos protagonistas da luta pela Regionalização, o “enfant terrible” dos poderes da Praia será octogenário e é muito natural que venha a ter menos vigor nos combates; Mindelo e o resto de Cabo Verde, de certeza, estarão soçobrados numa profunda e irreversível crise provocada pelo centralismo, que se dissemina subtil e inexoravelmente pelo país dentro. Os centralizadores poderão contemplar a acção de desgaste do tempo, recolhendo os dividendos da desmoralização e da desmobilização em torno das ideias de Regionalização: S. Vicente de joelhos, e Cabo Verde rendido por fim aos seus pés, exangue, sem alma e sem rumo. Não se mostrando assim um grande defensor da Regionalização, para não se dizer céptico, o deputado do MpD coloca mesmo assim questões pertinentes para o debate e para o Livro Branco sobre a Regionalização: “quantas regiões vamos ter em Cabo Verde? Qual é a delimitação de cada região? Que atribuições? Que competências? Quantos órgãos? De onde vem o financiamento para o funcionamento destes órgãos? Que estatuto para os titulares dos órgãos regionais? A regionalização terá de implicar uma grande reforma do Estado, mas desse ponto de vista ainda nada foi discutido…”
Efectivamente, a Regionalização não será uma simples reforma mas sim um complexo processo de transformação do país, que deve ser encarado com todo o rigor e seriedade, pois em muitos processos de transformação os principais actores não se apercebem da dimensão dos acontecimentos e das suas implicações no quadro das mudanças operadas. Luiz XVI, aquando da tomada de Bastilha em Paris, em 1789, no fim na monarquia em França, tentando compreender os acontecimentos de Paris, perguntou ao seu mordomo: “S'agit-il d'une révolte?” Recebeu um balde de água fria inesperado : “Non Sire, ce n'est pas une révolte, c'est une révolution”. A França estava prenhe para uma das maiores transformações que abalariam as fundações políticas e sociais da Europa e do Mundo. A ser tomada com seriedade, a Regionalização poderá ser, não uma mera cosmética administrativa, para aparentemente mudar algumas coisas e deixar o essencial do sistema centralista burocrático intacto, como muitos pretendem, mas sim uma nova oportunidade para o país, uma nova partida, e uma das mais importantes reformas políticas e administrativas desde a Independência, libertando energias refreadas pelo centralismo político e económico vigente no país.
A Regionalização deverá ser política, administrativa, financeira, económica, etc, englobando todos os sectores da vida do país. Só se pode responder às questões postas pelo deputado Mário Silva com uma profunda reforma do funcionamento do Estado: “Qual é a delimitação de cada região? Que atribuições? Que competências? Quantos órgãos? De onde vem o financiamento para o funcionamento destes órgãos? Que estatuto para os titulares dos órgãos regionais? A regionalização terá de implicar uma grande reforma do Estado.” Ajustamentos e correcções necessárias à organização do Estado de Cabo Verde, e condizentes com a realidade arquipelágica e regional do país, serão indispensáveis. Será necessário repensar profundamente o funcionamento e o papel do Estado nesta nova realidade, o que implicará, de facto, uma profunda reforma constitucional. Com a Regionalização, grande parte do aparelho do Estado terá que ser transferido para as Regiões, aquele ficando confinado aos Macro-Sectores do país e às principais funções inerentes à Soberania: Diplomacia, Defesa, Planificação Financeira Macroeconónica, etc. Serão as Regiões detentoras do grosso das competências outrora polarizadas no Estado Central, limitando-se assim a intromissão na vida dos cidadãos da rede tentacular, toda poderosa, de um estado burocratizado e até hoje fortemente partidarizado. Como os franceses dizem “Il y aura du pain sur la planche”, ou seja, para além da necessária reforma do Estado, será preciso reformular o seu papel no quadro da nova realidade, a Regionalização. Modelos de Regionalização bem rodados já existem em várias partes do Mundo e não adianta aqui pretender inventar a roda. O Livro Branco sobre a Regionalização permitirá, sim, recolher contributos a partir de estudos e pesquisas efectuados em diferentes realidades para depois, mercê de reflexões e debates, adaptá-los à realidade do país, de forma a construir o modelo de Regionalização que reflicta as nossas especificidades geográficas, económicas e sociais.
Neste aspecto, como já tinha sublinhado noutros artigos, a Regionalização Alemã pode ser um exemplo a seguir, sobretudo tratando-se de um país com quem Cabo Verde tem boas relações, embora os modelos das Autonomias Espanholas ou da Regionalização Francesa mereçam uma atenção muito particular. Com este modelo, o Estado de Cabo Verde transitaria de um velho Estado napoleónico, jacobino, centralista, para um Estado democrático e descentralizado, compatível com os grandes desafios da modernidade e do Sec. XXI. A Alemanha é uma Federação onde o poder político e administrativo está descentralizado através de uma ampla rede de instituições de carácter estadual, regional e local. Uma organização e uma articulação entre o Estado Central (Bund), as 16 Regiões (Länder) e as autarquias (Gemeinde), cada um com as suas assembleias eleitas. Segundo Carneiro e Dill, os Länders constituem a Cintura da Federação Alemã: ao funcionarem como “autarquias” estaduais e, simultaneamente, ao realizarem tarefas públicas que ultrapassam as fronteiras dos municípios, sob a delegação dos mesmos, o Länders exercem, assim, uma “dupla função” muito importante. Trata-se de facto (e de direito) de uma “articulação” robusta entre as esferas de poder local e estadual. Os poderes dos Länders são importantes, podendo até celebrar tratados com Estados terceiros, desde que disponham de competência exclusiva para o efeito e do acordo do Governo Federal. Se o tratado tiver consequências para a legislação do Länder em causa, a transposição do tratado para o direito interno é feita através da sua aprovação pelo parlamento desse Länder, em conformidade com a respectiva Constituição. Além disso, os Länders podem celebrar tratados nos domínios em quais os respectivos governos estejam habilitados a adoptar diplomas de carácter regulamentar. Este aspecto é muito importante no caso de Cabo Verde, permitindo que as Ilhas Regiões tenham um dinamismo a nível internacional e na Diáspora. Segundo Tomio e Ortolan, o sistema de repartição de competências alemão inovou ao criar e privilegiar novas formas de cooperação legislativas e administrativas, entre a União e os Estados. Já o constitucionalista espanhol Enoch Rovira destaca alguns institutos introduzidos na Lei Fundamental responsáveis pelo sucesso do federalismo de cooperação alemão:
• a cláusula de presunção geral de competência em favor dos Länders para o exercício dos poderes estatais e funções públicas ;
• na distribuição das competências legislativas, a preponderância de formas de concorrência legislativa entre Bund e Länder (como a legislação de marco e a legislação de princípios);
• na distribuição de competências administrativas, sobretudo, o modelo de execução das leis federais pelos Länders, comportando fiscalização e direito de emitir prescrições administrativas pelo Bund;
• as tarefas comuns (Gemeinschaftsaufgaben) que corresponderiam a formas institucionalizadas de cooperação administrativa entre Bund e Länder.
Carneiro e Dill põem em evidência um princípio bastante importante na arquitectura nacional alemã, sem o qual o modelo não poderia funcionar: o da subsidiariedade e da autonomia na arquitectura nacional alemã, segundo o qual as entidades estatais superiores (micro-Região, Estados e União) nunca devem assumir tarefas que os Órgãos Menores, comparados ao Estado Central, possam cumprir de maneira eficaz. Em outras palavras, os Órgãos Menores têm, em conjunto, as prerrogativas de realizarem as políticas públicas de interesse local e regional. Somente quando esgotadas as suas capacidades político-administrativas as demais esferas de governo, ou seja, o Estados Central, podem e devem entrar em cena, porém de forma subsidiária. No caso alemão, a autonomia municipal está prevista e garantida com base no artigo XXVIII (II) da Lei Fundamental de 1949 na redacção de um princípio constitucional chamado de Kommunale Selbstverwaltung, que quer dizer Autonomia Administrativa Municipal. Tal autonomia pressupõe três dimensões: política, financeira e administrativa, propriamente dita.
Para além desta estrutura, Carneiro e Dill ainda ressaltam o papel dos Consórcios Inter-Länders e Inter-Municipais na Alemanha, actuando em vários sectores para superação da ideia de rivalidade inter-regional ou intermunicipal em favor da cooperação das partes envolvidas tendo em vista os benefícios comuns (como referi num dos meus artigos em que denominava os Consórcios de Clusters Regionais). A primeira razão para a existência dos consórcios prende-se com motivos de ordem financeira, já que muitos municípios não conseguem a autonomia de recursos desejável quando operam de forma isolada; intimamente ligada à primeira, temos os imperativos práticos quando se trata de realizar tarefas que podem ser mais eficientes quando feitas em colectivos intermunicipais; um terceiro aspecto diz respeito à matriz energética e à economia de recursos associada à expansão de oferta com melhor relação custo-benefício para os cidadãos; finalmente, a cooperação regional se coloca como meio para se conseguir ganhos de escala em qualquer política pública, no mesmo espírito, no caso alemão, que inspira a integração europeia em nível supra-nacional.
Como vemos, a Regionalização em Cabo Verde terá profundas implicações no aparelho de Estado, exigindo uma profunda Revisão constitucional e a sua inscrição numa Constituição actualizada, como um antídoto a eventuais derivas ou derrapagens burocráticas e centralizadoras do Estado de Cabo Verde. Assim, em vez do Livro Branco sobre o tema da Regionalização, a intelligentzia política do país deveria pensar em abrir um Livro Branco sobre o Futuro de Cabo Verde, para repensar o país, 35 anos após a Independência.
Na frente do combate para a Regionalização, pelas bandas de S. Vicente e do Norte de Cabo Verde, aparece Onésimo Silveira cada vez mais como um interlocutor credível na condução desse processo, o qual não será de todo linear uma vez que os interesses do Estado centralizador estão hoje associados ao poder económico e financeiro concentrado na Capital e numa única Ilha. Por outro lado, os restantes intelectuais e a classe política mindelenses e nortenha, tirando alguns casos pontuais (entrevista de Eva Caldeira Marques, Augusto Neves e António Monteiro, onde exprimem convicções declaradamente pró Regionalização, assim como Júlio César Alves, um corajoso mindelense que deu a cara para o Movimento para a Regionalização), têm-se mantido numa situação de baixo perfil ou ausentes do debate. Há um ditado em francês que diz ‘les absents ont toujours torts’. Muito mais é legítimo esperar desta sociedade mindelense cansada, desiludida, mergulhada numa apatia generalizada e com níveis de participação cívica muito baixos, deixando fugir como areia entre os dedos os valores de cidadania que outrora lhe eram caros. Por isso, é de saudar o reaparecimento em cena de Onésimo Silveira, homem de sete vidas, com um vigor anímico renovado, pronto a protagonizar esta justa causa de várias décadas. Dando a cara desassombradamente, como é o seu estilo, ele é o porta-estandarte das revindicações mindelenses, o cidadão que melhor se coloca como intérprete dos nossos anseios e sentimentos. Não obstante os erros e as derivas políticas de que é acusado, é justo reconhecer o estofo intelectual, cultural e científico deste homem político de dimensão internacional, que muitas vezes parece pregando num deserto.
Além disso, os mindelenses sabem que podem contar com a Diáspora, que soube, em momento próprio lançar em 2011 o apelo através do “Manifesto para um S. Vicente Melhor”, e o “Movimento para a Regionalização de Cabo-Verde”, cujo núcleo duro da diáspora foi constituído por mim, Adriano Lima, Arsénio de Pina, Valdemar Pereira, Luiz Silva, o falecido Zizim Figueira, Joaquim de Almeida (Morgadinho), Veladimir Cruz, tendo-se juntado a nós recentemente Vladimir Koenig. Vários artigos sobre a Regionalização e a Descentralização foram publicados pelo grupo, sendo de destacar o papel crucial no debate jogado por Adriano Lima e Arsénio de Pina. Para além disso, conseguiu-se disseminar o debate através de uma enorme rede de relações e de amizades em Cabo Verde e na diáspora (sem a internet tal não seria possível), assim como através dos contactos de elementos signatários das diferentes petições que o Movimento promoveu.
Voltando a Onésimo Silveira, no seu último artigo, aflora de maneira corajosa o que será provavelmente nos próximos anos um tema quente ao lado da Regionalização: O debate sobre o crioulo. Sabendo da necessidade de adopção de medidas imediatas para travar a queda de S. Vicente, que só podem ser efectuadas no âmbito de uma larga Autonomia Política Económica e Administrativa, e estando Onésimo Silveira em condições de participar ou dinamizar uma larga frente nacional e apartidária para exigir a abertura imediata do processo de Regionalização, o momento é de acção para se desencadear iniciativas urgentes tendo em vista a sua calendarização, nas suas múltiplas etapas até à sua concretização.
(Continua em próximo artigo com o título: “A Regionalização e o Debate sobre o Crioulo”).
Referências bibliográficas
1-Enoch Alberti Rovira, Federalismo y Cooperacion en la Republica Federal Alemana / Madrid : Centro de Estudios Constitucionales, XXIII, 575 p.1986.
2-Fabrício Ricardo de Limas Tomio & Marcelo Augusto Biehl Ortolan. O sistema de repartições das competências legislativas da Lei Fundamental Alemã após a reforma federativa de 2006 em perspectiva comparada com o Estado Federal Brasileiro, http://direitoestadosociedade.jur.puc-rio.br/media/02-Tomio-Ortolan.pdf.
3-José Mario Brasiliense Carneiro & Günter Dill. Arranjos federativos regionais na Alemanha e o papel articulador dos Landkreise http://www.kas.de/wf/doc/6758-1442-5-30.pdf.
4- Modelos de Regionalização Implementados no mundo. In S. Vicente: um case study para um possível modelo de regionalização e autonomia em Cabo Verde (II) - A regionalização ou um novo modelo de ordenamento do território nacional (SECÇÃO B), Liberal Online e Notícias do Norte, Fevereiro de 2012.
5- As regiões de Cabo Verde e o Modelo de Regionalização: Os Clusters Regionais In S. Vicente: um case study para um possível modelo de regionalização e autonomia em Cabo Verde (II) - A regionalização ou um novo modelo de ordenamento do território nacional (SECÇÃO C), Liberal Online e Notícias do Norte, Janeiro de 2012.
domingo, 19 de agosto de 2012
[0239] LIVRO "MORNAS - CANTIGAS CRIOULAS" DE EUGÉNIO TAVARES (4 - NÁ, Ó MENINO, NÁ...)
Ná, ó menino, ná...
À alma do malogrado comandante Adelino de Oliveira
Ó rosto doce de ojo maguado,
Es bo cudado
Botal pa traz!
Nhor Des ta dano um bida de paz,
Ó nha Pecado
De ojo maguado!
Ná, ó menino, ná,
Sobra rum fugi de li!
Ná, ó menino, ná,
Dixa nha fijo dormi...
Sono de bida, sonho de amor,
Ou graça, ou dor,
Es é nós sorte...
Se Deus, más logo, mandano morte,
Quem que tem medo
Ta morrê cedo.
Toma nha ombro, encosta cabeça,
Ja'n dabo peto,
Amá ragaz!
Ó esprito doce, ca bo tem pressa:
Deta co geto,
Dormi na paz...
Ó nha Pecado
De ojo maguado!
Ná, ó menino, ná,
Sobra rum fugi de li!
Ná, ó menino, ná,
Dixa nha fijo dormi...
Sono de bida, sonho de amor,
Ou graça, ou dor,
Es é nós sorte...
Se Deus, más logo, mandano morte,
Quem que tem medo
Ta morrê cedo.
Toma nha ombro, encosta cabeça,
Ja'n dabo peto,
Amá ragaz!
Ó esprito doce, ca bo tem pressa:
Deta co geto,
Dormi na paz...
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
[0238] CONCURSO 11
Adriano Miranda Lima venceu esta edição do concurso do PRAIA DE BOTE. Parabéns ao "winner"! Marcos Soares merece um prémio de consolação (uma folha de acácia) porque também lá chegou - só que um pouco atrasado (apenas três minutos). Mas antes atrasado que a zero. Parabéns para os dois.
A "boa vida com música" era a Praça Nova, obviamente; a "guerra" era o antigo quartel, acho que ainda hoje com a televisão de Cabo Verde lá instalada. A escola fica entre ambos, do lado esquerdo quando se sobe. Os algarismos 1, 2, 3 e 4 eram as classes da escola e o "acesso ao Gil" era o facto de depois da 4.ª classe se ir para o Gil (ou para a Escola Técnica próxima). Cabe dizer que foi aqui que fiz o meu exame da 4.ª classe (apenas o exame, pois frequentei a escola do Lombo, na Rua do Sol, com vista para o Hospital). Ao contrário de outros escudos portugueses, este, tal como o do Palácio, foi modificado mas talvez por mero acaso manteve as cores verde e vermelha.
![]() | ||
| Prémio para AML |
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| Prémio para Marcos Soares |
Pergunta: a que edifício pertenceu (e ainda pertence) este escudo alterado (mas curiosamente mantendo as cores verde e vermelha)?
Ajudas: O edifício ficava (e ainda fica) entre a boa vida com música e a guerra; tinha a ver com os algarismos 1, 2, 3 e 4. Servia para saltar para o Gil.
Está a ser difícil mas é facílimo. O edifício situa-se entre a "boa vida com música" e a "guerra". A "boa vida com música" continua desde tempos ancestrais; a guerra mudou de lugar, acho eu mas esteve muito tempo no anterior sítio. O 1, 2, 3 e 4 é simplicíssimo e merecia "orelhas de burro" para quem não acertou (atenção que não estou a chamar burro a ninguém - apenas falei em ORELHAS DE BURRO). Ainda por cima, por dar acesso ao Gil...
Está a ser difícil mas é facílimo. O edifício situa-se entre a "boa vida com música" e a "guerra". A "boa vida com música" continua desde tempos ancestrais; a guerra mudou de lugar, acho eu mas esteve muito tempo no anterior sítio. O 1, 2, 3 e 4 é simplicíssimo e merecia "orelhas de burro" para quem não acertou (atenção que não estou a chamar burro a ninguém - apenas falei em ORELHAS DE BURRO). Ainda por cima, por dar acesso ao Gil...
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
[0237] CONCURSO 10
Fernando Frusoni estreia-se como vencedor da 10.ª edição do Concurso do Praia de Bote. Tratava-se de facto de uma porta do mítico Café Royal (Royal - não era republicano) onde havia grandes pianadas (teclas) pelas mãos mágicas de D. Tututa (nominha parecido com Tuta do Parque Miramar) que fazia ginástica aos dedos, claro, tocando.
Foi assim desvendado com enorme rapidez o enigma e aqui fica não só o ramo de acácia para o cabo-verdiano-genovense como a foto do café, nos anos terminais (1999), com o então proprietário à porta, Sr. Tchuna. É quase certo que esta foto irá aparecer no filme sobre D. Tututa que estreará em breve, bem como outra documentação saída do arquivo do PRAIA DE BOTE. Esperemos para ver. A expectativa é enorme, pois os excertos já divulgados são de óptima qualidade.
Pergunta: a que edifício e estabelecimento icónico do Mindelo pertenceu esta porta?
Ajudas: não era republicano, havia lá teclas e tinha sabores finos. Ali brilhava alguém que tinha nominha parecido com um proprietário da 7.ª arte mindelense e fazia ginástica aos dedos.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
[0236] POST ALUSIVO AO COMENTÁRIO DE ADRIANO MIRANDA LIMA NO POST ANTERIOR
De facto, não só o médico-escritor Henrique Teixeira de Sousa nutriu um grande gosto por escrever no "Terra Nova" (colaborou nele por dez anos consecutivos) como o jornal retribuiu esse interesse, dedicando-lhe no seu número 349 de Março de 2006 (à época do seu trágico desaparecimento) uma sentida homenagem de que aqui vemos parte, em exemplar fotocopiado oferecido na altura pelo AML que conservamos com muito gosto.
Para além de um longo editorial de Frei António Fidalgo de Barros, pode ler-se o último texto de Teixeira de Sousa para o jornal "Latim, língua morta?" (talvez o derradeiro da sua vida) e textos de Gilda Barbosa ("O meu primeiro andar") e Ondina Ferreira ("Lembrando o Dr. Henrique Teixeira de Sousa no "Terra Nova"). O texto "Selô, Selô, senhor Dr. Teixeira de Sousa", anunciado na p. 1, não surge nas fotocópias, o que é esquisito, porque pensamos que será de AML. Grande mistério que só o nosso amigo poderá resolver...
[0235] TEXTO NO "TERRA NOVA" DE JULHO.2012
A partir de Setembro, a página passará a ser de publicação regular, com o título "Crónicas do Norte Atlântico", já aqui divulgado. O texto inicial será alusivo ao primeiro dia da árvore que se comemorou em Cabo Verde. Esse trabalho será divulgado no PRAIA DE BOTE em Outubro.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
[0234] A HISTÓRIA DA ÁGUA EM SÃO VICENTE, UM VALIOSO PATRIMÓNIO DE ARQUEOLOGIA INDUSTRIAL DESPREZADO
Do nosso estimado colaborador Zeca Soares (já o podemos considerar assim, em virtude de alguns muito bons materiais que nos tem enviado), recebemos estas fotos e o texto que se segue. Ao Zeca, o nosso agradecimento, em nome dos que amam o Mindelo e São Vicente.
«O abastecimento de água à ilha de São Vicente sempre teve uma história, mas existem pessoas que insistem em apagá-la, ou a minimizá-la, não lhe dando o seu divido valor. Quem não recorda das filas de mulheres da Vascónia e do Madeiral, da Ferro & Companhia, dos fontenários espalhados pelos subúrbios de Mindelo, da JAIDA?
A cidade do Mindelo foi pioneira na história da dessalinização em Cabo Verde. As fotos aqui apresentadas são dos dois "monstros" que fazem parte integrante dessa História. Vemos as duas caldeiras, agora sem as respectivas chaminés, componentes principais da primeira Instalação de Dessalinização de Água, instalada na Matiota há 40 anos, e que estão a ser ou já foram vendidos como ferro velho.Tanta falta de dinheiro!!! Deixo ao Praia de Bote, Campeão da História desta Ilha, a sua consideração.»
É de facto lamentável este desprezo pela arqueologia industrial e pela história da água, um dos bens mais raros em Cabo Verde e em São Vicente. Assim se vai perdendo um património insubstituível que, sendo estimado, poderia produzir dividendos em termos de turismo. Juntamos três imagens, já divulgadas no PRAIA DE BOTE, que ajudam a relembrar a história da água na nossa ilha: duas da medalha comemorativa do nascimento da dessalinização; e uma da fila de mulheres que iam adquirir água na Vascónia da Ferro & Companhia aqui pertinho da nossa PRAIA DE BOTE.
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| Foto eBay |
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| Foto eBay |
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
[0233] QUANDO A ARTILHARIA ANTI-AÉREA VIGIAVA OS CÉUS DO PORTO GRANDE, por Adriano Miranda Lima
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| Adriano Miranda Lima |
Como diz o título, à época da segunda Guerra Mundial, a artilharia anti-aérea vigiava o Porto Grande. E a nossa “Praia de Bote” estava, implicitamente, sob o chapéu protector, claro está. Que isto fique desde já assegurado, ou não tivesse a dita Praia sobrevivido até agora, vivinha da silva.
Ora, esta antiga peça de artilharia anti-aérea de calibre 9,4 cm presente nas fotos pertencia, entre outras, a uma das baterias (unidade táctica elementar de artilharia comandada por um capitão) instaladas no cimo do Monte de Sossego. A outra bateria era equipada com peças de 4 cm. Fazia também parte desse dispositivo artilheiro uma unidade de referenciação, constituída por projectores (holofotes), fonolocalizadores, preditores de tiro (1) e seguidores visuais. Desconheço se integrava também radares tácticos e de tiro. Uma vez que este conjunto integrava duas baterias, de comando de capitão, é de supor que o conjunto justificasse o comando de um major. A ser assim, aquelas duas unidades constituiriam um Grupo de Artilharia, embora reduzido nas suas componentes orgânicas, que é sempre de comando de oficial superior (major ou tenente-coronel). Mas admite-se que o conjunto pudesse estar sob o comando apenas de um capitão, já que nessa altura não havia grande abundância de oficiais superiores e o posto de capitão se mantinha até idade bem madura (mais de 40 anos), o que conferia um saber de experiência acumulada ao longo de anos.
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| Peça de 9,4 cm de uma das duas antigas baterias de artilharia anti-aérea de Monte de Sossego (Foto oferecida pelo filho de um antigo oficial que serviu, à época, em Cabo Verde) |
Este dispositivo e outros disseminados pela ilha de S. Vicente fazia parte das Forças Expedicionárias Portuguesas a Cabo Verde durante a Segunda Guerra Mundial (activadas entre 1941 e 1945).
Quem for ao cimo do Monte de Sossego encontra ainda quase intactas as estruturas entrincheiradas, tipo bunker, desse antigo dispositivo militar, construídas então pela engenharia militar portuguesa. E tem também oportunidade de reparar em algumas peças enferrujadas (só se mantiveram as de calibre 9,4 cm) e amputadas de alguns componentes.
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| Foto colhida no blogue de Luís Graça |
Eu fui lá em 2003, e pela primeira vez na minha vida. Não estavam lá soldados nem equipamentos, à excepção das referidas peças enferrujadas. Estavam, sim, pessoas a viver no que resta daquelas instalações construídas em subsolo. Disseram-me que eram pessoas de S. Antão que chegavam a S. Vicente à procura de trabalho e não tinham outra hipótese de abrigo senão os bunkers. Mas penso que actualmente essas instalações estão desocupadas, conforme parecem demonstrar fotos de data mais recente que tive oportunidade de ver mas que não possuo. Tenho de dizer que me impressionou o estado deplorável em que vivia aquela gente. Cheguei ao local acompanhado de um tio e de um primo e fomos imediatamente rodeados por um rancho de crianças, que nos olhavam como se fôssemos extra-terrestres.
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| Foto colhida no blogue de Luís Graça |
Como afirmei atrás, eu nunca tinha ido ao local, mas ao longo da minha meninice algumas manifestações da existência desse dispositivo artilheiro chagavam até mim de vez em quando. Sim, porque alguma coisa ainda lá se manteve depois da saída das Forças Expedicionárias. Lembro-me, nos anos da década de 1950, dos ensaios nocturnos dos projectores (holofotes). Iluminavam tudo em redor e até a distâncias consideráveis. Morava em Fonte Cónego e era uma festa, para a meninada, quando os focos de luz atingiam as casas e mesmo os nossos corpos. Interrompíamos as brincadeiras de “mangatchada” (brincar às escondidas) para nos deliciarmos com o espectáculo de luz que subitamente quebrava a rotina.
Mas voltarei em breve a escrever sobre este e outros factos relacionados com as Forças Expedicionárias a Cabo Verde durante a Segunda Guerra Mundial.
(1) Aparelho que calcula a posição futura do alvo aéreo
Tomar, Agosto de 2012
Adriano Miranda Lima
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
[0232] CONCURSO 9
Não tendo havido desta vez uma resposta explícita ao nosso concurso, houve porém uma que teremos de considerar certa: a do Valdemar Pereira que assim se junta aos três vencedores que já contam cada um com duas sessões premiadas. Como é sabido, ele entra em pânico quando se trata de ramo de acácia e por isso temos sempre disponível para as vitórias do nosso amigo um talo de alho francês.
Tratava-se, tal como ele deixou adivinhar,do Joaquim Stoessel de Sousa (nhô Juquinha ou Djuquinha), chefe da secretaria da Capitania dos Portos que ali trabalhava (daí o "navegava em terra") juntamente com outro excelente profissional, o Sr. Manuel Ferreira Lima.
Mas melhor que aqui o PRAIA DE BOTE, o vencedor Valdemar poderá dar preciosas achegas, sobretudo em relação aos filhos cantantes.
Já agora, sem confirmação, tenho quase a certeza de que a Caixa Postal n.º 7 era a da Capitania dos Portos. É que tenho as cartas que nos foram dirigidas para Cabo Verde noutro local que não aqui em casa. Mas logo que possível tirarei isso a limpo.
Já agora, sem confirmação, tenho quase a certeza de que a Caixa Postal n.º 7 era a da Capitania dos Portos. É que tenho as cartas que nos foram dirigidas para Cabo Verde noutro local que não aqui em casa. Mas logo que possível tirarei isso a limpo.
Mais um cartão de visita e novo desafio, neste concurso extraordinário, feito mais ou menos a meio da semana. Parece-me que será talvez o enigma mais difícil de desvendar, de todos os já aqui apresentados. Mesmo assim, há gente capaz de lá chegar, entre as hostes amigas do PRAIA DE BOTE. Isso sei eu...
Pergunta: quem é este Joaquim?
Ajudas: trabalhava com papéis, era competentíssimo, pessoa muito estimada e navegava em terra. Posso estar um pouco equivocado, mas acho que morava num prédio de primeiro andar que dava para a Praça Estrela, na mesma faceira da antiga casa do Firrim - ou seja, a que partia da Praia de Bote e ia percorrendo os terminais de várias ruas: Matijim, São João, Sá da Bandeira (hoje acho que de Moçambique) Luz, Moeda e Suburbana. Fui a casa dele despedir-me, quando me vim embora, e penso que era mesmo aí.
terça-feira, 31 de julho de 2012
[0231] RÚSSIA... Россия
В последние двадцать четыре часа было 34 русских посетителей. Вы русский? Почему приходят посмотреть этот блог о Кабо-Верде на португальском? Расскажите нам!
Nas últimas vinte e quatro horas tivemos 34 visitantes russos. Você é russo? Porque vem ver este blogue sobre Cabo Verde em língua portuguesa? Conte-nos!
In recent twenty-four hours there were 34 Russian visitors. Are you Russian? Why come to see this blog about Cape Verde in Portuguese? Tell us!
[0230] QUE BLOGUE GANHARÁ?
PRAIA DE BOTE NEWS, Mindelo, 31/Julho - Encontrados os dez candidatos finalistas (entre 586 concorrentes) ao concurso de blogues da Praia de Bote, organizado pela Associação de Pescadores e Vendedeiras de Legumes, Fruta e Monftchóde da Praia de Bote (APVLFMPB). Diz-se localmente que "Praia de Bote" está bem posicionado para obter a vitória mas "Nha bote é nha casa" e "Vascónia é só whisky" também parecem ter grandes possibilidades de arrancar o apetecido prémio. Eis a lista de onde sairá aquele que será considerado por um ano o melhor blogue da praia que enfrenta o Porto Grande:
"Botequim Tartaruga Pirata"
"Cais Nacional"
"Club Sportivo Mindelense t'entrá na mar"
"Mari Salema, rainha d'Praia d'Bote"
"Nha bote é nha casa"
"Praia de Bote"
"Stóra de Luzia Lima de Deus d'Plurium d'Pêxe"
"Torre de Belém ca tem pastel de nata"
"Uril di Praia"
"Vascónia é só whisky"
[0229] LIVRO "MORNAS - CANTIGAS CRIOULAS" DE EUGÉNIO TAVARES (3 - FORÇA DE CRECHEU)
Força de Crecheu
Ca tem nada na es bida
Más grande que amor.
Se Deus ca tem medida,
Amor inda é maior…
Amor inda é maior,
Maior que mar, que ceu:
Mas, entre otos crecheu,
De meu inda é maior.
Crecheu más sabe,
É quel que é de meu.
El é que é chabe
Que abrim nha ceu…
Crecheu mas sabe
É quel
Que q´rem…
Se ja´n perdel,
Morte ja bem…
Ó força de crecheu,
Abri ´n nha asa em flor!
Deixa ´n alcança ceu
Pa´n bá oja Nós Senhor
Pa´n bá pedil semente,
De amor coma es de meu
Pa´n bem da todo gente
Pa todo conché ceu!
sábado, 28 de julho de 2012
[0228] CONCURSO 8
O nosso leitor JOÃO BRITO ganhou mais um ramo de acácia, ao vencer a 8.ª edição do concurso do PRAIA DE BOTE. Embora ele não tenha respondido integralmente à pergunta, merece sem dúvida alguma o troféu.
Ora a primeira parte da pergunta era "onde". E o onde era a ilha de S. Vicente. Mas isso não chegava, visto que era necessário indicar o sítio exacto: "lugar de Montevideu" (zona que olha para a tal pessoa cuja cara bem conhecemos, em forma de monte). Assim se explica a história da desenvolvida ex-colónia lusa que é o Uruguai (capital, Montevideu) ou então a antiga colónia portuguesa de Sacramento, para sermos mais exactos. Ainda hoje nesse florescente país sul-americano há imensos apelidos de origem portuguesa e a memória da antiga potência colonial é estimada.
Quanto aos dois edifícios, eram de facto o Fortim d'El-Rei e o Miradouro Craveiro Lopes.
Relativamente ao objecto e às circunstâncias em que foi erigido, podemos dizer o seguinte: a cruz de Cristo estava no topo de um padrão dedicado ao colonizador Diogo Afonso (pedra) que tinha perto da base um escudo em bronze que hoje está no pedestal da estátua de Diogo Afonso na Praia de Bote (fica assim também desvendado outro enigma que por aqui andou a dar cabo de algumas cabeças). O padrão estava a ser construído em Maio de 1955, nas vésperas da chegada do Presidente da República Craveiro Lopes, ao mesmo tempo que se acabava o Campo de Instrução Militar do Morro Branco, no mesmo âmbito da visita do PR.
O padrão tinha 4,5 metros de altura e na face fronteira a dedicatória a Diogo Afonso. Hoje nada deve sobrar dele, embora em 1999 tenhamos ainda visto o que restava, a base. Do mesmo ficam duas imagens. Numa delas, vê-se um nosso conhecido, incansável vasculhador das coisas da ilha desde cedo... Nos pés, uns chinelos saiko...
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| Foto IICT |
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| Nota de jornal da época |
Pergunta: onde e em que circunstâncias foi erigida esta cruz de Cristo?
Ajuda 1: a resposta tem de integrar uma palavra que tem a ver como uma ex-colónia portuguesa onde o progresso é uma constante e a memória de Portugal também.
Ajuda 2: quem tirou a foto estava virado para o Atlântico.
Ajuda 3: perto, apenas dois edifícios...
Quem ganhará desta vez o cobiçado ramo de acácia?
sexta-feira, 27 de julho de 2012
[0227] COISA NUNCA VISTA, SUCESSO TOTAL
GAZETA DA PRAIA DE BOTE, Mindelo, 27/Julho - Uma multidão compacta, composta por milhares de blogueiros, está a convergir para a Torre de Belém (antiga Capitania dos Portos). Foi ali que a Associação de Pescadores e Vendedeiras de Legumes, Fruta e Monftchóde da Praia de Bote (APVLFMPB) teve de montar escritório, devido ao facto de a sua sede (situada ao lado da do Mindelense) não ter capacidade para receber tanta gente que quer concorrer ao "Bloggie Beach Boat 2012". Há notícia de pelo menos dois esfaqueamentos e de um blogueiro com vários dentes partidos por uma blogueira exaltada que lhe queria passar à frente na fila. A pliça de São Vicente não está dar conta do recado, pelo que a Câmara local já pediu às autoridades nacionais o envio de uma força de fuzileiros e de um helicóptero da Guarda Costeira para a manutenção integral da ordem pública. O concurso está a gerar enormes expectativas, dando ao Mindelo uma atmosfera só comparável com a que habitualmente se vive na época do Carnaval.
O PRAIA DE BOTE, que foi o primeiro blogue a fazer a sua inscrição, irá dando notícias. Por agora, apenas divulgamos a lista de blogues inscritos e a daqueles que por um motivo ou por outro não foram admitidos.
"Arrozcatum" - Não admitido, por questões geográficas
"Botequim de nha Xanda" - Não admitido, por vender grogue destilado através de bateria de automóvel
"Botequim de Nizinha Semedo" - Não admitido, por servir bebidas alcoólicas a adolescentes e idosos
"Botequim Tartaruga Pirata"
"Caroce de manga" - Não admitido, por questões de saúde pública
"Cais de Shell" - Não admitido, por questões de poluição ambiental
"Cais Nacional"
"Mindelense ta ganhá tude"
"Nha bote é nha casa"
"Praia de Bote"
"Pupu é na Praia de Bote" - Não admitido, por questões de saúde pública
"Regresso de Caizim, já!" - Não admitido, por questões de saúde pública
"Shipshandler Nhelas de Nha Bia Évora" - Não admitido, por se ter verificado que não vende coletes de salvação
"Stóra de Luzia Lima de Deus d'Plurium d'Pêxe"
O PRAIA DE BOTE, que foi o primeiro blogue a fazer a sua inscrição, irá dando notícias. Por agora, apenas divulgamos a lista de blogues inscritos e a daqueles que por um motivo ou por outro não foram admitidos.
"Arrozcatum" - Não admitido, por questões geográficas
"Botequim de nha Xanda" - Não admitido, por vender grogue destilado através de bateria de automóvel
"Botequim de Nizinha Semedo" - Não admitido, por servir bebidas alcoólicas a adolescentes e idosos
"Botequim Tartaruga Pirata"
"Caroce de manga" - Não admitido, por questões de saúde pública
"Cais de Shell" - Não admitido, por questões de poluição ambiental
"Cais Nacional"
"Mindelense ta ganhá tude"
"Nha bote é nha casa"
"Praia de Bote"
"Pupu é na Praia de Bote" - Não admitido, por questões de saúde pública
"Regresso de Caizim, já!" - Não admitido, por questões de saúde pública
"Shipshandler Nhelas de Nha Bia Évora" - Não admitido, por se ter verificado que não vende coletes de salvação
"Stóra de Luzia Lima de Deus d'Plurium d'Pêxe"
[0226] O CONCURSO QUE TARDAVA, UMA GRANDE INICIATIVA
Está à porta o I Grande Concurso de Blogues da Praia de Bote a arredores de morada "Bloggie Beach Boat 2012"
A Associação de Pescadores e Vendedeiras de Legumes, Fruta e Monftchóde da Praia de Bote (APVLFMPB) promove a partir de hoje e até 31 de Julho os trabalhos para o I Grande Concurso de Blogues da Praia de Bote. Os blogues concorrentes deverão dar entrada nos serviços administrativos da APVLFMPB até às 24 horas de dia 31 do presente mês. Única condição imposta é serem os ditos exclusivos divulgadores de assuntos da Prais de Bote e arredores largos de morada. Os resultados do prélio serão conhecidos durante o mês de Agosto, em data a anunciar, durante a grandiosa gala que se realizará nas ruínas do Eden Park. Em disputa, a APVLFMPB tem um balaio tamanho XXL com vinte tranças de monftchóde, dez quilos de midje, duas dúzias de manga di tera e uma garoupa gigante.
O PRAIA DE BOTE anuncia desde já aos seus colaboradores e aderentes que participará neste interessantíssimo concurso - que obviamente espera vencer.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
[0225] UM ESCUDO ANTES ESQUECIDO E AGORA RESPEITADO
O escudo de armas de um país, tal como a bandeira e o hino, são os seus símbolos perenes mais óbvios. O Presidente da República também, embora aí, porque eleito, nem sempre o dito cujo tenha o apoio de todo o povo. Ainda por cima, sendo figura temporária - ele, pessoa, que não o cargo, mas mesmo assim...
Quanto a escudos, temos uma conversa por terminar, quanto a um de bronze de que falámos antes, parece-me que no primeiro concurso (ainda não formal) que aqui tivemos. Ninguém acertou, mas o PRAIA DE BOTE também não concluiu a explicação. Meteram-se outros assuntos e a coisa morreu. Fica para a próxima vez, desde já prometido e a cumprir.
Falemos hoje de outro escudo. De um que encontrámos em 1999 no chão do pátio do liceu Gil Eanes, à esquerda de quem entrava pela porta principal. Lá ao fundo, debaixo da arcada, esquecido e abandonado, embora não vandalizado. Tratava-se do escudo dos finais da realeza. Portanto, fora dos tempos anteriores à instalação do Liceu, quando o edifício ainda era quartel ou correio (o que parece ser a versão correcta), ou então alguém o retirara da Câmara Municipal, da Alfândega ou de outro edifício anterior ao advento da República, pensámos nós.
Entretanto, um nosso leitor, José Marcos Soares (Zeca Soares), informou-nos que tinha colaborado no restauro e novo enquadramento do escudo. Posteriormente, teve a amabilidade de nos enviar duas fotos do mesmo, no actual local, ainda dentro do velho Gil, com uma nota sobre o processo que a isso levou. Ficámos então a saber que a devolução da dignidade ao escudo português se deve a Leão Lopes, reitor do M_EIA, Escola Internacional de Arte fundada em 2004 que está desde 2007 no Liceu velho.
Honra seja portanto feita ao Leão Lopes que sem complexos soube honrar o mármore que agora para Cabo Verde é sobretudo um objecto de Arte e de História e que por esse motivo ainda mais merecia a elevação que finalmente obteve. Neste sentido, o PRAIA DE BOTE agradece o feito do LL e a simpatia do envio das fotos pelo Zeca Soares.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
[0224] O ASPECTO REAL DAS CAIXAS DE CHUINGAS DANDY (ver também o post 223)
Tanto procurei que dei com o aspecto real das chuingas Dandy na sua caixinha, tal como eram vendidas diazá no Mindelo. E esta versão com as imagens que davam ilusão de movimento era de 1963, como aqui se vê. Deixei o endereço propositadamente à vista, para quem quiser dar uma passagem de olhos no site onde encontrei a imagem. Do chefe índio, não me lembrava. Mas dos outros três, sim: as raparigas do can-can, o moinho de vento e o cão com a mosca no nariz (esse tive-o mas levou descaminho).
Também dei com a história da empresa americana Vari-Vue que inventou a visão lenticular (1930). Ver no post anterior o verso de dois dos quadradinhos que ainda se mantêm visíveis na minha colecção. Para ver a história da fábrica, clicar na palavra Vari-Vue.
A Internet tem tudo, de facto. Basta é saber procurar.
Também dei com a história da empresa americana Vari-Vue que inventou a visão lenticular (1930). Ver no post anterior o verso de dois dos quadradinhos que ainda se mantêm visíveis na minha colecção. Para ver a história da fábrica, clicar na palavra Vari-Vue.
A Internet tem tudo, de facto. Basta é saber procurar.
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