Praia de Bote aguarda com expectativa notícias dos quatro velejadores portugueses, ex-oficiais da Armada em romagem de saudade ou de alguma das figuras do Mindelo a quem foram recomendados sobre o andamento da viagem. Esperemos, pois...
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
terça-feira, 19 de novembro de 2013
[0628] No início de 1918, a menos de um ano do final da Grande Guerra, os boches e o seu imperador ainda pensavam em Cabo Verde
VER POST ANTERIOR SOBRE O COLÁ SAN JOM
O PdB divulga hoje aos seus leitores uma notícia de 10 de Janeiro de 1918 do jornal americano "Richmond Times-Dispatch". Nele se mostra que o interesse dos alemães pelas ilhas de Cabo Verde é bem anterior ao assunto do post de há dias relativo ao artigo que temos em curso de escrita, esse sobre os náufragos cabo-verdianos durante a II Guerra Mundial. A guerra só acabaria em Novembro de 18 mas os rapazes da salsicha Bratwurst não sossegavam... Veja AQUI um interessantíssimo filme sobre os submarinos alemães dessa época.
[0627] Presidente da República de Cabo Verde congratula-se por Portugal elevar "Colá San Jon" a património cultural imaterial. Mais uma vez, os dois países unidos.
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| Foto Joaquim Saial - Barco "Sagres"do "Colá San Jon" na Biblioteca Municipal de São Vicente (Agosto.1999) |
O Presidente de Cabo Verde saudou ontem (18.Novembro) o reconhecimento e inclusão do "Colá San Jon", expressão cultural cabo-verdiana, no inventário do Património Cultural Imaterial de Portugal.
Num comunicado da presidência cabo-verdiana, Jorge Carlos Fonseca lembrou que o "Colá San Jon" é uma manifestação do património cultural imaterial cabo-verdiano, "pela sua profundidade histórica, dimensão ritual e ancoragem social na respetiva comunidade".
"Enquanto Presidente da República, expresso a minha profunda satisfação por tamanha distinção conseguida a favor desta expressão cultural que tem desempenhado, na nossa comunidade na diáspora, em particular na residente em Cova da Moura (Portugal), um papel primordial de mobilização social e de reforço identitário", disse.
NOTA: A notícia refere esta manifestação cultural como "Kola San Jon".
Dado que o PdB é um blogue de São Vicente e na nossa ilha ninguém gosta de "kapas",
vertemos a exógena letra num óbvio "C" e acentuámos o "a". Afinal de
contas, nisto de linguajar e escrevinhar, deve dar-se o seu a seu
dono...
Agência Lusa
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| Foto Joaquim Saial - Barco "Arquipélago" do "Colá San Jon" na Biblioteca Municipal de São Vicente (Agosto.1999) |
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
[0626] Fortim d'El Rei, símbolo máximo do desprezo pelo património
À semelhança do que o "Praia de Bote" e o "Arrozcatum" fizeram recentemente, "Notícias do Norte", sítio noticioso de Cabo Verde, dá conta (e com filme) AQUI do estado miserável de abandono e desprezo do Fortim d'El Rei (NOTA: não percebemos para que entraram no nome da velha fortificação aqueles "y" e o "del", numa estranha grafia a atirar para o castelhano...). O que poderia ser por exemplo uma pousada ao estilo das que se fizeram em Portugal ou em Espanha (ali designadas como Paradores Nacionales), salvando-se deste modo muitos monumentos da ruina, é neste momento um pardieiro degradado e infecto, à espera que o tempo e os vândalos dêem uma ajuda aos políticos do poder central e local que nunca para ele olharam porque não estão para perder tempo com tais ninharias. Devem estar mesmo a pensar: "Quanto mais depressa caires, mais depressa se calam estes tipos com manias de defesa do património." O Pd'B não consegue é perceber como é que os que têm responsabilidades no assunto ainda têm lata de sair à rua e enfrentar os seus concidadãos sem a cara enfiada dentro de um saco... E mais não dizemos, porque o PdB não é blogue de marteladas. Porém, era impossível não deixarmos aqui o nosso contributo de alerta, perante tamanho desmando. E, embora eles pensem que não, a História registará os nomes dos que passaram pelo Governo e pelo poder local durante a queda lenta de um dos mais emblemáticos edifícios coloniais de São Vicente e logo de Cabo Verde. Seguem duas fotos de Setembro deste ano do infeliz Fortim.
| Foto José Carlos Marques - Fortim d'El Rei, São Vicente de Cabo Verde |
| Foto José Carlos Marques - Fortim d'El Rei, São Vicente de Cabo Verde |
domingo, 17 de novembro de 2013
[0625] Sarok-ból idő, visszatért a Budapest
Mais coisa, menos coisa, traduzir-se-á o título húngaro do Pd'B de hoje por "Esquina do Tempo regressou de Budapeste". Aqui ficam, em homenagem ao esquinador-mor, estas quatro fotos feitas pelo Pd'B em 2007 na capital da Hungria. A primeira tem um sabor especial. No dia, 22 de Setembro, o Pd'B chegou a este exacto local por volta da uma ou duas da tarde. Junto aos barcos-restaurante que se vêem na imagem, havia altifalantes que debitavam música do mundo. Adivinhem quem o Pd'B ouviu logo que lá chegado. A Cesária, pois claro. E pela única vez, fora de Portugal ou Cabo Verde... Por todos os motivos e mais este, a presente zona de Peste ficou na nossa memória. À noite, o Pd'B voltou lá para fazer esta foto em negro e ouro que agora deve estar a relembrar boas memórias ao esquinador-mor e algum goulasch comido na Rua Vaci...
| Foto Joaquim Saial - Danúbio fotografado do lado de Peste |
| Foto Joaquim Saial - Pescadores no Danúbio (margem de Buda) |
| Foto Joaquim Saial - Ponte das Correntes, vista da margem de Peste |
| Foto Joaquim Saial - Danúbio visto a partir de Buda |
sábado, 16 de novembro de 2013
[0624] Tierra caboverdiano de Paraguay, quien es tu dueño?
A ideia era irresistível.Mas parece que não há mesmo bela sem senão... Clique AQUI, para ter um desgosto com sabor a milho...

sexta-feira, 15 de novembro de 2013
[0623] Última hora e supomos que primeira mão: aprovada ontem moção de apoio à candidatura da "morna" a Património Imaterial da Humanidade (UNESCO) pela Assembleia Municipal de Almada - Portugal
Saudação / moção de apoio à candidatura da Morna a Património Imaterial da Humanidade
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| Cesária Évora |
A morna é um género musical de Cabo Verde, tradicionalmente tocado com instrumentos acústicos e aquele que também melhor reflecte a realidade insular do povo, o romantismo dos seus trovadores e o amor que os cabo-verdianos nutrem pela sua terra.
Nesse sentido, trata-se de um símbolo verdadeiramente nacional, tal como outros géneros o são para os respectivos países, sendo, por isso, o único género que consegue ser transversal a todos os grupos etários da população local e um dos traços mais identificáveis de Cabo Verde, podendo mesmo afirmar-se que possui um carácter singular.
Produto das migrações humanas que começaram no séc. XV e das culturas europeias, africanas e brasileiras, tornou-se em poucos anos (devido ao génio criativo cabo-verdiano de saber adaptar à sua índole o que chega às ilhas), numa forma musical única, sobretudo devido ao ritmo notavelmente sincopado, ao elegante evoluir melódico, à sua riqueza poética, e diga-se, a uma maneira de estar no mundo através da expressão musical.
Expressão intrinsecamente ligada ao povo deste arquipélago, situado no meio do atlântico, a morna é uma música bastante antiga e faz parte da idiossincrasia cabo-verdiana (tendo em Cesária Évora, Bana, Titina, Celina Pereira, Ildo Lobo e Tito Paris, alguns dos seus mais recentes e destacados intérpretes), assume-se como um dos traços identitários daquele país de língua oficial portuguesa, reflectindo a alma e o sentimento do povo daquele país, à semelhança do que sucede com o fado, o tango, a salsa ou o flamenco, nos casos de Portugal, Argentina, Cuba e Espanha.
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| Titina |
A decisão constituiu o início de um projecto tendente à preparação de um dossiê a submeter à apreciação da UNESCO, o qual está a ser elaborado por uma comissão criada para o efeito, prevendo-se a formalização da referida candidatura no decurso de 2014.
Assim, ciente da importância histórica, social e cultural que a Morna tem para o povo cabo-verdiano e a relevância artística que a mesma assume no contexto da preservação da memória e identidade de um povo ao qual nos unem fortes laços de amizade;
Atenta à vocação universalista das gentes de Almada e ao papel que a comunidade cabo-verdiana aqui radicada teve na criação da identidade multicultural que o concelho hoje possui, assim como a inestimável contribuição que ao longo de várias décadas tem prestado ao desenvolvimento concelhio, a Assembleia Municipal de Almada reunida a 14 de Novembro de 2013 delibera:
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| Bana |
1 - Congratular-se com a decisão do Governo de Cabo Verde de candidatar a Morna a Património Imaterial da Humanidade.
2 - Saudar todos os agentes culturais e sociais envolvidos nesta candidatura e manifestar o seu desejo de que tal processo venha a merecer o veredicto favorável da UNESCO.
3 - Felicitar todos os cabo-verdianos residentes no concelho e as suas instituições associativas envolvidas neste processo, expressando, deste modo, o apoio do Município de Almada à referida candidatura, por entender que a mesma veicula princípios e valores que sendo identitários dos cidadãos cabo-verdianos, também o são da população almadense.
Almada, 14 de Novembro de 2013
A Bancada do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Almada
Enviar este documento a:
Embaixada de Cabo Verde em Portugal
Comunidade de Povos de Língua Portuguesa
UCLA União das Cidades de Língua Portuguesa
Presidência da Assembleia da República
Grupos Parlamentares
Presidência da República
Secretário de Estado da Cultura
Ministério dos Negócios Estrangeiros
Órgãos de Informação
É com muito orgulho e gosto que Praia de Bote divulga esta moção que, sendo apresentada por apenas um partido, foi ontem aprovada por unanimidade na 1.ª sessão da nova Assembleia Municipal de Almada surgida das recentes eleições autárquicas portuguesas e única que teve o apoio geral entre as 18 levadas à mesa. Passou assim a ser assumida oficialmente pelo órgão autárquico, com as consequências que daí se podem tirar. Não é em vão que no concelho de Almada vivem milhares de cabo-verdianos e... aqui se situa a sede do PRAIA DE BOTE. Não podemos no entanto esquecer a importância decisiva da acção que o nosso amigo poeta e jornalista Fernando Fitas (companheiro na homenagem recente feita na Cova da Piedade - Almada a Jorge Barbosa) teve no lançamento da moção, sobretudo não sendo ele membro do partido que a apresentou.
[0621] Pêxe fresque, olil!
Pêxe fresque é na plurim de Soncente!
Fotografias recentes, enviadas pelo nosso colaborador Valdemar Pereira (ao qual se agradece a costumeira amabilidade), sem indicação de autoria. Quem terá sido o (a) felizardo (a) a ter acesso a tão preciosos frutos do mar, colocando-os depois em foto para a posteridade? É claro que peixe fresco sem Torre de Belém e Diogo Afonso não teria aquele gosto característico da Praia de Bote. E o (a) fotógrafo (a) sabia isso...
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
[0620] Nem mais! Sim, visão estratégica é isto!
Cabo Verde deve receber, a 20 deste mês, 15 mil toneladas de milho, a primeira produção oriunda do terreno comprado em 1985 pelo Estado cabo-verdiano no Paraguai para a produção de cereais que chega ao arquipélago.
O projecto, denominado "Ilha Verde", nasceu em 1985, quando Cabo Verde comprou um terreno no Paraguai para a produção agrícola fora do país, com vista a suprir as necessidades internas de cereais devido à fraca produção nacional.
Além do milho, estão a ser cultivados no Paraguai produtos como trigo, arroz, soja, cana-de-açúcar, mandioca, feijões e frutas, entre outros, que serão transportados posteriormente para Cabo Verde, onde servirão de matéria-prima para outras unidades de transformação agroindustrial.
Durante uma visita à Unidade de Armazenamento de Cereais, instalado no Porto da Cidade da Praia, o primeiro-ministro cabo-verdiano destacou que o "Ilha Verde" é uma "grande referência para o empresariado cabo-verdiano", virado para o país, mas também com ambições de transformar os produtos agrícolas e exportá-los para o mercado oeste-africano.
"O que se está a projectar à volta desta propriedade no Paraguai é trazer cereais e desenvolver um pólo industrial no domínio agroalimentar para o mercado nacional e para a diáspora", afirmou.
"Mas também há a intenção de Cabo Verde se poder inserir no espaço da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), aumentando a nossa capacidade industrial e de exportação e, consequentemente, gerar milhares de postos de trabalho e garantir mais rendimentos para as pessoas, além do efeito fundamental na nossa soberania alimentar", disse.
Para José Maria Neves, o projecto "Ilha Verde" contém "uma visão e uma grande capacidade" de empreendimento, constituindo-se como uma iniciativa "ousada", mas também de "grande persistência e paciência" dos empreendedores.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
[0619] Adeche! Governadores civis para quê?
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| Arsénio de Pina |
A expressão adeche é uma interjeição de pasmo, de indignação ou reprovação, muito usada na região de Barlavento, sobretudo em S. Vicente, que herdámos dos judeus, segundo me esclareceu o amigo e patrício Aguinaldo Wahnon (Adosh = Oh Deus! Valha-me Deus!), judeus nossos antepassados do princípio da colonização e, mais tarde, provenientes de Marrocos, para onde tinham fugido para escapar à Inquisição em Portugal e Espanha, quando as condições de existência neste último país também se deterioraram. Utilizo-a ao ter conhecimento da decisão governamental de dotar cada ilha de um governador civil, num simulacro de reforma da Administração Pública, e presumo que também resultado do estudo de uma comissão criada pelo Governo para o estudo da descentralização, regionalização e reforma administrativa. Este estudo foi proposto, há cerca de dois anos, pelo Movimento para a Regionalização de Cabo Verde e divulgado pelo activo Grupo de Reflexão para a Regionalização de Cabo Verde de S. Vicente e outros livres-pensadores ilhéus que vêm esclarecendo a população, com visitas aos bairros e palestras, sobre a sua finalidade, e pressionando o governo para a constituição de uma comissão pluridisciplinar e intersectorial para o estudo, que não foi a que o Governo criou, que acaba de parir não, à semelhança da montanha, um rato, mas teve um aborto com a figura de governador civil.
A experiência de governadores civis, nomeados pelo Governo, já tinha sido tentada no tempo do governo do MpD, dependendo inteiramente do ministro de tutela, actuando os governadores como tentáculos do poder central, e passando a maior parte do tempo ao telefone a auscultar o poder central para resolver assuntos até de lana caprina.
Constata-se com esta medida - que o Governo actual tinha posto fim ao regressar ao poder alegando que era uma medida para tirar força ao autarca e para guitar, de perto, as ilhas - haver gente no poder central que recusa mexer no centralismo dito democrático e que se está nas tintas pela descentralização e regionalização do país. Quer é a desconcentração às pinguinhas, decidida a nível central sem nenhuma participação das pessoas directamente interessadas e afectadas, quando a descentralização e regionalização implicam participação dos cidadãos, das comunidades, na escolha dos seus representantes e participação na gestão da coisa pública, por serem elas que melhor conhecem os problemas locais e regionais e não quem está confortavelmente instalado na Praia, longe dos problemas e da realidade periféricos. Realmente uma seca essa do centralismo! Alapou-se ao Regime e está renitente a espraiar pelo país os poderes que retém ciosamente.
Não se atende ao facto da existência de um sentimento regionalista, particularmente em algumas ilhas do país que se sentem discriminadas em relação à Praia e Santiago. Isto porque o poder central tem desinvestido nas ilhas e canalizado os recursos para Praia, Santiago.
Obviamente que a regionalização não pode resumir-se a uma discussão entre partidos políticos e o governo. Será absolutamente necessário que todo o país esteja informado e consciente de tudo o que a regionalização envolve. Por isso é que o Movimento e o Grupo de Reflexão insistem na criação de uma comissão de estudo com as características descritas acima, as únicas entidades e alguns franco-atiradores ilhéus que têm dado um contributo válido para a discussão da matéria.
Há muito a fazer. Há que definir quais os órgãos do poder em cada região e as respectivas competências e atribuições, a forma como as regiões serão instituídas e o regime eleitoral das futuras regiões, o número de regiões e as suas limitações. Portanto, a institucionalização da descentralização/regionalização não é coisa que se faça do pé para a mão, sobre os joelhos, e nem pode ser decidido unicamente pelo Governo; levará o seu tempo, poderá ser implementada gradualmente quando se decidir pô-la em prática, e estamos desperdiçando tempo com medidas avulsas arbitrárias vinda de riba, sem discussão, impostas, sem a participação dos principais intervenientes, a população.
Estamos convencidos de que a regionalização do país criaria uma dinâmica de desenvolvimento, de políticas públicas eficientes, de participação efectiva da população e de acordo com as características e vocações de cada ilha e região. Somente a regionalização nos permitiria controlar as finanças públicas e fazer uma verdadeira reforma na administração pública.
Parede, Novembro de 2013
Arsénio Fermino de Pina
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
[0618] O tipo era mesmo um patife! Ou como fugir a um conselho de guerra...
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| A fortaleza de Penedo, em Luanda, mais ou menos pela altura da notícia |
No próximo post, teremos mais um artigo de Arsénio de Pina.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
[0617] "Vole au Vent" chegará a São Vicente por volta do dia 20
Em encontro que hoje tivemos em Lisboa, o comandante Conceição e Silva informou o Pd'B mais detalhadamente sobre a viagem de que aqui temos vindo a falar. Assim... o "Vole au Vent" já está na ilha da Madeira, com o seu proprietário e mais um tripulante (ou dois, não ficámos a perceber muito bem) e o comandante e (ao que parece) outro velejador partirão na próxima semana de avião para o Funchal, a fim de se juntarem aos colegas. Daí que, com muita pena nossa, não possa haver fotos da partida do iate da capital portuguesa. Reunidos os quatro elementos, o "Vole" visitará ainda as Desertas, para deixar mais uma pegada lusitana anti-cobiça-espanhola, passará depois pelas Canárias (onde apenas ficará cerca de 24 horas) e daí segue para o Porto Grande, onde deve chegar por volta do dia 20 deste mês.
A uma mesa de "A Brasileira" do Chiado, desfiaram-se por cerca de duas horas memórias do Mindelo, viram-se fotografias de antigos barcos de cabotagem (feitas pelo comandante em anteriores viagens e outras fornecidas pela Foto Melo), trocaram-se informações de investigação mútua sobre Cabo Verde (aliás, muito próxima), deram-se indicações úteis ao viajante e ficou a promessa de no regresso haver fotografias e até um eventual diário de viagem, a publicar em vários episódios no Pd'B. Esperemos, então!...
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
[0616] Encontro previsto no anterior post sempre se realizará amanhã
Como prevíramos, amanhã traremos aos frequentadores do Praia de Bote novidades sobre a viagem do "Vole au Vent" em direcção aos Estados Unidos da América com paragem no Porto Grande. Entre essas novidades, estarão as datas da partida do veleiro (dentro de muito breves dias) e da sua chegada (data aproximada) à cidade das maravilhas, o Mindelo. terça-feira, 5 de novembro de 2013
[0615] Iate português "Vole au Vent" chegará em breve ao Mindelo, em viagem para os Estados Unidos da América. "Praia de Bote" irá dando notícias
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| Jeanneau Sun Odyssey 44, semelhante ao "Vole au Vent" |
Sou leitor assíduo dos blogues "Praia de Bote" e "Esquina do Tempo" e de outras fontes de informação acerca de Cabo Verde, pois tenho sempre muito gosto em saber novidades sobre uma terra à qual me ligam laços de afectividade que o tempo não desvanece - como aliás sucede com o pessoal da Marinha que teve oportunidade de conhecer o arquipélago em estadias frequente e prolongadas.
Acontece que um grupo de quatro oficiais da Armada (reformados) prepara uma visita a Cabo Verde em Novembro, com permanência de alguns dias no Mindelo, a bordo do veleiro "Vole au Vent", pertencente a um deles - o comandante Frederico Blanc (...)
Não se trata, propriamente, de "escala numa viagem turística", mas sim da concretização de um desejo, comum aos quatro, de revisitar uma terra por onde todos passaram várias vezes, durante as suas carreiras navais, e da qual guardam fortes e boas recordações.
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| Jeanneau Sun Odyssey 44, semelhante ao "Vole au Vent" |
Ora, como seria de esperar, o "Pd'B" contactou de imediato o autor da missiva, comandante Guilherme Conceição e Silva (ver AQUI referência a este oficial da Armada em post antigo do Pd'B) e, apesar da limitação de tempo imposta pela partida próxima do veleiro, ficou a possiblidade de um encontro depois de amanhã em Lisboa. De qualquer modo, Pd'B fará os possíveis por assistir à partida do iate e fazer a reportagem que se impõe. Por outro lado, fica a "pulga no ouvido" dos leitores Mindelenses para que dêem recepção condigna a estes quatro intrépidos aventureiros e amantes da cidade das maravilhas, dois dos quais seguirão para a América, regressando os restantes a Lisboa por via aérea.
A partir de hoje e até que o navio chegue a São Vicente, o Pd'B estará apenas dedicado a este assunto.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
[0614] Concerto no Eden Park, com José Alves dos Reis (senhor Reis) e Spinoza Paeff, em 18 de Março de 1932
Aquela noite de Março no Eden Park previa-se animada, pois os nomes dos concertistas, em piano e violino, prometiam.
No programa ao dispor do público, estavam dois executantes, sendo o pianista homem da casa. Tratava-se de José Alves dos Reis (Senhor Reis ou "Ti Reis") por sinal nascido em Bolama, na colónia portuguesa da Guiné, em 1895, mas falecido no Mindelo, em 1966. Estudou música em Portugal, num seminário e no conservatório e depois na Alemanha e em Itália. Um acaso evitou que fosse para o Brasil, tendo ficado em São Vicente, onde fundou a Banda Municipal, educou várias gerações de músicos e ensinou Canto Coral ao "dono" desta Praia de Bote...
O violinista Spinoza Paeff viera da América do Norte. Contratado de propósito? De passagem de ou para a Europa? Não no-lo diz o jornal luso-americano onde bebemos a notícia. De qualquer modo, era personagem já com algum gabarito que havia de participar nas gravações de vários artistas de renome como Pat Boone, Frank Sinatra ou Count Basie. E tocaria viola, por exemplo, na banda sonora de Elmor Bernstein em "Desejo sob os Ulmeiros", filme com Sophia Loren e Anthony Perkins.
Aqui está, portanto, mais uma nota que honra a "Santa Casa do Eden Park" do Mindelo, defunta pela incapacidade dos homens de poder do Mindelo e de Cabo Verde (e mulheres..., pelo menos uma) em a manterem.
[0613] 18 de Março de 1932, no Eden Park, um concerto!...
Não se trata de novo concurso do Pd'B, dada a dificuldade da pergunta, à qual nem quem a faz saberia responder se não tivesse cábula, resultante das suas contínuas excavações... De qualquer modo, "nôs ta dá um sucrinha" a quem descobrir quem tocou no concerto. Digamos que eram dois rapazes (um dos quais o Pd'B conheceu), com diferentes instrumentos, ambos exímios na sua área, um da casa (sem afinal o ser mas sendo-o como se o fosse...), outro proveniente dos States. Grandes tempos, esses da hoje falecida casa de espectáculos, a maior e mais mítica sala de vistas do Mindelo, jamais igualada.
Enquanto pensam, os nossos leitores podem dar uma vista de olhos ao post anterior, onde poderão comentar o texto de Arsénio de Pina.
[0612] Texto de Arsénio de Pina, do início deste ano, mas ainda actual
ADECHE! FALOU EM DESCONCENTRAÇÃO?
Não deve ter-me entendido, caro amigo. Falava de descentralização, a pensar na regionalização, dado que a desconcentração de departamentos e serviços públicos, existente entre nós, é uma modalidade travestida de descentralização, engendrada pelo centralismo, para ludibriar o pagode, dado esses serviços não conterem gente eleita pela população, mas nomeada pelo poder central. Refiro-me em artigos, bastas vezes, em primeiro lugar, à descentralização por a regionalização ser uma consequência dela. Nunca é demasiado falar numa, como noutra, por nos parecer ser uma boa estratégia para o país poder sair do marasmo em que se encontra. O Movimento para a Regionalização, Descentralização e Autonomia de Cabo Verde, com o apoio do grupo dinamizador de S. Vicente, de individualidades de outras ilhas e da diáspora, além do aval do Presidente da República e, tardio, do Primeiro-Ministro, quanto ao estudo da regionalização, não irá calar-se, nem desanimar com o silêncio do Governo que tarda em constituir, ou criar as condições para a formação de uma comissão pluridisciplinar e multissectorial para o estudo da regionalização. Só depois do seu estudo aprofundado e minucioso, que poderá, inclusive, contar com o apoio financeiro e técnico de alguns países amigos com experiência na matéria, é que se poderá concluir se convém, ou não ao país; convindo - como estamos convencidos -, proceder-se-ia à sua apresentação à Assembleia Nacional para discussão, adaptação da nossa constituição, criando-se legislação pertinente para a sua execução; muito provavelmente será ensaiada numa, ou duas ilhas, antes de alargada a todo o país. Obviamente que o seu estudo não demorará dias ou poucas semanas, razão por que todo o tempo perdido com a hesitação (tactica?) do Governo é prejudicial.
A nossa constituição não é avessa à descentralização, nem mesmo, por este motivo, à regionalização. Só há que adaptá-la (revê-la) a essa melhoria. Talleyrand, esse monstro da política e jurista, que conseguiu passar incólume da Monarquia Absoluta à Revolução Francesa e República, ensinou, friamente, que não é de legalidade que se trata em situações desse tipo, até porque os preceitos constitucionais costumam ter a elasticidade suficiente para consagrarem o que a necessidade exige (o sublinhado é meu). Também Stuart Mill escreveu, há cerca de um século, que “a constituição não existe para benefício dos partidos nem dos governos, mas dos cidadãos” (sublinhado meu). Esperamos que as liberdades e benefícios que a constituição consigna não venham a ser minimizados ou destruídos, como muitas vezes acontece, pela sua própria regulamentação. Assistir-nos-ia, nessa eventualidade, como cidadãos de pleno direito, o direito a convocar a indignação contra a “apagada e vil tristeza” que se atravessou entre algumas ilhas e o futuro da nossa terra e a morosidade de medidas pertinentes visando a sua resolução.
A descentralização e a regionalização de poderes delegados pelo poder central seriam muito favoráveis ao país por permitir simplificar a administração do Estado, eliminar a burocracia e revitalizar o poder local; a sociedade civil e a opinião pública estariam também em condições de criar órgãos próprios e independentes do poder governamental, mas benéficos a este. Ajudaria, igualmente, pela valorização da experiência, honestidade e competência, nos concursos e eleições para certos cargos, a libertar de cargos públicos as clientelas partidárias e políticas incompetentes, parasitárias, oportunistas ou desonestas.
Não há dúvida de que somente na ousadia e na inovação, nas mudanças e reformas é que encontramos a verdadeira segurança e progresso.
O Movimento aceita todas as pessoas, independentemente das suas filiações partidárias, mas como cidadãos e não como militantes activos de partidos e suas quintas colunas, cidadãos amantes da sua terra e que a querem ver progredir ainda mais, poupando-a à acção nefasta de alguns que instalaram na nossa sociedade um estranho clima de impunidade que leva os detentores de cargos públicos a passarem por cidadãos acima de qualquer suspeita, indiferentes à crítica e como donos da verdade. Inclui-se e conta-se no Movimento com gente que partilha a aventura criadora, gente que não esquece as raízes – aí está o grosso da nossa diáspora -, gente de exigência ética e moral, gente solidária, gente que faz dos seus dias um alfabeto de esperança. Cremos e queremos ver beneficiar do direito inalienável de todos os cidadãos deverem usufruir de esclarecimentos, objectivamente, sobre os actos do Estado e de mais autoridades públicas, cabendo aos funcionários públicos e outros detentores do poder satisfazer esse direito dos cidadãos, como obrigação a cumprir com orgulho e satisfação.
Com essas convicções e boa-fé, esperamos que o Governo acene favoravelmente ao Movimento com a constituição da comissão de estudo que propusemos, há cerca de um ano, e não nos venha com evasivas ou alternativas pouco curiais, como, por exemplo, a noticiada pelo jornal nacional A Nação de “o PAICV, enquanto Partido do Governo, admite recorrer a um referendo nacional sobre a regionalização”. […] “O assunto encontra-se sobre a mesa há vários anos, sendo inúmeras as pressões para a sua adopção no país”. A nós parece-nos uma má via, e um meio enviesado, por os referendos se destinarem a matérias altamente controversas, intensamente discutidas e esclarecidas após mobilização, de forma séria, da sociedade em torno do debate – o que não é o que se passa entre nós relativamente à regionalização – funcionando como arma de último recurso, uma autêntica bomba atómica atirada, no nosso caso, sobre inocentes, isto é, sobre cidadãos ainda muito mal informados e esclarecidos.
Parede, Janeiro de 2013
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| Arsénio de Pina |
A nossa constituição não é avessa à descentralização, nem mesmo, por este motivo, à regionalização. Só há que adaptá-la (revê-la) a essa melhoria. Talleyrand, esse monstro da política e jurista, que conseguiu passar incólume da Monarquia Absoluta à Revolução Francesa e República, ensinou, friamente, que não é de legalidade que se trata em situações desse tipo, até porque os preceitos constitucionais costumam ter a elasticidade suficiente para consagrarem o que a necessidade exige (o sublinhado é meu). Também Stuart Mill escreveu, há cerca de um século, que “a constituição não existe para benefício dos partidos nem dos governos, mas dos cidadãos” (sublinhado meu). Esperamos que as liberdades e benefícios que a constituição consigna não venham a ser minimizados ou destruídos, como muitas vezes acontece, pela sua própria regulamentação. Assistir-nos-ia, nessa eventualidade, como cidadãos de pleno direito, o direito a convocar a indignação contra a “apagada e vil tristeza” que se atravessou entre algumas ilhas e o futuro da nossa terra e a morosidade de medidas pertinentes visando a sua resolução.
A descentralização e a regionalização de poderes delegados pelo poder central seriam muito favoráveis ao país por permitir simplificar a administração do Estado, eliminar a burocracia e revitalizar o poder local; a sociedade civil e a opinião pública estariam também em condições de criar órgãos próprios e independentes do poder governamental, mas benéficos a este. Ajudaria, igualmente, pela valorização da experiência, honestidade e competência, nos concursos e eleições para certos cargos, a libertar de cargos públicos as clientelas partidárias e políticas incompetentes, parasitárias, oportunistas ou desonestas.
Não há dúvida de que somente na ousadia e na inovação, nas mudanças e reformas é que encontramos a verdadeira segurança e progresso.
O Movimento aceita todas as pessoas, independentemente das suas filiações partidárias, mas como cidadãos e não como militantes activos de partidos e suas quintas colunas, cidadãos amantes da sua terra e que a querem ver progredir ainda mais, poupando-a à acção nefasta de alguns que instalaram na nossa sociedade um estranho clima de impunidade que leva os detentores de cargos públicos a passarem por cidadãos acima de qualquer suspeita, indiferentes à crítica e como donos da verdade. Inclui-se e conta-se no Movimento com gente que partilha a aventura criadora, gente que não esquece as raízes – aí está o grosso da nossa diáspora -, gente de exigência ética e moral, gente solidária, gente que faz dos seus dias um alfabeto de esperança. Cremos e queremos ver beneficiar do direito inalienável de todos os cidadãos deverem usufruir de esclarecimentos, objectivamente, sobre os actos do Estado e de mais autoridades públicas, cabendo aos funcionários públicos e outros detentores do poder satisfazer esse direito dos cidadãos, como obrigação a cumprir com orgulho e satisfação.
Com essas convicções e boa-fé, esperamos que o Governo acene favoravelmente ao Movimento com a constituição da comissão de estudo que propusemos, há cerca de um ano, e não nos venha com evasivas ou alternativas pouco curiais, como, por exemplo, a noticiada pelo jornal nacional A Nação de “o PAICV, enquanto Partido do Governo, admite recorrer a um referendo nacional sobre a regionalização”. […] “O assunto encontra-se sobre a mesa há vários anos, sendo inúmeras as pressões para a sua adopção no país”. A nós parece-nos uma má via, e um meio enviesado, por os referendos se destinarem a matérias altamente controversas, intensamente discutidas e esclarecidas após mobilização, de forma séria, da sociedade em torno do debate – o que não é o que se passa entre nós relativamente à regionalização – funcionando como arma de último recurso, uma autêntica bomba atómica atirada, no nosso caso, sobre inocentes, isto é, sobre cidadãos ainda muito mal informados e esclarecidos.
Parede, Janeiro de 2013
Arsénio Fermino de Pina
domingo, 3 de novembro de 2013
[0611] Embora com algum atraso, pelo motivo apontado no anterior post, era inevitável publicar este praiadebotístico e emocionado texto, ainda por cima de um mindelense. Com o também inevitável (e adequado) apoio imagético...
Mindelo, Doce Mindelo
| Foto José Carlos Marques - Rua e Praia de Bote |
À medida que escrevo estas palavras envoltas na melancolia que aprisiono, sinto a brisa fresca desse meu mar da Praia de Bote. Meu e de todos os mindelenses que sentem o mar e a marginal como parte integral das suas integridades e suas variadas personalidades. Miro o edifício da Rádio e vejo a imagem imponente que dele tive, no verão em que pratiquei vela sobre esse mesmo mar eutrófico e lodoso. Deslizava sobre esse meu mar, nosso mar, no barco da classe optimist e sentia a liberdade que o vento me entregava em mãos ao fustigar a vela, enquanto sussurava as amarguras de Mindelo em meus ouvidos. E as gruas velhas, enferrujadas, enormes e impávidas, ladeadas de montanhas de conchas na ponta do velho cais da alfândega, que sempre me levaram, numa autêntica viagem, ao tempo em que protagonizaram braços-de-ferro ferozes com as cargas destinadas aos vapores que sempre alegraram a sumptuosa Baía. No horizonte deste mar, azul, manso, resiliente, jaz o gigante guardião desta cidade esquecida no tempo e perdida na vida. O Monte Cara, se pudesse, hoje chorava, soluçava e berrava de angústia. Ele que presenciou o esplendor desta cidade nos tempos áureos da presença inglesa, onde o carvão era o motor da economia da ilha, hoje choraria ante o desamparo desta ilha que outrora foi berço de inovações, foi fruto do engenho dos filhos da ilha para ultrapassar as vicissitudes arquipelágicas que todo o ilhéu conhece. Passeio a mente pela marginal, pensando nesta minha ilha, nesta minha gente e indagando o motivo, o percurso histórico e as soluções para este meu Mindelo, Doce Mindelo. Desespero perante este cenário triste em que se afunda Mindelo a cada dia que passa nesta nossa cronologia. Fecho os olhos e oiço os apitos na Baía quando se dão as 12 badaladas anunciando o final do ano e ínicio do Ano Novo, vejo a alegria contagiante com que as pessoas festejam. Consigo ver os esplêndidos e fulgurantes andores do carnaval e sentir o ribombar das batucadas que nos fazem mexer automática e freneticamente, mesmo que sejamos péssimos dançarinos. Vejo a criatividade estampada no rosto e nas vestes dos actores do carnaval de rua, onde as críticas sociais, personificadas em verdadeiros circos ambulantes, são ladeadas pela pura demonstração do humor típico do mindelense, quando este se transforma nos mais variados personagens. Vejo a Rua de Lisboa agora enrugada, caquética e a gritar por um bálsamo que lhe traga a jovialidade de outrora. Sinto o cheiro característico da Rua da Praia, o cheiro a peixe. Por momentos incomoda, porém ao me fazer relembrar que este é o cheiro da luta dos pescadores que madrugam, arriscando a vida, em perseguição do dia de trabalho, animo-me e até celebro haver este cheiro no ar. Este cheiro da vida das peixeiras que, com a sua lábia característica e aperfeiçoada com o passar do tempo, convidam a comprar a bela cavala que para nós olha com os olhos lânguidos. Celebro este cheiro por ser o cheiro da vida das gentes deste meu Mindelo, Doce Mindelo. Continuo o meu passeio pela cidade que me viu nascer e crescer. Vejo a praça Estrela, o campo de ténis, Liceu Ludgero Lima, o Liceu Velho, a Praça Nova, o Campo Novo, o Fortinho, a Ribeira de Vinha e ainda a minha eterna Ribeira Bote, palco das minhas mais belas e atrevidas aventuras. Lugares de excelsa importância na vida desta minha gente. Mas que agora carregam uma atmosfera lúgubre fruto da desilusão que a ilha sofre. Será o povo, será a História, será o tempo ou será a reconversão de certos valores humanos intrínsecos? Qual o motivo desta decadência, visível e entristecedora, desta minha eterna Cidade? Meu Mindelo, Doce Mindelo, orgulho-me de ser fruto das tuas entranhas, orgulho-me deste mar imenso que te abraça em consolo hoje em dia, orgulho-me essencialmente por ter vivido tudo aquilo que hoje me alegra, me fortalece e me faz ser quem sou. Sendo filho da ilha, espero poder dar o meu contributo para a reabilitação dos pilares desta tua magnânima estrutura que muito suporta e suportou. Desabafo nestas linhas o meu orgulho e minha actual tristeza por esta minha Cidade do Mindelo, Doce Mindelo.
"É necessário sair da ilha para se ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós." (José Saramago)
James Silva Ramos
| Foto José Carlos Marques - Praia de Bote, Porto Grande e Monte Cara |
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
[0610] Pd'B em escrita cabo-verdiana acelerada, coloca duas fotos cheias de sabura e regressa em força, segunda ou terça
terça-feira, 29 de outubro de 2013
[0609] Náufragos (não confundir com naufrágios) da II Guerra Mundial: cabo-verdianos e de outras nacionalidades
Tínhamos prometido no post anterior (que afinal não vamos apagar, ao contrário do que ali dissemos) que iríamos publicar neste materiais sobre náufragos cabo-verdianos e de outras nacionalidades resultantes de ataques de U-boats durante a II Guerra Mundial. Contudo, a informação que temos vindo a observar durante os dias de ontem e de hoje tem-se revelado de tal modo interessante que resolvemos escrever artigo mais desenvolvido com base na mesma - que reservamos para publicação em breve do jornal Terra Nova, de São Vicente (e depois no blogue Esquina do Tempo e por fim no Pd'B). Por isso, agora só aqui deixamos uma amostra para suscitar água na boca dos amantes das coisas navais e cabo-verdianas.
A mais antiga referência que conhecemos a náufragos cabo-verdianos por razão de afundamentos durante a II Guerra Mundial é de meados de Março de 1941, quando 18 portugueses, ex-tripulantes de navios gregos torpedeados, chegaram finalmente a Lisboa. Os barcos em causa, o Aenos, o Yoanis Embericos, o Alexandrus e o Nicolas Fitinis haviam sido afundados meses antes, nas costas da Irlanda por U-boats, os temidos submarinos de caça alemães. Nas suas equipagens, constituídas por gente de diferentes nacionalidades, havia 24 portugueses, dos quais tinham morrido cinco e um ficado ferido. Entre os falecidos, dois eram os cabo-verdianos, Manuel e Agostinho, pertencentes ao primeiro cargueiro a ser metido a pique, o Aenos, de 3554 toneladas, abatido a 17 de Outubro de 1940.
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| O 28 de Maio - Colecção de Valdemar Pereira |
A 20 de Maio, o ministério da Marinha de Portugal recebia, proveniente da sua estação radiotelegráfica, a comunicação de que dois navios britânicos haviam sido bombardeados de madrugada, 200 milhas a leste da ilha de São Vicente. A burocracia habitual obrigou a participar o caso ao ministério das Colónias que por sua vez accionou os serviços do vapor 28 de Maio que fazia serviço de cabotagem no arquipélago cabo-verdiano, a fim de que este procedesse ao salvamento de possíveis náufragos. A tripulação do Clan Macnab saltara de imediato para as baleeiras de salvação mas do outro navio, o Mandalay, nada se sabia.
[0608] Próximo post com submarinos alemães, bombardeamentos, naufrágios, marinheiros salvos e outros não... e, até, com o "Tarrafal" e o "28 de Maio"
Anos 40 do século XX, no mar de Cabo Verde o perigo espreita. Os u-boat alemães rasgam as águas das ilhas e fazem devastadores estragos nas marinhas estrangeiras, preferentemente a inglesa. S. Vicente e Santo Antão, entre outros, são refúgios que irão recolher náufragos salvos das águas do Atlântico. E imagine-se, no caso que estamos a estudar, à custa do velho vapor "Tarrafal"...
Como percebe quem vem com frequência ao Pd'B, estes posts dão bastante trabalho de pesquisa e o que anunciamos é um deles. Enquanto a coisa não está feita e ainda recolhemos alguns beefs em perigo de afogamento, pode ir dando a sua opinião nos posts anteriores...
Neste caso particular, não vale a pena fazer comentários, porque se trata apenas de um anúncio que será apagado quando o citado post der entrada.
domingo, 27 de outubro de 2013
[0607] Fomes em Cabo Verde e ajuda das gentes da Metrópole (Portugal europeu)
É dado como assente que a colónia de Cabo Verde, mais que deliberadamente maltratada pelo Governo da antiga mãe-pátria foi sobretudo muitas vezes esquecida por ele. De facto, nos momentos graves, nem sempre surgiram os meios necessários para acudir ao território - por exemplo à catátrofe da fome, a mais trágica, sempre associada às secas - que o Governo central se "esquecia" de lhe fornecer. Mas uma coisa são os governos e outra são os povos. E Cabo Verde, na hora da verdade, sempre contou com os seus filhos da América e de outros locais de emigração e do povo português europeu, despertado sempre que possível pelas notícias que a imprensa mais destemida ia conseguindo fazer passar, em censura monárquica, republicana ou estadonovense...
Disso é exemplo curiosíssimo o texto que hoje publicamos na totalidade. Surgiu ele no jornal coimbrão Resistência, de 9 de Agosto de 1903, que refere os ingentes apelos de Loff de Vasconcelos (ver AQUI), maiense falecido em São Vicente, desassombrado homem da imprensa e nativista convicto. A descrição é dramática em alguns aspectos e nela se vê bem como diferia o tratamento dado aos cabo-verdianos pelo Governo do que o povo português agenciava para os seus irmãos das ilhas. E com associações comerciais em campo e barcos a fazerem transporte gratuito dos géneros. Em ocasião oportuna veremos que o mesmo se passava do lado de lá do Atlântico, com os cabo-verdianos e açorianos da América a darem o seu contributo para a amenização do flagelo que ciclicamente fustigava as gentes pobres do arquipélago.
sábado, 26 de outubro de 2013
[0606] A Missão de Combate de Endemias do Dr. Manuel Torquato Viana de Meira
A propósito do post anterior, o nosso colaborador Zito Azevedo lembrou a figura do Dr. Meira. Como se pode ver por mais um documento do nosso arquivo, o cientista, de seu nome completo Manuel Torquato Viana de Meira, esteve de facto em Cabo Verde a chefiar a Missão de Combate de Endemias (com mais uma chegada em Janeiro de 1965). Lembro-me do nome (que não da pessoa), pois estava em São Vicente na altura e dele ouvi falar lá em casa. E descobri agora, por via deste post, que ele teve como adjunto o médico-escritor Teixeira de Sousa em missão anterior a esta, nos idos de 1957 ou antes. O que significa, no fim de contas, que a Casa Gaspar passou a vender menos Flit e a Farmácia do Leão e o Nena menos creme para as picadas de mosquitos, a partir dessa altura...sexta-feira, 25 de outubro de 2013
[0605] Missão de estudo, económica e científica, parte de Lisboa para Cabo Verde... em Novembro de 1959
Este post é dedicado ao nosso colaborador José Fortes Lopes. Ele que explique os motivos da "honra" que lhe concedemos... De qualquer modo, AQUI vai uma ajuda para a compreensão da coisa, a partir do nome do Dr. Fernando Correia da Costa.
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| O paquete "Vera Cruz" |
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