...ele também ta sirvi pa guardá bôs economia...
domingo, 2 de agosto de 2015
[1617] O poeta/diplomata, na hora di bai... de Lisboa
Corsino Fortes, o poeta/diplomata, foi o primeiro embaixador de Cabo Verde em Lisboa (1975-81). Boa escolha, como iria ser a de um outro seu sucessor, Onésimo Silveira, também homem de letras. Poetas e escritores ficam sempre bem nestes cargos, sobretudo em alturas complexas como era a da transição da colónia para país soberano. Mas os embaixadores chegam e um dia têm de partir. É da sua condição... E na hora di bai apresentam-se cumprimentos de despedida às autoridades nacionais, às locais. É da praxe... Aqui vemos então o encontro do adeus de duas figuras desaparecidas. Corsino e Nuno Krus Abecassis (1929-99), presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1980-89). Memórias...
[1616] 1962: Amândio Cabral em grande, em Lisboa
Más um pedacim de stóra de Cabverde na Praia de Bote.
Vimos no blogue, em Abril de 1960, o Fernando Quejas a actuar no Hotel Embaixador, em Lisboa (ver AQUI). Agora ("Diário de Lisboa", 10.03.1962), no mesmo estabelecimento hoteleiro da capital portuguesa encontramos o Amândio Cabral. Cabo Verde agradava e os seus artistas já brilhavam por aqui nos sessentas, preludiando a futura explosão cesariana (não esquecendo, claro, os sucessos locais de Bana). Enfim, uma estrela no Terraço das Estrelas... Mostramos o LP "Presente" de Cabral, de 1964, editado dois anos após os espectáculos no Embaixador. Uma das músicas do álbum era "Saudades de Lisboa". Não admira...
1 - Um bejo somente
2 - Sodade di longe
3 - Cutch cutch
4 - Bô ê nha princeza
5 - Tchim tchim
6 - Traidora
7 - Saudades de Lisboa
8 - Fruto proibido
9 - Corpim sabe
10 - Mi sem bô amor
11 - Os dez mandamentos
12 - Maria da Luz
[1615] Dom José Dias Correia de Carvalho, primeiro bispo de Cabo Verde (nascido no Norte de Portugal) que visitou todas as igrejas do arquipélago
Muitos dos protagonistas da história de Cabo Verde não têm "cara". Conhecemos os seus nomes, as suas biografias, mas os rostos são em geral imaginados. Não no caso deste bispo de Cabo Verde, nascido em Canelas, Norte de Portugal, de quem descobrimos uma imagem com a indicação do cargo. E aqui ficam ambos, o historial e o ratróte... com identificação em francês (Evêque du Cap-Vert).
Biografia da Wikipedia
José Dias Correia de Carvalho (Canelas, 19 de Dezembro de 1830 — 2 de Julho de 1911) foi um bispo católico português.
Frequentou o Seminário de Gralhas (na altura pertencente à Diocese do Porto; hoje Gralhas pertence à Diocese de Vila Real e o seminário já não existe) e terminou os estudos na Universidade de Coimbra sendo depois ordenado sacerdote a 10 Junho 1854.
De Fevereiro de 1865 a Junho de 1871 foi vigário pró-capitular da Diocese de Beja, devido à vacância da Cátedra dessa diocese com a transferência do seu bispo D. António da Trindade de Vasconcelos Pereira de Melo para a Diocese de Lamego (em 1863) e também devido à não aceitação por parte da Santa Sé do presumível sucessor D. João de Aguiar, não se registando qualquer notícia do seu mandato como vigário pro-capitular nessa diocese.
Foi nomeado bispo da Diocese de Santiago de Cabo Verde a 26 de Junho de 1871 e sagrado bispo a 3 de Setembro do mesmo ano tendo como principal sagrante D. José Luís Alves, O.SS.T., (Bispo de Bragança) e como consagrantes D. Patrício Xavier de Moura, (Bispo do Funchal) e D. José Lino de Oliveira, (Bispo de Angola e Congo). Tomou posse por procuração e entrou na Diocese a 5 de Janeiro de 1872. Foi o 25º bispo desta diocese criada em 1533 e o primeiro bispo que visitou todas as Igrejas do Arquipélago.
A 9 de Agosto de l883 foi nomeado para Bispo de Viseu. Foi ainda o principal consagrante do seu secretário pessoal D. Manuel Vieira de Matos (em 1899) e do Patriarca das Índias D. António Sebastião Valente (em 1881) e de D. António Tomás da Silva Leitão e Castro (em 1883), futuro bispo da Diocese de Lamego.
sábado, 1 de agosto de 2015
sexta-feira, 31 de julho de 2015
[1613] Bento Levy, deputado por Cabo Verde à Assembleia Nacional de Portugal
Falamos do senador Augusto Vera-Cruz, falamos do Dr. Adriano Duarte Silva, mas por vezes esquecemos a figura de Bento Levy, como os anteriores grande defensor dos interesses de Cabo Verde em Lisboa.
Aqui ficam pois uma notícia encontrada hoje no "Diário de Lisboa" de 9 de Março de 1962 e a sua biografia oficial existente no Parlamento português.
Biografia do Parlamento de Portugal
BENTO BENOLIEL LEVY
Legislaturas: VIII, X.
Data de nascimento
1911-08-03.
Localidade
Cidade da Praia / Cabo Verde.
Habilitações literárias
Licenciatura em Direito (Ciências Jurídicas) pela Universidade de Lisboa
(1939).
Profissão
Advogado;
Jornalista.
Carreira profissional
Fundador da Rádio Clube de Cabo Verde (1944);
Responsável pela criação do Boletim Cultural e Informativo de Cabo Verde. (1949);
Fundador do semanário O Arquipélago (1962).
Perfil político-ideológico
Defensor indefectível da política ultramarina do Governo.
Carreira político-administrativa
Administrador do Concelho da Praia;
Director dos serviços de Propaganda e Informação de Cabo Verde;
Director do Centro de Informação e Turismo de Cabo Verde;
Director-técnico da Imprensa Nacional de Cabo Verde;
Chefe dos Serviços de Administração Civil de Cabo Verde.
Carreira parlamentar
Legislaturas Círculo Comissões
VIII Cabo Verde Política e Administração Geral e Local.
X Cabo Verde Política e Administração Geral e Local.
Intervenções parlamentares
VIII Legislatura (1961-1965)
1.ª Sessão Legislativa (1961-1962)
Faz considerações sobre problemas de interesse para a província de Cabo Verde.
Ocupa-se de problemas de Cabo Verde.
Presta homenagem a dois portugueses de Cabo Verde condecorados por actos de bravura em Angola.
2.ª Sessão Legislativa (1962-1963)
Ocupa-se de problemas relativos a Cabo Verde.
Faz considerações sobre a situação do funcionalismo de Cabo Verde e a necessidade de revisão dos respectivos vencimentos.
Discute a proposta de lei de alterações a Lei Orgânica do Ultramar Português.
3.ª Sessão Legislativa (1963-1964)
Requer a generalização do debate do aviso prévio sobre política ultramarina do Governo e participa nesse debate.
Trata do problema das comunicações aéreas com Cabo Verde.
Participa no debate sobre as Contas Gerais do Estado (metrópole e ultramar) e as contas da Junta do Crédito Público referentes a 1962.
4.ª Sessão Legislativa (1964-1965)
Discute na generalidade a proposta de lei acerca do Plano Intercalar de Fomento para 1965-1967 e subscreve, com outros Deputados, propostas de alteração a algumas bases da mesma proposta de lei.
Congratula-se com a anunciada visita do presidente da Fundação Calouste Gulbenkian a Cabo Verde.
Trata de questões relativas à população de Cabo Verde.
X Legislatura (1969-1973)
1.ª Sessão Legislativa (1969-1970)
Faz considerações sobre o patriotismo da população de Cabo Verde manifestado na recente eleição de Deputados, como prova de apoio à política de defesa da integridade nacional.
Faz considerações sobre os vencimentos do funcionalismo de Cabo Verde.
2.ª Sessão Legislativa (1970-1971)
Presta homenagem aos Deputados desaparecidos no desastre da Guiné e refere-se a diversos problemas da província de Cabo Verde.
Fala, entre outros problemas, sobre o problema das secas em Cabo Verde e sobre a premente necessidade da pesquisa de água, lamentando ainda o facto de há muito estar esquecida a anunciada instalação de uma refinaria de petróleo em S. Vicente.
Salienta o significado da visita do Sr. Presidente do Conselho a Cabo Verde.
Subscreve a proposta de resolução da Assembleia relativa às contas da Junta do Crédito Público de 1969.
Discute na generalidade a proposta e os projectos de lei de revisão constitucional.
Subscreve uma série de propostas de alteração à Constituição apresentadas pela comissão eventual.
Discute na especialidade o texto da comissão eventual referente à revisão constitucional.
Subscreve, como membro da comissão eventual, várias propostas de alteração à proposta de lei sobre liberdade religiosa e discute na especialidade a referida proposta de lei.
3.ª Sessão Legislativa (1971-1972)
Refere-se ao problema das secas de Cabo Verde e agradece Governo o subsídio concedido para fazer face às dificuldades da província.
Requer informações relativas à possibilidade de provocação de chuva artificial em Cabo Verde.
Requer informações acerca dos estudos do projecto do porto da Praia, Cabo Verde.
Presta esclarecimentos acerca de um seu requerimento apresentado em sessão anterior relativo aos estudos sobre chuva artificial.
Subscreve, com outros Deputados, várias propostas de alterações à proposta de lei de revisão da Lei Orgânica do Ultramar e discute na especialidade a mesma proposta de lei.
4.ª Sessão Legislativa (1972-1973)
Subscreve, com outros Deputados, a lista dos três vice-presidentes e dos dois secretários.
Refere-se aos problemas da fome e da seca em Cabo Verde.
Agradece os sentimentos da Assembleia manifestados por ocasião da morte de seu filho.
Subscreve as propostas de alteração à proposta de lei sobre o registo nacional de identificação apresentadas pela Comissão de Política e Administração-Geral e Local.
Faz um aparte à intervenção do Sr. Salazar Leite acerca da seca em Cabo Verde.
Subscreve, com outros Deputados, propostas de emenda e aditamento à proposta de lei sobre a intimidade da vida privada.
Lembra, a propósito do recente aumento dos funcionários, a necessidade de idêntico benefício não demorar em ser extensivo às províncias ultramarinas, em especial a Cabo Verde.
[1612] Quando para se ter água se fica sem água... Agricultores de Tabugal estão desesperados
Os agricultores do Tabugal estão desesperados e pediram ajuda à Câmara Municipal de Santa Catarina. É que, desde há três anos a esta parte, com a construção da Barragem do Saquinho, deixaram de ter água nas suas terras.
O poço a que tinham acesso para a rega ficou tapado desde a construção da infraestrutura o que os impede de cultivar as terras e garantir o sustento de suas famílias. São precisamente 243 agricultores prejudicados e, tendo em conta os agregados familiares, serão perto de mil pessoas que viram a sua situação social degradada.
Tubugal é uma zona de regadio e, desde a construção da barragem, o acesso da estrada foi também cortado, o que impede os agricultores de recorrerem a outros canais de mobilização de água, o que aumentou a sua indignação. Aliás, no período que antecedeu o avanço da obra nenhum deles foi contactado pelas autoridades, nomeadamente pelo Ministério do Desenvolvimento Rural (MDR). Ministério – diga-se – que se tem mostrado incapaz de dar uma solução ao problema. A Ministra (ao que nos dizem os agricultores) empurra para a delegada do MDR em Santa Catarina e esta, por sua vez, empurra para os serviços centrais do ministério.
A Câmara Municipal tem vindo a ajudar no que pode, nomeadamente, com o Presidente Francisco Tavares a mover alguma influência junto dos Órgãos de Soberania, de que resultou uma audiência concedida pelo Chefe de Estado aos agricultores na última quarta-feira, 29 de Julho.
Desta feita, os agricultores pediram-nos para disponibilizar espaço para uma Conferência de Imprensa e convocar a Comunicação Social para a próxima terça-feira, 4 de Agosto, às 11h00, na Sala de Reuniões da Câmara Municipal.
António Alte Pinho
[1611] Ainda Corsino Fortes, o poeta de Cabo Verde (1933-2015) - Revista "Sábado", Portugal
Juiz, diplomata, político, empresário, resistente. Acima de tudo, poeta. Dizem-no o maior de Cabo Verde. Vegetariano, racionalista, gentleman. Acima de tudo, generoso. Chamam-lhe príncipe de Cabo Verde. Interessante texto de Dulce Neto, a não perder
Ver AQUI
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| Foto "Sábado", Portugal |
quinta-feira, 30 de julho de 2015
[1604] Praia de Bote desce a Sotavento e mostra dois bravos heróis da Brava... e um rapaz de bigodaça...
Diz-se no verso do postalinho (sic): "A chegada dos dois arrojados marinheiros Caboverdeanos, José Lima [Capitão] e Benjamim Rosa (Piloto) a ilha Brava, após a travessia do Atlantico, num pequeno barco de vela Nettie Com 57 dias de viaje." (o texto foi reproduzido exactamente como está grafado no original).E a saudá-los, entre muitos bravenses, um rapaz de bigodaça... Veja-se entretanto a notícia de 17 de Julho de 1962 que nos dá melhor conta do significado desta cena passada em 1934.
[1603] Água para São Vicente. Finalmente!!!
Lá de cima, o Sr. Alhinho regozija-se com a água que vai existir na sua Ribeira de Vinha e regá-la. Parece que as obras hidráulicas longamente desejadas em São Vicente irão agora finalmente ser levadas a cabo.
Ver AQUI
[1602] Emblema da "Morna a Património Imaterial da Humanidade" criado pelo Praia de Bote utilizado pela Rádio Vaticano sem referência à autoria
Praia de Bote criou, Rádio Vaticano copiou sem indicação de autoria. Mas como o interesse é mesmo divulgar a ideia, Praia de Bote perdoa o pecado. Neste caso, que copiem, copiem e copiem. E se não referirem quem fez o boneco não faz mal porque nós sabemos quem o inventou...
Ver AQUI
quarta-feira, 29 de julho de 2015
[1601] Hoje, em Lisboa, na rua... não confundir com Rua de Lisboa... (em três imagens)
Quatre mnis de Soncente foram à ginjinha no Largo de São Domingos, em Lisboa (um é o fotógrafo, pelo que não surge nas imagens) e envolveram-se em calorosa discussão sobre as qualidades da ginja, do cognac e do grogue, situação que quase fez com que a pliça aparecesse e os levasse para a staçom... Felizmente estava lá um famoso fotógrafo (que realizou a sua aprendizagem na Foto Melo), para registar o momento.
domingo, 26 de julho de 2015
[1600] Mais um texto do nosso colaborador e grande comentador Adriano Miranda Lima
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| Adriano Miranda Lima |
MEMÓRIAS DE CRISTAL (3)
Força de Cretcheu
Naquele tempo, tanto quanto me lembro, não havia aulas à tarde, no velho Liceu Gil Eanes, a não ser em situações pontuais de ajuste de cargas horárias. Por regra, a programação escolar cingia-se ao período da manhã, o que actualmente talvez seja inconcebível devido ao aumento exponencial do efectivo discente. Assim, a tarde era normalmente destinada aos trabalhos de casa e ao estudo, para os alunos que a isso se predispusessem, claro.
Andava eu nos meus 15 ou 16 anos e estava embrenhado na preparação para uma prova escrita de Física que ia realizar-se no dia seguinte. A minha mãe, Isabel, estava a passar a ferro alguma roupa da casa, o que às vezes fazia cantarolando uma que outra morna. Ela tinha especial predilecção pelas composições do Eugénio Tavares. Possuía o dom de uma voz agradável, de boa dicção e um ouvido para a música que o filho primogénito nem pouco mais ou menos lhe herdou geneticamente. Era um daqueles dias em que o vento fustiga desalmadamente a ilha, arrastando tudo na sua estrepitosa voragem. As persianas das nossas janelas rangiam fazendo lembrar flautas grotescas e desafinadas, com as suas tabuinhas transversais ameaçando desconjuntar-se.
A dada altura, talvez para ensaiar um dueto com o vento, a Isabel começou a cantarolar enquanto as peças de roupa iam deslizando debaixo do seu ferro de engomar. Nesse dia, escolheu a morna Força de Cretcheu. Sempre o Eugénio Tavares!
Ca tem nada na es vida
Mas grande que amor
Se Deus ca tem medida
Amor inda é maior
Maior que mar, que céu
Mas, entre tudo cretcheu
De meu inda é maior
………………………...
E foi assim pela tarde dentro. Enquanto eu procurava rever matérias como – sei lá – as propriedades dos sólidos e fluídos, óptica, acústica, etc., a música do nosso poeta e compositor bailava melodiosamente nos lábios da minha mãe. O ambiente era assim um compósito de faina escolar, engomadaria e estúdio musical, tendo como pano de fundo a ventania. Esta portava-se como um lençol ondulando atrabiliariamente, em cuja superfície as cenas daquele quotidiano doméstico se projectavam na sua histriónica diversidade.
Houve um momento em que as janelas quase que se desarticulavam, tal a violência da rabanada de vento que subitamente as açoitou. Seguiu-se então um silêncio semelhante àqueles que se verificam no olho dos ciclones, e a mãe aproveitou para me perguntar se eu não ia tomar o lanche. Este era quase sempre, e para meu gosto, um “barão” com manteiga de terra e café com leite. Não me fiz rogado porque “barão” era o produto de panificação que eu mais apreciava. Foi pena que, durante largo tempo, tivessem interrompido o seu fabrico, mas notei em recente visita a S. Vicente que o dito cujo regressara ao mercado, e, curiosamente, creio que por iniciativa de um empresário português, embora eu possa não estar suficientemente informado. Mas o certo é que no mês de Maio deste ano comprei-os várias vezes num dos estabelecimentos de venda desse dinâmico empresário. Infelizmente, sabem ligeiramente a baunilha, diferente dos de antigamente, que se distinguiam pelo gosto puro e simples da mistura de trigo e cevada, conforme eu preferia. Enfim, julgo que essa substancial bolacha de forma quadrada bem dispensava perfume para fazer jus ao título nobiliárquico de…barão.
Mas a melodia que saía dos lábios da Isabel era verdadeiramente o que dulcificava a aspereza da tarde ventosa:
…………………..
Cretcheu más sabe
É quel que é di meu
Ele é que é tchabe
Que abrim nha céu
Cretcheu más sabe
É quel qui crem
Ai sim perdel
Morte dja bem
………………
O vento bem se esforçava para lhe abafar a voz, mas em vão. E houve até um momento em que parou de soprar, como que rendido à mestria do compositor e à voz da cantora. Ou será que uma forma de desarmar a raiva da natureza é cantar-lhe baixinho, ao ouvido? O certo é que à Isabel pouco importava este tipo de indagação meteorológico-filosófica. O que ela queria era despachar rapidamente a roupa da casa enquanto anestesiava a fadiga do corpo com o que há de melhor no nosso reportório musical.
…………………....
Ó força de cretcheu
Que abrim nha asa em flôr
Dixam bá alcança céu
Pa'n bá odja Nôs Senhor
Pa'n bá pedil semente
De amor cuma ês di meu
Pa'n bem dá tudo djente
Pa tudo bá conché céu.
Ah, não havia nada a fazer. Naquele dia, Força de Cretcheu mereceu sucessivos “bis”, sem dar oportunidade a outras composições que normalmente a Isabel cantarolava enquanto entregue aos seus afazeres. Lá para o fim da tarde, o vento aplacou o seu furor e já só se lhe ouvia um fiozinho de voz a insinuar-se nas frinchas das janelas, como que envergonhado de ter feito má figura no dueto com a cantora.
Devo confessar que o pouco que nessa idade fui apreendendo do nosso canto tradicional – a morna – foi por intermédio da minha progenitora. Também foi graças a ela a minha admiração crescente pelo talento do compositor e poeta que foi o grande Eugénio Tavares. Pela vida fora, e por onde andei, de vez em quando vinham-me ao ouvido esses momentos musicais que espontaneamente nos proporcionava a nossa mãe. Ainda há uns 12 anos, pedi-lhe para cantar Força de Cretcheu e ela satisfez-me o pedido, e, entusiasmando-se, cantou ainda mais duas mornas. Ela teve o dom de conservar incólume uma voz límpida e de bom timbre até ao fim da sua vida. Tanto que por vezes, ao telefone, lhe dizia: – Ah, graças a Deus que conserva a sua voz de menina, ao que ela se ria com gosto.
Algarve, 16 de Julho de 2015
[1599] Uma das muitas tragédias de Santo Antão. Esta, de 1961...
A notícia é do "Diário de Lisboa" de 1 de Outubro de 1961, p. 2. E é mais uma das tragédias de chuva das ilhas que aqui fica como memória. Lá diz o velho ditado ilhéu: "Si ca tem tchuba, morrê di sede; si tchuba bem, morrê fogode”
sábado, 25 de julho de 2015
[1596] Lançamento em Lisboa do livro "Crónicas da Terra Longe", de Luiz Andrade Silva
Dado que enviámos uma reportagem sobre o evento para o jornal Terra Nova (Cabo Verde), por agora só aqui deixamos estas notas sobre o mesmo. Prometemos no entanto que logo que o número do jornal em que a reportagem será publicada saia divulgaremos integralmente no Pd'B o texto e mais algumas fotografias.
Ontem, dia 24 de Julho deste 2015,
data para sempre trágica pela morte do poeta e diplomata Corsino Fortes,
foi lançado em Lisboa o livro do sociólogo cabo-verdiano residente em
França Luiz Andrade Silva, "Crónicas da Terra Longe" (Chiado Editora,
442 pp.), colectânea de textos de reflexão escritos nas três últimas
décadas sobre problemáticas diversas do seu país. O evento ocorreu na
Livraria Desassossego, a São Bento, zona de grande e antiga tradição
cabo-verdiana da capital portuguesa. Situada frente a um prédio onde
residiu episodicamente o poeta Fernando Pessoa em 1905, daí lhe vem o
nome, por via do "Livro do Desassossego" deste.
| Primeira parte da sessão de autógrafos, antes do lançamento |
Com
sala cheia, o lançamento teve apresentação do médico Arsénio de Pina e
do professor da Universidade de Aveiro José Fortes Lopes, ambos também
cabo-verdianos. Para além do prefácio de Arsénio de Pina, o livro
ostenta na contracapa um texto alusivo, do coronel aposentado do
Exército Português Adriano Miranda Lima, cabo-verdiano de São Vicente.
| A mesa, os intervenientes |
| O público |
| Arsénio de Pina, no uso da palavra |
| A alocução de José Fortes Lopes |
| Rui Machado e António Castilho Semedo |
| O discurso de Luiz Silva |
| Os acepipes finais... |
sexta-feira, 24 de julho de 2015
[1587] Morreu hoje em Cabo Verde o poeta e diplomata Corsino Fortes (Mindelo, 1933 - Mindelo, 2015)
segunda-feira, 13 de julho de 2015
[1585] Página "Crónicas do Norte Atlântico" do jornal "Terra Nova" de Cabo Verde prestes a comemorar três anos ininterruptos de publicação, em prol da história e cultura de CV (veja o post anterior, sobre Luiz Silva)
Eis o final da crónica de Julho, a penúltima antes do 3.º aniversário:
(...) Após 31 dias de viagem, em Outubro a escuna [trata-se da Valkyria] reentra em Providence. Continua a comandá-la o capitão Rose/Rosa e o veleiro transporta passageiros e carga para Frank Silva, da mesma cidade. Ainda a vemos a chegar à Brava, procedente de New Berdford, de onde saíra a 12 de Agosto, mas está para breve a sua derradeira viagem. Saída de Providence a 23 de Outubro para Cabo Verde, com 14 tripulantes, cinco passageiros e 100 toneladas de carga no valor de 2000 dólares, naufragou em alto mar. Cansado de 38 anos de vida, o ex-baleeiro não resistiu ao temporal e afundou-se, levando consigo dois tripulantes. A restante equipagem e passageiros foram milagrosamente recolhidos pelo navio-tanque Oyleric. Actos heróicos houve-os também, por entre a desgraça. Mas esses contá-los-emos na edição do "Terra Nova" de Setembro, altura em que a página "Crónicas do Norte Atlântico" comemora três anos de publicação ininterrupta. E integralmente, copiando notícias da época, como espécie de anexo ao presente texto. Quanto ao capitão Henrique Rosa, esse era sentenciado em 29 de Dezembro de 1930 com pena de um ano e dez meses de cadeia a cumprir na Prisão de Atlanta, pelo crime de tentar fazer entrar 11 passageiros clandestinos nos Estados Unidos, enquanto comandante do John R. Manta… Mas também esse caso será tratado no nosso próximo artigo.
[1584] Luiz Silva no "Terra Nova" de Junho, em artigo de Frei Fidalgo de Barros
Trata-se do 5.º texto escrito pelo fundador e longo director do jornal Terra Nova sobre "Figuras que contribuiram para o sucesso do Terra Nova". Nunca é demasiada repetição dizer que para ver melhor deve clicar na imagem.
[1581] Mindelense, sempre!!! Três vezes consecutivas campeão nacional, conquista campeonato de Cabo Verde pela 17.ª vez
Mindelense é tricampeão de Cabo Verde. A equipa da (e do) Praia de Bote soma e segue. Parabéns aos bravos da Rua de Praia, aos chutadores da baía de São Vicente, aos mnis do Porto Grande.
domingo, 12 de julho de 2015
sábado, 11 de julho de 2015
[1579] Janeiro de 1961: um empurrãozinho da TAP para o fim do Império. É o que dá ser-se ridículo, sobretudo com o último quadradinho. Foi por estas e por outras que... (clique na imagem, para a ampliar)
Regra do blogue: novo post, só quando este tiver cinco comentários de comentadores diferentes (ou mais...).
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