quarta-feira, 25 de julho de 2012

[0223] CHUINGA, CHEWING GUM, BUBBLE GUM OU PASTILHA ELÁSTICA, TUDO A MESMA COISA

Hoje estamos em 1963, 64, 65 ou talvez até em 1968 e vamos comer chuinga. Para os leigos, fica a informação de que "chuinga" é deliciosa corruptela crioula de chewing gum.

E onde a iremos comprar? Bem, vejamos, em muitos sítios do Mindelo mas já que estamos a caminho do Liceu Gil Eanes, o melhor local para a adquirir situa-se na Rua de Lisboa, da direita, junto ao plurim (o mercado municipal). Há sempre ali uma ou duas mulheres com o seu balaio cheio de guloseimas, mas as melhores, para além das sucrinhas são mesmo as chuingas Dandy.

E porquê as melhores? Porque cada embalagem vem acompanhada de um quadradinho em plástico com 1,5cm de lado, com imagem. Aqui se mostram seis, os que sobreviveram a meio século de andanças, guardados no nosso arquivo de Cabo Verde. Temos uma cena de twist, uma menina a dançar com arco, um palhaço a fazer malabarismos, um gato a tocar violino à luz da Lua, um índio a remar na sua piroga e um cow-boy a domar um cavalo selvagem. Particularidade assombrosa, fazia-se ondular o quadradinho e as imagens mexiam-se devido às estrias existentes na pecinha. Lembro-me que o gato, que eu não conseguia obter de maneira nenhuma, foi trocado com um miúdo da Praia de Bote por um pedaço de lente de farol que rapinei na Capitania...

Twist twist

Ilusão de movimento por oscilação do plástico

Gira o arco

Ilusão de movimento por oscilação do plástico

Palhaço, palhacinho

O verso do quadradinho do palhaço

Travadinha felino

O verso do quadradinho do gato

Remando na América índia

Ilusão de movimento por oscilação do plástico

iiiiiiiiiiiiioooooooooo

Pastilha Dandy de tempos recentes

O logótipo da Dandy

Embalagem das pastilhas com figuras (versão de 1968 e anterior, a dos quadradinhos)

A escala

Embora a fábrica seja dinamarquesa (nascida em Vejle, em 1915), a referência que encontrei no verso de dois dos quadradinhos (o texto no verso dos outros desvaneceu-se) foi a de que havia patente nos EUA.

Em 2002, a Cadbury-Schweppes adquiriu a empresa à família Bagger-Soerensen, numa altura era a quarta produtora mundial de pastilhas elásticas.

Seja como for, o que é um dado adquirido é que os miúdos cabo-verdianos (até o mandronguin Djack) e muitos adultos das ilhas contribuiram para o progresso da Dandy. Aqui fica o registo e os meus seis bonequinhos. O papel de embalagem, encontrei-o na Internet, pois não fiquei com nenhum.
Agora resta-nos ir ao plurim e dizer: Senhóra, m'crê um chuinga!...

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segunda-feira, 23 de julho de 2012

[0222] CONCURSO 7

 ZITO AZEVEDO  bisa e ganha mais um ramo de acácia! Parabéns, em duplicado! 

Trata-se de facto da "Casa Gaspar". Em 1999 o edifício estava já em muito mau estado, Agora, e por duas fotos recentes que vi na net, parece-me que a situação é dramática. Ele aqui vai, por inteiro. Veja-se o nome da casa por cima da porta. E à esquerda da frase "Foto Joaquim Saial", o letreiro da "Casa Confiança", já sem o "i". Grandes casas comerciais da ilha, hoje infelizmente... nem sei o que dizer...


Após reunião magna do Conselho Geral de Pescadores da Praia de Bote, devido a protestos de um infeliz dormidor de sesta - que por esse motivo não teve possibilidade de "celinar" -, o PRAIA DE BOTE resolveu abrir uma excepção e fazer novo concurso, ainda hoje. A votação do CGPPB teve 87 votos a favor e um contra, do Sr. Djosa Pina, famoso pescador de moreias, que acha que quem dorme em casa não merece nada, pois lugar de dormir só há um: debaixo de um bote virado ao contrário... na Praia de Bote. Excepção portanto excepcionalmente excepcional que permite abrir a porta ao protestante. Por isso mesmo...

Pergunta: a que edifício mindelense pertence esta porta?


Ó mnis, bsot ca ta conchê es porta? Oi nha mãe!!!
Deus nos valha!!!!!!!!!!!!
Ou Nossenhora da Luz!!! 
Ou Soncente!
Ou pelo menos algum Rei Mago!!!

[0221] CONCURSO 6 (próximo, no sábado ou no domingo)

Mais uma merecida vitória da  NITA FERREIRA . Por este andar, ao preço a que estão os portes de correio, o PRAIA DE BOTE vai à falência, com tanto mandar ramos de acácia para a Holanda...

É de facto a Celina Pereira. A história da areia preta e da areia branca era para a situar na Boavista, sua ilha; quanto à menina voadora, tinha a ver com o facto de ela ter trabalhado na TAP. Uma grande voz, que nos anos recentes se tem sobretudo dedicado a contar histórias tradicionais das ilhas em escolas e a outros projectos de âmbito pedagógico e de divulgação da cultura cabo-verdiana.

Aqui ficam o ramo, o disco (de 1979) e uma foto das várias que tirei à diva da ilha das areias claras.






El é um minininha bnitim, odjo grande e voz d'encantar.
El ca ta gostá d'areia preto (apesar des rotcha d'foto), pos el ta prifiri areia bronque ta perdê di vista.
Diazá era um mnina voador...

Aqui fica o primeiro ou um dos primeiros discos que gravou, com imagem decapitada, como manda a etiqueta dos concursos do PRAIA DE BOTE.
Em jogo, como sempre, um ramo de acácia; ou um alho francês, se for o Valdemar a ganhar...

Pergunta: quem será?


domingo, 22 de julho de 2012

[0220] LIVRO "MORNAS - CANTIGAS CRIOULAS" DE EUGÉNIO TAVARES (2 - MORNA DE AGUADA)

Morna de Aguada

Se é pam vivé na es mal
De ca tem
Ma'n q're morré sem luz
Na nha cruz
De dâ nha bida
Na martirio de amor!

Amá, se é pam morré,
Pam dixâ,
Ai, quem que'n q'ré,
(Pa oto gente bem q'ré!)
Ma'n q'ré vivé na es martirio!

Se é pa es tristeza de q'ré
Sem esperança,
Sem fé,
Ma'n q'ré destino di bai ,
De morré,
De esquicê
Num momento de amor,
Uma bida intero de dor!


sábado, 21 de julho de 2012

[0219] NO DIA DA MORTE DE ZIZIM FIGUERA (ver também post anterior, abaixo deste)

O meu arquivo de Cabo Verde contempla os mais variados materiais, escritos, fotográficos e de outros géneros, alguns deles com 50 anos. Um grupo numeroso é o de epistolografia e cartões de visita. Possuo dezenas, de ambos. Hoje, por via do falecimento do Zizim, lembrei-me que ainda conservo um cartão que ele deu ao meu pai. Não percebo porquê, pois o mesmo tem apenas aquilo que era essencial - que é o mesmo que dizer: servia para pouco. Melhor explicando, como se pode ver, mostrava apenas o nome do ofertante e os da ilha e arquipélago onde o mesmo vivia. Digamos que só se tratava de uma espécie de lembrete para que a outra pessoa se recordasse de que a que o entregava existia. 

E, verdade se diga, sempre que eu pegar nele, do cronista do Mindelo me hei-de lembrar, sem dúvida alguma. 

Meio século depois, a pequena cartolina ainda cumpre a sua função.

NOTA POSTERIOR À ESCRITA DESTE POST: é possível, quase certo, que o cartão seja do pai do Zizim (José Figueira) e não dele (José Figueira Júnior). De qualquer modo, aqui fica, em honra da família Figueira.

[0218] MORREU ZIZIM FIGUERA, CRONISTA DE SÃO VICENTE

Faleceu Zizim Figuera, hoje, em Paris. Notícia brutal e imensamente triste que soubemos através do blogue irmão NA ESQUINA DO TEMPO. O PRAIA DE BOTE fecha-se e recolhe-se, saudando aquele que em vida foi um dos grandes cronistas da ilha que todos amamos, sobretudo porque o fez no crioulo genuíno que ali se fala (e sempre com a pontinha de ironia própria de "mnine de Soncente"), no jornal electrónico "Liberal", onde fomos colegas de escrita. Uma grande perda para S. Vicente e para Cabo Verde. Mais uma porta de sabedoria que se fecha. Recordemo-lo com saudade.

Em sua memória, deixemos uma das paisagens que mais amava e uma adequada música de Cesária: "São Vicente di longe"... pois assim a ilha foi vista por ele durante muitos anos.

Foto Joaquim Saial - Praia de Bote, Mindelo, São Vicente de Cabo Verde

sexta-feira, 20 de julho de 2012

[0217] CONCURSO 5

ZITO AZEVEDO é o grande vencedor do Concurso 5 do PRAIA DE BOTE. Para ele, um ramo de acácia e a inclusão do seu nome no quadro de honra aqui ao lado. Pouco a pouco, a trama foi desvendada. E já agora, VIVA O MICÁ!!! Para confrmar e reconfirmar, aqui vai a foto com os nomes dos jogadores.




Isto está a dar e devemos aproveitar a onda. Conversa puxa conversa, chegámos ao "Micá", Académica do Mindelo. Ora as memórias registadas de campeonatos de futebol de nôs terra remontam a um ano especial, esse 1953 de grandes acontecimentos, incluindo o do nascimento do administrador da PRAIA DE BOTE. E não é que nessa data foi o Micá  quem ganhou o campeonato? Claro que no ano seguinte o Mindelense deu a devida resposta, de tal modo que o terror instalou-se na ilha e em 1955 o futebol foi metido na gaveta, para em 1956 o Mindelense voltar a ganhar. Grande Mindelense!!! Em 57, 58 e 59, o pânico das outras agremiações era tão grande que as chuteiras ficaram nos Frigidaire dos clubes e em 60... pimba, nova vitória do Mindelense. Só em 61 o Sporting Clube da Praia conseguiu contrariar a hegemonia do notável clube da Praia de Bote.

Mas é claro que o Micá nos merece consideração, é óbvio, tal como o Derby, o Castilho e o Amarante, tudo gente boa. E para o novo concurso vamos utilizar uma fotografia do Micá, como equipa vencedora do campeonato de 53, oferecida aqui há anos pelo Valdemar (ele, claro, não pode responder; de qualquer modo, hoje já recebeu como prenda um alho francês para a sopinha do jantar).

Académica "Micá" do Mindelo, equipa vencedora do campeonato de Futebol de Cabo Verde de 1953. A foto, dessa mesma data, foi oferta de Valdemar Pereira, colaborador do PRAIA DE BOTE.
Pergunta (ou tarefa): ganhará o ramo de acácia quem identificar o maior número de jogadores do Micá. Aqui o Djack só acertaria num, mas há um certo Zito que deve estar na posse de bastantes elementos sobre a agremiação estudantil. Palpita-me que será ele a levar o raminho para casa. Veremos...

As respostas deverão seguir este modelo: 
Da esquerda p/ a direita, cima: 1.º (dizer nome), 2.º (dizer nome), etc.
Da esquerda p/ a direita, baixo: (a mesma coisa de cima)

[0216] CONCURSO 4

Vencedor do concurso 4, VALDEMAR PEREIRA, mais um mindelense da diáspora. Depois de algum engasgamento, disparou e acertou na mouche. E embora comedido nas palavras, ainda disse algo que eu ia dizer depois e que é o que se aproveita destes concursos: saber acrescido sobre o assunto trazido para a ribalta (neste caso, ainda com mais propriedade, dado o Val ser um homem da ribalta... teatral).

Posto isto, é de facto a Titina (Albertina Rodrigues) a episódica baterista. Uma das maiores figuras de sempre da música cabo-verdiana, homenageada ao mais alto nível nas ilhas e em Portugal, senhora de voz portentosa e agradabilíssima. E filha de Tói de Lulu, piloto da Capitania dos Portos que ensinou grandes pilotos como Pedro "Pitina" de Alcântara Évora e Américo Medina (guarda-redes do Micá do Zito). Conheci-os a ambos muito bem e às suas famílias, mas não o Tói de Lulu. Porém, conheço o irmão da Titina, o Moacyr, personagem igualmente importante na área cultural mindelense e cabo-verdiana (e jogador de futebol em diazá). 

Quanto ao exemplar sonoro, deve ser dos inícios dos anos 60, altura em que a cantora gravou quatro discos (dois com o Conjunto de Cabo Verde e dois a solo) - ver livro de Carlos Filipe Gonçalves, "Kab Verd Band", de 2006.

Como o Valdemar tem horror à acácia, resolvemos transigir e mudar hoje o troféu para um talo de alho francês... France oblige... Aqui fica ele e também a capa completa do disco, da etiqueta Alvorada.



O PRAIA DE BOTE não consegue resistir e lança novo concurso, antes de o tornar mais espaçado, sempre em fins-de-semana, como prometido no último post.


Ora o que hoje aqui vemos é parte da capa de um disco onde surge a maior baterista cabo-verdiana de todos os tempos...  hum! hum! Mentira, a pose foi só para a capa deste registo sonoro do qual sabemos pouco, pois apenas lhe conhecemos a frente, devendo o resto da identificação estar no verso. Trata-se provavelmente de um EP ou single de uma grande cantora cabo-verdiana que tem a ver com a antiga Capitania de que ontem também retratámos um pedaço. Só decapitações...

Pergunta-se: quem é a cantora?

Veremos quem levará o ramo de acácia desta vez.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

[0215] CONCURSO 3

Encontrada a vencedora do 3.º concurso. Trata-se de NITA FERREIRA, uma mindelense de gema, cuja resposta veio directamente da Holanda. Só que a nossa amiga, em vez de a colocar aqui, inseriu-a no endereço electrónico do blogue, onde o administrador vai pouco e por isso este só a descobriu seis horas depois.

Resposta: trata-se da cúpula da velha Capitania dos Portos (cópia da lisboeta Torre de Belém; daí a história da pimenta, pois a original foi feita à custa das especiarias que vinham da Índia). Situava-se mesmo no topo do edifício, como acontece sempre com as cúpulas, e a sala de que vemos uma parte era a dos sinaleiros. Ali estava sempre um marinheiro com essa especialidade (durante muito tempo, os dois Manuéis, Pritim e Bronque, e mais um ou outro, quando nenhum destes lá podia estar). Havia um binóculo e um pequeno armário com bandeiras de navegação, para além de uma secretária e uma cadeira. A cúpula envidraçada destinava-se mais a permitir ver o mastro onde se colocava o balão de navegação e bandeiras do que a deixar entrar claridade, a qual penetrava por várias janelas.

Esta foto é minha, de Julho de 1999, quando ainda não tinha sido feito o restauro que devolveu à casa o seu ar inicial. Não sei se refizeram esta cúpula, pois quando visitei as obras em 2001 não me lembrei de olhar para cima... nem fotografar esse aspecto (fotografei muitos outros, de capacete na cabeça) para memória que hoje serviria.

Portanto, para a nossa amiga e patrícia mindelense Nita Ferreira, o segundo ramo de acácia!!!

E muitos parabéns!



Dado o interesse suscitado pelo anterior concurso, PRAIA DE BOTE lança já hoje novo desafio aos seus leitores. A partir de agora, os concursos do PB terão sempre lugar aos fins-de-semana, excepto em caso de força maior.

Pergunta-se: que objecto é este e onde se situava até há poucos anos? Será o cadáver de uma aranha gigante? Serão os restos de disco-voador que aterrou algures em S. Vicente? Será o remanescente de uma bola de futebol chutada por um gigante?


[0214] AINDA O CONCURSO 2

Aqui ficam bons materiais para quem quiser aprofundar os seus conhecimentos sobre a curta mas importante guerra Hispano-Americana que teve como importante consequência o fim do império colonial espanhol. É no contexto desta guerra que uma frota espanhola se detém em S. Vicente (daí o nome de "Frota de Cabo Verde" ou "Cape Verde Fleet") para reabastecimento e daí parte para as colónias espanholas do Caribe. Portugal declarou-se neutral nesta contenda e a frota teve de rumar à Martinica, onde teve a mesma sorte por parte da França que administrava esse território.

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quarta-feira, 18 de julho de 2012

[0213] CONCURSO 2

LEITOR  JOÃO BRITO  É O GRANDE VENCEDOR DO 2.º CONCURSO DO PRAIA DE BOTE.

PARA ELE, VAI O PRIMEIRO RAMO DE ACÁCIA.


Trata-se de facto da "Frota do Ultramar" (espanhola) que também teve o nome sabe de "Frota de Cabo Verde" ou "Cape Verde Fleet", por ocasião da primeira guerra de grande envergadura travada pelos norte-americanos, neste caso, contra a Espanha (1898) por causa de Cuba, Filipinas, etc. 

Era de facto bem diazá...
Amanhã colocaremos um post com mais alguns dados e imagens interessantes sobre este tema.


Ora bem, o ambiente é acolhedor e muito nosso conhecido. Trata-se do Porto Grande, visto do Mindelo. À esquerda, uma nesga de S. Vicente, à direita o ilhéu dos Pássaros (djéu dos Passo), em baixo uma outra pontinha de S. Vicente, até com alguma verdura, e em fundo a ilha irmã, Santo Antão.

Pergunta-se: que barcos são aqueles e que estão ali a fazer?

Estamos a falar dos navios em segundo plano já que os mais próximos são lanchões do carvão. Como ajuda, podemos referir que a foto é de bastante diazá e que S. Vicente não foi visto nem achado no que se relaciona com este movimento fora do comum. Ou seja, não o pediu...

Um ramo de acácia para o feliz vencedor será o prémio a atribuir.


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segunda-feira, 16 de julho de 2012

[0212] DENTRO DE DOIS MESES, NUM JORNAL PERTO DE SI

Dentro de cerca de dois meses, iniciaremos num jornal cabo-verdiano longas crónicas sobre as ilhas de Cabo Verde e as suas gentes, sobretudo no arquipélago, nos Estados Unidos da América e em Portugal. "Stóra" de todo o género, de tempos passados, que compreendem navios e naufrágios, crimes, festas e desastres, aparições de discos voadores e expedições científicas, tremores de terra, fomes, secas, grandes realizações, lutas diversas e alegrias do povo mais "sabe" do Norte Atlântico. Oportunamente, daremos notícias sobre o assunto e aqui se publicarão os artigos, sempre 30 dias após a saída em papel.


Pensamos também retomar o reencontro com leitores na Internet, em jornal electrónico, interrompido há alguns anos por afazeres diversos, nesse caso com textos igualmente diversificados mas mais curtos, como se impõe neste meio. Tudo a seu tempo, com a calma que a qualidade exige.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

[0211] E DEPOIS DA ÁGUA, OS CIGARRINHOS, AS BATATAS E AS CEBOLAS

Hoje o PRAIA DE BOTE  está generoso e continua a memorizar...

Já andava o 25 de Abril a aviar História, estávamos em 11 de Janeiro de 1975 (data da publicação no BOCV), Cabo Verde ainda não era independente mas a coisa estava quase e de Lisboa ainda ia a cigarrada para saciar o vício (apesar de no Mindelo existir fábrica). É que nisto de cigarros, também tem de haver contenção nos preços e o do macinho era regulado. Bem como o da batata da metrópole (vulgo "batata inglesa") e o da cebola. Isto na Praia... mas não na de Bote... pois na de Bote usava-se mais o Marlboro e o Chesterfied, ahahahaha, contrabónde, contrabónde...

Então, aqui vai material, mais uma vez para a memória se refazer.



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[0210] ÁGUA, SEMPRE O PROBLEMA DA ÁGUA EM CABO VERDE, E UM DOCUMENTO HISTÓRICO

A 27 de Setembro de 1975, o novo país ainda não tinha três meses e já dava os primeiros passos a caminho de um aproveitamento racional das águas, esse bem escasso e difícil de obter nas ilhas de Cabo Verde. Aqui fica o documento de intenções (Boletim Oficial da República de Cabo Verde), como memória neste século XXI em que ainda muito há por fazer, a esse respeito.

Declara, por fim, o PRAIA DE BOTE, como adenda ao mesmo:
Beba-se, num copo de cristal!


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quinta-feira, 12 de julho de 2012

[0209] BARCELONA? BENFICA? CHELSEA? PORTO? MILÃO? BRAGA? FLUMINENSE? REAL DE MADRID? QUAL QUÊ... MINDELENSEEEEEEEEEE!!!

Nem mais! Mindelense é que é. O grande, incomparável e por demais amado clube da Rua de Praia e da Praia de Bote! Ao lado dele, que são Benfica, Sporting e Porto? Para não falar em Chelsea e Barcelona, Real de Madrid e outros que tais...

Sem igual. Aqui o PRAIA DE BOTE  não é grande adepto de futebóis mas quando se trata do Mindelense sente algo a bater dentro do blogue. 6 vezes campeão antes da independência e 8 depois dela, avé clube da borda de água. 

E aos que sabem mais que eu, peço o contributo no desenvolvimento do artigo da Wikipédia. E que seja mudada a palavra errada em "jogadores antigas". Eu fazia a coisa mas é que de Wikipédia não percebo nada.

E um recado para um mnine d'interior de morada, lá na fim de munde de Mindel: ó Val, ca bô fca chateóde! Derby (ou Castilho?) também tem stil mas Mindelense é qu'é aquel clubin.

Aqui fica uma camisolinha 14 que acho que já não se usa mas que serve para animar os espíritos dos adeptos da Rua de Praia.

Imagem eBay

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[0208] CONCURSO 1 - RESULTADO

O Concurso 1 saldou-se por um estrondoso fracasso. Ninguém conseguiu identificar o comandante Cristiano José de Senna Barcelos (1854-1915), capitão-de-fragata da Armada portuguesa nascido em Cabo Verde. Militar, escritor e cartógrafo, foi autor do clássico "Subsídios para a História de Cabo Verde e Guiné", Tipografia da Academia Real de Sciencias de Lisboa, 1899 (reedição pelo Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Praia, 2003). O guru da história da imprensa e da genealogia cabo-verdiana, João Manuel Nobre de Oliveira já lhe chamou "o maior historiador  de Cabo Verde de todos os tempos". Tem nome de rua no Mindelo.

Seguem links que dão mais informações sobre a vida e bibliografia do comandante.
Obras digitalizadas:
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Biografia sumária:
Clique aqui
Bibliografia:
Clique aqui

Veremos como se sairão os nossos leitores da próxima vez...

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quarta-feira, 11 de julho de 2012

[0207] CONCURSO 1

Neste espaço concursal que PRAIA DE BOTE hoje abre e espera vir a ter grande sucesso (oxalá não nos enganemos), começamos por divulgar a fotografia de uma figura famosa, mais que ligada a Cabo Verde.
Pergunta-se: quem é o retratado?
O prémio para o vencedor (primeiro participante que colocar a resposta nos comentários) será um ramo de acácia, a árvore mais popular do arquipélago.

Mais uma participação do nosso colaborador Valdemar Pereira. E avisamos que a oferta do ramo de acácia não tem nada a ver com maçonaria, da qual é um dos símbolos máximos.

Caro amigo,

Não conte comigo para eu ser o primeiro a comentar porque conheço a acácia como sendo "espinhêra" e sei dos seus picos. Só quero felicitar o Praia de Bote pela iniciativa de aqui trazer figuras que se notabilizaram nas Dez Ilhas (des)afortunadas e que podem ser esquecidas com a vinda de novos heróis. 
Gostaria que aqui viesse (entre outros, claro) o João Nobre de Oliveira para "btá conbersa".

Já agora conto coisa relativa à acácia onde entra um vizinho da Chã de Cemitério e um dos seus dois filhos:
num domingo de manhã, a Académica e o Mindelense disputavam um jogo tira-teimas para o Campeonato de Segunda Categoria. O filho Humberto era um dos melhores elementos dessa equipa que batia a equipa da primeira e ele não podia faltar ao jogo. Sucede que, por ter de ir na segunda de manhã ao Hospital para uns exames de rotina, estava proibido de sair. Mas ele conseguiu fugir para ir à bola. Só soubemos disso tudo porque vimos, antes de o jogo acabar, o filho atravessando o largo levando estoicamente varadas de acácia que lhe ministrava o pai. Escusado será dizer que esse menino dos seus 12 anos ficou horripilado.

Desculpa lá, Praia de Bote, de ter saído do contexto mas, mnine de Soncente é buzode.

Braça
Valdemar

Ó MNIS, BSOT CA TA CONCHÊL?

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terça-feira, 10 de julho de 2012

[0206] UM ACIDENTE, UMA CARTA, UM PEDIDO

No meu arquivo de Cabo Verde, religiosamente conservado, há de tudo: desde as coisas estranhas às curiosas, várias históricas, outras divertidas e até algumas tristes, como esta. A coisa passou-se em 4 de Novembro de 1962 (data colocada na carta que aqui vemos pela minha mãe), tínhamos nós chegado a S. Vicente pouco antes. Um dia, à hora do almoço, o pai apareceu em casa com esta carta que tinha recebido na Patronia (a patronia e a minha casa ficavam a uns 30 metros uma da outra, ambas nos anexos da Capitania) e que o autor tinha colocado na sua secretária quando ele lá não estava.

A missiva era triste, até dizer chega. O meu pai estava varado, a minha mãe até uma lagrimita deitou e eu, de cara à banda, ao saber de quem se tratava, pois o marinheiro era já um dos meus maiores amigos (como foi até ao fim da nossa estada na ilha).

Resumindo e concluindo: o pai não quis o relógio como penhor, a massa lá foi emprestada e o rapaz devolveu-a no prazo previsto. E nunca mais pediu dinheiro, pois aquela solicitação (que muito lhe deve ter custado) era mesmo para satisfazer a necessidade de cura do filho - que o seu mísero ordenado não podia pagar.

Soube em Cabo Verde, num dos meus regressos, através de um antigo polícia marítimo, que o meu amigo estava há muito em Portugal e que já se encontrava reformado. Infelizmente, não consegui obter o seu endereço. Pode ser que um dia...


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segunda-feira, 9 de julho de 2012

[0205] FROM RUSSIA WITH LOVE

15 visitas da Rússia ao PRAIA DE BOTE, nas últimas 24 horas. Gostarão os tovarich assim tanto de Eugénio Tavares? Ou estará em marcha uma invasão das ilhas, secretamente planeada pelo Exército Vermelho cujos estrategas aqui vêm saber pormenores que a facilitem? Mistério total...

 
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[0204] LIVRO "MORNAS - CANTIGAS CRIOULAS ", DE EUGÉNIO TAVARES (1 - ENGETADINHA)

O saboroso livro de Eugénio Tavares (Brava, 5.11.1867-1.6.1930) é de Fevereiro de 1932 (20 exemplares apenas, editado postumamente por J. Rodrigues & Ca., Lisboa, por iniciativa do seu amigo Osório de Oliveira) e foi reeditado pela Liga de Amigos de Cabo Verde, em Luanda, em Novembro de 1969.  Não vamos perder mais tempo com o historial da obra ou do bardo bravense que está contado com bastante detalhe em http://www.eugeniotavares.org/index.html. Lembramos apenas que a mesma é dedicada "Ao altíssimo espírito de João de Deus", poeta que Tavares venerava - abrindo o livro com uma versão crioula de "Enjeitadinha", desse popular autor português do século XIX.

Eugénio Tavares is one of the most well-known poets of the Cape Verdean literature
Eugénio Tavares
Sendo o PRAIA DE BOTE um blogue de S. Vicente, incluir esta matéria nele só pode significar uma coisa: Tavares é universal e fica bem seja onde for. E mais! É que os seus versos foram e são mais que cantados na ilha do Porto Grande, bem como no resto do arquipélago e por todo o mundo onde haja alguém que entoe música di tera. Dando pequena volta pela nossa discoteca, encontrámos uma amostra em Fernando Quejas "Carta di nha cretcheu" (CD "Cape Vert: Anthologie 1959-1992", música inicialmente gravada em 1959), Celina Pereira, "Força de crêtcheu" e "Mal de amor" (CD "Nos tradição", 1994) e Gardénia Benrós "Canções aladas" (CD "Kryola d'encantar", 1995).

Portanto, aqui vai...

A Enjeitadinha (de João de Deus)

- De que choras tu, anjinho?
"Tenho fome e tenho frio!"
- E só por este caminho
Como a ave que caiu
Ainda implume do ninho!...
A tua mãe já não vive?
Nunca a vi em minha vida

Andei sempre assim perdida,
E mãe por certo não tive!"
- És mais feliz do que eu,
Que tive mãe e... morreu!

Engetadinha (de Eugénio Tavares - copiado sic)

- Cusa é bo tem, nha figinho?
- 'N tem fome, a má'n tem friu.
- Ma bô sô na es caminho,
Que jâ escapâ de sê ninho!...
Nha fijo, bô ca tem Mai?
- Na nha bida'n ca conchel...
Desde que'n necê'n perdel...
Parcê'n ma'n ca tema Mai...
- Bô é mas feliz que mi,
Que temba de meu, e el morré...

O nosso colaborador Valdemar Pereira comentou o presente post com duas quadras alusivas. Para que elas tenham maior visibilidade, puxámo-las aqui para cima, devidamente enquadradas pela "carinha" (manera d'dzê foto diazá)  do mais cabo-verdiano dos habitantes de Tours, ele próprio uma "torre" de sabedoria e de memórias.



Impiedosamente os anos vão passando
mas nós relembramos o que foi ficando;
os que foram nossos mestres valentes,
colegas, amigos, parentes e aderentes.

Esquecemos esses textos menos usados
mas ficam todos os factos mais badalados.
Vale sempre a pena fazer a escapadinha
como esta leitura do poema "Engetadinha".

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sábado, 7 de julho de 2012

[0203] EM 1962. BANA, NO TEATRO, EM DACAR (SENEGAL), PELA MÃO DE VALDEMAR PEREIRA

ADENDA: Horas após a inserção deste post, vários amigos (sobretudo portugueses) nos perguntaram o que é isso de "guarda-cabeça". Trata-se de uma tradição cabo-verdiana que consta de uma cerimónia contra o mau-olhado e tem lugar na noite que vai do sexto para o sétimo dia, após uma criança ter nascido. Quel cosa d'spantá bruxa... Esta tradição tem equivalentes, com múltiplas variantes, em outros locais em todo o mundo. Em Portugal, por exemplo, ainda há quem  ofereça um filho pequeno à Lua, para evitar  problemas futuros, sobretudo de saúde.

Prometido é devido. Aqui vai o testemunho daquela que parece ter sido a única passagem de Bana pelo teatro. A coisa aconteceu em Dacar, pela mão do pai do teatro cabo-verdiano de diazá, Valdemar Pereira. E a stóra vem contada em "O teatro é uma paixão", da autoria do mesmo Val, nosso colaborador e amigo (ed. de autor, Almada, 2001). O livro teve lançamento em 8 de Maio de 2010 em Lisboa, na Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde numa sessão memorável que o PRAIA DE BOTE apresentou e que teve a presença de Adriano Lima que de igual modo disse interessantes palavras. Também estava no local o pai do teatro cabo-verdiano moderno, João Branco - que apresentaria o livro meses mais tarde, em S. Vicente. Leiamos então a parte alusiva a Bana (com ligeiras adaptações) e vejamos as fotos.

«O sketch baseava-se num ritual de guarda cabeça, a decorrer num lugar imaginário, algures em Monte Sossego. A intenção era fazer do Bana uma das figuras centrais para em dado momento final dar-lhe asa para soltar a sua portentosa voz. Mas tudo começa com a concepção de um entretenimento em qua as pessoas e as peças materiais do ritual estão a postos. Mas aconteceu que houve falta de presença do Bana. No que tocava ao rapaz, solicitado por causa da sua arte, era por vezes difícil acertar-lhe com o paradeiro. Assim, as rezas, as ladainhas, as vigílias, enfim tudo o que fazia parte da praxe do guarda cabeça funcionou e aprontou em devida altura, mas... faltava chegar o homem  que ia animar a festa antes do cuscuz a que todos tinham direito.

Cena do sketch "guarda cabeça", escrito por Valdemar Pereira, com Grigol, Bitim, Octávio, Fefa, Alice, Valdemar (em pé), Bia Gata (deitada) e Bana a interpretar o seu próprio papel
(...) Até que finalmente o nosso homem apareceu, sorridente, mas incapaz de reagir às minhas brincalhonas intervenções, o que é compreensível dado que não tinha então qualquer traquejo para o improviso. Então eu provoquei-o, insinuando que ele estava com vergonha de falar por ter sido apanhado a jogar batota no sótão do Derby, ao que a plateia ripostou no mesmo tom de boa disposição, dizendo que não senhor, ele não jogava, não bebia, havia sim muitas "pequenas", isso sim senhor, que andavam atrás dele e não lhe davam tempo para nada, etc.»

Cena com Valdemar Pereira (à esquerda), Bana e Fefa Matos no Théâtre du Palais, Dacar, 8.10.1962